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Capítulo 5

Author: Corvo da Kurumi
Aquilo realmente não era culpa minha.

Deitado sobre um corpo tão macio e perfumado, eu não conseguia conter o impulso dentro de mim.

Qualquer homem, naquele momento, perderia o controle.

Mas, antes que meus dedos chegassem a tocar nela, o rosto de Laura mudou de repente.

Sua expressão ficou extremamente severa, e ela ergueu a mão de uma vez, acertando um tapa no meu rosto.

Fiquei atordoado na hora, olhando para ela sem entender o que estava acontecendo.

Laura olhou para a porta e, em seguida, baixou a voz:

— Seu desgraçado, esqueceu o que combinamos? Somos só um casal de fachada. Quando estivermos sozinhos, não pode existir intimidade entre nós. Você não pode tocar em mim. O que está tentando fazer?

Claro que eu lembrava do acordo.

Seríamos apenas um casal de fachada.

— Então você...

Laura colocou o dedo nos lábios, fazendo sinal para que eu ficasse quieto, e depois apontou para fora da porta.

Virei a cabeça e olhei.

Na mesma hora, fiquei completamente sem palavras.

Pela fresta embaixo da porta, dava para ver com clareza uma sombra projetada do lado de fora.

Laura baixou a voz e sussurrou:

— Minha mãe está lá fora, ouvindo os sons aqui dentro. Entendeu?

Dessa vez, finalmente entendi.

Laura estava fingindo, tentando enganar Sônia.

— Hmm... ah...

No instante seguinte, um som estranho escapou dos lábios de Laura.

A expressão dela ficou estranha, e eu olhei para ela.

— O que você está fazendo?

Com o rosto vermelho, Laura respondeu:

— Sexo precisa ter algum som, não precisa? Senão, não parece real.

— Você já teve marido, não teve? Não me diga que nem isso você entende. Que som é esse? Quem você quer enganar? Falso demais. — Falei, sem paciência.

Aquele som que saiu da boca de Laura foi estranho.

Parecia algo forçado, sem emoção nenhuma.

Qualquer pessoa com um mínimo de experiência ouviria aquilo por um instante e saberia que era falso.

Pelo que diziam, Laura já tinha tido três maridos.

Não fazia sentido que nem esse tipo de coisa ela entendesse.

Então vi o rosto de Laura ficar ainda mais vermelho.

Ela lançou um olhar irritado para mim.

— Pelo visto, você entende muito, não é?

Respondi com orgulho:

— Isso ainda precisa ser dito? Achou mesmo que minha fama de homem cheio de fogo veio do nada? Todo mundo ao redor sabe do que eu sou capaz.

Os olhos de Laura ficaram cheios de desprezo.

Ela torceu os lábios e pensou: “Que cara de pau.”

Ela fez uma pausa e disse:

— Já que você tem tanta experiência, então faça você.

Assenti, satisfeito, e fiz sinal para que ela se deitasse de bruços.

Laura não parecia muito disposta, mas ainda fez o que pedi.

Virou o corpo e ficou de bruços na cama.

Então levantei a mão e dei um tapa na bunda empinada dela.

— Ah...

Ela levantou a cabeça de repente e me encarou.

— O que você está fazendo? Por que bateu em mim?

— Esse som que você acabou de fazer foi bem convincente. Com certeza dá para enganar. Senão, o que mais a gente poderia fazer? — Falei como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.

Na verdade, eu só queria descontar o tapa que tinha levado agora há pouco.

Ter recebido um tapa na bunda deixou o rosto de Laura completamente vermelho, tanto de vergonha quanto de raiva.

Mas ela realmente não tinha experiência nesse aspecto e sentiu que o que eu dizia talvez fosse verdade.

A sensação de sufocamento dentro dela ficou ainda mais intensa.

Ela perguntou:

— Então você não precisa fazer algum som também?

Pensei um pouco e respondi:

— Só esse som, claro, não basta. Para parecer real, ainda precisa ter a respiração ofegante do homem e o barulho da cama balançando. Mas só bater na bunda não produz esses sons.

Laura parecia uma garota completamente inocente.

Com os olhos arregalados, perguntou:

— Então como faz?

— Tem que ser assim.

Enquanto eu falava, pressionei meu corpo sobre o dela, e a cama começou a balançar na mesma hora.

Laura não conseguiu segurar e soltou um som doce e envolvente.

Ela virou o rosto e me encarou furiosa, claramente insatisfeita com aquele movimento.

Mas, com Sônia do lado de fora da porta, ela não teve coragem de explodir.

— Fazer ou não desse jeito fica por sua conta. Eu não tenho outro método. — Falei, dando de ombros.

Sem alternativa, Laura só pôde assentir, humilhada.

Naquele momento, entendi que encenar aquilo realmente não era fácil.

Não bastava fingir. Tinha que parecer real.

Talvez por odiar demais aquela sensação, Laura pegou o celular e começou a mexer aleatoriamente.

Eu não sabia com quem ela estava conversando.

Ao mesmo tempo, a boca dela cooperava, soltando sons de tempos em tempos.

As duas mãos, que antes batiam continuamente para produzir barulho, também começaram a ficar cada vez mais leves.

Laura franziu a testa de forma evidente, virou o rosto para mim e sussurrou:

— Já está bom, não está?

— Está longe disso. Eu consigo aguentar mais de uma hora.

Infelizmente, Laura não me deu a chance de aguentar mais de uma hora.

Ela olhou para a porta, viu que a sombra já tinha desaparecido e, no mesmo instante, virou o corpo e acertou um chute na minha barriga, me derrubando da cama.

A repulsa no rosto dela não tinha o menor disfarce.

— Vocês homens são nojentos demais...

Minha barriga doía um pouco.

Levantei cobrindo a barriga com a mão.

Embora Laura fosse mulher, aquele chute veio com tanta força que meu rosto chegou a se contorcer de dor.

— Fique longe de mim. Não quero ver você. Nojento! — Laura xingou e, em seguida, puxou a coberta ao acaso, cobrindo o próprio corpo.

Eu só pude cerrar os dentes e caminhar em direção ao corredor ao lado do banheiro.

Eu era apenas uma ferramenta.

Depois de usado, tinha sido chutado para longe por ela. Nem precisava falar em dormir na cama.

O chão estava frio como gelo.

Só pude pegar uma toalha de banho no banheiro e me enrolar no corpo.

Embora aquela encenação tivesse terminado por enquanto, e o problema de Laura tivesse sido resolvido, meu problema ainda não tinha sido.

Essa mulher era detestável demais.

Enquanto resmungava por dentro, percebi que, no cesto de roupas do banheiro, ainda estavam as peças que Laura tinha trocado antes do banho.

Uma meia fina preta estava largada por cima, chamando muita atenção.
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