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Capítulo 4

Author: Corvo da Kurumi
Naquele instante, Camila e eu ficamos completamente paralisados.

Olhamos um para o outro, com expressões totalmente vazias.

Camila nem percebeu que a toalha que usava para secar o cabelo tinha caído no chão.

Camila era irmã de Laura?

Então isso significava que ela seria minha cunhada?

Eu estava prestes a virar marido de Laura, mas, antes mesmo de encontrar Laura, tinha acabado de fazer sexo com Camila?

Camila também não estava em situação melhor.

Suas mãos tremiam levemente, o rosto ficou pálido, e os músculos de sua face chegaram a contrair de leve.

Laura também percebeu que havia algo errado.

Confusa, ela olhou para mim, depois para Camila, como se tentasse entender o que estava acontecendo.

— Vocês dois se conhecem?

— Eu...

Assim que abri a boca para falar, Camila, ainda parada na escada, me interrompeu antes que eu pudesse continuar.

A surpresa no rosto dela desapareceu, dando lugar a um sorriso travesso.

— A gente se conhece, sim.

Ela assentiu e disse, sorrindo:

— Nunca imaginei que ele fosse meu futuro cunhado. Que coincidência, né?

Ainda com um sorriso no rosto, ela continuou:

— Quando eu estava no caminho, três marginais vieram me importunar. Por sorte, ele apareceu para ajudar e expulsou aqueles caras. Senão, eu teria acabado em apuros.

O que Camila disse não era mentira, mas ela ocultou completamente o que tinha acontecido entre nós.

Fiquei encarando Camila.

Ela apenas olhou para mim uma vez e desviou rapidamente os olhos.

Embora Camila fingisse muito bem, ainda havia certo constrangimento.

Ela queria fingir que nada daquilo tinha acontecido?

Meus punhos fecharam sozinhos.

Dentro de mim, havia uma forte sensação de inconformismo.

No fim, porém, soltei os punhos, porque eu precisava de dinheiro.

Além disso, já que aquela era a decisão de Camila, eu respeitaria a vontade dela.

Se ela queria esconder o que tinha acontecido, então aquilo ficaria escondido.

Caso a verdade viesse à tona e levasse aquela família a uma ruptura completa, talvez isso também fosse algo que Camila não queria ver.

— Então foi isso.

Ouvi as vozes de Laura e Sônia.

As duas passaram a olhar para mim com certa satisfação.

Ter salvado Camila provavelmente contava como um ponto positivo para elas.

Laura também não aprofundou o assunto e começou a apresentar a família.

Camila eu já conhecia.

Aquela bela mulher que eu tinha achado ser irmã de Laura era, na verdade, a mãe delas, Sônia.

Laura também tinha uma filha de treze anos, chamada Alice Sampaio, que não estava em casa naquele momento.

Por causa da identidade de Camila, minha cabeça estava uma bagunça.

Eu sentia desconforto no corpo inteiro.

Qualquer coisa que eu fizesse parecia estranha.

Mas Laura e Sônia não deram importância à minha reação.

Apenas acharam que eu estava nervoso por ter acabado de chegar a um lugar desconhecido, ainda mais por ser o marido que passaria a viver na casa dela.

Pelo olhar de Sônia, ela parecia bastante satisfeita comigo.

Era tipo aquela sogra que olha para o genro e vai gostando cada vez mais dele.

Camila falava animada, gesticulando sem parar:

— Laura, você realmente encontrou um bom marido. Você nem imagina como ele foi incrível naquela hora. Ele derrubou os três marginais em poucos golpes. Foi impressionante.

Camila continuou:

— Se ele não fosse seu marido, eu até ficaria com vontade de roubar ele para mim.

Eu sabia que Camila dizia aquilo de propósito.

Ela não queria deixar transparecer o clima constrangedor entre nós, apenas queria fingir que nada tinha acontecido.

Fiquei um pouco sem graça.

Ao lado, Sônia deu um tapa leve em Camila, irritada.

— Que bobagem é essa que você está dizendo?

Camila sorriu.

— Não vou atrapalhar vocês. Estou com muito sono, vou voltar para dormir.

Ela levantou e caminhou em direção ao andar de cima.

Só que, ao subir a escada, não sei se por causa do estado emocional ou físico, acabou tropeçando sem querer e caiu nos degraus.

Fui depressa até ela, pronto para ajudar Camila a levantar, mas ela afastou minha mão e disse com um sorriso:

— Não seja tão gentil comigo. A Laura vai ficar com ciúmes.

Ela disse isso, mas, naqueles olhos brilhantes, vi um traço de tristeza e dor.

Então Camila levantou toda atrapalhada e subiu correndo a escada, sem coragem de olhar para mim nem por um segundo.

Sônia também levantou, disse que já estava ficando tarde e mandou Laura e eu subirmos para descansar.

Laura disse que iria providenciar um quarto para mim imediatamente.

Sônia disse:

— Providenciar quarto para quê? Vocês ficam juntos. Aqui não tem tanta regra assim.

Laura mordeu os lábios.

Talvez por não conseguir contrariar Sônia, no fim acabou aceitando.

O quarto de Laura tinha uma tonalidade rosada, com um ar bastante juvenil.

— Vá tomar banho. No armário tem um pijama novo. Depois do banho, deite na cama e espere por mim.

Quando chegamos ao quarto e não havia mais ninguém por perto, o rosto de Laura ficou imediatamente frio.

Meu corpo estremeceu, e minha expressão ficou estranha.

Laura não tinha dito que eu não podia tocar nela?

Então por que estava mandando eu esperar por ela na cama?

Será que, por eu ser bonito e ter um corpo forte, ela tinha ficado interessada e não conseguia mais controlar o desejo?

Com esse pensamento estranho na cabeça, fui até o banheiro, tomei banho, vesti aquele pijama que claramente era muito caro e deitei na cama.

A cama ainda exalava uma fragrância leve, talvez o perfume natural de Laura. Era muito agradável.

Laura também pegou um pijama e foi tomar banho.

Ao ouvir o som que vinha do banheiro, senti uma forte vontade de ir até lá e espiar um pouco.

Fiquei imaginando como seria delicado o corpo sob aquele conjunto de uniforme.

Mas, no fim, não tive coragem.

Provavelmente ela iria me expulsar na mesma hora.

Algum tempo depois, Laura terminou o banho, vestiu um pijama branco como neve e saiu do banheiro.

Quando vi Laura daquele jeito, minha garganta se moveu sozinha.

Seu corpo esguio aparecia de forma vaga sob o pijama fino.

O pescoço elegante era alongado como o de um cisne branco.

Mesmo dentro do quarto, ela continuava cheia de elegância.

Só que, ao olhar para mim, havia uma repulsa evidente nos olhos dela.

Embora sentisse nojo, Laura ainda suportou aquela sensação e deitou ao meu lado.

Senti uma fragrância suave chegar ao meu nariz.

Ela respondeu friamente:

— Venha aqui. Deite em cima de mim.

— O quê?

Por um instante, não consegui reagir.

Laura baixou a voz e repetiu:

— Não ouviu? Anda logo.

Senti um calor intenso tomar meu peito. Aquele impulso dentro de mim ficou impossível de conter.

Virei o corpo e fiquei por cima dela.

O fogo em meu coração acendeu por completo, e estendi a mão, avançando em direção ao corpo dela.
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