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Capítulo 4

Author: Aquino
last update Petsa ng paglalathala: 2025-11-19 01:14:44

Nathan Keen

Eu estava disposto a fazer Valentina pagar por cada segundo da afronta.

Aquela bofetada não foi um gesto impulsivo.

Foi uma humilhação pública.

E humilhações, comigo, nunca passam impunes.

Como eu jamais encostaria a mão em uma mulher, encontrei outra forma de punição.

Tarefas exaustivas.

Ordens absurdas.

Trabalho de almoxarifado.

Tudo para colocar essa selvagem em seu devido lugar.

E funcionou.

Ela anda fugindo de mim pelos corredores.

Esconde-se atrás de araras como se eu fosse um predador prestes a atacar.

Que tenha medo mesmo.

Desde quando uma simples modelo acha que pode levantar a mão pro dono da empresa?

O tapa dela ecoa na minha mente como um incêndio que não se apaga.

Eu poderia tê-la demitido naquele exato momento.

Mas meu pai se meteu.

— “Ajude essa moça, Nathan. Ela não tem ninguém. Seja mais humano.” —

Humano.

Essa palavra sempre soa estranha na minha boca.

Ainda assim, acabei obedecendo.

E agora a pequena selvagem está aqui.

Viva, empregada, respirando o mesmo ar que eu.

E me tirando do sério como nenhuma mulher jamais conseguiu.

Há nela um fogo bruto, indomado.

Um fogo que irrita e intriga ao mesmo tempo.

E eu odeio o fato de pensar nela mais do que deveria.

É fim de expediente e sou o último a sair da Model.

Os corredores estão vazios e silenciosos.

É assim que gosto: minha empresa sob meu controle.

Totalmente obediente.

Ao contrário de certa funcionária baiana.

Decido ir a um bar de luxo para espairecer a cabeça.

O cheiro de madeira, bebida cara e o som de jazz me acalmam.

Peço um uísque puro. Dose dupla.

Uma mulher elegante senta ao meu lado no balcão.

Uma morena bonita, perfume marcante, sorriso fácil.

O tipo de distração que costumava funcionar comigo sem esforço.

Puxamos conversa, trocamos olhares provocantes.

Em qualquer outro dia, eu a levaria direto para um hotel.

Mas quando ela se aproxima e toca no meu braço...

A imagem que surge na minha cabeça não é a dela.

É a da garota de olhos verdes encarando-me com fúria.

Lembro do cheiro doce misturado ao ódio no olhar dela.

Lembro do estalo da mão dela contra a minha pele.

Lembro da respiração presa entre os dentes brancos.

Sinto o sangue ferver de irritação.

— Licença — murmuro para a mulher no balcão, deixando o dinheiro na mesa.

Levanto-me e saio sem olhar para trás.

Nem uma bebida forte e uma mulher bonita conseguem limpar meu cérebro.

Volto para casa pisando fundo no acelerador.

Entro no meu apartamento, tiro o paletó e me jogo na cama.

Eleito o braço por trás da cabeça, fixando o olhar no teto escuro.

Isso não é normal.

Eu nunca pensei tanto em uma mulher.

Nunca odiei — nem notei — alguém dessa forma descontrolada.

Valentina me instiga. Ela desafia. Ela morde.

E o pior é perceber que eu acho isso fascinante.

Por que ela estava tão desamparada quando chegou?

Por que parece assustada toda vez que pensa em demissão?

Há algo errado nessa história.

Ela esconde alguma coisa.

Vou mandar investigar cada passo dessa garota.

Saber quem ela é de verdade, de onde veio e o que pretende.

Preciso encontrar um motivo real para desmascará-la.

Uma coisa é certa:

Eu vou descobrir tudo sobre Valentina.

Quem ela realmente é.

De onde veio.

E por que esse fogo dela me atrai e me irrita no mesmo segundo.

Ela pensa que venceu a primeira batalha com aquele tapa.

Mas a guerra está só começando.

E eu vou garantir que essa baiana se ajoelhe diante de mim.

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