Mag-log inHelena Evelyn
O fim de semana finalmente chegou. Agradeci a Deus pelo simples fato de não precisar ver a cara daquele homem insuportável. Só isso já deixava meu peito mais leve. Nathan era uma pedra no meu sapato. Arrogante, grosso, metido e capaz de estragar meu humor com uma frase. Só de lembrar do olhar dele, meu sangue fervia de raiva. Mas hoje… nada de Nathan. Nada de estresse ou de pisar em campo minado na agência. As meninas insistiram para irmos a uma festa de noite. Victor — sempre gentil e educado — me convidou pessoalmente. Aceitei no impulso, encantada com a educação dele. Victor era maravilhoso. Cabelos ruivos com brilho de fogo e olhos azuis como o céu. Atencioso, carinhoso, um verdadeiro príncipe. Eu queria viver aquele amor bonito que os livros descrevem. Queria sentir o coração acelerar e as pernas tremerem por alguém. Também queria perder minha virgindade — no meu tempo, com quem eu escolhesse. Não como teria acontecido se eu não tivesse fugido de Marcela. Um arrepio frio percorreu minha espinha só de lembrar. Eu odiava aquela mulher com todas as minhas forças. — Valentina, no que você está pensando? — a voz de Ketley me tirou do transe. — Em tanta coisa… Mas me diz: por que o Victor não tem namorada? Ketley sorriu, mas vi um brilho de dor no olhar dela. — Ele já teve, há muito tempo. Mas você foi a primeira que ele chamou pra sair aqui. Meu peito apertou ao perceber a reação dela. Ketley gostava dele… e eu nem tinha notado. — Ketley… e você? Está solteira? — mudei de assunto. — Tô. Tive um relacionamento péssimo, cheio de ciúme possessivo. — Trabalho tirando fotos de lingerie e ele não aguentava. Deixei ir. — Faz bem — respondi. — Eu nunca tive namorado, não entendo muito. Ketley arregalou os olhos. — Como assim? Uma mulher linda como você? Nunca? — Completei dezoito anos há dois meses — confessei em voz baixa. — E sim… sou virgem. Nunca senti vontade com ninguém. Ela caiu sentada no sofá, chocada. — Dezoito?! Mas a agência só aceita meninas acima de vinte! Eu acabei contando a verdade para ela. Falei do passaporte falso e dos documentos adulterados. Da viagem forçada sob ameaça de armamento e do terror de ser vendida. — Eu tenho vinte e cinco anos… só no papel — finalizei. Ketley respirou fundo, impressionada. — Amiga, isso é muito sério. — Eu sei… mas não quero pensar nisso agora — tentei sorrir. — O Victor vem nos buscar às nove e meia. Vamos nos arrumar. Subi para o quarto e me joguei na cama. Apaguei de cansaço. Quando acordei, já eram quase seis da tarde. Levantei assustada, com o coração acelerado. Eu demorava séculos para me arrumar, pois não sabia me maquiar. Nem sabia usar metade das coisas que as maquiadoras passavam em mim. Eu tentei escolher uma roupa, mas não tinha quase nada no armário. Minhas roupas ficaram para trás, na minha antiga vida. Embora tivesse recebido o primeiro salário, não tinha coragem de gastar. Me sentia culpada morando naquele apartamento tão chique. — Valentina! — Ketley entrou no quarto. — Com que roupa você vai? — Não sei! Não tenho nada. — E ainda tenho que ouvir o chefe idiota dizendo que só tenho uma roupa! — Odeio aquele homem, Ketley. Ele é impossível! Ela riu da minha revolta. — Calma, amiga… Vem no meu closet. Quando ela abriu a porta, quase caí para trás. Parecia a seção VIP de uma loja de luxo. Roupas com etiqueta, sapatos alinhados e bolsas caras. — Escolhe o que quiser — ela disse. Rimos juntas e aquilo me ajudou a relaxar. Depois do banho, escolhi um vestido marrom elegante e salto plataforma. Deixei meu cabelo encaracolado secar ao natural. Antes de descer, tomei coragem e liguei para minha família na Bahia. Meu irmão atendeu e a voz dele tremia do outro lado da linha. — Helena? Meu Deus… Helena! Ouvir aquele tom de alívio quase me destruiu por dentro. — Oi, mano… Conversamos rápido e ele passou o telefone para minha mãe. Ela brigou, chorou e reclamou — exatamente como eu esperava. Mas disse que me amava e que ia abrir a conta no banco que pedi. Prometi mandar dinheiro e tirar eles da miséria. Prometi tudo, segurando o choro para não desmoronar. Desliguei com o coração apertado. Foi aí que a ficha caiu: se minha mãe cismasse de me visitar, eu estaria perdida. Eu menti dizendo que estava em São Paulo. Quando, na verdade, estava do outro lado do oceano, nos Estados Unidos. Meu estômago embrulhou de pavor. Se o Nathan descobre meus documentos falsos, me j**a na cadeia. Mas eu não podia surtar agora. Eu tinha uma festa para ir, um convite para honrar… E uma vida inteira para sustentar em cima de segredos.Helena EvelynO silêncio da nossa suíte na Califórnia tinha um peso diferente naquela manhã. Não era o silêncio do vazio, mas o de uma promessa que pulsava dentro de mim, silenciosa e avassaladora. Olhei-me no espelho, ajeitando o roupão de seda que Nathan insistia que eu usasse — ele amava a forma como o tecido deslizava pela minha pele, como se marcasse seu território a cada movimento meu.Há meses eu tentava. Cada teste negativo era uma pequena ferida no meu otimismo, mas eu havia decidido desencanar. "No tempo de Deus", eu disse a mim mesma. Mas o destino, assim como meu marido, não costuma pedir permissão para agir.O atraso menstrual foi o primeiro sinal, mas meu temperamento foi o veredito. Eu estava uma fera. Nathan, com todo o seu poder e controle, parecia um alvo ambulante para o meu mau humor. Bastava ele me olhar de um jeito mais profundo ou respirar perto demais do meu ouvido para que eu sentisse vontade de desferir um soco naquela cara linda e esculpida.O teste de farmá
Helena Evelyn— Você é louco ou o quê? — gritei, ainda dentro do carro, sentindo o sangue ferver. — Quase machucou o coitado do Maurício por nada, seu ogro!— Está com pena dele, Helena? Então vá ficar com ele! — Nathan rosnou, as mãos apertando o volante com força. — Acha que eu não vi? Ele quer transar com você. Todo homem naquela faculdade quer.Aquelas palavras foram a gota d’água. Não contive a indignação e desferi um tapa estalado no rosto dele. O som ecoou no carro luxuoso.— Cala a boca, Nathan! O Maurício é casado, ama a esposa e os filhos. Ele nunca me faltou com o respeito. É o meu único amigo naquela faculdade cheia de gente de nariz empinado!Fui o caminho todo em silêncio, sentindo o peito apertado. Ele não confiava em mim. Ao chegar em casa, tomei um banho demorado para lavar a raiva e me joguei no sofá, ligando a TV no último volume. Eu não queria ouvir a voz dele. Não queria ouvir que ele achava que eu era capaz de traí-lo.Depois de um tempo, senti o sofá afundar ao
Helena EvelynO final de semana com meus pais no hotel foi um sonho, mas assim que eles voltaram para casa, a realidade do Carnaval de Salvador nos atropelou. Foram quatro dias de uma folia intensa, mas para o Nathan, foram quatro dias de tortura psicológica.Eu nunca o vi tão fora de si. Logo no primeiro dia, quando descemos para sentir a energia do trio elétrico, um rapaz da minha idade, com o rosto pintado e o sangue quente do Carnaval, parou na minha frente e segurou meu braço para me convidar para dançar. Ele nem teve tempo de terminar a frase. Antes que eu pudesse sorrir ou negar, Nathan avançou como um animal protegendo o território. Ele segurou o pulso do garoto com tanta força que vi os dedos dele ficarem brancos.— Ela tem dono, moleque. E eu não tenho paciência — Nathan rosnou.O rapaz sumiu na multidão em segundos, e eu tive que lidar com um "Leão" rosnando no meu ouvido o resto da noite. Foi exaustivo, mas eu mentiria se dissesse que não amei ver aquele homem poderoso, ac
Helena EvelynChegamos ao Hotel Fasano, um dos lugares mais sofisticados de Salvador, e o restaurante é simplesmente de cair o queixo. Assim que as meninas me avistaram, foi uma confusão de gritos e abraços.— Amiga, que falta você me faz! — Ketley me apertou forte, acompanhada por Emily e Sophia.— Eu também morri de saudade! Mas dona Ketley, por que não atendeu minhas ligações? — brinquei, mas ela logo apontou para o Nathan com um sorriso cúmplice.— Culpa dele, querida! Mas olha que lugar maravilhoso... Estou doidinha para aproveitar esse Carnaval!— Pois se preparem! — anunciei, sentindo uma felicidade que transbordava. — Amanhã tem bloco da Ivete e muito mais. Vamos dançar até o sol raiar!Degustamos um vinho impecável e queijos finos, perdendo a noção do tempo. Quando a meia-noite passou, o grupo decidiu se recolher. Eu deveria voltar para casa, mas o olhar do meu moreno dizia que ele não me soltaria tão cedo.— Fica comigo — ele sussurrou, possessivo. — Tem uma banheira incríve
Nathan KeenO calor de Salvador não era apenas uma questão de temperatura; era uma entidade física que pulsava contra a minha pele, competindo com o calor do meu próprio sangue. Eu estava em solo brasileiro há poucos dias, mas sentia que tinha sido transportado para outra dimensão. Nova York era feita de aço, vidro e regras silenciosas. A Bahia era feita de cores berrantes, tambores que faziam o chão tremer e uma liberdade que me deixava em estado de alerta constante.Eu estava encostado em um camarote VIP, mas meus olhos não estavam no desfile dos trios elétricos. Meus olhos eram dois rastreadores fixos na única mulher que importava.Helena. Minha morena. Minha futura esposa.Ela estava usando um abadá que eu mesmo ajudei a customizar — ou melhor, que eu quase proibi de ser usado. Ela o transformou em um top minúsculo que deixava sua barriga dourada à mostra e um short jeans tão curto que era uma afronta à minha sanidade. Ela dançava. E, porra, como aquela mulher sabia se mover. O ri
Helena Evelyn— O jantar estava delicioso, dona Laura e seu Mauro. Agradeço imensamente pela acolhida, mas agora preciso retornar ao hotel — Nathan disse, com a elegância de sempre.— Se quiser, pode passar a noite aqui, meu filho — minha mãe ofereceu. Arregalei os olhos. *Mainha, você não sabe o perigo que está convidando para dormir sob o seu teto!*— Agradeço, mas meus amigos estão me esperando no hotel — Nathan respondeu, e eu quase caí para trás.— Como assim? O Victor e o Michael estão aqui em Salvador? E você não me disse nada! — Eu estava pronta para dar um sermão nele, mas senti os olhos da minha família sobre mim, segurando o riso. Para eles, era engraçado ver uma "baixinha" como eu peitando um homem de quase dois metros de pura gostosura.— Era para ser surpresa, morena. As meninas, Emily e Sophia, também vieram.— O quê? Até elas? Você é um idiota mesmo, Nathan! — disparei, esquecendo a etiqueta.— Mocinha, olha a boca! — meu pai me repreendeu.— Desculpa, pai... — Corei n







