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CAPÍTULO 4

Autor: Lívia Prado
last update Fecha de publicación: 2026-06-04 00:21:21

Bom dia a todos — a minha voz saiu firme, mais forte do que eu esperava. Coloquei a minha bolsa sobre a mesa, sentindo todos os olhares cravados em mim. — Me chamo Susana Hernandez. Sou a nova professora de Matemática Financeira. Peço, por gentileza, que se sentem nos seus devidos lugares.

Obedeceram lentamente, não por respeito, mas por curiosidade. Comecei a andar entre as fileiras, observando cada rosto, memorizando nomes e expressões. O coração batia tranquilo, até que, de repente, parei no meio do caminho. Um arrepio frio e intenso percorreu todo o meu corpo, dos pés à cabeça. Engoli em seco, sentindo um peso estranho na barriga, uma sensação há muito esquecida.

Havia uma garota sentada na última carteira da fila do meio. Ela não cochichava, não sorria, não fazia comentários. Ela apenas me olhava. Olhava com uma intensidade que parecia desnudar a minha alma. Seus olhos eram profundos, carregados de uma malícia e uma inteligência que não pareciam pertencer a uma idade tão jovem. Senti as minhas mãos formigarem, a pele esquentar e ao mesmo tempo gelar. Quem era ela? Que poder era esse, capaz de me desestabilizar apenas com um cruzar de olhares?

Mordi o lábio inferior, discretamente, lutando para manter a postura, e desviei o olhar como quem foge de um perigo iminente. Continuei a caminhada até a frente da lousa, pronta para iniciar a explicação do conteúdo, quando ela se levantou bruscamente, chamando a atenção geral, e seguiu com passos lentos e decididos em direção à porta.

— Pretende ir a algum lugar antes do início da aula? — perguntei, firme, parando-a com a minha voz.

Ela parou no mesmo instante, as costas eretas, e virou apenas o rosto por cima do ombro. Por um segundo, pensei que ela apenas sairia sem dar satisfações. Mas então, ela deu meia volta e caminhou diretamente na minha direção. Cada passo dela ecoava dentro de mim. Quando parou a poucos centímetros do meu corpo, percebi a mudança naquele olhar, a curiosidade deu espaço a uma raiva contida, um desafio explícito que fazia o ar ao nosso redor parecer mais pesado. Eu tinha a certeza absoluta: essa garota seria o meu caos. E pior, parte de mim já desejava entrar nesse fogo.

— Você é quem mesmo? — perguntou com um sorriso de canto, cheio de deboche, brincando comigo como um gato brinca com o rato antes da caça. Fez uma pausa longa, percorrendo cada detalhe do meu rosto, da minha roupa, até sentir que já havia me analisado por inteiro. — Ah, não precisa responder, Susana Hernandez.

Ela se aproximou ainda mais, invadindo o meu espaço pessoal de forma descarada. Eu me sentia exposta, vulnerável diante daquele exame visual. Sequei as mãos suadas na barra da saia, tentando disfarçar o nervosismo que ela parecia notar e saborear. Algo dentro de mim gritava para recuar, para manter distância, mas os meus pés pareciam pregados ao chão.

Seus olhos percorreram devagar o meu olho esquerdo, depois o direito, desceram até a ponta do nariz e demoraram-se sobre os meus lábios. Ela mordeu os próprios lábios, segurando um sorriso perigoso, e inclinou a cabeça para o lado.

— Muitíssimo prazer, professorinha — a palavra saiu enrolada, carregada de ironia, como se o título fosse uma graça. — Sou Carolina Lombardi. Ia mesmo sair, mas mudei de ideia. Agora acredito que essa aula será bastante interessante. Preciso conferir de perto se o investimento do meu paizinho está sendo empregado corretamente. Afinal, é o meu futuro que está em jogo aqui.

Ela sustentou o meu olhar por mais alguns segundos, desafiando-me a recuar ou a responder, e então deu-me as costas, balançando os cabelos longos e ruivos, brilhantes como chamas ao sol, voltando para o seu lugar com a certeza de que havia deixado a sua marca.

Durante toda a manhã, falei, escrevi e expliquei conteúdos com todo o conhecimento que acumulei ao longo da vida. Mostrei a todos que eu merecia estar ali, independentemente de como tinha sido contratada. Fiz questão de provar que o meu trabalho era limpo e movido apenas pela paixão de ensinar. Tinha estudado muito, feito cursos madrugada adentro, aproveitado cada minuto livre que a vida apertada me deixava para me especializar. E ver os alunos prestando atenção, interagindo e compreendendo, me deu uma sensação de vitória e paz.

Mas Carolina... ela permanecia imóvel, sentada no fundo, não conversava, não olhava para o quadro. Os seus olhos estavam sempre em mim. Seguiam cada movimento das minhas mãos, cada passo que eu dava pela sala, cada vez que eu respirava fundo. Era um olhar tão profundo que parecia tocar a minha pele, provocar arrepios e acender um calor desconhecido dentro do meu peito. Era errado, confuso e absolutamente atraente.

Quando finalmente o sinal tocou, marcando o fim da aula, os alunos levantaram-se animados, vieram cumprimentar-me e parabenizar-me pela clareza na explicação. Senti-me leve, como se tivesse tirado um peso enorme das costas. Eu poderia fazer isso dar certo.

Estava arrumando os livros e cadernos sobre a mesa, guardando tudo na minha bolsa, quando percebi a presença dela novamente. O coração disparou no peito. Os alunos já tinham saído, a porta estava fechada, e restávamos apenas nós duas naquele espaço silencioso.

Continuei a arrumar as coisas devagar, evitando olhar diretamente para ela, tentando ignorar a eletricidade que parecia percorrer o ar entre nós. Quando me virei pronta para sair, ela estava parada bem atrás de mim, tão próxima que quase esbarramos uma na outra. Dei um passo para trás, surpresa.

— Parece assustada, professora — sussurrou ela, baixa e rouca, olhando rapidamente para os lados, confirmando que ninguém se aproximava. Sorriu de forma travessa e perigosa, voltando toda a sua atenção apenas para mim. — Não consegui compreender bem o assunto da introdução. As fórmulas são confusas e as suas explicações foram rápidas demais.

Levantou o caderno grosso, mostrando algumas anotações soltas feitas com letra elegante e bem desenhada.

— Fiz algumas marcações, mas ainda restaram muitas dúvidas. Você poderia me ajudar? — inclinou a cabeça, fingindo ingenuidade. — Prometo que será rápido. Não tomarei muito do seu tempo.

— Claro, é para isso que estou aqui — respondi com a voz um pouco trêmula, colocando a bolsa de volta sobre a mesa e sentando-me na cadeira.

Ela aproximou-se ainda mais, sentando-se ao meu lado direito, tão colada que senti o calor do seu corpo atravessar a minha roupa. O perfume doce que ela usava invadiu os meus sentidos, tornando tudo ainda mais confuso. Inclinei-me sobre o caderno para analisar o que ela havia escrito, pronta para iniciar a explicação, quando, de propósito, ela deixou a caneta escorregar dos dedos, caindo ao chão bem entre as nossas pernas.

— Deixei cair — murmurou ela, abaixando-se lentamente, sem desgrudar os olhos dos meus, como se cada movimento fosse coreografado para me enlouquecer.

Ela não se levantou. Do chão, esticou o braço comprido e macio por baixo da mesa, e eu senti a ponta afiada das suas unhas tocarem de leve a pele sensível do meu calcanhar. Fechei os olhos por um segundo, segurando o gemido que ameaçava sair. Sem parar, ela desenhou uma trilha de fogo, subindo lentamente pela parte de trás da minha perna, contornando cada curva, subindo cada centímetro da pele, até parar logo acima do joelho, onde a barra da saia já não cobria mais.

Eu estava petrificada, as mãos agarradas com força na borda da mesa. E o pior, o que me apavorava mais do que tudo, era saber que eu estava adorando cada toque. Que aquele atrito leve causava sensações que eu julgava terem morrido dentro de mim há muito tempo. Meu Deus, o que estava acontecendo comigo? Ela era apenas uma garota de dezoito anos.

Quando eu pensei que já não poderia suportar mais, ela subiu de volta, impulsionada pelos braços, aproximando o rosto do meu pescoço. Agarrou com força os fios soltos do meu cabelo na nuca, puxando-os para trás, obrigando-me a expor a minha pele. Sentir a sua respiração quente contra a minha pele arrepiada fez o mundo girar. Ela inalou profundamente, enchendo os pulmões com o meu cheiro, devagar, como se estivesse provando um vinho raro.

Fechei os olhos, rendida ao desejo proibido que ela plantava em mim, sentindo medo, mas sentindo também um desejo que queimava mais forte que a razão.

Ela afastou o rosto apenas alguns milímetros, olhou-me diretamente nos olhos, profundamente, e sussurrou contra a minha boca entreaberta, numa promessa carregada de luxúria e poder:

— Se o seu gosto for tão bom quanto o seu cheiro... eu vou me deliciar em todas as suas aulas, Susana. E farei questão de provar cada pedacinho seu até não sobrar segredos nenhum.

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Último capítulo

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