LOGINCaim só queria provar que era um grande repórter.Mas ao investigar um laboratório escondido na floresta,ele desaparece sem deixar rastros. Dark Romance Omegaverso
View MoreOlá aqui é a autora, esse livro é um dark romance omegaverse BL. Inclusive é o primeiro livro que escrevo e por isso peço que tenham paciência com a autora. Para aqueles que não estão acostumados com o gênero farei uma explicação rápida sobre o assunto, lembrando que cada autor pode retratar o universo a sua própria maneira.
A hierarquia do Omegaverse funciona como uma "segunda natureza" que define o comportamento, biologia e o papel social dos indivíduos. É quase como se houvesse um instinto animal ditando as regras por baixo da civilização humana. Alfas Os Alfas são tradicionalmente vistos como os líderes e os "predadores" da pirâmide, tendem a ser dominantes, competitivos e territoriais. Alfa Comum: Possui feromônios marcantes que identificam sua classe e podem atrair parceiros ou intimidar rivais de forma moderada. Na maior parte do tempo eles conseguem controlar seus instintos com apenas um pouco de esforço. Alfa Dominante: Seu cheiro é esmagador. A mera presença física de um Dominante pode ser sentida assim que ele entra em um ambiente, muitas vezes gerando desconforto ou submissão imediata em Betas, Ômegas, e até mesmo em outros Alfas comuns, com seus feromônios servindo como uma 'arma' de pressão psicológica. Betas Os Betas são o grupo mais numeroso e representam a norma da sociedade. São os que mais se assemelham aos seres humanos da vida real. Não costumam ser afetados por instintos primitivos e possuem maior controle emocional. Omegas Os Ômegas são o grupo mais raro e vulnerável de se encontrar. Eles são o principal foco de atenção dos Alfas. Passam por períodos cíclicos de fertilidade e necessidade física, conhecidos como "Cio". Durante esse tempo, seus feromônios se tornam extremamente doces e irresistíveis para os Alfas. Eles possuem a capacidade de acalmar Alfas agressivos através do seu cheiro e tanto os ômegas femininos quanto masculinos podem engravidar, já que a anatomia de ambos incluem útero e ovário. Não esqueçam, como todo dark romance o assunto do livro pode ser pesado para algumas pessoas, além de apresentar cenas explícitas e linguajar inapropriado. Curtam ,comentem, a opnião de vocês é muito importante pra mim. _________________________________________________________________ CAIM LEE 20 ANOS, 1.60 METROSOito mesas de MDF inchadas, fios desencapados e uma impressora cinzenta enorme,que ninguém usa, mas fica lá parada. É aqui que eu respiro, escrevo e me consumo há um ano e dois meses.
Ninguém lê mais jornal impresso em São Miguel. Tudo corre pro site, rápido, rasteiro, descartável. James adora essa mudança. Menos tinta, menos gente pra pagar salário e direitos. Ele repete o mantra com a boca cheia de pão gorduroso: “dinheiro economizado é dinheiro que se guarda”. Enquanto isso, corta o nosso vale-refeição, atrasa o salário e manda que redijamos elogios ao prefeito como se fossem notícias sérias.
Eu já suava antes de cruzar a porta. E não era só o calor que gruda a camisa nas costas e faz o peito arder. Era ele de novo. O meu corpo me traindo, como faz desde os meus catorze anos.
Começa sempre igual: um fogo lento, que sobe das entranhas, das profundezas mais escuras da barriga, rastejando pela coluna até a nuca, até que a pele arde como se eu estivesse pegando fogo por dentro. Depois vem a fraqueza nas pernas e aquela dor surda e constante. Minha mãe chama de “fraqueza”.
Toda vez que me vê cambaleando com a pele brilhando de suor doce, corre pro fogão e prepara aquele chá escuro e amargo com as ervas que ela mesma planta no quintal. “Toma, meu filho, passa logo”, diz ela, com voz suave, os olhos cheios de uma pena que eu odeio. E o pior é que passa. O chá me deixa atordoado, mas a febre baixa, a dor recua, e eu volto a ser quase normal , por algumas semanas, até que a coisa desperta de novo.
Hoje eu não tomei. Esqueci de propósito. Ou melhor: decidi não beber. Deixei a febre vir. Precisava sentir tudo o que escondo, precisava carregar aquela verdade nos ossos, pesada e quente, pra não tremer diante dele.
Atravessei a redação devagar, sustentando o peso nos braços . Na mão direita, uma caixa de papelão com rosquinhas de baunilha cobertas de chocolate , as favoritas dele, compradas com o que me sobrou do mês. Na esquerda, uma pasta grossa de plástico preto.
Dentro dela: fotografias impressas da margem afastada da BR-174, onde a mata fecha sobre a estrada; capturas de notas fiscais da empresa Start, com números que não batem, CNPJs que mudam de um mês pro outro; nomes escritos à mão, em letra que tremeu: Rafael, Ícaro, Lucas. Três meninos. Sumiram um após o outro, no silêncio do último ano.
Todos com menos de vinte anos. Todos sem deixar rastro além de boatos e lágrimas nas famílias. A versão oficial é sempre a mesma: foram tentar a vida em Manaus. Quem é que não vai pra capital, não é? Mas nenhum levou mala. Nenhum avisou parente nem mandou mensagem sequer. E ninguém nunca mais ouviu falar deles.
Sei que é patético. Comprar o chefe com doce, como se ele fosse uma criança. Mas aprendi cedo: numa cidade pequena, onde todo mundo sabe a vida de todo mundo e ninguém esconde nada por muito tempo, ser manso e agradável é a única forma de não ser pisado, de não virar alvo de risadas e pontapés nas costas.
Sorria, concorde, abaixe a cabeça , é o que minha mãe me ensinou desde pequeno, para que eu sobreviva sem levar socos nem pedras. Porque eu já nasci diferente demais pra esse lugar.
Bati duas vezes na porta de madeira escura, gasta, com a placa dourada torta. Esperei. O som saiu rouco, abafado: — Entra.
James nem ergueu os olhos da tela quando entrei. Tem cinquenta e poucos anos, corpo largo e pesado, camisa polo sempre com a mancha escura de suor embaixo das axilas, e um hálito que mistura café forte e tabaco barato. Levantou o olhar devagar, me olhando dos pés à cabeça, e eu vi. Vi claramente o nojo cru, aberto, passar pelos olhos dele.
Nunca gostou de mim. Eu sei bem por quê. Filho de chinesa, magro demais, ombros estreitos, cabelo que deixo crescer e amarro pra trabalhar e mesmo assim cai mechas na testa. Sou aquilo que homens como ele apontam e riem nas mesas de bar, em voz baixa e cortada de piadas sujas. “Viadinho”, dizem. “Estranho”. “Doente”.
Não consigo responder. Hunter me puxa de volta pelo cabelo, tomando a minha boca outra vez, e agora ele não é mais devagar. Me beija com urgência, mordendo o meu lábio, sugando a minha língua, e as mãos descem pelo meu peito.Dou um grito pequeno quando sinto as mãos do Luke abrindo a minha bunda, os dedos grandes me separando, e depois a língua dele quente e molhada,encostando na minha entrada.O grito sai abafado pela boca de Hunter.Luke me lambe devagar. Passa a língua de baixo para cima, circula a entrada, volta a enfiar, e eu me desfaço. A entrada está tão molhada que a língua dele desliza sem esforço, e cada toque faz mais líquido escorrer. Inclino o quadril para trás, instintivo, querendo mais, enquanto agarro os ombros de Hunter para não cair.— Ah — escapa de mim. — Luke...Ele responde com um rosnado baixo contra a minha pele, e o som reverbera dentro de mim.Hunter não me dá trégua.Os dedos dele descem até os meus mamilos e brincam com eles, girando, apertando de leve, e
CAIM LEENão sei o momento exato em que eu dormi. A última coisa que me lembro foi de Hunter contando um pouco do horror que é a história da vida dele— a mãe que ele mal chegou a conhecer, os choques no porão. Depois disso, o cansaço foi maior do que eu, e acabei caindo no sono.Quando abro os olhos, está tudo escuro.Tateio o futon ao meu lado sentindo o espaço vazio e frio . Não tem ninguém ali comigo. Estico a mão pro lado, procurando o calor dos alfas , mas não acho nada.— Onde vocês estão? — minha voz sai rouca, fina, engolida pela escuridão.Ninguém responde.Me sento com cuidado, e o movimento faz o teto girar por um segundo. Encosto a mão na parede até passar. O ar da cela está espesso, quente, grudento, e demora um instante até eu entender que aquele cheiro denso que impregna tudo é meu. É o meu próprio cio impregnado nas paredes, no tecido, na minha pele suada.A febre não passou. Piorou.E tem mais. Tem um vazio latejando no fundo da minha barriga, uma umidade escorrendo p
HUNTEROs treinos começavam antes de acenderem as luzes e só terminavam muito depois do toque de recolher. E não era treino normal, não. Era no porão, lá no subsolo, um lugar escuro, manchado de sangue seco, que fedia a ferro e pólvora.Eu tinha doze anos quando me jogaram na arena pela primeira vez. Do outro lado, um garoto de dezoito. Instável, drogado, faminto por carne. Não me deram arma, não me deram instrução. Só abriram a porta e disseram: "Sobreviva ou morra."O garoto veio pra cima rosnando. E eu congelei. Lembro disso, de não conseguir mover um músculo. Ele me acertou primeiro com um soco na boca que abriu meu lábio e me jogou no chão. O gosto de sangue na língua... porra, eu lembro como se fosse ontem. Mas foi justamente esse gosto que acordou o leão dentro de mim.Alguma coisa estalou na minha cabeça. Foi instinto puro, animal, selvagem. Eu me transformei. Não inteiro, mas o suficiente. As garras saíram das pontas dos dedos, os dentes afiaram, os músculos incharam de adren
HUNTEREu não lembro qual foi a última vez que chorei. Talvez quando eu era tão pequeno que nem me lembro mais — antes de aprender que lágrimas são fraqueza e fraqueza é punida com dor. Antes de me ensinarem que um alfa dominante não chora, não sente, não precisa de porra nenhuma além de obedecer e matar.Mas agora, sentado nesse futon de merda, com o rosto molhado e a garganta apertada, eu não consigo parar. As lágrimas escorrem quentes, desafiando tudo que me fizeram acreditar sobre mim mesmo.Caim está na minha frente me olhando com aqueles olhos estreitos cheios de ternura . Ele não fala nada — só passa os dedos finos pelo meu rosto, limpando as lágrimas que não param de cair.— Shh — ele sussurra.— Deixa sair, Hunter. Não tem vergonha nenhuma.Eu quero dizer que não é assim que funciona. Que eu sou um soldado, uma máquina, uma arma ambulante que não deveria estar quebrando em pedaços . Mas as palavras não saem. Só saem mais lágrimas, mais essa merda de sentimento que eu enterre
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