INICIAR SESIÓNJULIAN BLACKWOO
Eu a observei enquanto ela entrava na minha sala. Elena Moretti parecia uma fortaleza prestes a desmoronar, mas mantinha o queixo erguido com uma dignidade que eu raramente via nas mulheres que frequentavam o meu círculo. O vestido bege era recatado, quase monástico, mas não conseguia esconder a tensão que vibrava nela. Ela aceitou. É claro que aceitou. A necessidade é a mãe da obediência, e Elena estava sufocando nela. — O altar está sendo comprado por dez milhões de dólares ao ano, Elena — provoquei, vendo o lampejo de fúria em seus olhos escuros. — Mas prossiga. Adoro ver o orgulho tentando negociar com a necessidade. Caminhei até a mesa de carvalho onde meu advogado, Miller — que eu mantinha sob um acordo de confidencialidade rigoroso — já havia espalhado os documentos. Eu sabia que precisava de algo a mais para garantir que ela não fugisse quando as coisas ficassem feias. E com meu avô, as coisas sempre ficavam feias. — Antes de assinarmos, adicionei algo — eu disse, pegando a caneta Montblanc e indicando o parágrafo final. — Dez milhões cobrem o ano de "serviço". Mas, ao final do contrato, se todas as metas de imagem forem atingidas sem escândalos da sua parte, haverá um bônus de saída de mais vinte milhões de dólares. Elena estancou. O silêncio na cobertura tornou-se denso. — Vinte milhões? — ela sussurrou, a voz falhando pela primeira vez. — Um fundo fiduciário vitalício para o seu irmão, Elena. Para que, depois de mim, você nunca mais precise vender o seu tempo, o seu nome ou o seu silêncio para ninguém. Você será livre. Lorenzo estará seguro para sempre. Eu podia ver o cálculo nos olhos dela. Eu não estava apenas oferecendo um contrato; eu estava oferecendo a chave da cela onde ela se trancou desde que fugiu da Itália. Eu queria que ela estivesse tão amarrada a esse dinheiro quanto eu estava ao meu sobrenome. — Assine, Elena — instiguei, inclinando-me sobre a mesa. — E você nunca mais terá que olhar para trás. Ela estendeu a mão para a caneta, os dedos roçando os meus, quando um som seco e autoritário ecoou pelo hall de entrada. Poc. Poc. Poc. O sangue gelou nas minhas veias. Eu conhecia aquela batida. Alistair Blackwood não esperava. Ele não pedia licença. Ele simplesmente invadia. A porta dupla da sala de estar abriu-se, e meu avô entrou, a silhueta emoldurada pelo sol da manhã. Ele parou, apoiado em seu bastão de prata, os olhos de falcão percorrendo a sala até pousarem, com uma precisão cirúrgica, em Elena. — Então esta é a mulher que supostamente salvará o que restou da sua alma, Julian? — A voz de Alistair era um trovão contido. Ele caminhou em direção a ela com uma lentidão intimidadora. Elena não recuou. Para minha surpresa, ela se empertigou, sustentando o olhar do homem que poderia destruí-la com um telefonema. — Ela é Elena Moretti, vovô — eu disse, assumindo minha máscara de indiferença, embora meu interior estivesse em alerta máximo. — Minha futura esposa. Alistair parou a poucos centímetros dela. Ele não olhou para o rosto dela de imediato; ele olhou para as mãos dela, para a postura, para a forma como ela respirava. Ele a estava despindo de todos os seus disfarces. — Moretti... — ele repetiu, o nome soando como um veredito em sua boca. — Um nome italiano. De onde, exatamente? Vi o pânico brilhar por um microssegundo nos olhos dela, mas ela o engoliu. — De Nápoles, senhor — ela respondeu, a voz fria como gelo. Alistair estreitou os olhos. Ele cheirava a mentira a quilômetros de distância. Ele se inclinou para frente, o hálito de tabaco e poder atingindo o rosto dela. — Nápoles é uma cidade de pessoas apaixonadas e perigosas, Srta. Moretti. Espero que você saiba que, nesta família, a paixão é um erro e o perigo é algo que nós causamos, não algo que sofremos. Se você for uma fraude, eu a encontrarei. Se você for a salvação de Julian, eu a tornarei rainha. Mas se houver uma única mancha no seu passado que possa respingar no meu império... Ele bateu o bastão no chão, um som que pareceu um tiro. — ...eu garantirei que você deseje nunca ter cruzado o oceano. Olhei para Elena, esperando vê-la desmoronar. Em vez disso, ela olhou para o meu avô com uma calma que me arrepiou. — Sr. Blackwood — ela disse — eu já sobrevivi a coisas muito piores do que o seu império. Se quer saber se sou capaz de manter o seu neto na linha, a resposta é sim. Porque, ao contrário de todos os que o cercam, eu não tenho medo dele. E, agora, eu também não tenho medo do senhor. Um silêncio mortal caiu sobre a sala. Alistair olhou para ela por um longo tempo e, então, para minha absoluta surpresa, um sorriso mínimo e cruel surgiu em seus lábios. — Ela tem espinha dorsal, Julian — Alistair murmurou, sem tirar os olhos dela. — Assine logo essa papelada antes que ela perceba que vale muito mais do que você está pagando.JULIAN BLACKWOODSaí do jato com Matteo e jade no colo, protegidos pelo meu casaco de lã escura contra o vento cortante do início da primavera nova-iorquina. Elena caminhava ao meu lado, usando óculos escuros e um sobretudo de marca que exalava uma autoridade que ela não possuía antes da Itália. Ela já não era a "noiva troféu" ou a "estudante da Parsons". Ela era a Sra. Blackwood.— Bem-vinda de volta ao centro do mundo, Elena — murmurei, enquanto entrávamos na SUV blindada.— Parece mais frio do que me lembrava, Julian — ela respondeu, segurando a minha mão livre. — Ou talvez seja apenas a sensação de que as paredes aqui têm ouvidos.— Elas têm. Mas agora, nós somos os donos das paredes.ALISTAIR BLACKWOODEsperei por eles na cobertura da Blackwood Tower, e não na mansão. Queria que o regresso fosse marcado pelo ambiente de negócios. O escândalo do jantar tinha sido abafado, mas as placas tectónicas do Conselho tinham-se movido.Quando as portas do elevador privado se abriram, vi um
O sol do Mediterrâneo dourava o convés de teca do *Ametista*, o iate de setenta metros que Alistair presenteara ao casal. Longe da vigilância sufocante de Nova York e das sombras úmidas do Lago di Como, o navio cortava as águas azul-turquesa entre a Sardenha e a Córsega. Não havia sinalizadores de rádio, nem reuniões de conselho, nem vestígios de sangue. Apenas o som do casco cortando as ondas e o riso de Matteo no convés inferior.ELENA BLACKWOODAcordei com o balanço suave da embarcação. O lençol de linho branco era a única coisa que me cobria, e o calor que emanava do corpo ao meu lado era o meu lembrete diário de que tudo aquilo era real. Julian dormia com uma serenidade que eu raramente via. Sem a máscara do "Coringa", ele parecia apenas um homem em paz.Levantei-me silenciosamente e fui até a varanda da suíte master. O horizonte era uma linha infinita de azul. Senti mãos fortes envolverem minha cintura e o toque frio do anel de casamento de Julian contra a minha pele.— Bom dia,
JULIAN BLACKWOODEu estava parado no altar improvisado nos jardins da Villa, de frente para o lago. O meu fato era de um corte impecável, mas o que eu sentia por baixo do tecido não era o peso do poder, era o peso da gratidão. Olhei para o lado e vi Dominic, o meu padrinho, que apenas assentiu com um olhar que dizia: “ você conseguiu ”Adrián estava posicionado discretamente perto da entrada, e Alistair, sentado na primeira fila, segurava Matteo no colo e jade ao seu lado. Ver o meu pai, o homem de gelo, a sorrir para o neto, fez-me perceber que a nossa dinastia tinha finalmente mudado de rumo.A música começou. Uma orquestra de cordas tocava uma melodia suave que parecia acalmar as batidas frenéticas do meu coração. E então, eu vi-a. ELENA MORETTICaminhei sobre a passadeira de pétalas brancas, de braço dado com o meu pai, que tinha vindo de Nápoles apenas para este momento. O meu vestido de renda artesanal, o mesmo que quase foi manchado de sangue em Milão, agora brilhava sob o so
O ar sobre o Lago di Como estava pesado, carregado com a eletricidade que precede uma tempestade de verão. Julian navegava em um barco solitário em direção ao sul da **Isola Comacina**, servindo de isca sob os holofotes de Viktor Volkov. Enquanto isso, do lado norte, as águas escuras eram cortadas silenciosamente por Elena e Dominic, que emergiam como espectros das profundezas, armados e movidos por um instinto puramente primal.ELENA MORETTIA água escorria pelo meu traje tático enquanto eu subia as rochas escarpadas atrás do mosteiro. Meus pulmões ardiam, mas a imagem do berço vazio era o combustível que me mantinha de pé. Dominic estava logo atrás, movendo-se com a precisão de um predador veterano.— Silêncio, Elena — ele sibilou pelo comunicador. — Há quatro guardas no pátio superior.— Deixe-os comigo — respondi, sacando a faca de combate.Neutralizamos a guarda externa sem disparar um tiro. O mosteiro cheirava a incenso velho e pólvora. Seguimos o som de um choro baixo — um som
JULIAN BLACKWOOD chamada foi atendida no terceiro toque. O som da respiração dela do outro lado me fez querer atravessar a linha e esganá-la.— Chloe. Diga o seu preço. Dinheiro, as rotas da Suíça, a renúncia ao conselho dos Blackwood... o que você quiser. Apenas devolva o meu filho.— Dinheiro, Julian? — a risada dela foi um som agoniante, agudo e desprovido de sanidade. — Você ainda não entende? Eu queimei o império do meu pai para chegar aqui. Eu não quero papel. Eu quero o que me foi roubado. Eu quero a família que o destino me prometeu.— Você não tem família, Chloe. Você tem reféns.— Eu tenho o Matteo. E ele tem os seus olhos... os olhos que deveriam estar olhando para mim todas as manhãs. Eu quero você, Julian. E quero o bebê. Nós vamos sumir. A Elena pode ficar com as joias, com a Villa e com a sua memória. Mas se você quiser ver o seu herdeiro respirar amanhã, você virá sozinho para o ponto de extração no norte do lago.ELENA MORETTIEu estava atrás da porta, ouvindo cada p
ELENA MORETTIEu estava sentada na beira da cama, as mãos tremendo. O nome "Theo" latejava na minha cabeça como uma maldição. Eu sabia que era uma armadilha, mas ver o olhar de Julian... aquela frieza... me tirou o chão. Eu não conseguia me mexer. Fiquei ali, esperando que ele voltasse, esperando que o amor dele fosse maior que o seu ego.Eu não ouvi os passos abafados no corredor. Não ouvi o som do silenciador que neutralizou o guarda na porta lateral. O meu instinto, geralmente tão afiado, estava sufocado pelo meu coração partido.— Ele não vem, Elena — sussurrei para mim mesma, abraçando os próprios ombros. — Ele escolheu acreditar no fantasma.CHLOE Mover-me pela Villa era como caminhar por um sonho que eu planejei em cada detalhe nas noites insones da clínica. O Julian estava no cais, perdido em seu próprio inferno. A Elena estava trancada no quarto, desmoronando. O caminho para o berçário estava livre.Entrei no quarto de Matteo com a leveza de uma sombra. Julia, a babá, estav







