LOGINO coração de Isabela martelava contra o peito. A cada nova revelação de Leonardo, um peso invisível se acumulava sobre seus ombros. Ela passou anos tentando enterrar aquele passado, seguir em frente sem olhar para trás, mas agora estava presa em uma rede de mistérios e segredos que pareciam se aprofundar a cada minuto.
Ela cruzou os braços, mantendo a postura firme, a mente em um turbilhão. O que mais ele tinha para dizer? O que mais ela ainda precisava saber para entender o que realmente estava acontecendo?
— Se você quer que eu confie em você, Leonardo, preciso saber exatamente o que estamos enfrentando. Onde estão essas provas que Otávio tanto quer?
Leonardo hesitou, seus olhos observando cada reação dela com uma intensidade desconcertante.
— Em um lugar seguro.
Isabela estreitou os olhos.
— Isso não responde a minha pergunta.
Ele passou a mão pelo queixo, respirando fundo antes de continuar.
— Antes de desaparecer, escondi tudo em um cofre fora do país. O problema é que, para acessá-lo, preciso de uma senha que foi dividida em duas partes. E a segunda parte…
Ele parou de falar, o ambiente ao redor deles ficando ainda mais denso, carregado de tensão.
— O quê? — Isabela pressionou, sua voz mais grave do que o normal.
Leonardo apertou a mandíbula, como se estivesse prestes a dizer algo que preferia manter em segredo, algo que podia mudar tudo.
— Está com você.
O mundo de Isabela parou por um segundo. Sua mente girou enquanto tentava processar o que ele acabara de revelar.
— O quê? — Sua voz saiu mais alta do que pretendia. A incredulidade era óbvia.
Leonardo deu um passo à frente, aproximando-se dela com uma calma que contrastava com a agitação crescente no interior de Isabela.
— Você sempre esteve no centro disso, Isabela. Antes de partir, deixei a segunda parte da senha em algo que apenas você teria.
A mente dela girou, tentando se lembrar de qualquer pista, qualquer detalhe que fizesse sentido. Mas nada lhe vinha à cabeça. Como poderia ela estar envolvida sem sequer saber? O que ele queria dizer com isso?
— Eu não tenho nada disso. — Ela afirmou, mais frustrada do que queria. Cruzou os braços, tentando manter a compostura.
— Você tem, só não sabe ainda.
Isabela bufou, frustrada. A raiva estava começando a se misturar com a confusão. Como ele ousava esperar que ela acreditasse em algo tão absurdo?
— E você achou que eu simplesmente descobriria isso sozinha?
Leonardo esboçou um pequeno sorriso, aquele sorriso que a fazia sentir um arrepio na espinha, uma sensação que ela já havia tentado esquecer.
— Eu sabia que, se um dia eu precisasse voltar, você me ajudaria.
Ela sentiu o coração vacilar por um momento. Parte dela queria odiá-lo, queria jogar na cara dele o quanto sua vida desmoronou depois do abandono. Mas havia outra parte, mais profunda e perigosa, que ainda sentia aquele mesmo arrepio sempre que ele a olhava daquela forma intensa.
Respirando fundo, ela tentou retomar o foco. Precisava se manter firme.
— Então, como vamos descobrir onde está essa senha?
Leonardo pegou o celular do bolso, desbloqueando rapidamente. A expressão dele se tornava mais grave a cada segundo.
— Primeiro, precisamos voltar para sua casa. Se minha teoria estiver certa, a resposta está lá.
O peito de Isabela apertou. Seu corpo reagiu ao som daquelas palavras. Sua casa era o último lugar em que ela queria estar, agora que sabia que estava envolvida em algo muito maior do que imaginava.
— E se você estiver errado?
Leonardo encontrou seu olhar, sua expressão se tornando mais séria do que nunca. Ele não parecia estar brincando, nem jogando com ela. A urgência na voz dele era real.
— Então Otávio já está um passo à nossa frente.
Aquelas palavras caíram como uma bomba. Isabela sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ela não sabia o que era pior: a possibilidade de estar sendo vigiada, ou o fato de que, de alguma forma, ela sempre esteve envolvida nisso sem saber.
Leonardo estava certo. Ele havia dito a verdade. E agora, o que mais poderia acontecer? A resposta parecia estar fora de seu alcance, mas uma coisa era certa:
Não havia mais como voltar atrás.
Agora, ela tinha que enfrentar os próprios fantasmas que tanto tentara esquecer.
O sol se despedia atrás do mar calmo, tingindo o céu com tons alaranjados e dourados. Helena caminhava descalça pela areia morna da casa de praia onde tudo havia começado a se reencaixar. O vestido leve branco voava suavemente com o vento, e o som das ondas batendo ritmadamente era como uma canção de despedida dos dias difíceis.Dante apareceu atrás dela, agora com aquele olhar sereno e apaixonado que só ele sabia ter. Usava uma camisa de linho aberta no peito, revelando a pele bronzeada, e uma bermuda clara. Em suas mãos, uma caixinha pequena, forrada de veludo azul.— Você está tão linda — ele disse, com um sorriso nos lábios e os olhos brilhando. — Quase não consigo acreditar que essa mulher maravilhosa é minha esposa... de novo.Helena se virou, sorrindo, mas com os olhos marejados.— Nem nos meus melhores sonhos eu imaginei que a vida nos daria uma segunda chance... E que ela seria ainda melhor que a primeira.Ele a abraçou por trás, encostando o rosto em seu pescoço.— Porque ag
O sábado chegou com céu nublado e vento frio, o tipo de dia que Elisa costumava usar como desculpa para um cobertor, chocolate quente e desenhos animados com Leo. Mas naquele sábado, nada disso seria possível.Era o dia da primeira visita supervisionada entre Henrique e Leo.Elisa passou a manhã preparando o filho com cuidado. Leo usava uma calça jeans azul escura, camisa vermelha com estampa de dinossauros e um casaco de moletom cinza. Ela fez questão de arrumar seu cabelo com gel, deixando os fios castanhos assentados para trás.— Mamãe, por que eu vou ver aquele moço hoje? — perguntou Leo, com os olhinhos inocentes, sentando-se na beira da cama.Elisa se agachou na frente dele, segurando suas mãozinhas.— Porque ele é seu pai, filho. E agora ele quer te conhecer melhor.Leo franziu a testa.— Mas meu pai é o Rafa.Ela sentiu o coração apertar, mas sorriu com carinho.— O Rafa é muito especial, sim. Ele cuida da gente e te ama muito. Mas você também tem outro pai, que quer passar um
O dia da primeira audiência havia chegado. O sol ainda nem despontava no céu quando Elisa já estava de pé, encarando o espelho com um nó no estômago. Vestia um conjunto social discreto — blazer bege, blusa de seda branca e calça preta. Prendeu os cabelos num coque firme, deixando apenas duas mechas soltas nas laterais. Seus olhos estavam levemente marcados com delineador, mas seu olhar era firme, decidido.Rafael apareceu na porta do quarto com uma caneca de café em mãos e um sorriso doce.— Você está linda. Séria, mas linda.Ela sorriu, meio sem graça.— Acho que é a primeira vez que ouço isso às seis da manhã.— É porque hoje você vai mostrar ao mundo a mulher forte que é. E eu estarei lá, aplaudindo.Elisa tomou o café em silêncio, cada gole aquecendo sua coragem.— O Leo ainda dorme?— Sim. Mas preparei o lanche da escola. Vou levá-lo enquanto você vai para o fórum. Já falei com o advogado, ele vai te encontrar lá.Elisa assentiu, mas antes de sair, se aproximou de Rafael e seguro
O avião tocou o solo de Florianópolis sob um céu azul vibrante. O cheiro de maresia invadiu as narinas de Elisa assim que saíram do aeroporto. Ela segurava firme a mão de Leo, enquanto Rafael empurrava a mala maior com um sorriso contido.— Lar, doce lar — Rafael disse, olhando para Elisa com um olhar cúmplice.— Nem acredito que estamos de volta. Parece que se passaram semanas em dois dias.— Foi intenso. Mas você foi incrível, como sempre.Elisa sorriu, mas o cansaço estampado em seu rosto deixava claro que o alívio de estar em casa não apagava o peso do que ainda viria. A batalha legal começaria oficialmente dali a três dias, com a primeira reunião com o advogado. Mas havia algo mais urgente: reconectar-se com sua nova rotina, com o presente que ela escolheu construir.Ao chegarem em casa, Leo correu para o quintal como se tivesse reencontrado o paraíso. O cachorro da vizinha latiu ao vê-lo, e logo os dois já estavam brincando na grama como velhos amigos.— Eu senti falta disso — E
O avião pousou em São Paulo sob um céu nublado. Elisa desceu segurando Leo pela mão, enquanto Rafael carregava a mochila com os pertences do pequeno. O aeroporto estava movimentado, mas o trio caminhava com uma determinação silenciosa.— Já faz tempo que não venho aqui... — Elisa murmurou, observando o saguão cheio de pressa e despedidas.— Vai ser rápido, amor. Entramos, resolvemos, saímos. Depois praia, vinho e você deitada no meu peito ouvindo o mar — Rafael disse com um sorriso que tentou disfarçar a tensão.Elisa sorriu de volta, mas o coração batia acelerado. Eles pegaram um táxi até o antigo escritório da empresa onde ela havia trabalhado por anos. O prédio era o mesmo, imponente, mas agora lhe causava arrepios.— Você quer que eu entre com você? — Rafael perguntou ao parar em frente ao edifício.— Quero. Mas preciso falar com Clarice primeiro, a sós. Talvez seja melhor. Você pode ficar com o Leo no café da esquina?Ele assentiu, beijou sua testa e levou Leo pela mão, que já pe
O carro parou em frente à nova casa no coração de Florianópolis. Era um sobrado charmoso, com janelas grandes e cortinas brancas dançando ao vento. Um pequeno jardim frontal com hortênsias azuis dava as boas-vindas como se a cidade os recebesse de braços abertos.— É aqui — Rafael disse, virando-se para Elisa, que segurava Leo dormindo no banco de trás.Ela olhou para a casa com os olhos marejados.— Parece saída de um sonho.— Não. É o começo de um novo — ele respondeu, com aquele sorriso de canto que ela tanto amava.Entraram juntos, Rafael carregando Leo nos braços, e Elisa girando a chave com uma sensação doce no peito. O interior era acolhedor, com tons claros, móveis simples e um aroma de lavanda no ar, que logo se espalhou pela casa enquanto as janelas eram abertas.— Vamos precisar de muitos cafés pra organizar tudo — Elisa disse, observando as caixas ainda fechadas.— E talvez uns bons vinhos também — Rafael respondeu, piscando.Naquela primeira noite, dormiram juntos no colc







