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🌙 Capítulo 2– “O Pacto”

last update Fecha de publicaciĂłn: 2026-04-28 07:44:28

O vento mudou antes que qualquer som pudesse alertĂĄ-la.

Helena estava recolhendo as lĂąminas quando sentiu um arrepio percorrer sua espinha.

Parou.

NĂŁo era medo.

Era instinto.

Ergueu lentamente o rosto e observou as ĂĄrvores que cercavam a aldeia. Tudo parecia normal, mas havia alguma coisa errada. Os pĂĄssaros haviam parado de cantar. As folhas, antes agitadas pela brisa, permaneciam imĂłveis.

— VocĂȘ sentiu isso? — perguntou ela.

Hiago levou a mĂŁo ao punho da espada.

— Senti.

Um uivo atravessou a floresta.

Depois outro.

E outro.

Profundos. Distantes. Poderosos.

Os soldados das fadas começaram a se posicionar ao redor da clareira.

Helena estreitou os olhos.

— Lobos.

Hiago balançou a cabeça.

— Não são lobos comuns.

Antes que Helena pudesse responder, um brilho azulado surgiu entre as ĂĄrvores.

A barreira.

A antiga proteção que cercava o reino das fadas havia sido ativada.

Aquilo nĂŁo acontecia sem motivo.

A luz percorreu as copas das ĂĄrvores como uma corrente de energia, formando uma parede invisĂ­vel ao redor da aldeia.

EntĂŁo veio o impacto.

Um estrondo fez o chĂŁo estremecer.

Os soldados levantaram as armas.

Helena sentiu o coração acelerar.

Alguém estava tentando atravessar a fronteira.

— NinguĂ©m passa pela barreira — Hiago murmurou.

Outro impacto.

Dessa vez, uma rachadura de luz apareceu no ar.

Helena arregalou os olhos.

— Isso Ă© impossĂ­vel.

A barreira começou a se desfazer em pequenos fragmentos luminosos.

E então alguém atravessou.

NĂŁo entrou correndo.

NĂŁo atacou.

Apenas caminhou.

Alto. Forte. Vestido de preto, com os cabelos claros contrastando com a escuridĂŁo da floresta.

Havia algo nele que fazia o ar parecer mais pesado.

Os soldados apontaram as armas.

O estranho parou.

Seus olhos percorreram a aldeia com uma calma assustadora.

Dourados.

Helena nĂŁo o conhecia.

Mas, no instante em que seus olhares se encontraram, sentiu algo inexplicĂĄvel.

Como se alguma coisa dentro dela tivesse despertado.

O homem também pareceu perceber.

Por um segundo, seu rosto perdeu a expressĂŁo fria.

Foi rĂĄpido.

Quase imperceptĂ­vel.

Depois desapareceu.

— Quem Ă© vocĂȘ? — Hiago exigiu.

O estranho ignorou a pergunta.

Seu olhar voltou para Helena.

— Onde está Celeste?

Helena franziu o cenho.

— Como sabe o nome dela?

Ele nĂŁo respondeu.

Apenas observou a princesa por mais alguns segundos.

— EntĂŁo vocĂȘ Ă© Helena.

O coração dela bateu mais forte.

— Como sabe meu nome?

Um dos soldados avançou.

— Responda!

O estranho sequer desembainhou a espada.

Uma pressĂŁo invisĂ­vel tomou conta da clareira.

O soldado caiu de joelhos.

Helena ergueu a mĂŁo.

— Chega!

A pressĂŁo desapareceu.

Ela encarou o invasor.

— VocĂȘ estĂĄ dentro do meu reino. Quebrou uma barreira que existe hĂĄ sĂ©culos e ameaça meus soldados. DĂȘ-me um motivo para nĂŁo mandar prendĂȘ-lo.

Pela primeira vez, ele sorriu.

NĂŁo era um sorriso gentil.

Era quase uma provocação.

— Porque seus soldados não conseguiriam me prender.

Hiago avançou.

Helena o segurou pelo braço.

— Não.

O homem inclinou a cabeça.

— VocĂȘ Ă© diferente do que eu esperava.

— E vocĂȘ Ă© exatamente tĂŁo arrogante quanto parece.

O sorriso dele aumentou.

— Darley.

Apenas isso.

Nenhum tĂ­tulo.

Nenhuma explicação.

Mas o nome provocou murmĂșrios entre os soldados.

Helena conhecia histórias sobre o povo dos lobos. Criaturas que viviam além das montanhas, em territórios onde poucos tinham coragem de entrar.

— Por que está aqui?

Darley olhou para a floresta.

— Vim buscar alguĂ©m.

— Quem?

Antes que ele respondesse, um grito cortou a noite.

Helena reconheceu a voz.

— Celeste!

Ela correu.

Hiago foi atrĂĄs.

Darley permaneceu parado por um instante antes de segui-los.

Quando chegaram Ă  clareira, encontraram Celeste diante de uma criatura enorme.

Um lobo.

Mas ele nĂŁo estava atacando.

Estava ferido.

E Celeste segurava a mĂŁo sobre o ferimento.

— O que aconteceu? — Helena perguntou.

Celeste se levantou devagar.

— Ele me procurou.

Helena olhou para Darley.

— Seu lobo?

— Não.

Darley se aproximou do animal.

A criatura abaixou a cabeça diante dele.

— Ele pertence ao meu povo.

Celeste limpou uma pequena mancha de sangue do braço.

— Eu encontrei uma passagem escondida na floresta. Ele estava sendo perseguido. Eu o ajudei.

Darley a encarou.

— E em troca?

Celeste sorriu.

— Eu queria um acordo.

Darley soltou uma risada curta.

— VocĂȘ acha que pode negociar comigo?

— Não acho.

Ela deu um passo Ă  frente.

— Eu sei.

Helena sentiu que havia algo errado.

Celeste nunca era tĂŁo confiante sem ter alguma coisa escondida.

— O que vocĂȘ ofereceu?

Celeste olhou para a irmĂŁ.

E entĂŁo respondeu:

— Uma informação.

O olhar de Darley mudou.

— Uma informação que pode me levar atĂ© alguĂ©m que procuro hĂĄ muito tempo.

Helena sentiu um frio percorrer o corpo.

— Quem?

Celeste nĂŁo respondeu.

Darley olhou diretamente para Helena.

Dessa vez, havia algo diferente em seus olhos.

NĂŁo desejo.

NĂŁo ainda.

Curiosidade.

Como se ele tivesse acabado de perceber que talvez tivesse encontrado algo muito mais importante do que aquilo que procurava.

— Acho que a informação da sua irmã acabou de se tornar mais interessante — disse ele.

Helena cerrou os punhos.

— VocĂȘ nĂŁo vai levar ninguĂ©m daqui.

Darley sustentou seu olhar.

— NĂŁo vim levar ninguĂ©m.

Ele passou por ela sem tocĂĄ-la.

— Vim descobrir a verdade.

Helena se virou.

— E se a verdade não estiver do seu lado?

Darley parou.

Olhou por cima do ombro.

— EntĂŁo serĂĄ melhor para todos nĂłs que vocĂȘ descubra primeiro.

E desapareceu entre as ĂĄrvores.

Helena ficou imĂłvel.

Pela primeira vez, nĂŁo sentiu que havia encontrado um inimigo.

Sentiu algo muito pior.

Havia acabado de entrar no jogo de alguém que ela ainda não compreendia.

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