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Capítulo 1 — O Presságio
O som do aço cortando o ar era a única música que Helena precisava naquela manhã. Sob o sol dourado, filtrado pelas copas das árvores milenares da aldeia das fadas, a princesa se movia como uma dança mortal. Seus longos cabelos negros estavam presos em uma trança firme, balançando a cada movimento, enquanto seus olhos azuis acompanhavam atentamente cada ataque. — Mais rápido! — ordenou Helena, com a voz firme. Dois soldados avançaram ao mesmo tempo. Ela recuou um passo, desviou da primeira espada e bloqueou a segunda com sua lâmina de prata. O impacto fez seus braços vibrarem, mas Helena não demonstrou fraqueza. Girou o corpo, passou entre os dois soldados e, em poucos segundos, colocou a ponta da espada contra o peito de um deles. Silêncio. O soldado engoliu em seco. Helena sorriu de canto. — Se isso fosse uma batalha de verdade, você estaria morto. O homem abaixou a espada e respirou fundo. — Está ficando impossível derrotá-la, princesa. Alguns soldados riram. Helena apenas guardou a espada. Ela vestia uma armadura leve, própria para treinamento, que permitia liberdade para seus movimentos. Mesmo sendo uma princesa, nunca gostou de depender de guardas para protegê-la. Desde pequena, aprendera que uma coroa não significava segurança. Muito pelo contrário. A coroa também podia ser uma sentença. Helena passou a mão pela testa, limpando o suor, quando ouviu uma voz conhecida atrás de si. — Você está cada dia mais implacável. Ela se virou. Hiago estava encostado em uma das árvores, observando-a com um sorriso tranquilo. O elfo tinha cabelos castanhos levemente bagunçados e olhos atentos. Havia algo nele que sempre fazia Helena se sentir protegida. Hiago era seu amigo desde a infância e conhecia coisas sobre ela que ninguém mais conhecia. Conhecia suas alegrias. Seus medos. E, principalmente, a dor que carregava desde a morte trágica de seu pai. — Preciso estar preparada — respondeu Helena. Hiago se aproximou. — Preparada para quê? Helena ficou em silêncio por alguns segundos. Olhou para as árvores. Para o céu. Para a aldeia. Tudo parecia normal. Mas não estava. — Não sei explicar — confessou. — É como se alguma coisa estivesse prestes a acontecer. Hiago franziu a testa. — Você sentiu alguma coisa? — Não exatamente. É apenas uma sensação. Ela tocou o cabo da espada. — A paz está estranha. Silenciosa demais. Antes que Hiago pudesse responder, Helena percebeu um movimento entre as árvores. Era Celeste. Sua meia-irmã caminhava apressadamente em direção à saída da aldeia. Vestia um elegante vestido claro e carregava uma pequena bolsa. Enquanto caminhava, conferia o próprio reflexo em um pequeno espelho, retocando os lábios. Helena observou em silêncio. Celeste nunca escondia sua ambição. Ela odiava o fato de Helena ser respeitada pelo povo. Odiava quando os soldados a obedeciam. Odiava ainda mais quando alguém dizia que Helena seria uma grande rainha. Para Celeste, Helena sempre havia recebido tudo o que ela desejava. — Onde ela vai com tanta pressa? — perguntou Hiago. Helena estreitou os olhos. — Não sei. Mas, no fundo, sabia. Celeste estava obcecada pelo território dos lobos. Nos últimos meses, falava constantemente sobre Darley, o poderoso Alpha daquela região. Dizia que ele possuía riquezas, força e influência. Dizia que, ao lado dele, poderia finalmente conquistar o poder que acreditava merecer. — Ela ainda está atrás de Darley? — perguntou Hiago. Helena assentiu. — Está. O rosto de Hiago mudou imediatamente. — Helena, você sabe quem ele é. — Sei o que dizem sobre ele. — Não. Você não sabe. Ele se aproximou e abaixou a voz. — Dizem que Darley não tem piedade. Que até os próprios lobos têm medo de contrariá-lo. Helena olhou novamente para Celeste. A irmã já estava desaparecendo entre as árvores. Uma sensação gelada percorreu sua espinha. — Celeste está brincando com algo que não entende. Hiago respirou fundo. — E se ela colocar a aldeia em perigo? Helena não respondeu. Porque aquela era exatamente a pergunta que começava a atormentá-la. E havia mais alguém que a preocupava. José. Seu padrasto nunca demonstrara verdadeiro carinho pelas filhas. Desde que a família perdera prestígio, ele enxergava cada casamento, cada aliança e cada acordo como uma oportunidade de recuperar aquilo que havia perdido. Helena sabia que José seria capaz de fazer qualquer coisa por poder. Até mesmo entregar uma filha. Ela apertou os dedos ao redor do cabo da espada. — Preciso descobrir o que Celeste está planejando. Hiago segurou seu braço. — Não vá atrás dela sozinha. Helena encarou os olhos do amigo. — Prometo ter cuidado. Mas nenhum dos dois sabia que aquela promessa seria impossível de cumprir. Naquela mesma manhã, enquanto Helena recolhia suas armas, uma decisão já havia sido tomada longe dali. Uma fuga. Uma mentira. E um pacto de sangue. O destino da aldeia das fadas começava a se mover como uma sombra silenciosa. E, sem saber, Helena estava caminhando diretamente para o centro daquela tempestade. Para o território dos lobos. Para o encontro que mudaria sua vida. E para os braços do homem que todos chamavam de monstro. O Alpha Darley. 💕 Oi, queridos leitores! O que vocês estão achando do nosso primeiro capítulo? Espero de coração que estejam gostando da história, porque isso é só o começo! Preparem-se, porque muitas reviravoltas, segredos, perigos e sentimentos ainda estão por vir. Helena ainda nem imagina o que o destino está preparando para ela. Será que Celeste realmente sabe onde está se metendo? E quem é, de verdade, o temido Alpha Darley? Espero que vocês continuem acompanhando essa nossa aventura e me apoiem nessa história que estou escrevendo com muito carinho. Um grande abraço para cada um de vocês. ❤️ Agora chega de conversa... Vamos voltar para a história? O próximo capítulo promete!A coluna de luz dourada continuava atravessando o céu.Dentro da alcateia, ninguém conseguia desviar os olhos das janelas. A energia que emanava da floresta era tão intensa que até os lobos mais experientes começaram a se agitar, caminhando de um lado para o outro, incapazes de compreender o que estava acontecendo.Helena permanecia nos braços de Darley.As lágrimas ainda escorriam por seu rosto, embora ela não soubesse explicar o motivo.Não estava triste.Também não sentia medo.Era como se uma lembrança esquecida estivesse tentando encontrar o caminho de volta para sua consciência.— Helena, olhe para mim — pediu Darley, segurando delicadamente seu rosto.Ela ergueu os olhos.— Eu conheço aquela voz, Darley.Ele franziu a testa.— Como pode conhecê-la se nunca a ouviu antes?— Não sei. Mas, quando ela falou, alguma coisa dentro de mim respondeu. Foi como se eu estivesse esperando por ela durante toda a minha vida.Darley encostou a testa na dela.— Então vamos descobrir quem é. Mas
Helena apertou a mão de Darley.A voz ainda ecoava em sua mente, carregada de uma força tão antiga que parecia atravessar não apenas seus pensamentos, mas também sua própria alma.Você despertou os sete.Ela tentou responder mentalmente, mas, antes que pudesse formar qualquer palavra, uma pressão tomou conta de seu peito.Não era dor.Era reconhecimento.Como se uma parte desconhecida de sua essência soubesse exatamente quem estava falando com ela.Darley percebeu a mudança em seu rosto.— Helena, olhe para mim.Ela ergueu os olhos.— Tem alguém falando comigo.Aren deu um passo à frente.— É um dos soberanos?— Não — respondeu Helena, balançando a cabeça. — É diferente. A presença de quem está falando comigo não se parece com a de nenhum deles.Kael ficou imóvel.Pela primeira vez desde que chegara à alcateia, sua expressão perdeu a habitual segurança.— O que você sentiu exatamente?Helena fechou os olhos, tentando encontrar palavras para descrever aquela sensação.— É como se essa
Helena permaneceu em silêncio por alguns segundos.A frase continuava ecoando em sua mente.Quando todos os companheiros forem reunidos, o herdeiro nascerá do poder que os uniu.Mas, dessa vez, alguma coisa havia mudado.Ela não sentia mais medo.Sentia compreensão.Como se todas as peças que estavam espalhadas dentro dela finalmente começassem a encontrar seus lugares.Helena olhou para Darley.Depois para Aren e Daren.— Eu entendi.Darley se aproximou.— Entendeu o quê?Helena respirou fundo.— Por que os sete despertaram.Os três ficaram atentos.— Não foi para que eu tomasse o poder de vocês. E também não foi para que vocês tomassem o meu.Ela levou a mão ao peito.— O despertar de vocês aconteceu porque o poder dentro de mim estava crescendo demais.Aren franziu a testa.— Crescendo?— Sim.Helena fechou os olhos.— Existe algo dentro de mim que ainda não nasceu completamente. Algo muito maior do que o poder que eu já despertei. E eu não conseguiria controlar isso sozinha.Darle
A noite parecia ter parado.No instante em que Helena abriu os olhos, todos os sons ao redor desapareceram.As folhas deixaram de se mover.O vento cessou.Até os animais da floresta permaneceram imóveis, como se alguma força invisível tivesse ordenado que o mundo inteiro esperasse.Então veio o puxão.Mais forte do que todos os anteriores.Helena levou a mão ao peito.Seu coração bateu uma vez.Depois outra.E, no terceiro batimento, uma onda de energia atravessou seu corpo.— Helena! — Darley gritou.A energia explodiu para fora dela.Não foi uma explosão destrutiva.Foi como se a própria natureza tivesse acordado junto com ela.As árvores se curvaram.O chão vibrou.A água dos rios próximos se ergueu por alguns centímetros, formando pequenas ondas sem que houvesse vento.As flores que estavam fechadas durante a noite começaram a desabrochar.E, muito longe dali, os sete soberanos sentiram.Kael foi o primeiro a cair de joelhos.Aren sentiu as pernas perderem a força.Daren segurou
Kael permaneceu em silêncio por alguns instantes.Helena ainda tentava compreender tudo o que havia visto.Seis histórias.Seis quedas.Seis maneiras diferentes de serem destruídos pelo próprio poder.Mas agora havia uma sétima presença.A última rainha.Aquela que ainda faltava.Kael respirou profundamente.— O nome dela era Aurélia.Helena levantou os olhos.— Aurélia?— Sim.Kael observou a floresta através da abertura entre as árvores.— Ela foi uma boa rainha. Talvez a melhor entre todos nós.Helena pareceu surpresa.— Então por que ela está entre eles?Kael demorou a responder.— Porque bondade não significa que alguém continuará se importando com os outros para sempre.Helena franziu a testa.— O que aconteceu?Kael suspirou.— Aurélia perdeu quase tudo. Pessoas. Família. Reino. Confiança.Sua voz ficou mais baixa.— Depois de tantos séculos, ela simplesmente deixou de se importar.Helena permaneceu pensativa.— Ela se tornou cruel?— Não.Kael balançou a cabeça.— Esse foi jus
Eryon começou a se mover.Depois de séculos preso nas profundezas da terra, cada passo parecia carregar o peso de uma era inteira.As pedras próximas tremiam quando ele passava.Algumas se erguiam sozinhas.Outras rolavam pelo chão como se estivessem sendo atraídas por sua presença.Eryon não precisava tocá-las.Não precisava sequer olhar para elas.A terra reconhecia seu poder.O ar parecia responder à sua respiração.E, a cada quilômetro percorrido, aquela sensação dentro de seu peito ficava mais forte.O chamado.Aquela energia que o havia arrancado das profundezas.Aquela presença que, desde o instante em que despertara, parecia estar esperando por ele.Eryon sabia que precisava encontrá-la.Mas havia outra coisa que começava a chamar sua atenção.Ele não estava sozinho.Existiam outras presenças se movendo.Algumas muito distantes.Outras mais próximas.E uma delas estava se aproximando rapidamente.Lúcio.Eryon fechou os olhos por alguns segundos.Sentiu a energia daquele antigo







