FAZER LOGINHope de Luca
Os últimos anos foram uma loucura em minha vida. Mudar para Moscou e me dedicar integralmente ao Bolshoi foi o que precisava para respirar longe de toda a confusão que a mídia fez ao começar a investigar. Todos ficaram intrigados do porquê dei um soco no príncipe.
Fora que passar quase dois meses com a mão imobilizada não foi nada interessante, cada vez que olhava para minha mão, lembrava do maldito vídeo do príncipe praticamente transando com duas ao mesmo tempo. Respiro fundo e foco no que está acontecendo.
Essa semana, minha família chegou para comemorar o meu aniversário de vinte anos e, por mais que os ame, queria passar o dia sozinha, sem ninguém por perto, apenas para torturar o idiota que percebeu a grande merda que ele fez quando virei as costas para o herdeiro do Sudão.
Olho pela janela do meu apartamento, o sol finalmente voltou para alegrar a minha vida triste, mesmo que tenha sido por escolha própria estar da forma que estou. Gosto da solidão que tenho em Moscou. Mesmo que meus pais insistem que deva voltar para casa e aproveitar as oportunidades que começam a surgir em minha vida por lá, o mais perto deles.
Observo o buquê de rosas-brancas que foram entregues novamente, por mais que já tenha proibido cada uma das floriculturas de me entregar flores vindo de Mahjub, não sei como ele consegue, mas elas acabam sendo entregues. Preciso fazer algo para que essas tentativas dele não continuem.
Não sei se foi o meu soco ou simplesmente ter sumido do mapa que fez o príncipe correr atrás de mim como um cão no cio. Para o seu azar, me esforcei muito para me manter o máximo que pude afastar dele. Mesmo que minha amizade com suas irmãs Zara e Laís continuasse depois que me afastei de tudo, sei que elas sempre contavam algo sobre mim.
Como se fosse necessário, uma vez que a prima é uma das maiores hackers que se tem notícia. E a amizade de Mahjub com Gaia Garcia é bem estreita, tenho certeza que, se ele pedir, ela fará. Talvez nem seja preciso que ele peça algo.
O que não é de conhecimento de todos é meu envolvimento com Guilherme Lira, depois de um jantar de ação de graças em casa, no qual só cheguei com a sua ajuda. Guilherme se tornou o meu melhor amigo e, com o passar dos meses, entre encontros e visitas aos meus pais, acabei aceitando o seu pedido de namoro. Mas me culpava por estar ao seu lado e não conseguir sentir nada por ele.
Mesmo que ele fosse um rapaz perfeito, o desejo que toda mãe pode querer para a sua filha, mas não me sentia completa com ele. Algo dentro de mim dizia ser errado, que ele é a pessoa errada para estar ao meu lado.
Guilherme faz o máximo possível para nos manter fora dos tabloides já que está se candidatando para deputado de Miami, pelo menos é nisso que acredito. Mas tenho a sensação de que Guilherme nos mantém fora das notícias e me escolheu para ser sua namorada depois de uma desilusão amorosa que sofreu, assim como aconteceu comigo.
E da mesma forma que vem acontecendo comigo, ele não consegue se entregar à nossa relação.
Prova disso é que nunca conseguimos passar de alguns amassos no sofá, nunca dormimos juntos, acredito que ele jamais conseguirá tocar em mim sem pensar na mulher que ele ama. Felizmente, aprendi com Scott minha segurança a estar sempre de ouvidos em pé. E uma noite, quando ele veio me buscar aqui em Moscou para me levar para casa, o ouvi perguntando se podiam se encontrar.
Não faço ideia de quem seja a pessoa e muito menos o que o Gui aprontou antes de me conhecer, mas que a mulher está dando uma canseira nele, isso ela está. O que me fez tornar sua fã número um. Queria poder torturar o Mahjub dessa mesma forma, deixá-lo rastejando ainda mais em meus pés.
Não posso negar que gosto de todo o esforço que ele faz para se aproximar, mas sempre com uma ajudinha consigo me desvencilhar de suas investidas e tentativas de se comunicar. Minha segurança aprendeu como manter o príncipe árabe afastado e tenho certeza de que toda essa brincadeira só está servindo para deixá-lo ainda mais interessado.
— Senhorita, seus pais chegaram para lhe levar para o teatro. — Viro em direção a Scott que olha para o vaso e estranha.
— Deve ter subornado o porteiro. — Digo e dou de ombros.
— Vou conversar com o síndico outra vez! — Ela exclama e se afasta.
Me ergo da janela, pego a minha bolsa no sofá e vou em direção ao jarro com as rosas e toco em uma delicadamente. Retiro uma e sinto a sua fragrância.
— Era para estarmos casados… — Murmuro e beijo a rosa.
Coloco a rosa em minha bolsa e saio do meu apartamento para encontrar com meus pais que já estavam me esperando na entrada do meu prédio. Ver meu pai e minha mãe na entrada do prédio com mais um buquê de girassóis, me fez abrir um sorriso enorme. Estava com saudades deles, faz quase seis meses que não os via.
As apresentações estavam intensas e, com a candidatura do meu pai para o Senado, tudo estava muito complicado para todos.
— Está linda, meu amor e Guilherme, ainda não chegou? — Meu pai olha para trás de mim.
Para eles, meu relacionamento está às mil maravilhas e minha mãe acredita fielmente que logo estarei lhe dando um netinho para fazer bagunça em casa e que eles possam estragar a minha educação.
— Ele disse que virá somente em alguns dias, disse que ainda está em campanha. — Digo abraçando os dois e entramos no carro.
O caminho para o teatro é até curto, conversamos sobre algumas coisas, mas a principal é sobre a vida amorosa do meu irmão, que está sofrendo na mão de uma das filhas de outro candidato ao senado. Meu pai estava preocupado por que o outro idiota foi para cama com uma, pensando que era a outra. Ou seja, elas o enganaram.
No lugar dele, dava um chute na bunda daquela patricinha que tenho certeza de que está apenas brincando com os sentimentos do meu irmãozinho. Via minha mãe também preocupada com a situação, mas não sei o que ela está planejando, porque tenho uma ligeira sensação de que estão aprontando alguma coisa para meu irmão.
A semana foi puxada e estava começando a sentir falta de Gui e meu irmão, que ainda não haviam aparecido em Moscou. Hoje é a minha última apresentação da temporada e é especialmente o meu aniversário.
Desejo que todos que amo estejam ao meu lado, para comemorar comigo esse novo ciclo que se inicia. Sinto até mesmo vontade de que Mahjub estivesse aqui.
Amadureci muito desde tudo o que aconteceu, quero mostrar ao príncipe que não sou mais aquela menina de dezesseis anos, tenho certeza de que Mahjub está arrependido pelo que aconteceu naquela boate. Com a minha decisão de me afastar da família Al-Makki, passei a receber menos notícias do que estava acontecendo com o príncipe que deveria ser meu noivo.
Para a minha surpresa, descobri que, com o rompimento do compromisso entre meu pai e o avô de Mahjub, rendeu à Oil Company uma espécie de indenização pelo que houve. Tenho a sensação de que o senhor Al-Makki e nem a sua mãe, não devem ter facilitado a vida do filho depois do que aconteceu.
Me despeço dos meus pais e vou para o camarim me arrumar para a apresentação, abro minha bolsa e encontro a rosa que havia colocado com cuidado. Pego um copo, encho com água e coloco a rosa ali.
Dói lembrar tudo o que vi, mas ainda sinto alguma coisa por aquele idiota…
Já pronta para poder dançar, deixo outro beijo na rosa pensando no príncipe árabe e preocupada de que Guilherme ainda não deu as caras por aqui!
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Carolina AlcântaraFinalmente teremos a inauguração do nosso restaurante. As meninas gostaram do jeito como o chamo, então decidimos que ele se chamará “Suíça”. Ele ficou perfeito, acomodando 25 mesas, além de uma área privativa com mais 4, uma área romântica com apenas uma mesa e um espaço familiar externo com playground e mais 10 mesas. A designer deixou tudo lindo.Cada detalhe conferiu ao restaurante um ar requintado e, ao mesmo tempo, acolhedor. A Tânia montou uma equipe excelente para a cozinha. Hoje, abrimos o local para organizar tudo, já que a inauguração se aproxima. Tenho medo de que algo passe despercebido. Nós três estamos a todo vapor, enquanto as crianças ficam com a Keity e a Mariana. A Tânia contratou uma moça para ajudá-la com os gêmeos e, graças a Deus, não temos tido problemas com nossos filhos.A inauguração chegou, e convidamos muitas pessoas para dar visibilidade ao negócio. O Fritz cumpriu sua parte no acordo: o Suíça passou a ser reconhecido mundialmente como u
Bruno AlcântaraHoje tiramos o dia para resolver tudo na boate e no restaurante das meninas. Elas decidiram acelerar a obra. Os bebês do Júlio chegaram antes do tempo; estão com quase um mês entre a rotina de casa e o hospital. Júlio e Tânia praticamente moram no hospital. Enquanto ele foca nos meninos, eu assumo a comunidade mais uma vez e amo fazer isso. Mas não consigo dividir minha vida entre família, comunidade e a empresa que o Gustavo administra para mim.Depois de muito relutar, ele aceitou ir para a Flórida, mas só se mudará depois que a sobrinha nascer. Irão todos juntos; espero realmente que se adaptem. São uma boa família, e gostei muito da amizade que fiz com eles.Estávamos tomando café. Minha deusa oferecia mamão para nossa princesa, que comia como se o mundo fosse acabar hoje. De repente, ouvimos um baque forte na porta. Olhamos e vemos a Juliana entrar com a cara de quem viu um fantasma.— Vai ficar com essa cara de assombrada ou vai nos contar o que aconteceu? — A Ca
Tânia GarciaDesde que minha mãe faleceu, tenho vivido os dias cercadas por minhas amigas. A presença da Juliana e do Arthur tem sido a maior fonte de minha alegria. Não que meu lindo coroa não me traga felicidade, claro que traz, mas há assuntos que prefiro compartilhar apenas com as meninas.Minha maior surpresa foi quando a Carol e a Juliana me convidaram para ser sócia delas no restaurante. No entanto, fiquei assustada quando ela explicou que o local seria um ponto neutro para a máfia, um lugar seguro para fechar contratos.Os dias passaram e tivemos nossa primeira consulta com a obstetra. Ela confirmou que estava tudo bem conosco, explicou os detalhes da gravidez e nos deu todas as orientações. Decidimos revelar o sexo dos bebês apenas no dia do casamento. Saímos da consulta em êxtase e fomos a uma loja de artigos infantis, onde praticamente demos uma festa: compramos roupinhas, berço, decoração e tudo mais que imaginamos.Estou na faculdade de gastronomia, e esta semana e a próx
Carolina AlcântaraPassei a semana toda evitando meu digníssimo marido, mas também tenho feito das suas noites um inferno. Acho ridículo esse ciúme bobo, aquele jeito de relembrar o passado. Foi tudo tão injusto.Hoje, meu irmão chega, e já marquei com a Ju e a Tânia para irmos à boate. Está na hora da arquiteta nos mostrar o que planejou para aquele espaço enorme. Meu marido lindo sai do banho e eu continuo deitada, já que ainda é muito cedo. O sacana sai pelado do box, com a toalha no pescoço, enxugando a barba e os cabelos.Quando percebe meu olhar, me dá um sorriso de canto. Seu pau já dá sinal de querer bater ponto para mais um dia de trabalho, mas me lembro que ele ainda está de castigo e tento recordar o hino da bandeira para não cair em tentação. Já na segunda estrofe, ele revira os olhos e começo a duvidar da minha capacidade de ignorar meu lindo e gostoso marido.— Só quero ver até quando vai ficar com esse joguinho. Vou para o escritório e depois para a boate. Não devo apar
Carolina AlcântaraO casamento do meu irmão saiu perfeito, tudo nos conformes. Ele e minha cunhada se divertiram muito durante a festa. Depois de algumas horas, minha sogra foi embora, pois o Fritz teria uma reunião com o conselho no dia seguinte e não queria chegar cansado. Logo depois que eles saíram, foi a nossa vez de ir para casa também. A Laís já dormia no carrinho, e o Arthur também começava a cair no sono. Ele passaria a semana na nossa casa; espero que não estranhe.— Bruno, pega o Arthur e vamos para casa. Ele já está cansado, olha ele no colo da Tânia! — Ele estava agarrado ao pescoço dela, com os olhinhos fechados, procurando uma posição confortável.— Tudo bem, vou pegá-lo. Vá me esperar na entrada; a cerimonialista está te esperando para combinar o que fazer com as coisas. — Pego o carrinho com a Laís e vou em direção à mulher que organizou tudo.Passo as coordenadas do que deve ser feito, e logo sinto a mão do Bruno na minha cintura, segurando-me um pouco mais forte. Fi
Ivone FritzQue sensação estranha esta: acordar e sentir que estou sendo protegida, e não protegendo. Fiz tanto por meus filhos desde que o pai deles foi morto, e acho que fiz um bom trabalho.O Bruno, mesmo tendo entrado no mundo do crime, sempre foi bom para quem merecesse. Não é à toa que toda a comunidade gosta e o respeita. Graças a Deus, ele encontrou a Carol. Tenho muito orgulho da minha nora e sei que ela será uma ótima esposa e companheira, principalmente agora com a Laís e sua entrada na máfia. Tenho certeza de que fará o seu melhor para criar minha neta da forma certa, para que ela não sofra no mundo em que entramos.Quando o Fritz me propôs casamento, não nego que fiquei com medo de tudo, principalmente de ser sequestrada e servir de moeda de troca para prejudicá-lo. Mas ele sempre foi muito cuidadoso e estou sempre muito bem protegida, até mesmo em casa. Me impressionei com o idioma; pensei que teria muita dificuldade, mas, pelo contrário, estou tirando de letra. Ainda nã







