FAZER LOGINHope de Luca
Subo no palco para a minha última apresentação, me concentro e todas as minhas companheiras do grupo já estavam em seus devidos lugares. Me entrego aos passos coreografados com devoção, incorporando o meu personagem.
A apresentação do lago dos cisnes é carregada de emoção como sempre foi, com os meus pensamentos em Mahjub e sentimentos pesando em meu coração. Realizei o último ato da apresentação, exausta fisicamente, com a musculatura das minhas pernas queimando por toda a tensão que senti. Ouço os aplausos e sou ovacionada de pé pela apresentação bem executada.
Recebi uma chuva de pétalas e o carinho de todas as pessoas que foram para me prestigiar, olho para o lado e meu pai estava ali com um sorriso orgulhoso, aplaudindo de pé. Reverencio à plateia pelo carinho recebido.
Para a minha surpresa, percebi que Ruslan estava na primeira fileira, olho melhor para o camarote onde meus pais estavam e sinto falta de Guilherme, que ainda não havia aparecido e nem me ligado hoje. Ergo o meu olhar para os camarotes e foco no homem de smoking com um sorriso em cima de mim.
Ele está aqui…
Sinto meu peito pulsar mais rápido, não consigo acreditar que ele veio me prestigiar. Por várias vezes, ignorei a sua presença, sempre que ele tentou se aproximar, mas por algum motivo hoje é diferente.
Hoje queria saber o que mudou para ele, porque veio sem suas roupas tradicionais, porque ele estava aqui em Moscou, longe de suas casas, longe de sua família. Vejo suas mãos batendo palmas e, mesmo à distância, percebo que ele estava com a joia que rompi de sua mão naquele dia. A mesma que havia escolhido com tanto carinho, com significado tão distinto a mim, com marfim, rubi e âmbar em sua configuração.
Ainda dói lembrar o que ele fez naquela boate, me senti rejeitada ao ver a cena dele com duas mulheres, deixando claro que sentia prazer com elas.
Mesmo sendo uma menina, minha mãe sempre me disse estar predestinada a ser uma princesa, que havia um príncipe que seria o meu marido. E o ver naquela situação fez com que o sonho de menina evaporasse, deixando apenas a dor da rejeição.
As palavras de minha mãe estavam marcadas tão profundamente em meu coração e em minha alma que nunca realmente esqueci que fui lapidada, como a joia mais preciosa para o príncipe herdeiro. Que talvez em algum momento poderíamos encontrar o que faltou ao Mahjub para tentar um relacionamento comigo.
Sorrio para o público que estava aplaudindo com entusiasmo e fico na ponta do pé para reverenciar a todos e, tentando ver com detalhes como ele estava. Essa é a primeira vez que o vejo sem as suas vestimentas tradicionais, o que o deixou terrivelmente sedutor.
Meus pensamentos estão focados no herdeiro que estava na plateia, podia notar que em nenhum momento ele deixou de me olhar, mesmo que durante os parabéns a plateia ficou ainda mais barulhenta. Sorri em sua direção e lembrei que talvez possa fazer o passeio que a Zara me chamou no início do mês para o Resort em Capri, para atormentar um pouco mais o príncipe burro que estava à minha frente.
Um eco no microfone chamou a minha atenção, virei levemente e me assustei ao ver Guilherme com o joelho no chão e uma caixinha em sua mão. Retorno com os olhos em direção ao Mahjub assustada com o que iria acontecer.
— Hope se apaixonar por você é a coisa mais simples para qualquer homem, a sua graciosidade, o seu desejo por viver a vida livremente é encantador, sou grato pelo dia que seu carro apagou e pude lhe ajudar a seguir viagem e com esse mesmo espírito aventureiro, quero fazer o pedido mais importante de nossas vidas, Hope de Luca você aceita ser a minha esposa?
Isso não deveria estar acontecendo, Guilherme não devia estar fazendo isso, ele não me ama, assim como também não o amo. Olho para o meu pai procurando apoio.
Um barulho estrondoso me assusta e faz que olhe mais uma vez em direção ao lugar que tenho certeza foi o responsável por chamar a atenção de todos.
O rosto de um homem desesperado estava ali, percebi que uma garota o puxava para o lado de fora. Olhei por pouco tempo, mas tenho quase certeza de que era Pietra que estava ali com ele.
Viro para o Gui e, sem pensar muito, aceito o seu pedido. Não poderia deixar o meu melhor amigo com cara de tacho, ele estava enfrentando uma campanha política complicada. Talvez ter feito o pedido é apenas uma jogada de marketing.
Sinto a peça fria escorregar pelo meu dedo, coloco um sorriso em meu rosto e logo estou sendo rodopiada pelo palco que estava repleto de pétalas de flores. Em um momento do rodopio, procuro pelo príncipe que deveria ter feito esse pedido.
Escorrego pelo corpo do meu namorado e noto um sorriso com um pedido de desculpas, provando que, se ele fez isso, teve seus motivos. Espero que ele tenha uma boa desculpa, porque será difícil explicar a situação ao meu pai.
— Feliz aniversário! — Sussurra em meu ouvido e beija minha testa com ternura.
— Obrigada, agora vamos sair daqui, acho que deve conversar com meus pais. — Digo e aponto na direção em que estavam.
Percebo pelo olhar de minha mãe, que estava surpresa com o que acabou de acontecer, e meu pai, que parecia ter acabado de presenciar um acidente. Por mais que eles amem o Guilherme, sinto que eles não esperavam por esse momento.
Levo o Gui comigo para o staff, entramos em um camarim e olho para a aliança que estava em meu dedo e vejo o rosto dele se transfigurando em dor e sofrimento. O vejo desabar na minha frente, fico preocupada e tranco a porta atrás dele.
— Comece a falar, está me assustando! — Digo, me abaixando à sua frente.
Seu olhar cruza com o meu e vejo o quanto ele está nervoso em falar, mas tenho a sensação de que já imagino o que seja.
— Guilherme, sabe muito bem que não existe amor entre nós, por que fez isso? — Pergunto, segurando o seu rosto.
O vejo suspirar e baixar a sua cabeça envergonhado por algum motivo, ergo o seu rosto e o faço olhar em meus olhos.
— Você sabe que tive uma namorada e a escondi, não é? — Confirmo com a cabeça.
— Eu ouvi… — Digo constrangida. — A sua conversa!
A minha careta é suficiente para fazer meu melhor amigo sorrir outra vez, seco o seu lindo rosto que emoldura um par de olhos azuis lindos, seu cabelo e barba sempre bem arrumados é a composição perfeita de um homem perfeito.
Pena que não conseguimos sentir nada mais que um carinho de irmãos um pelo outro.
— O nome dela é Pietra Lancelloti… — Diz e fico surpresa de quem seja a mulher que ele ama.
— Em uma convenção, estava cansado, minha equipe havia preparado um quarto para mim e resolvi beber um pouco no quarto apenas para relaxar, mas acabei dopado e acordei com a secretária nua ao meu lado… — Respiro fundo, já ouvi uma história bem parecida com essa.
— Acordei com Pietra na frente da cama, com uma bolsa de viagem em sua mão e o rosto molhado em lágrimas. Antes que ela saísse do quarto, Pietra arremessou a aliança que havia dado a ela em sinal de nosso compromisso…
Passo a mão pelo rosto e não sei se bato e o chuto por ser idiota demais ou se me compadeço de mais um, que foi vítima de mulheres oportunistas.
— Demorei porque fui até a Capri, tentar falar com ela, mas descobri que ela está com outro homem. — Ele diz com os olhos cheios de lágrimas.
— Por isso, achou que me fazer o pedido mais importante do mundo seria a solução? Guilherme, você está no meio de uma corrida eleitoral, imagina o quanto isso será prejudicial à sua candidatura e pior ainda à do seu pai!!! — Grito praticamente para ele.
Levanto e vou em direção à minha bolsa que estava no mesmo lugar, livro meus pés das sapatilhas e de minhas roupas. Fico apenas de calcinha, já que o collant não me permite usar nada para cobrir os meus seios. Mesmo que nunca tenhamos transado, Guilherme já me viu pelada várias vezes.
Com um vestido mais confortável e um sapato que me deixava alguns centímetros um pouco mais alta, continuo com os meus pensamentos na confusão que acabei de entrar.
Paro em frente ao Gui e lhe entrego a minha bolsa.
— Ele estava aqui… — Digo.
Talvez esse pedido seja o que preciso para Mahjub rastejar e enxergar que cresci me tornando uma mulher.
— Quem? — Percebo que ele fica confuso.
— O príncipe do deserto… — Respondo presa em meus pensamentos.
Quer acompanhar todas as minhas histórias?
Carolina AlcântaraFinalmente teremos a inauguração do nosso restaurante. As meninas gostaram do jeito como o chamo, então decidimos que ele se chamará “Suíça”. Ele ficou perfeito, acomodando 25 mesas, além de uma área privativa com mais 4, uma área romântica com apenas uma mesa e um espaço familiar externo com playground e mais 10 mesas. A designer deixou tudo lindo.Cada detalhe conferiu ao restaurante um ar requintado e, ao mesmo tempo, acolhedor. A Tânia montou uma equipe excelente para a cozinha. Hoje, abrimos o local para organizar tudo, já que a inauguração se aproxima. Tenho medo de que algo passe despercebido. Nós três estamos a todo vapor, enquanto as crianças ficam com a Keity e a Mariana. A Tânia contratou uma moça para ajudá-la com os gêmeos e, graças a Deus, não temos tido problemas com nossos filhos.A inauguração chegou, e convidamos muitas pessoas para dar visibilidade ao negócio. O Fritz cumpriu sua parte no acordo: o Suíça passou a ser reconhecido mundialmente como u
Bruno AlcântaraHoje tiramos o dia para resolver tudo na boate e no restaurante das meninas. Elas decidiram acelerar a obra. Os bebês do Júlio chegaram antes do tempo; estão com quase um mês entre a rotina de casa e o hospital. Júlio e Tânia praticamente moram no hospital. Enquanto ele foca nos meninos, eu assumo a comunidade mais uma vez e amo fazer isso. Mas não consigo dividir minha vida entre família, comunidade e a empresa que o Gustavo administra para mim.Depois de muito relutar, ele aceitou ir para a Flórida, mas só se mudará depois que a sobrinha nascer. Irão todos juntos; espero realmente que se adaptem. São uma boa família, e gostei muito da amizade que fiz com eles.Estávamos tomando café. Minha deusa oferecia mamão para nossa princesa, que comia como se o mundo fosse acabar hoje. De repente, ouvimos um baque forte na porta. Olhamos e vemos a Juliana entrar com a cara de quem viu um fantasma.— Vai ficar com essa cara de assombrada ou vai nos contar o que aconteceu? — A Ca
Tânia GarciaDesde que minha mãe faleceu, tenho vivido os dias cercadas por minhas amigas. A presença da Juliana e do Arthur tem sido a maior fonte de minha alegria. Não que meu lindo coroa não me traga felicidade, claro que traz, mas há assuntos que prefiro compartilhar apenas com as meninas.Minha maior surpresa foi quando a Carol e a Juliana me convidaram para ser sócia delas no restaurante. No entanto, fiquei assustada quando ela explicou que o local seria um ponto neutro para a máfia, um lugar seguro para fechar contratos.Os dias passaram e tivemos nossa primeira consulta com a obstetra. Ela confirmou que estava tudo bem conosco, explicou os detalhes da gravidez e nos deu todas as orientações. Decidimos revelar o sexo dos bebês apenas no dia do casamento. Saímos da consulta em êxtase e fomos a uma loja de artigos infantis, onde praticamente demos uma festa: compramos roupinhas, berço, decoração e tudo mais que imaginamos.Estou na faculdade de gastronomia, e esta semana e a próx
Carolina AlcântaraPassei a semana toda evitando meu digníssimo marido, mas também tenho feito das suas noites um inferno. Acho ridículo esse ciúme bobo, aquele jeito de relembrar o passado. Foi tudo tão injusto.Hoje, meu irmão chega, e já marquei com a Ju e a Tânia para irmos à boate. Está na hora da arquiteta nos mostrar o que planejou para aquele espaço enorme. Meu marido lindo sai do banho e eu continuo deitada, já que ainda é muito cedo. O sacana sai pelado do box, com a toalha no pescoço, enxugando a barba e os cabelos.Quando percebe meu olhar, me dá um sorriso de canto. Seu pau já dá sinal de querer bater ponto para mais um dia de trabalho, mas me lembro que ele ainda está de castigo e tento recordar o hino da bandeira para não cair em tentação. Já na segunda estrofe, ele revira os olhos e começo a duvidar da minha capacidade de ignorar meu lindo e gostoso marido.— Só quero ver até quando vai ficar com esse joguinho. Vou para o escritório e depois para a boate. Não devo apar
Carolina AlcântaraO casamento do meu irmão saiu perfeito, tudo nos conformes. Ele e minha cunhada se divertiram muito durante a festa. Depois de algumas horas, minha sogra foi embora, pois o Fritz teria uma reunião com o conselho no dia seguinte e não queria chegar cansado. Logo depois que eles saíram, foi a nossa vez de ir para casa também. A Laís já dormia no carrinho, e o Arthur também começava a cair no sono. Ele passaria a semana na nossa casa; espero que não estranhe.— Bruno, pega o Arthur e vamos para casa. Ele já está cansado, olha ele no colo da Tânia! — Ele estava agarrado ao pescoço dela, com os olhinhos fechados, procurando uma posição confortável.— Tudo bem, vou pegá-lo. Vá me esperar na entrada; a cerimonialista está te esperando para combinar o que fazer com as coisas. — Pego o carrinho com a Laís e vou em direção à mulher que organizou tudo.Passo as coordenadas do que deve ser feito, e logo sinto a mão do Bruno na minha cintura, segurando-me um pouco mais forte. Fi
Ivone FritzQue sensação estranha esta: acordar e sentir que estou sendo protegida, e não protegendo. Fiz tanto por meus filhos desde que o pai deles foi morto, e acho que fiz um bom trabalho.O Bruno, mesmo tendo entrado no mundo do crime, sempre foi bom para quem merecesse. Não é à toa que toda a comunidade gosta e o respeita. Graças a Deus, ele encontrou a Carol. Tenho muito orgulho da minha nora e sei que ela será uma ótima esposa e companheira, principalmente agora com a Laís e sua entrada na máfia. Tenho certeza de que fará o seu melhor para criar minha neta da forma certa, para que ela não sofra no mundo em que entramos.Quando o Fritz me propôs casamento, não nego que fiquei com medo de tudo, principalmente de ser sequestrada e servir de moeda de troca para prejudicá-lo. Mas ele sempre foi muito cuidadoso e estou sempre muito bem protegida, até mesmo em casa. Me impressionei com o idioma; pensei que teria muita dificuldade, mas, pelo contrário, estou tirando de letra. Ainda nã







