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Punição

Autor: Ivi Santiago
last update Data de publicação: 2026-08-04 00:43:15

Helena

Passaram-se dias sem que o Salim desse as caras. Pelo menos não ouvi mais os gritos vindo da ala das submissas e nem senti aquele aroma marcante que impregnava a casa. Para falar a verdade, não me importei. O meu rosto ainda guardava o vestígio das atitudes dele, então quanto mais longe o árabe ficasse, melhor para a minha paz.

Continuei minha rotina de ir ao jardim todas as manhãs. Algumas vezes Hortência me acompanhava; em outras, eu ia sozinha. Ela parecia confiar em mim. As mulheres do outro lado do portão me encaravam com um ódio profundo nos olhos. Eu? Não estava nem aí. Para provocá-las, eu dançava, fazia meu quadradinho e rebolava exatamente como fazia nas festas do Brasil. Se dependesse de mim, elas poderiam ficar com o Sheik todinho para elas.

Em mais um dia ensolarado no jardim, notei a ausência de Ami. Ele já estava começando a sorrir para mim antes de sumir; eu não fazia ideia de que era proibido ter qualquer contato com ele e me sentia mal caso ele estivesse encrencado por minha causa. Em seu lugar, havia outro segurança que mal ousava olhar na minha direção.

Sentindo o calor da manhã, tirei aquele lenço incômodo da cabeça, soltei meus cabelos e me deitei na grama. Vi o grupo de mulheres do harém se amontoar perto da grade para me vigiar, mas ignorei. A vontade de me livrar das roupas quentes e ridículas falou mais alto. Olhei para o novo segurança, que disfarçou imediatamente a olhada.

— Bom garoto — murmurei para mim mesma, sorrindo maliciosamente, como se estivesse adestrando um dos cachorros do meu irmão.

Tirei a túnica pesada e fiquei apenas com o vestido leve de baixo. Ao ouvir o murmurinho revoltado das mulheres, ignorei. Deitei na grama macia, fechei os olhos e me dei ao luxo de fingir que ouvia o som do mar ao fundo. Pouco tempo depois, o barulho distante de um motor e o silêncio repentino ao redor denunciaram a chegada de alguém. Continuei deitada, sem dar importância.

Até que ouvi a voz dele. Um rugido grave ecoou sobre mim.

Abri os olhos e dei de cara com o Salim de pé, falando sem parar em árabe. Antes que eu pudesse rebatê-lo, duas criadas altas e fortes me pegaram pelos braços. Sorri de leve com deboche enquanto era carregada para dentro de casa.

— Idiota! Você é um idiota! — gritei, sabendo que ninguém ali entendia uma palavra de português.

Ele se sentou no sofá largo de couro claro com uma calma irritante, enquanto uma das servas lhe servia uma dose de uísque. Arqueei a sobrancelha. Impressionante: sempre que me encontrava, aquele homem estava bebendo.

Subi as escadas escoltada pelas duas mulheres. Olhei ao redor procurando por Hortência, mas ela havia saído mais cedo, imaginei que fosse sua folga. Senti um leve frio na barriga quando as duas criadas entraram no quarto comigo. Uma delas saiu e retornou logo em seguida trazendo uma venda para os olhos e uma peça de roupa estranha. Elas me vestiram como se eu fosse um manequim.

— Para onde vocês estão me levando? — perguntei, tateando o ar.

Nenhuma resposta. Nem mesmo a respiração delas eu conseguia ouvir. Conduziram-me por um corredor até ouvir o ranger de uma porta. Fiquei de pé no escuro. Quando pisei em falso na tentativa de arrancar a venda, senti minhas mãos serem firmemente amarradas para trás com cordas macias.

Ouvi o Salim falar algo rápido e uma das criadas responder antes de a porta se fechar. Eu deveria ter aprendido a merda desse idioma de uma vez, pensei.

Senti a presença dele atrás de mim. A aura pesada do Salim parecia esquentar minhas costas. Ele me guiou até me encostar em algo e rasgou a roupa estranha que me colocaram, rindo sem vergonha da minha exposição.

— Tarado! Pervertido! — xinguei.

Fiquei apenas de lingerie. A mão dele tocou meu rosto de forma surpreendentemente carinhosa e, em seguida, sua boca buscou a minha. O toque de seus lábios foi firme; quando sua língua pediu passagem, o beijo me pegou desprevenida, mas eu correspondi.

A língua dele dominava a minha com uma sede absurda, e eu me vi cedendo àquele ritmo. Fiquei completamente mole contra a estrutura onde estava apoiada. Ele segurava a minha cabeça por trás com firmeza, os dedos embrenhados nos meus cabelos. Ficamos alguns minutos ali, beijando-nos como adolescentes famintos. Pela primeira vez desde que cheguei àquele castelo, eu não queria que aquilo parasse.

Quando o beijo longo terminou, ele me deu alguns selinhos rápidos.

Que é isso, Helena? Você não quer beijar esse sequestrador filho da mãe, a voz da razão gritou na minha cabeça, tentando me puxar de volta à realidade.

Ele se afastou. Ouvi um manuseio de objetos atrás de mim. Lembrei-me de como estava indefesa e sem vergonha ali. De repente, algo macio como uma pena começou a ser passado pela minha pele. Eu tentava enxergar, mas a venda impedia qualquer visão. Ele disse algo em árabe com um tom grave. Senti minhas pernas tremerem levemente de incerteza.

Em um movimento rápido, ele acabou de rasgar o restante do tecido. Encolhi o corpo, mas antes que pudesse me mover, a mão dele desceu com força na minha nádega.

— Ah! — dei um grito. A ardência me fez lembrar das palmadas anteriores.

Ele me posicionou debruçada sobre uma superfície macia. Senti outra palmada estalar na nádega esquerda e contorci as pernas aguentando a dor. Ouvi o riso baixo dele atrás de mim.

Quando tentei me virar para dar um chute nele, algo áspero tocou o meu rosto, desceu pelo pescoço e roçou os meus seios. Me arrepiei inteira. Aquele objeto duro e áspero, que parecia a varinha decorativa da Hortência,  continuou desenhando meu corpo até a minha barriga, descendo em direção à minha virilha. Quando me mexi sob o toque, a vara bateu de leve na minha coxa, fazendo o local arder como fogo.

Passei a língua nos lábios, engolindo a vontade de chorar e controlando os xingamentos:

— Foda-se, desgraçado...

Os meus olhos encheram de água, mas não dei o gosto de gemer de dor. Fiquei firme. Ouvi a respiração compassada dele bem perto do meu rosto, indicando que estávamos frente a frente.

Suas mãos me ergueram e me colocaram sentada. Em seguida, ele afastou minhas pernas com brutalidade. Senti seus dedos tocando minha pele, subindo e descendo. Senti cócegas e me contorci, soltando uma risada nervosa. De repente, o toque da vara cessou, dando lugar à algo quente e molhado.

Arfei ao sentir a língua dele na minha intimidade. Ele segurava minha pele enquanto me explorava com uma sede absurda, provocando sensações inéditas e avassaladoras.

Prazer... será que aquilo era prazer?, me perguntei, tonta com os estímulos.

Prendi a cabeça dele entre minhas pernas enquanto ele me devorava. Rebolei contra a boca dele, sentindo sua respiração pesada. Suas mãos apertaram minhas coxas com força e ele soltou um gemido abafado que me arrepiou inteira.

— Delícia! — gritei sem me conter, sentindo o ritmo aumentar.

Uma onda de fraqueza prazerosa atingiu meu corpo enquanto me contorcia inteira sob o domínio dele. As mãos do Salim subiram para o meu seio direito, apertando-o com intensidade. Ele continuava emitindo pequenos gemidos de satisfação na minha pele, parecendo tão entregue ao momento quanto eu.

Quando ele afastou a boca, ouvi o barulho de fivelas. Por um segundo, pensei que ele estivesse abrindo as calças, mas lembrei que ele vestia uma túnica. Ele me virou de costas e o toque do couro estalou novamente na minha pele. Soltei um arfar, apertando as pernas.

Quem era aquela Helena pervertida que eu não reconhecia?

Em seguida, senti os dentes dele morderem o local da palmada, para logo depois a mão dele vir massageando o local machucado — antes de dar mais um tapa leve.

— Ai! — protestei, ouvinte do riso debochado dele.

Ele beijou minha pele logo em seguida. Aquele homem claramente tinha uma obsessão por essa parte do meu corpo. Rebolei contra ele, provocando-o, até que a mão dele me puxou pelos cabelos. Antes que eu esperasse um protesto, os lábios dele encontraram os meus em outro beijo faminto. Os dedos dele provocavam minha pele enquanto a língua me viciava no gosto dele.

— Me toma! — pedi em português, desejando que ele entendesse a urgência.

Ele não entendeu o idioma, mas continuou o beijo enquanto apertava minha cintura. Ao descer a boca para o meu seio, chupou meu mamilo com cuidado e deu uma leve mordida que me fez gemer baixo.

Quando a intensidade do momento atingiu o pico, batidas fortes na porta cortaram o ar. Alguém esmurrava a madeira e gritava. Era a voz da Hortência.

Fiquei paralisada, ouvindo a discussão que se iniciou. O Salim rosnou uma resposta em árabe, mas as batidas não pararam. Ele jogou um tecido leve sobre o meu corpo e foi em direção à porta.

Assim que a porta se abriu, Hortência entrou no ambiente feito uma furiosa. Ela veio direto até mim, cobriu-me direito e me abraçou, conduzindo-me para fora enquanto me desamarrava e tirava a venda dos meus olhos.

— Helena, você está bem? — perguntou ela, ansiosa.

— Sim, Hortência... ele não me machucou muito — respondi, respirando fundo ao reencontrar a visão.

Quando chegamos ao meu quarto, Hortência me avaliou dos pés à cabeça, com os olhos arregalados ao ver as marcas vermelhas na minha pele.

— O que você fez para ele te castigar assim?

— Eu estava no jardim... deitada na grama — expliquei, me olhando no espelho.

— O Salim só pode ter enlouquecido! Deitada na grama?— disse ela, andando de um lado para o outro.

Passos pesados ecoaram pelo corredor e Salim apareceu na porta vestindo sua túnica caramelo. Ele me encarou de cima a baixo. Eu estava praticamente desnudada ali na frente deles, cobrindo-me apenas com a capa. O olhar dele percorreu meu corpo com uma posse palpável.

ele falou algo sério para a irmã — chamando-a de Latifa — e saiu em disparada pelo corredor. Hortência foi atrás dele, gritando antes de ir:

— Vá para o banho, eu já volto!

Fechei a porta e sentei na cama por alguns instantes, processando tudo. Dei um sorriso bobo para a parede. Peguei a capa do chão, joguei-a na cadeira e fui direto para o banheiro. Enchi a banheira e entrei na água morna, cantarolando.

Momentos depois, Hortência apareceu na porta do banheiro.

— O que você aprontou de verdade, Helena?

— Já falei! Estava deitada no jardim tomando sol — brinquei com as bolhas de sabão.

— E a sua roupa? O lenço? — ela cruzou os braços.

— Tirei! Queria bronzear a pele e aquilo me atrapalhava.

Hortência passou da seriedade para um balançar de cabeça incrédulo:

— Helena, aqui não é o seu país. Ele ainda está furioso com você!

— E daí? Não me importo. Se quiser me castigar, que castigue.

Ela pegou uma esponja e começou a me ajudar a lavar as costas:

— Que Allah te proteja das suas insanidades, menina.

— Que ele proteja o seu senhor também, porque um de nós dois vai acabar matando o outro nessa história toda — ri.

Enquanto ela espalhava um óleo perfumado na minha pele para aliviar as marcas, soltei.

— Ele tem um fascínio por bunda, não tem, Hortência? Olhe a marca dos dentes dele bem aqui!

— O quê?! — Hortência quase gritou de susto, olhando de perto. — Santo Deus... dá para ver a marca direitinho! Esse homem precisa de tratamento, isso é uma doença!

— Morder partes do corpo é doença? — ri da reação dela.

— Não a mordida, mas essa obsessão! Essa perversão por várias mulheres...

— Todos os homens do seu país têm várias mulheres, a diferença é que o Salim não se casou com nenhuma de nós.

O pensamento me fez murchar um pouco. Por que ele simplesmente não me escolhia logo como esposa de uma vez e dispensava o resto?

Enquanto eu refletia, gritos vindos da ala das submissas cortaram o ar. Uma das mulheres parecia berrar escandalosamente.

— O que ela está falando, Hortência? — perguntei, prestando atenção.

Hortência escutou por alguns segundos e traduziu com a sobrancelha erguida:

— Hum... ela está dizendo: "Por favor, mestre! Mais, por favor, mestre!"

— Essa gritaria toda só para dizer isso? — perguntei, desconfiada. — Estou achando que o Salim não me deu só umas palmadas...

— Ele não colocou nada dentro de você, Helena? — perguntou ela, séria.

— Não! Ele só me amarrou, passou aquela varinha e me deu umas palmadas... — respondi rapidamente, omitindo a parte das carícias com a língua para não me expor.

— Chega! Não quero ouvir os detalhes das devassidões do Salim! — disse Hortência, saindo do quarto revoltada.

Fiquei no quarto ouvindo a gritaria do outro lado, ligeiramente irritada com o escândalo da outra submissa. Pouco depois, uma criada trouxe meu jantar com uma reverência silenciosa.

Comi sozinha e arrumei meus próprios cabelos, deixando-os soltos. Sentada na janela, fiquei olhando para a lua. A saudade da minha casa apertou no peito e chorei um pouco, surpresa comigo mesma por ter gostado das provocações do Salim. Dona Juliana, minha mãe, sempre me disse para ser livre e dona de mim, mas com certeza não tinha me preparado para essa confusão de sentimentos por um árabe dominador.

Chorei até o cansaço bater. Olhei para a porta e vi a chave na fechadura por dentro. Levantei da cama, fui até lá e girei a tranca com força:

— Vá dormir no seu harém hoje, seu árabe safado — murmurei para o quarto vazio.

Deitei na cama e adormeci rapidamente.

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