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Capítulo 7

last update Data de publicação: 2025-03-27 00:46:44

O ar naquela atmosfera pareceu denso demais, enquanto eu assistia a troca de olhares selvagens e ameaçadores entre Erlon e o meu chefe.

—Quem você pensa quem é?— Erlon pergunta exasperado, e tenta se afastar da figura potente e alta em sua frente.

Sr. Barichello apenas dá um passo em frente e só aquele simples ato parece ser ameaçador o suficiente.

—Essa será a segunda e última vez que sugiro que deixe a moça em paz.— Ouço a voz do meu chefe soar baixa o suficiente, estridentes.

—E eu vou perguntar pela segunda vez: quem diabos é você?— Erlon insiste, também se aproximando.

Sinto meu coração acelerar rapidamente. Eu não fazia ideia sobre tudo que poderia acontecer naquela situação, mas eu tinha a absoluta certeza que eu não gostaria do que quer que fosse.

Por isso, soube que precisava intervir. Mesmo que isso me forçasse a agir do modo mais estupido possível.

—Erlon, tudo que a Diana te contou é verdade.— Eu falei rapidamente, entrando no meio dos dois. —E esse é ele. É o cara que escolhi ao invés de você. Então apenas vá embora e me deixe viver a vida que sempre sonhei, que é longe de você.

Meu coração estava batendo tão forte que eu podia ouvir os seus batimentos fortemente em meus ouvidos. Tentando controlar a respiração e aproveitando o desconcerto que aquela revelação causou a Erlon, decidi sair dali o mais rápido possível.

Então, mais uma vez agindo impulsivamente, levei a minha mão até o do sr. Barichello e fiz uma prece mental que ele aceitasse o meu toque e entendesse o que eu estava planejando.

Felizmente funcionou.

A sua mão grande e áspera abraçou a minha com firmeza enquanto eu apenas o puxava para longe, tentando apenas fugir daquele lugar. Daquela situação humilhante. Durante todo o trajeto enquanto nos afastávamos, eu sentia uma eletricidade magnética pinicando em minha mão e tomando o meu corpo inteiro.

—Tudo bem, acho que já estou a salvo.— Digo, depois de alguns minutos em que saímos daquela avenida.

No mesmo instante, afasto minha mão da sua e os olhos dele seguem presos nos meus. Engulo em seco, talvez eu devesse realmente uma explicação.

—Me desculpe por isso. Não quis colocá-lo nessa situação. Eu só... Bem, você se meteu.— Mordi o lábio assim que aquelas palavras saem por minha boca. —Quer dizer, estava tudo sobre controle.

Meu coração continua batendo rapidamente e eu começo a suar sem parar. Sinto minha visão turva por um momento e preciso me segurar no parapeito da ponte daquela rua. O cintilar da água do lago abaixo me deixa enjoada.

—Você está bem?— ouço a voz do meu chefe, distante.

Consigo assentir, e tento voltar a me virar e o olhar. No entanto, aquele meu movimento parece ser brusco demais, porque sinto o chão sobre os meus pés sumir e em seguida, toda minha visão escurecer.

Tudo que lembro de sentir, pela última vez, é braços firmes me amparando.

***

Não sei quanto tempo passou, até que pudesse abrir os meus olhos novamente.

—Onde eu estou? — sussurro, enquanto tento me sentar e uma dor excruciante me rompe a cabeça.

Meus olhos doem enquanto tento me situar onde estou, mas tudo que vejo são pares de olhos intensos e escuros me olhando no lado oposto do quarto.

—Você...— resmungo, ainda desnorteada e finalmente consigo sentar.

—Você desmaiou mais cedo e eu a trouxe pra cá.— Sr. Barichello fala, os braços cruzados me analisando.

Desconfiada, olho ao redor e eu não faço ideia de onde estávamos.

—Você está em um hotel aos arredores da avenida sul.— Ele começa a explicar. —Sua pressão deve ter caído, o que imagino que deve ter sido influência de beber de estômago vazio.

Ouço a repreensão em sua voz e me pergunto como ele poderia saber que eu não havia comido.

Antes que eu pudesse falar mais alguma coisa, ele apenas aponta o rosto para uma mesa completamente farta ao meu lado esquerdo. Enquanto observo todos os tipos de comida que eu poderei nomear e diversas qualidades de sucos, ele apenas se afasta e vai até em direção a varanda daquele hotel, fechando a janela atrás de si.

Eu engulo em seco, um tanto nervosa. Mas meu estômago ronca no mesmo instante em minha barriga, revelando a fome que estou. Após comer mais do que deveria e me sentir mais disposta, eu resolvo andar sobre aquele quarto de hotel. A curiosidade acaba me tomando e eu me vejo abrindo as janelas da mesma varanda em que sr. Barichello saiu.

O encontro sentado em uma cadeira em uma mesa de quatro, de frente para um florido jardim e iluminado pelas fortes luzes da cidade. Ele está levando um cigarro a boca quando nota minha presença.

—Obrigada.— Digo imediatamente. —Pela comida, por ter me socorrido e...—

Por ter me salvado, as palavras ficam presas em minha garganta, porque ele me interrompe logo em seguida.

—Quem era?— sua voz soa firme e autoritária. —Quem era o homem do qual estava fugindo?— ele explica a pergunta e tenho a certeza de que não a fará outra vez.

—Meu noi... Quer dizer, ex noivo.— Respondo e sorrio meio sem graça. —Terminamos há duas semanas, horas antes de eu vir pra cidade.

Vejo quando o sr. Barichello aperta os próprios punhos e apaga as chamas de um cigarro em cinzeiro, e os olhos presos em mim.

—Você o traiu?— ele pergunta diretamente e de algum modo vejo raiva e acusação em seu olhar.

Aquela pergunta me ofendeu profundamente.

—Quem você pensa que eu sou?— minha voz sai alta. —Em algum momento te passei a imagem de ser uma mentirosa traidora?

Meu sangue está fervendo em minhas veias, enquanto ele apenas me olha impassível.

—Se essa fosse você, acredite que não estaria próxima de mim em âmbito algum.

Sorrio sem humor algum.

—Isso é engraçado, vindo de alguém como você.— Cuspo com raiva.

Não sabia a razão, mas aquele homem, a cada dia, só fazia o pior em mim despertar e ele apenas perturbava todo o meu sossego facilmente.

—O que quer dizer?— ele pergunta calmamente, levantando daquela cadeira.

Naquele momento, pude voltar sentir a exaustão tomar conta de mim. E eu só sabia que não queria passar mais nenhum segundo no mesmo ambiente que aquele cretino, por isso ignoro sua última pergunta e me desato a falar:

—E ah, só para sua ciência, ele quem me traiu. Jogou um relacionamento de dois anos no lixo, só pra cair na cama com minha própria irmã. Então, não me acuse de ser uma traidora, quando a traição de tudo que eu mais amava na vida me quebrou a alma.

Eu já estava indo embora, quando não evitei dar um passo atrás outra vez:

—Mas antes que eu vá embora, me responda: você estar noivo de outra mulher semanas depois da morte da sua esposa te faz o mais honesto?

Não esperei que ele pudesse responder, porque o que vi em seu olhar, me fez me arrepender do que havia falado no mesmo instante. E eu só não estava preparada o suficiente para descobrir toda aquela verdade.

Por isso, apenas saio correndo daquele hotel, fugindo do modo como meu coração me traia ao acelerar. Só para chegar do lado de fora daquele prédio e perceber que eu estava completamente perdida...

Que lugar da cidade era aquele? Como eu chegaria em casa?

Sinto o desespero me invadir, mas assim que olho pro hall do hotel mais uma vez, eu o vejo ali. Outra vez.

Me olhando descontraidamente, me esperando pedir sua ajuda, o ar de arrogância ali.

Me sinto mortificada o suficiente para não ter ideia do que fazer a seguir...

O que seria pior, ficar perdida em uma cidade enorme de onde não sabia nada? Ou pedir ajuda ao homem misterioso e sombrio que fazia todos os pelos do meu corpo se arrepiarem e do qual eu não sabia nada?

Estou no que seria o impasse que, naquele momento, eu não fazia ideia, mas que iria definir o resto de toda minha vida.

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Último capítulo

  • O Viúvo e a Babá   Nota da autora

    Escrever esta história foi, para mim, muito mais do que simplesmente criar personagens e enredos. Foi uma verdadeira travessia, uma jornada profunda que me levou a lugares dentro de mim que eu nem sempre sabia que existiam. Cada página nasceu de um encontro íntimo com minhas próprias dores, ausências que ainda ecoam no silêncio dos meus dias, e amores que, de um jeito ou de outro, me sustentaram nos momentos em que a escrita parecia impossível, quando as palavras teimavam em fugir e o coração parecia pesado demais para continuar. Foi um processo de autoconhecimento, de enfrentamento e, acima de tudo, de entrega.Quando comecei a escrever, não tinha a menor ideia de onde essa história me levaria. Não sabia quais caminhos ela abriria, nem quais portas se fechariam ao longo do percurso. Tudo o que eu sabia era que precisava dar voz a mulheres que, tantas vezes, são silenciadas pela vida, pela sociedade, por suas próprias inseguranças. Mulheres como Ayla, Amanda, Alison, Andrea, Emma... C

  • O Viúvo e a Babá   Epílogo

    Epílogo – Anos depoisO tempo não apaga. Ele ajeita, desloca, empurra as dores para cantos diferentes, como quem arruma um quarto sem nunca jogar fora de verdade o que machuca. Oito anos haviam passado desde o casamento no jardim da mansão reconstruída. Oito anos cheios de gritos infantis, brigas, reconciliações, aniversários cheios de bolo mal cortado e alguns silêncios que só o convívio traz.A mansão na estrada daquela ampla cidade agora parecia outra. As paredes, que carregavam as marcas da explosão, estavam cobertas por heras verdes, que cresciam sem pedir licença, como se a própria natureza tivesse decidido cuidar da família. O portão rangia ao abrir, e as crianças costumavam correr para fora antes mesmo do carro desligar.Juan e Ayla tinham agora dois filhos além de Emma: o pequeno Matteo, de oito, e Clara, de cinco. Emma, adolescente, passava horas trancada no quarto ouvindo música no fone, mas ainda buscava o colo de Ayla quando alguma decepção adolescente apertava o peito. J

  • O Viúvo e a Babá   Capítulo 199

    O sábado começou abafado, como se o próprio céu estivesse inquieto, prestes a desabar em tempestade. Na cozinha da mansão, o barulho era constante: talheres batendo, panelas arrastadas, gente indo e vindo com caixas de flores, toalhas, garrafas de vinho. O ar cheirava a pão de queijo recém-saído do forno, misturado ao perfume doce das rosas que uma vizinha trouxera de presente. O som das vozes se misturava ao riso das crianças correndo pelos corredores, enquanto o bebê, embalado por Andrea, dormia tranquilo no carrinho.Ayla estava no quarto, diante do espelho, sentada numa cadeira baixa. O vestido pendurado na porta balançava levemente com a brisa que entrava da janela aberta. Não era um vestido de noiva tradicional, daqueles cheios de rendas e caudas enormes. Era simples, de tecido leve, quase bege, com bordados discretos na cintura. Ela havia escolhido assim porque não queria parecer outra pessoa, não queria se esconder atrás de nada. O bebê dormia no berço ao lado, a respiração cu

  • O Viúvo e a Babá   Capítulo 198

    As semanas que se seguiram ao nascimento do bebê transformaram a casa num lugar onde o cansaço e a descoberta se misturavam em cada canto. Ayla mal conseguia distinguir manhã de noite; o relógio da sala, que antes marcava as horas com um som alto e constante, agora parecia zombar dela, marcando um tempo que não obedecia ao ritmo da maternidade. Aos poucos, porém, a poeira foi baixando. O bebê mamava melhor, Emma já não chorava escondida com medo de perder espaço, e Juan fazia o possível para manter a mansão viva e funcional enquanto a família se ajeitava.Era um domingo de sol. O cheiro de terra molhada ainda vinha das chuvas da madrugada, misturado ao aroma forte do café que Juan havia passado mais cedo. Ayla saiu do quarto com o bebê no colo, os pés descalços tocando o piso frio de mármore. Ele dormia pesado, o corpo mole, o rosto enfiado contra o peito dela. Emma estava sentada no tapete da sala, pintando com lápis de cor, a língua para fora num gesto concentrado que lembrava Juan

  • O Viúvo e a Babá   Capítulo 197

    A casa não parecia mais a mesma desde que trouxeram o bebê. O silêncio confortável de antes havia sido substituído por um ciclo estranho de choros, passos apressados, portas se abrindo de madrugada e vozes sussurradas tentando não acordar Emma. Até o ar parecia outro, impregnado de leite morno, pomada para assaduras e aquele cheiro indefinível de recém-nascido, uma mistura de talco e suor doce que se entranhava nas roupas e nos cabelos.Ayla estava exausta. O corpo ainda doía do parto, cada músculo parecia reclamar quando ela se levantava da cama. Os pontos queimavam, a cabeça latejava por noites mal dormidas, e a sensação constante de cansaço parecia pesar mais que o próprio bebê no colo. Mas quando olhava para o pequeno, deitado no berço novo que Juan montara no quarto deles, sentia uma estranha força correr pelo peito, algo que a obrigava a seguir, mesmo quando tudo parecia desabar.Juan fazia o possível, mas não escondia o cansaço. Chegava no quarto de camiseta amarrotada, olhos v

  • O Viúvo e a Babá   Capítulo 196

    O dia do parto chegou.Ayla já não sabia distinguir o que era dor física e o que era medo. O frio da sala de cirurgia misturava-se ao suor que escorria por sua testa, colando os cabelos à pele. O teto branco, com suas lâmpadas fortes, parecia distante, quase cruel. O cheiro de antisséptico invadia tudo, e cada vez que uma nova contração vinha, ela pensava que talvez não fosse aguentar.Juan estava ali, paramentado, máscara cobrindo metade do rosto, mas os olhos… os olhos estavam vermelhos, tensos, e não paravam de procurar os dela.— Eu tô aqui, Ayla, eu tô aqui — repetia, como se fosse um mantra.Mas nem sempre conseguia controlar a voz, que falhava. Ele não era de chorar, mas naquele momento não sabia o que fazer com a angústia que pesava no peito.O médico falava com calma, embora a pressa estivesse escondida na forma como suas mãos se moviam.— Precisamos acelerar. A pressão dela caiu, a gente tem que agir rápido.Ayla ouviu fragmentos. A anestesia deixava seu corpo meio fora de s

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