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Capítulo 5

Autor: Eros
last update Data de publicação: 2026-03-14 05:23:20

Minhas mãos ainda estavam levemente trêmulas quando terminei de ajustar o último curativo na perna da paciente.

A cirurgia tinha durado horas.

Quando ela chegou à emergência, o estado era assustador. A perna direita estava quebrada de um jeito que eu nunca esqueço quando vejo — o osso tinha atravessado a pele. Fraturas expostas sempre trazem uma urgência diferente, porque cada minuto aumenta o risco de infecção, de complicações, de algo pior.

Agora, finalmente, tudo estava estável.

Eu caminhei ao lado da maca enquanto dois enfermeiros a levavam pelo corredor em direção ao quarto. As rodas rangiam levemente no piso encerado, e o cheiro familiar de desinfetante preenchia o ar.

A paciente ainda estava meio sonolenta por causa da anestesia.

— Vai ficar tudo bem — eu disse em voz baixa, mais para tranquilizá-la do que por qualquer outra razão.

Ela tentou sorrir, mas parecia exausta demais para responder.

Eu entendia perfeitamente aquela sensação.

Quando chegamos ao quarto, ajudei os enfermeiros a posicioná-la na cama com cuidado. Ajustei o suporte da perna imobilizada, verifiquei rapidamente os sinais vitais no monitor e fiz algumas anotações no prontuário.

Tudo parecia estável.

— Descanse — falei.

Ela assentiu levemente, já quase dormindo.

Saí do quarto fechando a porta devagar.

Assim que entrei no corredor, senti o peso do cansaço cair sobre mim de uma vez.

Meu corpo parecia feito de concreto.

Aquela tinha sido uma das noites mais pesadas que eu lembrava nos últimos meses. Quatro vítimas graves de acidente, horas de cirurgia, decisões rápidas o tempo todo.

E eu ainda sentia que minha mente estava funcionando no modo emergência.

Respirei fundo e passei a mão pelo rosto.

— Café — murmurei para mim mesma.

Era a única coisa que parecia capaz de me manter em pé naquele momento.

Caminhei lentamente pelo corredor da emergência. O movimento tinha diminuído bastante depois da correria inicial do acidente. Alguns enfermeiros conversavam em voz baixa perto do balcão, e o som distante de um monitor cardíaco ecoava de alguma sala próxima.

A copa ficava no fim do corredor.

Quando entrei, encontrei o lugar vazio.

A pequena sala tinha apenas uma mesa redonda, uma cafeteira antiga que parecia sobreviver ali há décadas e alguns armários brancos meio gastos. A luz fluorescente do teto deixava tudo com aquele tom pálido típico de hospital.

Peguei um copo de papel.

A cafeteira ainda estava quente, o que me fez agradecer silenciosamente a quem quer que tivesse feito café antes de mim. Despejei o líquido escuro no copo e o cheiro forte subiu imediatamente.

Segurei o copo com as duas mãos e dei um pequeno gole.

Amargo.

Perfeito.

Fechei os olhos por alguns segundos enquanto o calor descia pela garganta. Aquilo parecia acordar meu cérebro aos poucos.

Foi então que ouvi o barulho.

Primeiro um som distante.

Como portas abrindo rápido demais.

Depois passos.

Muitos passos.

Franzi a testa e me virei em direção à porta da copa.

E foi quando tudo aconteceu muito rápido.

Homens entraram no corredor da emergência.

Quatro deles.

Talvez cinco.

Todos armados.

Por um segundo meu cérebro simplesmente não conseguiu processar o que estava vendo.

Armas.

Dentro do hospital.

Um dos enfermeiros gritou.

— Ei! Vocês não podem—

O homem mais alto levantou a arma.

— Cala a boca.

O silêncio caiu sobre o corredor como uma pedra.

Meu coração começou a bater mais rápido.

Instintivamente dei um passo para trás dentro da copa, tentando entender o que estava acontecendo.

— Precisamos de um médico — disse um dos homens.

A voz dele era dura, impaciente.

Carla apareceu atrás do balcão da enfermagem, claramente nervosa.

— Vocês… vocês não podem entrar aqui assim — ela disse.

Um dos homens se aproximou dela rapidamente.

— Você é médica?

Carla arregalou os olhos.

— Não! Eu sou enfer—

Ele segurou o braço dela com força.

— Você vem com a gente.

— Ei! — ela protestou.

Instintivamente dei alguns passos para fora da copa.

— Espera! — falei.

O homem ignorou completamente minha voz.

Carla tentava se soltar, claramente assustada.

— Eu não sou médica! — ela insistia.

Outro homem apontou a arma para o balcão.

— Onde está um médico?!

Foi então que o doutor Potter apareceu no corredor.

Ele devia ter ouvido o barulho.

Potter era um dos médicos mais antigos do hospital. Já tinha cabelos completamente brancos e caminhava sempre com aquela calma típica de quem já viu de tudo em um hospital.

Mas naquela hora até ele parecia alarmado.

— O que está acontecendo aqui? — perguntou.

Um dos homens virou imediatamente na direção dele.

— Médico.

Potter parou.

— Sim.

O homem empurrou Carla para o lado e apontou a arma para Potter.

— Você vem com a gente.

Meu estômago afundou.

Potter devia ter quase setenta anos.

Ele não tinha condição nenhuma de lidar com algo assim.

— Esperem — falei antes mesmo de pensar.

Todos olharam para mim.

De repente eu senti cada olhar no corredor.

Engoli em seco.

— Eu sou médica.

O homem que segurava a arma inclinou a cabeça levemente.

— Especialidade?

— Ortopedia.

Ele trocou um olhar rápido com os outros.

— Serve.

Potter deu um passo à frente.

— Bianca, não—

— Eu vou — falei rapidamente.

Meu coração estava disparado agora, mas eu tentava manter a voz firme.

— Ele não pode ajudar vocês.

O homem armado olhou para Potter por um segundo e depois voltou o olhar para mim.

— Você vem.

Carla me encarava com os olhos arregalados.

Eu tentei dar um pequeno sorriso para ela.

— Vai ficar tudo bem.

Eu não tinha a menor ideia se aquilo era verdade.

Dois dos homens se aproximaram imediatamente.

— Vamos.

Um deles segurou meu braço com força.

— Espera — eu disse. — Pelo menos me deixem pegar minha bolsa médica.

— Não precisa.

— Eu preciso de instrumentos se querem que eu trate alguém.

Eles trocaram olhares rápidos novamente.

O homem mais alto fez um gesto impaciente.

— Rápido.

Corri até o balcão e peguei minha bolsa.

Minhas mãos estavam tremendo.

— Vamos! — disse um deles.

Fui puxada novamente em direção à saída da emergência.

Tudo parecia acontecer em câmera lenta.

Carla estava parada no corredor, completamente pálida. Potter parecia igualmente chocado.

— Bianca… — ele murmurou.

Eu não respondi.

Os homens me levaram rapidamente pelo corredor lateral que dava acesso aos fundos do hospital.

Meu coração batia tão forte que eu conseguia ouvir o som dentro da minha cabeça.

— Para onde estamos indo? — perguntei.

Ninguém respondeu.

A porta dos fundos foi aberta com violência.

O ar frio da noite me atingiu imediatamente.

Do lado de fora havia um carro preto parado perto da saída de serviço.

Outro homem estava no volante.

— Trouxemos um médico — disse um dos homens.

A porta traseira foi aberta.

— Entra.

— Espera — eu disse, tentando ganhar algum tempo. — Pelo menos me digam o que está acontecendo.

O homem me empurrou.

— Entra.

Eu tropecei e caí praticamente dentro do banco traseiro.

A porta bateu atrás de mim.

Um dos homens entrou ao meu lado.

Outro ocupou o banco da frente.

O carro arrancou quase imediatamente.

Fiquei sentada ali, tentando respirar.

Minhas mãos estavam geladas.

Minha mente tentava entender o que estava acontecendo.

Sequestro.

Eu tinha sido sequestrada.

Por homens armados.

Dentro do hospital.

Olhei pela janela enquanto o prédio do hospital ficava para trás.

— Para onde vocês estão me levando? — perguntei novamente.

Silêncio.

O homem ao meu lado apenas olhava para frente.

Meu estômago se contorceu.

Eu não fazia ideia de para onde estávamos indo.

Nem de quem aquelas pessoas eram.

Nem de quem precisava de um médico a ponto de invadir um hospital armado.

A única coisa que eu sabia naquele momento era simples.

Eu estava dentro de um carro com estranhos perigosos.

E estava completamente à mercê deles.

O medo começou a crescer dentro de mim de forma lenta e pesada.

Eu estava apavorada.

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