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Capítulo 69

Penulis: A. OLIVEIRA
last update Tanggal publikasi: 2026-09-19 22:34:48

Cheguei em casa ainda tremendo por dentro, uma mistura de raiva, adrenalina, e um cansaço emocional que parecia ter drenado cada gota de energia que me restava. Passei pela cozinha sem sequer cumprimentar Dona Rosa, que ficou me olhando com uma expressão preocupada, sem coragem de perguntar nada, respeitando o silêncio carregado que eu carregava comigo escada acima.

Subi direto pro quarto, tranquei a porta do banheiro, e entrei debaixo do chuveiro ainda de roupa, por um segundo, só sentindo a á
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  • O acordo perfeito   Capítulo 70

    O carro entrou na garagem da empresa devagar, e eu já sentia o estômago revirar só de pensar em atravessar aquele hall de novo depois de tudo que tinha acontecido nos últimos dias. Antônio estacionou na vaga dele, perto do elevador, mas antes que conseguisse desligar o motor, o celular dele começou a vibrar insistente no porta-copos.Ele olhou pro visor, suspirou, e atendeu já com aquele tom sério de reunião.— Sim, pode falar — disse, a voz mudando completamente, formal, o executivo tomando conta de todo o corpo dele em segundos.Fiquei observando ele por um instante, o jeito como a testa franzia levemente enquanto escutava alguma coisa do outro lado da linha, provavelmente algum acionista chato demais pra esperar ele chegar na sala. Peguei minha bolsa, ajeitei a blusa, e me inclinei pro lado dele, cochichando baixinho pra não atrapalhar.— Vou subindo — sussurrei, já com a mão na maçaneta.Ele só assentiu, ainda de ouvido colado no celular, escutando o que quer que fosse do outro la

  • O acordo perfeito   Capítulo 69

    Cheguei em casa ainda tremendo por dentro, uma mistura de raiva, adrenalina, e um cansaço emocional que parecia ter drenado cada gota de energia que me restava. Passei pela cozinha sem sequer cumprimentar Dona Rosa, que ficou me olhando com uma expressão preocupada, sem coragem de perguntar nada, respeitando o silêncio carregado que eu carregava comigo escada acima.Subi direto pro quarto, tranquei a porta do banheiro, e entrei debaixo do chuveiro ainda de roupa, por um segundo, só sentindo a água quente bater nos ombros tensos, antes de finalmente me despir e deixar a água escorrer por um bom tempo, tentando lavar junto aquele dia inteiro de cima a baixo: a Júlia se jogando no chão, a bronca de Antônio, o jantar horrível com Lucas, cada camada daquilo escorrendo junto com a água, sem realmente desaparecer.Fiquei ali, parada, encostada no azulejo frio, por mais tempo do que qualquer banho razoável deveria durar, até que os dedos começaram a enrugar e o cansaço venceu a vontade de con

  • O acordo perfeito   Capítulo 68

    Chegamos ao restaurante que Lucas tinha sugerido ainda no elevador, como esperado não tinha tanto movimento, mas fiz questão de escolher a mesa eu mesma, uma perto da janela, cercada de outras mesas próximas, garçons circulando o tempo inteiro. Se ele quisesse fazer alguma cena ali, cercado de gente, teria que se controlar um pouco, ou correria o risco de virar o próprio escândalo dele mesmo.Sentamos, o clima ainda carregado desde que ele tinha saído transtornado da minha sala horas antes, o burburinho do restaurante preenchendo o silêncio tenso que se estendia entre a gente enquanto esperávamos o pedido chegar.— Eu sei que você ainda me ama — ele disparou, sem nenhum aviso, a voz carregada daquela raiva mal contida de mais cedo. — Mas você não pode ficar criando esse tipo de confusão com a Júlia, Angel. Não é certo.Fiquei olhando pra ele por um segundo inteiro, tentando processar o tamanho daquele absurdo.— Como assim, apaixonada por você? — repeti, incrédula, um riso seco, sem h

  • O acordo perfeito   Capítulo 67

    Voltei pra minha sala ainda carregando aquele desconforto todo grudado no peito, as pernas meio bambas, atravessando o mesmo corredor onde, minutos antes, um bando de gente inteiro tinha assistido a cena bizarra da Júlia se jogando no chão. Cada rosto que cruzava comigo parecia carregar um julgamento silencioso, os cochichos abafados assim que eu passava, e eu sentia a vergonha subindo quente pelo pescoço, a vontade enorme de sumir dali, de me tornar invisível até aquele burburinho todo esfriar. A conversa com Antônio ainda ecoava de um jeito que eu não sabia bem como processar. Sentei na cadeira, encostei a cabeça no espaldar por um segundo, e fechei os olhos, tentando organizar os pensamentos, quando uma batida gentil na porta me tirou daquilo.— Você tá bem? — Bruna perguntou, entrando sem esperar convite direito, fechando a porta atrás de si, o rosto carregado de preocupação genuína.— Tô — menti, sentando mais reta na cadeira, tentando parecer mais composta do que estava de fato.

  • O acordo perfeito   Capítulo 66

    Subi as escadas correndo, ignorando o elevador de propósito, precisando daqueles poucos segundos extras pra tentar organizar os pensamentos antes de encarar Antônio. O coração ainda martelava de raiva e vergonha misturadas, o corredor inteiro lá embaixo continuando, sem dúvida, a comentar cada detalhe daquele escândalo, e cada passo que eu dava só aumentava a sensação de que alguma coisa importante tinha acabado de sair completamente do meu controle.Mal cheguei na porta da sala dele quando ela já se abriu, Antônio parado ali, o semblante fechado, sério de um jeito que eu reconhecia bem pouco, os olhos duros demais pra ser só preocupação.— Entra e fecha a porta — pediu, a voz baixa, controlada, sem nenhum resquício daquele carinho de sempre.Obedeci, sentindo o estômago revirar. Alguma coisa naquele tom já deixava claro que aquela conversa não ia ser sobre carinho nenhum, e uma parte de mim, ainda esperançosa, tinha imaginado que ele fosse me abraçar assim que eu entrasse, perguntar

  • O acordo perfeito   Capítulo 65

    Reconheci na hora aquele teatro todo: ela não estava ali por trabalho nenhum. Estava ali só pra me provocar, deixando bem claro, com aquela postura relaxada demais, que não tinha medo nenhum de mim, que ia continuar me irritando sempre que tivesse chance.Encarei a cena por um segundo, sentindo o estômago revirar de raiva, mas engoli aquilo e segui direto pra minha sala sem dar o gostinho de uma reação. Não ia queimar meu próprio filme como chefe de equipe só porque aquela cobra gostava de espalhar veneno pelos corredores.Terminei de falar com Bruna, e decidi pegar o elevador até a copa, que ficava em outro andar, na esperança de que, enquanto eu estivesse lá, Júlia acabasse saindo da mesa de Lucas por conta própria. Segui até o hall dos elevadores, ainda dentro do próprio andar, e fiquei parada ali, esperando ele chegar, o celular na mão, distraída.— Angel, pode me dar uma sugestão? Pedi pro Lucas, mas prefiro ter uma segunda opinião — Júlia se aproximou, a voz doce, quase inocente

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