INICIAR SESIÓNKNOX KINGSLEY
Eu não penso direito. No segundo em que sinto a mão tocando meu ombro, meu corpo simplesmente assume o controle.
Retiro a mão da pessoa com um movimento brusco, giro seu corpo rápido e a jogo contra a parede de tijolos, imobilizando-a sem dó.
Só quando o movimento trava é que o cérebro volta.
A saia plissada vermelha.
O cabelo escuro.
O cheiro leve que eu já deveria ter aprendido a ignorar.
Enola.
A jornalista que deveria me enxergar apenas como um universitário americano inofensivo.
E agora, eu a imobilizei conforme fui treinado com técnicas avançadas de combate.
Eu estraguei tudo!
Dou um passo apressado para trás, quebrando o contato físico, e solto os pulsos dela. Minhas mãos tremem de leve com o susto.
— Desculpa, Enola. Não foi a minha intenção. — Tento encontrar uma desculpa plausível enquanto meu peito arfa. — Eu…
Ela se vira de frente para mim, massageando o braço fino com a outra mão. A pele clara já exibe marcas avermelhadas provocadas pela força do meu aperto.
— Claro que não foi a sua intenção. — Enola ergue o rosto para me fitar. — Quem na face da Terra agarra uma pessoa desse jeito e torce o braço dela, Duque?
Eu poderia retrucar alguma mentira de última hora.
Mas meu corpo se arrepia. O chão parece sumir debaixo dos meus pés.
— Du-Duque? — murmuro.
Ela descobriu.
Enola Harrington sabe que eu sou o Duque de Ashford!
Minha vida acabou.
A KINGS vai me mandar para sei lá onde… talvez no frio do Alasca com pinguins. Talvez assim eu fique seguro.
Os olhos dela não saem de mim. Não é só confusão. É análise.
Como se Enola estivesse tentando encaixar peças que não fazem sentido ainda.
— Você está pálido — ela afirma e dá um passo à frente.
Os seus dedos frios tocam meu braço e causam um choque elétrico.
Pisco.
O estômago se contorce.
— Por que me chamou de Duque? — sussurro, quase sem forças.
Enola inclina a cabeça para o lado, ainda atenta demais a mim.
— Dimitri contou que é o seu apelido.
Solto o ar que estava preso nos meus pulmões com tanta força que meus ombros chegam a cair de puro alívio.
— Claro. — Forço um sorriso, calculado para parecer o Ricky, estudante inofensivo. — O apelido que o Dimitri me deu. É isso.
— É isso mesmo. — Enola encurta nossa distância, eu consigo sentir seu coração acelerado sobre o meu peito. — Você achou que fosse o quê?
Os olhos azuis, curiosos e perigosos, me encaram determinados.
Agora entendo perfeitamente o motivo da Ariane me trancar no banheiro. Enola parece estar estudando cada movimentação minha. Como se estivesse em busca da verdade.
A verdade que ela nunca vai poder descobrir.
Abro a boca para soltar uma mentira qualquer, mas paro assim que capto a movimentação dos capangas de terno na esquina.
Os dois homens, os mesmos que estavam no campo de futebol, ainda olham para dentro da lanchonete onde Justin está com os amigos.
Eles não estão só olhando.
Estão esperando.
Um deles ajusta o paletó mesmo sem necessidade, como se fosse parte de um ritual. O outro fala baixo no colarinho. Provavelmente um rádio.
Isso não é curiosidade de campus.
É vigilância.
— Você conhece esses caras? — Enola indaga em um tom baixo e cola o corpo ao meu para olhar na mesma direção.
— Não — minto, não conseguindo sustentar seu olhar e desvio para a rua.
— Por que eles não param de vigiar o meu irmão?
Porque o imbecil do seu irmão pegou o meu relógio e o anel, e agora eles acham que o Justin sou eu.
Maldita hora em que a Ariane me convenceu a descolorir o cabelo.
De repente, meu celular vibra no bolso da calça.
Fecho os olhos, não querendo ler nenhuma ameaça.
Quando reabro, reparo que os capangas estão focados em outra coisa.
Olho de um lado para o outro da calçada e localizo o problema. Clover e seu parceiro, Mick Demicke, saltam de uma moto com total atenção nos homens.
Engulo seco.
Preciso tirar a Enola daqui antes que ela veja eles socando os homens.
Seguro a mão delicada da jornalista com firmeza. O choque do nosso contato físico é tão intenso que me faz perder o fôlego por um milésimo de segundo.
Mesmo assim, ignoro o susto e a puxo para fora do beco, arrastando-a na direção contrária, onde ficam as fraternidades do campus.
— O que está fazendo? — ela reclama e finca os pés no chão enquanto tenta se soltar do meu aperto.
— Só confie em mim — peço, a voz sai mais grave do que o normal.
Continuo caminhando sem olhar para trás.
— Não! — Com um puxão brusco, ela consegue quebrar o nosso contato.
Enola para no meio do caminho e cruza os braços.
Giro o corpo para encará-la e, pelo canto do olho, vejo o início do desastre na rua. Clover acerta um chute violento no peito de um dos capangas.
Ao mesmo tempo, Mick puxa uma adaga reluzente debaixo da jaqueta para se defender do outro homem de terno. Uma briga de facas em plena luz do dia.
Minha boca seca.
Ela não pode ver isso. Mas como vou tirá-la daqui?
Eu não tenho escolha.
Se ela ver isso, vai perguntar.
E se ela perguntar… posso não conseguir mentir.
— Desculpa por isso — aviso em um sussurro rápido.
Em um movimento puramente ágil e marcial, seguro-a firmemente pelo quadril e a ergo do chão em um único impulso, jogando-a por cima do meu ombro.
— Você enlouqueceu de vez?! Me solta, seu louco! — Enola grita imediatamente e desfere socos revoltados contra as minhas costas.
Ela me acerta de novo.
E de novo.
Eu deveria ignorar. Já ignorei dor pior.
Mas cada golpe dela parece mais um lembrete do que acabei de fazer.
Não é dor.
É consciência.
Prendo os joelhos dela com o meu braço esquerdo, travando suas pernas contra o meu peito, e continuo andando a passos largos pelo campus como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Um duque, como eu, carregando uma jornalista, como ela, que pode acabar com a minha vida em questão de uma matéria.
ENOLA HARRINGTONO mundo está girando.Na verdade, está capotando em câmera lenta bem diante de mim.E eu sou a passageira indefesa dentro desse carro desgovernado, esmagada ao lado do Knox.Recebendo um bombardeio de verdades capaz de… sei lá, acabar de me pulverizar de vez.Meu. Deus.A Maya. Minha irmãzinha.Não é a minha irmãzinha de sangue.Ela é do Callum. Sobrinha do Knox. E filha do Duque de MacLeod que não está morto.— É a pura verdade — Justin afirma ao quebrar o silêncio pesado da sala e me encara hesitante. — Quando eu falo
KNOX KINGSLEYO Justin não reage.Ele continua sentado ali, impassível, com os ombros caídos e uma calma irritante.Está tranquilo demais para um homem que carrega o apelido de Tempestade.— Knox, calma! — Enola se coloca na frente do irmão, bloqueando a minha linha de tiro.— Calma? — Minha voz escapa trêmula, aperto a pistola com os dedos. — Seu irmão estava com o anel do meu irmão esse tempo todo, Enola! E eu… eu jurava que você estaria em perigo, e não tomando chá!— Eu posso explicar! — Justin fala finalmente e ergue as mãos em um gesto defensivo.
KNOX KINGSLEYMinha atenção está cravada no monitor digital do painel do carro.Aquele ponto vermelho maldito pisca na tela sem parar.É o sinal de transmissão em tempo real do GPS do celular da Enola.O rastro dela. A única coisa que me dá força para continuar.Clover conduz o veículo com uma precisão cirúrgica pelas ruas residenciais. Ao lado dela, Mick ocupa o banco do carona com uma rigidez desconfortável. De vez em quando, ele leva os dedos trêmulos até a lateral da cabeça, massageando o curativo.A dor da coronhada que Ariane deu nele.N
KNOX KINGSLEYViro a mochila de cabeça para baixo e sacudo com violência. Um emaranhado de folhas cai em cascata sobre o colchão.Largo o tecido gasto de lado e encaro o topo da beliche do abrigo subterrâneo com os olhos semicerrados.Minha respiração está tão descompassada que consigo ouvir o eco dela nas paredes de concreto.Estico a mão e puxo um dos papéis que se espalharam diante de mim. O logotipo do Maddox Bank salta aos meus olhos como uma queimadura física.Logo abaixo, o nome de Felicity Harrington está timbrado em letras pretas e nítidas.Segundo a Enola, os anos não batem com a
ENOLA HARRINGTONO veículo para com um solavanco violento.Justin abre a porta e sai, o vento frio invade o estofado. Ele se vira e estende a mão para mim.Assim que coloco os pés para fora, dou de cara com um jardim absurdamente amplo e impecável. Ao fundo, ergue-se uma mansão de arquitetura imponente, cercada por muros altos que exalam isolamento.Nenhuma luz acesa nas janelas.Nenhum funcionário circulando pelo jardim.Era uma casa bonita demais para parecer viva.O silêncio dali tinha o mesmo peso de um esconderijo.Os mesmos capan
KNOX KINGSLEYO carro sumiu da minha vista.Sumiu levando-a para longe de mim.Eu perdi a Enola. Para sempre.Não. Não posso e nem vou aceitar isso.— Ricky. — A voz grave do Dimitri soa muito mais perto do que eu imaginava.Arfo pesado, luto contra o nó que aperta meu peito e engulo o choro.Giro o corpo devagar, as palmas da mão arranham o asfalto, ainda sentado no chão.O Isaac está parado bem ao lado dele, com uma expressão sombria. Um pouco mais atrás, a Sloane e a Vicky observam a cena, completamente estáticas.— Você está machucado — Sloane afirma,







