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Radar em alerta

Penulis: Blair Moony
last update Tanggal publikasi: 2026-07-26 22:02:50

ENOLA HARRINGTON

Apoio o copo pesado e gelado de milkshake de chocolate na mesa de fórmica. Quase no mesmo instante, o Justin se senta diante de mim, cravando o olhar no seu próprio copo de morango.

— Não sabia que você e o Ricky se conheciam. — Ele me encara com os olhos estreitos como se eu tivesse cometendo um crime.

E olha que eu já fiz algumas loucuras por investigações.

— Ele é o seu colega de quarto, mas só fui trombar com o Ricky hoje por acaso.

Sugo um pouco do milkshake pelo o canudo. E a cena do tenista sem toalha invade a minha mente.

Ricky molhado e atrapalhado demais. 

O mais estranho é que ele deixou a toalha cair no chão, mas fez questão de manter o uniforme cobrindo o ombro. O que deve ter na sua pele? 

Uma marca de nascença que prove que ele é o meu duque desaparecido? Ou talvez uma tatuagem reveladora?

Balanço a cabeça para afastar esses pensamentos.

— Você está mudando de assunto de propósito. — Ajeito-me no banco estofado da lanchonete, apesar de sentir minhas bochechas esquentarem e abro um sorriso de canto. — Tudo isso porque não quer falar sobre o nosso pai.

Justin bufa, e puxa o ar antes de beber um longo gole do seu milkshake.

— Prefiro falar sobre o esquisito do meu amigo do que o nosso pai — murmura e desvia a atenção para o balcão.

— Ah… então você também acha o tenista esquisito? — Meu irmão confirma com a cabeça. — Soube que ele passou as férias na Itália e morava em Miami. Preciso saber de mais alguma coisa? — Seguro o canudo com a ponta dos dedos e começo a movimentá-lo em círculos dentro do copo.

Meu irmão solta um riso curto.

— Por que quer saber sobre a vida do meu amigo? — Justin inclina o corpo para frente e semicerra os olhos. — Não venha me falar que vai estalkéa-lo para alguma matéria do jornal.

— Então eu não falo — comento e sugo mais um pouco do chocolate pelo canudo.

Justin inclina o rosto para o lado, abre a boca como se fosse protestar, mas desiste no meio do caminho. Ele apenas fecha a cara e volta a focar em seu copo.

Desvio meus olhos por um segundo para o lado de fora da vidraça da lanchonete. O movimento de estudantes comuns parece normal, até que duas silhuetas conhecidas entram no meu radar. Os ternos escuros. 

Meu coração erra a batida.

Os homens que estavam rondando o campo atrás do Justin ou de outra pessoa… talvez do meu nobre fugitivo, estão caminhando pela calçada do outro lado da rua. 

Justin também percebe a presença deles. Os ombros do meu irmão se tensionam no mesmo segundo.

— Você conhece? — indago, a voz escapa firme, apesar do frio na espinha.

Lá fora, um dos homens de terno ergue a mão e aponta com o indicador exatamente na nossa direção. 

Minha boca seca instantaneamente. 

Eles nos viram. 

— Não — meu irmão responde, a voz tensa.

Ele se mexe no banco para dar espaço para o Dimitri, que surge do nada e se senta ao lado dele com um suspiro pesado.

— Eu tô exausto. — O ruivo j**a a mochila no chão e me encara. — Vocês não?

— Eu tô morta. — Sloane se j**a ao meu lado no banco e me espreme contra a parede.

Reparo que tem uma outra garota nova com ela, observando o lugar timidamente.

— Gente, essa é a Vicky — Sloane apresenta. — Ela é brasileira e novata. Então sejam adoráveis, ou pelo menos tentem.

— Oi. — Vicky curva os lábios num sorriso simpático.

— Oi, Vicky! Sou a Enola, mas todo mundo aqui me chama de Radar. Esse é o meu irmão, Justin, mas pode chamá-lo de Tempestade. E o Príncipe do nosso grupo, que é o Dimitri. — O ruivo abre um sorriso largo. — Você está morando nos alojamentos do campus?

— Ela vai dividir o quarto com a General — Sloane fala da prima do Ricky.

— Ah, então boa sorte. Aquela garota lá é maluca — Justin comenta e bebe mais um gole do milkshake.

— General? — Vicky enruga a testa.

— Ariane. Ela é mandona, mas é uma boa amiga — Dimitri conta, porém meu radar parece estar lá fora onde os homens de terno estão conversando. — Ela é prima do Ricky, o Duque que estava comigo naquela hora.

Duque. Quem deu esse apelido ao Ricky?

Se ele for o meu nobre fugitivo… isso é uma grande ironia do destino.

— Ele e a prima são um pouco esquisitos — Sloane afirma.

— Quem é esquisito? — Isaac chega de repente, girando sua bola de basquete inseparável na ponta do dedo.

— Ariane e Ricky — Justin explica.

— É… um pouco. — Isaac inclina o rosto e automaticamente o olhar dele se prende a minha amiga.

Se isso não é paixão reprimida, então eu não tenho ideia do motivo do Isaac olhar tanto a Sloane.

— E esse é o Isaac, o Gigante — Sloane apresenta para a Vicky.

— Por que chama o Ricky de Duque? — indago ao ruivo, que está sempre por perto do meu alvo.

— Porque ele é a etiqueta em pessoa. Parece ser mesmo de família real e ainda fala escocês com a Ari.

Pisco.

Etiqueta.

Família real.

Escocês com Ariane?

— Só pode ser ele. Além de gato é bilíngue — murmuro, pensativa.

— Gato? — Justin fecha a cara.

Engulo seco, sentindo o peso do olhar protetor do meu irmão mais velho sobre mim.

— Eu disse isso em voz alta? — Minha voz escapa baixa.

— Disse. A Radar está afim do Duque — Dimitri zomba e solta uma risada alta enquanto empurra o ombro do meu irmão.

Meu rosto esquenta.

Eu… não sei se estou gostando do Ricky. Acho que é essa coisa de tentar desvendar o mistério.

Viro o rosto para a janela e arregalo os olhos. Lá fora, os homens de terno começaram a se movimentar pela calçada. 

E, bem atrás de uma caçamba de lixo do outro lado da rua, o tenista certinho está escondido, com o corpo tenso, vigiando cada passo dos desconhecidos. 

Tem algo muito errado aqui.

— Preciso de ar puro. — Olho para Sloane e ela entende que tem que se levantar do banco para eu sair.

Forço mais um sorriso para os meus amigos, ergo-me do banco e ando apressada para chegar à calçada. 

Dou a volta rápida no quarteirão e entro no beco lateral. Paro ofegante bem atrás do Ricky.

Tento regularizar o ritmo da minha respiração.

— O que está fazendo aqui? — Pouso a mão espalmada sobre o ombro largo dele.

Ricky não diz uma única palavra em resposta.

Apenas segura meu pulso, firme e precisa demais para um mero atleta de tênis. 

Ele gira meu corpo com um solavanco rápido. E, quando percebo, sinto o choque frio da parede de tijolos contra a lateral do meu rosto, e o meu braço é dobrado para trás das minhas costas.

O impacto me faz soltar o ar dos pulmões.

O que esse tenista acha que está fazendo ao me imobilizar desse jeito?

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