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Duas semanas passam de forma tranquila. As últimasconsultas com Melissa foram progressivas. Ela quase mencionou oirmão, entretanto, o término ainda é um tabu. Temos dois meses detratamento ainda, e fico feliz pelo progresso.Não é um costume, mas acabei me aproximando da Melissa.Gosto de a ter como amiga. Peço a ela conselhos sobre moda e gostodo resultado. Às vezes a irrito um pouco e também gosto. Dia desses,liguei para seu traFelipeDuas semanas passam de forma tranquila. As últimas consultas com Melissa foram progressivas. Ela quase mencionou o irmão, entretanto, o término ainda é um tabu. Temos dois meses de tratamento ainda, e fico feliz pelo progresso. Não é um costume, mas acabei me aproximando da Melissa. Gosto de a ter como amiga. Peço a ela conselhos sobre moda e gosto do resultado. Às vezes a irrito um pouco e também gosto. Dia desses, liguei para seu trabalho. Ela não ficou muito feliz, mas nem mesmo eu entendo bem o porquê sinto a necessidade de procurá-la, apenas sei que sinto a estranha necessidade de falar com a Mel, saber como está e pedir sua opinião para algumas coisas. Também caminhei com ela e a vi todos esses dias na academia com Rique. Os dois parecem se dar muito bem. Chego a pensar que meu amigo está interessado..., pensei não, ele está. O que não é ruim, já que Henrique é um cara bacana e
MelissaFaço exatamente como Henrique recomendou e saio de casa domingo, às oito da madrugada para caminhar. Sei que pode não ser tão cedo para algumas pessoas, porém no meu caso, acordo todos os dias às cinco. No fim de semana, eu me permito ficar na cama até pelo menos às nove da manhã! Sigo em um ritmo leve até o Maracanã. É bem movimentado, muitas pessoas fazem caminhadas, correm, andam de bicicleta...Estou distraída, ouvindo meu repertório maravilhoso dos anos noventa, e percebo que com apenas quinze minutos de caminhada, já estou suando horrores. Ainda bem que trouxe água, ao menos posso jogar na cabeça para refrescar.— Melissa! — Vivian para ao me avistar.— Vivian, tudo bem? — Seco meu rosto.— Tudo ótimo, que bom que está aqui, vem sempre? — ela pergunta, fazendo uma espécie de corridinha sem sair do lugar.— Primeiro dia… — ofego. — E você, chegou agora?— Ah! Não. Estou na última de três voltas, é a minha meta de domingo. Daqui vou para casa e
MelissaNos despedimos da Carla e seguimos para a academia.Entramos e aquele som ambiente e característico parece animador, até a gente realmente estar ali dentro sendo rejeitado. Suspiro e paramos no balcão onde uma menina bonita com a blusa do lugar, masca chiclete de maneira bem esquisita.— Boa tarde! — cumprimentamos a moça em uníssono.— Boa tarde, querem se inscrever, né? — Ela me olha de cima a baixo como se constatasse algo.— Sim, o que precisamos fazer? — Minha amiga está tão empolgada que sequer nota a indelicadeza da cidadã.— É só preencher essas fichas e cadastrar sua forma de pagamento, ao terminar, vocês têm uma semana para trazer o atestado médico, se já tiver, podem começar hoje mesmo. — Ela nos entrega as fichas e canetas, nos sentamos em uma espécie de lounge e começamos a preencher.— Amiga, trouxe algum atestado? — Fernanda me pergunta.— Sim, Carla me deu um, lembra? — Dou de ombros.— Ótimo, ela também me deu, podemos começar hoje? D
MelissaO quarto do Felipe é grande e arrumado, surpreendente. Ou não! Afinal, há uma ordem em sua agenda hiper organizada. O quarto tem paredes em um tom claro de cinza, uma cama gigantesca muito bem arrumada com lençóis cinza e pretos, duas mesinhas de cabeceira e janelões com uma bela vista da cidade. É claro e bem masculino. Ele abre as portas do seu closet ridiculamente grande e categorizado como uma loja de grife, além de ser perfumado.— Uau! Seu closet é mais organizado que o meu apartamento! — exagero.Eu não sou tão bagunceira assim, mas o meu armário é um caos. Estou para arrumá-lo há mais de um ano e só prolongo a tortura.— Não sei o que sinto ao saber dessa informação. Gosto de achar as coisas facilmente e ser organizado facilita a minha vida. — Ele ana
FelipeJá preparado para receber Melissa, ouço meu celular tocar. É Lee. — Oi, Lee, bom dia! — Bom dia! Como foi com a Mel ontem? — pergunta. — Você não voltou e nem me respondeu. A Carla está uma arara — reclama, ela é brava mesmo. — Foi tudo bem, me desculpei e ela aceitou. Vamos tentar de novo e fazer uma nova sessão, uma consulta de verdade — justifico. — Entendo. Escute, Felipe. Gosto muito de você, cara, mas te conheço. A Mel é linda, então não dê uma de engraçadinho. Ela passou por muita coisa chata na vida, e nós a amamos, principalmente a Carla, do jeito dela, claro. Porém, Melissa é importante para nós — ele diz em tom sério. Eu suspiro. — Sabe que sou profissional quando tenho que ser, e acredite, ela não faz meu tipo — ironizo no final. Apesar de concordar com Lee, Melissa é mesmo linda. — Eu sei, exatamente por isso. Não a machuque e não a faça se apaixonar por você. Tu é um cara boa pinta e naturalmente galanteador, e ela está em um momento delicado… — Ele f
MelissaEu estou sentada no apartamento de um estranho. Ok, não é tão estranho. Afinal, Lee e Carla o conhecem, então eu devo confiar nele, não é? Observo seu apartamento, que é elegante e minimalista. Tem uma planta aberta, grandes janelas, paredes claras, poucos móveis; um sofá cinza elegante, uma grande TV, a cozinha é americana e super organizada, além de ter o cheiro de limpeza.Ele volta com uma maleta preta e a estende sobre a mesa de madeira maciça e rústica, que destoa um pouco dos outros móveis. — Certo, vamos ver como está isso. — Ele se aproxima e, instintivamente, me afasto. — Relaxa, eu não mordo, não sempre! — O psicólogo brinca. Sinto meu rosto pegar fogo. O encaro é o vejo exibir um sorriso. — É brincadeira, Estressadinha! — diz rapidamente e se concentra em limpar meu rosto. Relaxo dentro do possível. Felipe, afasta meus cabelos delicadamente e tento ajudar para aquilo não ficar esquisito. — Ei, fique parada, não vou te machucar.— Só quero ajudar, e evitar







