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— Papai, o senhor sabe o quanto Elena sempre quis assumir tudo! — disse Eloíse.
Eloíse era mulher negra, de olhos cor de mel e cabelos castanhos e lisos com pontas onduladas que iam até o meio das costas. Seu corpo parecia esculpido, seus lábios e olhos eram o mais chamavam atenção quando ela entrava em uma sala, além de sua presença iluminadora.
Alfredo, seu pai esfregava as têmporas, cansado de tentar fazer Eloíse mudar de ideia e assumir o cargo de CEO da Albuquerque Tecnologia — ALTech. Além disso, Alfredo estava prestes a fechar um acordo para unir a empresa à Calhoun Technologies, acompanhado de um casamento entre uma de suas filhas e o novo CEO da empresa da família Calhoun. Alfredo era um homem de quase 70 anos, negro com cabelos e barba já grisalhos, sempre elegante. Seu rosto com marcas da velhice mostrava o quanto estava cansado e queria passar para uma de suas filhas, especialmente Eloíse, o cargo.
— Eloíse, você está absurdamente preparada. Você entrou na empresa aos 18 anos, aprendendo e passando por todos os setores.
Claro que seu pai pensava isso, Eloíse tem graduação em Engenharia de Computação, mestrado em Administração de Empresas e especialização em Inteligência Artificial e Estratégia de Negócios. Andou por todos os setores da empresa: desenvolvimento tecnológico, financeiro, jurídico e corporativo, marketing, relações internacionais, fusões e aquisições, gestão de projetos e estratégia empresarial.
— Pai, Elena também é preparada. Ela entra em uma sala cheia de empresários e domina a conversa — respondeu Eloíse.
Sua irmã gêmea, Elena tem graduação em Administração de Empresas, com especialização em Finanças e Gestão Corporativa, e também tem um MBA em Liderança e Gestão Estratégica. É excelente em negociação, apresentação, liderança de equipes, relações públicas, networking, comunicação, estratégia comercial e relacionamento com investidores. Além de sempre pressionar Eloíse dizendo que ela queria assumir o cargo de CEO da empresa.
— Sim, filha. Porém, você entende a empresa por dentro, Elena entende a empresa por cima; ela nunca teve experiência operacional. Além disso, você sabe exatamente como funciona a tecnologia que a empresa está tentando vender para os americanos.
— Papai, não vou mais debater sobre isso — ela bufou. — Vou honrar nossos últimos compromissos, porém vou sair da empresa ao fim do ano, como combinei com o senhor. Vou abrir uma pequena empresa focada em ajudar universitários. Posso viver bem. Não quero entrar em um debate com minha irmã. Elena já me detesta demais.
— Se você quer sua liberdade, não vou me opor. Mas ainda estamos em fevereiro. Peço que, até dezembro, você repense sobre isso.
— Chega dessa conversa! — ela beijou a testa de seu pai. — Vou me encontrar com Isabel agora.
— Mande um beijo para ela. Diga que estamos com saudades de tê-la aqui — Alfredo acariciou a cabeça da filha.
De repente, Elena entrou no escritório do pai e revirou os olhos ao ver Alfredo acariciando a cabeça de Eloíse. Elena era igualmente bela como Eloíse, afinal, elas eram gêmeas, porém Elena tinha escuros e cabelos pretos em corte Chanel, claro, tentando se diferenciar um pouco de sua irmã.
— Já vai ver aquela chata? — disse ela em tom de ironia.
— Elena, não gosto que fale de Isabel assim. Ela é como se fosse da nossa família e muito querida por todos nós! — disse Alfredo, repreendendo Elena.
— Só se for da parte de vocês. Não considero essa chata como da família — ela fez uma careta.
— Ignore-a, papai, assim como eu faço! — respondeu Eloíse. — Tchau, vejo o senhor no jantar.
Eloíse passou pela irmã, ignorando-a, que fez uma cara de nojo para ela. Pegou sua bolsa e as chaves do carro e foi em direção à garagem. Entrou em sua BMW X7, ajeitou o espelho e saiu dirigindo em direção à casa de sua melhor amiga.
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Após vinte minutos, chegou à casa de Isabel. As duas correram para o quarto para começar a colocar as fofocas em dia. Isabel era sua melhor amiga e trabalhava como sua secretária, ela era branca, ruiva e tinha sardas nas bochechas, além de ser uma das poucas pessoas em quem Eloíse confiava completamente.
— Elena é insuportável! Se vocês não fossem gêmeas, eu diria que ela foi achada no lixo. — disse Isabel, dando uma risada.
— Urgh, nem me fale! Ela está cada dia mais insuportável. Sempre tratando mal as pessoas, se achando superior a todos — respondeu Eloíse.
— Amiga, desculpe, sei que você já tomou sua decisão, mas seu pai tem razão. Você é bem mais preparada que Elena para assumir o cargo. Seu pai já está com 70 anos. Entendo ele querer descansar e passar o negócio para você, dando apenas conselhos e participando de decisões importantes.
— Eu entendo e concordo que meu pai queira se aposentar. É justo, mas eu não vou entrar em uma guerra com Elena. Ela também é inteligente, vai conseguir manter a empresa, e eu posso focar em meus projetos, auxiliando universitários a se prepararem melhor para o mercado de trabalho.
— Tudo bem, não vou mais insistir no assunto... por enquanto — Isabel olhou para Eloíse.
— Mas agora vamos pensar em coisas boas... nossa viagem!
— Estou tão animada com isso! — exclamou Eloíse. — Não vejo a hora de estarmos em Cancún. Serão dias incríveis.
— Sim, e depois Estados Unidos para mais uma de suas especializações na Columbia University.
— É sempre bom ter mais conhecimento, Bel. Mas, bom, vamos ao shopping porque preciso comprar algumas roupas para essa viagem.
— Com certeza! — Isabel se levantou rapidamente da cama e pegou sua bolsa.
A Grécia parecia exatamente o lugar de que Eloíse e Dante precisavam depois de tudo. Pela primeira vez em muito tempo, não havia reuniões esperando por eles, contratos para discutir, famílias interferindo ou qualquer problema que precisasse ser resolvido imediatamente. Durante aquelas semanas, eram apenas marido e mulher.Em Santorini, acordavam tarde, tomavam café olhando o mar Egeu e passavam boa parte do dia sem qualquer planejamento. Caminhavam pelas ruas estreitas, entravam em pequenos restaurantes, conheciam praias e terminavam quase todas as noites na varanda da suíte, vendo o sol desaparecer no horizonte.Eloíse estava encostada no parapeito em uma dessas noites quando sentiu os braços de Dante envolverem sua cintura.— Você sabe que estamos casados há poucos dias e você já está começando a me perseguir pela casa?— Estamos numa suíte de hotel.— Pior ainda. Não tenho para onde fugir.Dante beijou seu pescoço.— Você não parece muito interessada em fugir.Eloíse virou-se e pas
Quando voltaram para Nova York, Eloíse marcou uma consulta. Dante estava mais nervoso do que ela.— Para de mexer a perna — pediu enquanto esperavam.— Não estou mexendo.— Está fazendo a cadeira tremer.Ele parou.— Desculpa.Pouco depois, estavam diante da médica. Eloíse segurava a mão dele quando o exame começou. Ficou emocionada assim que viu a imagem na tela, ainda pequena e difícil de compreender. A médica observou por alguns segundos e depois mexeu novamente o aparelho.— Interessante.Dante imediatamente ficou tenso.— O que aconteceu?— Nada ruim.— Então por que disse interessante?Eloíse apertou sua mão.— Deixa ela falar.A médica sorriu.— Parece que temos uma surpresa.Eloíse franziu a testa.— Que surpresa?A médica apontou para a tela.— Aqui está um.Depois moveu o cursor.— E aqui está o outro.Silêncio.Eloíse piscou.— Outro o quê?Dante já havia entendido.— Não.A médica riu.— Parabéns. São gêmeos.Eloíse virou lentamente o rosto para Dante.— Dois?— Dois — con
Em uma noite tranquila na casa de Nova York, Eloíse estava deitada ao lado de Dante quando começou a observar o anel em seu dedo.— Dante.— Hum?— Acorda.— Estou acordado.— Você está de olhos fechados.— Posso estar acordado de olhos fechados.Eloíse empurrou seu ombro.— Quero casar.Os olhos dele abriram imediatamente.— O quê?Ela começou a rir. Dante sentou-se.— Repete.Eloíse também se sentou.— Eu estou pronta.Ele ficou olhando para ela.— Pronta...— Para casar com você.— Quando?— Ainda precisamos organizar.— Semana que vem?Ela gargalhou. Ele segurou seu rosto.— Desculpa. Estou tentando manter a calma.— Está falhando.— Muito.Eloíse sorriu.— Quero casar no Rio.— Rio?— Foi onde encontramos um ao outro novamente. Eu não sabia quem você era, mas alguma coisa em mim reconheceu você naquela praia.Dante acariciou seu rosto.— “Eu te conheço?” — Os olhos dela se encheram de lágrimas — Eu conhecia.Ele sorriu.— Então Rio de Janeiro.— Rio de Janeiro.Alguns meses depoi
Eloíse chegou a Nova York algumas semanas depois e foi recebida no aeroporto por Dante. Ela mal saiu da área de desembarque antes de vê-lo esperando.— Você está atrasada.— Meu avião atrasou.— Continua sendo atraso.— Posso voltar para o Brasil.Dante pegou sua mala.— Bem-vinda a Nova York.Eloíse riu e o beijou.— Senti sua falta.— Eu também.— Vamos para o seu apartamento?— Não.Ela franziu a testa.— Para onde vamos?— Quero mostrar uma coisa.— Dante...— Confia em mim.— Essa frase já me causou problemas.— Justo.Quarenta minutos depois, o carro parou diante de uma casa elegante em uma região arborizada, afastada do movimento mais intenso de Manhattan. Eloíse olhou pela janela.— Onde estamos?— Desce.— Vicenzo.— Por favor.Ela desceu. Dante pegou uma chave no bolso.— Comprei essa casa.Eloíse virou-se lentamente.— Você fez o quê?— Antes de ficar brava, me escuta.— Você comprou uma casa?— Comprei.— Sem falar comigo?— Tecnicamente, comprei para mim.Ela cruzou os br
Eloíse levou três dias para responder à proposta de Nova York.Leu cada página, conversou com Pedro, reuniu sua equipe, analisou custos, projeções, possíveis parceiros e, principalmente, perguntou a si mesma se aceitaria aquela oportunidade caso Vicenzo Dante Calhoun não existisse. A resposta foi sim. Era isso que precisava saber.Na manhã seguinte, entrou no escritório de Pedro e colocou a pasta sobre a mesa.— Vou aceitar.Ele levantou os olhos.— Nova York?— Nova York.— Tem certeza?— Tenho. Não por Dante. Pelo Recomeço.Pedro sorriu.— Era exatamente isso que eu queria ouvir.Eloíse sentou-se diante dele.— Quero estruturar tudo antes de ir. O escritório do Rio precisa funcionar sem mim fisicamente aqui todos os dias. Vou continuar acompanhando tudo, mas quero pessoas preparadas para tomar decisões sem esperar que eu esteja disponível.— Finalmente está aprendendo a delegar.— Não estraga o momento.Nas semanas seguintes, foi exatamente o que fez. Reorganizou funções, promoveu p
Em Nova York, Dante entrou na Calhoun Technologies naquela manhã e encontrou Aidan próximo aos elevadores.— Bom dia — disse Dante.Aidan olhou para ele por alguns segundos.— Você está com uma cara ridícula.— Obrigado.— Essa felicidade toda chega a ser ofensiva.Dante riu enquanto entravam no elevador.— Está com inveja?— De você? Jamais.— Claro.— Eu tenho Isabel e Alice. Minha vida está ótima.Dante olhou para ele.— Então casa com ela.Aidan virou o rosto lentamente.— O quê?— Você ouviu.— De onde saiu isso?— Você ama Isabel?— Claro que amo.— Quer ficar com ela?— Quero.— Vocês têm uma filha. Então o que está esperando?Aidan ficou alguns segundos em silêncio.— Não sei.— Excelente resposta.— Nunca pensei que você fosse começar a distribuir conselhos matrimoniais depois de tudo que aconteceu.— Justamente por tudo que aconteceu.As portas do elevador se abriram, mas Dante não saiu imediatamente.— Eu passei meses casado com alguém que não amava porque um contrato decid







