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Capítulo 5

Autor: GR Castro
last update Data de publicação: 2026-08-23 09:55:15

Na manhã seguinte, Eloíse acordou com uma sensação diferente. Talvez fosse porque sabia que aquele seria o último passeio que fariam juntos em Cancún ou talvez porque, depois de tudo o que havia acontecido nos últimos dias, Dante já não parecia apenas um homem que ela conhecera durante as férias. Ele havia se tornado alguém que ela queria continuar conhecendo.

— Elo, acorda! — Isabel chamou.

Eloíse abriu os olhos e encontrou a amiga já pronta.

— Que horas são?

— Cedo o suficiente para você parar de enrolar.

— Você está chata!

— E você está apaixonada.

Eloíse pegou o travesseiro e jogou nela.

— Cala a boca!

Isabel começou a rir.

— Vamos logo! Hoje temos o Xcaret.

Pouco depois, os quatro se encontraram no saguão do hotel. Dante estava acompanhado de Aidan, e os dois pareciam animados com o passeio.

— Bom dia! — disse Dante, aproximando-se de Eloíse.

— Bom dia.

Ele lhe deu um beijo delicado na bochecha.

— Pronta?

— Muito!

Isabel olhou para Aidan.

— E você?

— Se você estiver comigo, estou pronto para qualquer coisa.

Ela sorriu.

— Cuidado. Você está ficando convencido.

— Estou apenas começando a descobrir que gosto da sua companhia.

— Eu também gosto da sua.

Aidan abriu um sorriso.

— Então acho que estamos indo bem.

O trajeto até o parque foi acompanhado por conversas, brincadeiras e algumas provocações.

Quando chegaram ao Xcaret Park, Eloíse ficou impressionada, o parque parecia reunir diferentes partes da cultura e da natureza mexicana em um único lugar. Havia áreas de mata, rios de águas cristalinas, trilhas, animais, jardins e espaços que reproduziam aspectos da cultura e da história do país.

— Isso é enorme! — Isabel exclamou.

— Eu não fazia ideia de que era assim — disse Eloíse.

Dante sorriu.

— Ainda nem começamos.

O grupo passou boa parte da manhã explorando o parque.

Entraram em rios subterrâneos, caminharam por áreas cercadas pela vegetação e pararam diversas vezes para tirar fotos. Eloíse ria praticamente o tempo todo, em determinado momento, Dante a fotografou distraída.

— Ei!

Ela se virou.

— Você tirou uma foto minha?

— Tirei.

— Sem eu perceber?

— Essa é a melhor maneira de conseguir uma foto bonita.

— Me deixa ver!

Ele mostrou a tela do celular.

Eloíse ficou alguns segundos olhando.

— Ficou bonita.

— Porque você é bonita.

Ela sorriu.

— Você não perde uma oportunidade, não é?

— Não quando estou falando a verdade.

Ela se aproximou e deu um beijo rápido nele.

— Pronto.

— Só isso?

— Estamos no meio de um parque.

— E?

Ela riu.

Mais tarde, os quatro chegaram a uma área próxima à água.

Isabel e Aidan decidiram entrar primeiro.

— Vem! — Isabel chamou.

— Eu vou.

Aidan segurou a mão dela e os dois entraram juntos. Eloíse observou a cena sorrindo.

— Eles estão ficando sérios.

Dante olhou para o casal.

— Parece que sim.

— Acho que Isabel gostou mesmo dele.

— E ele dela.

Dante olhou para Eloíse.

— Assim como eu gosto de você!

Ela ficou em silêncio por alguns segundos.

— Você fala isso com tanta facilidade.

— Porque não tenho motivo para esconder.

Eloíse se aproximou e encostou a cabeça no peito dele.

— Eu gosto de você também.

Dante passou os braços ao redor dela.

— Isso é bom.

— Muito bom.

O dia passou rápido demais. Entre brincadeiras, fotos, mergulhos e caminhadas, os quatro foram ficando cada vez mais próximos. Em alguns momentos, Isabel e Aidan desapareciam juntos por alguns minutos, apenas para voltar rindo. Em outros, Eloíse e Dante encontravam algum canto mais tranquilo para conversar. No fim da tarde, sentaram-se juntos para descansar.

— O que você vai fazer quando voltar para Nova York? — perguntou Isabel a Aidan.

— Trabalhar.

— Só isso?

— Infelizmente.

— Então vamos ter que encontrar uma maneira de deixar sua vida mais divertida.

Aidan sorriu.

— Você tem alguma sugestão?

— Conhecer lugares.

— Com você?

— Se você quiser.

— Quero.

Isabel ficou alguns segundos olhando para ele.

— Então está combinado.

Aidan estendeu a mão.

— Fechado.

Ela apertou a mão dele.

— Fechado.

+

Quando o dia chegou ao fim, os quatro voltaram para o hotel, mas havia algo diferente. Todos sabiam que aquela seria a última noite juntos. Dante e Aidan precisariam voltar para Nova York antes das meninas. Eloíse e Isabel ainda permaneceriam alguns dias em Cancún, depois, seguiriam para os Estados Unidos.

Naquela noite, os quatro jantaram juntos pela última vez. Eles estavam no Fred's, um restaurante ao ar livre na praia de Cancún. Conversaram, riram e relembraram os momentos dos últimos dias.

— Eu não acredito que nos conhecemos por acaso no elevador! — disse Isabel.

Aidan riu.

— E eu ainda lembro de você entrando naquele bar.

— Você estava interessado em mim desde o começo?

— Talvez.

— Talvez?

— Está bem. Muito.

Isabel sorriu.

— Eu também gostei de você.

Aidan segurou a mão dela sobre a mesa.

— Então não quero que isso termine aqui.

— Não vai terminar.

— Nova York?

— Nova York.

— Vamos sair juntos?

— Claro.

— Então temos um encontro marcado.

Isabel sorriu.

— Temos.

Mais tarde, os casais decidiram se separar.

+

Na manhã seguinte, os rapazes partiram, Eloíse e Isabel ficaram no saguão observando o carro se afastar.

— Eu já estou com saudade! — disse Isabel.

Eloíse riu.

— Você acabou de se despedir dele.

— E daí?

— Você não tem jeito!

— E você também não!

Eloíse olhou para a estrada.

— Vamos aproveitar os dias que ainda temos aqui.

— Vamos.

Nos dias seguintes, as duas continuaram aproveitando Cancún, visitaram as Ruínas de Tulum, onde caminharam entre antigas construções maias diante do mar azul. Eloíse ficou encantada com a paisagem.

— Isso é surreal!

— Parece cenário de filme. — respondeu Isabel.

As duas tiraram diversas fotos.

Alguns dias depois, conheceram Chichén Itzá, ficando impressionadas com a grandiosidade das construções e com a história daquele lugar.

A viagem estava chegando ao fim. Na última noite, Eloíse ficou deitada na cama do hotel enquanto passava pelas fotos no celular, havia imagens das praias, do cenote, do Xcaret, das ruínas, de Isabel fazendo caretas e então apareceram as fotos com Dante, uma delas mostrava os dois sorrindo, outra havia sido tirada durante o passeio. Em outra, Dante a abraçava enquanto ela ria. Eloíse ficou olhando para a tela por alguns segundos. Um sorriso apareceu em seu rosto.

— Você está apaixonada mesmo! — Isabel comentou.

— Não começa!

— Só estou constatando.

Eloíse continuou olhando as fotos.

— Foi uma viagem incrível!

— Foi!

Ela então abriu a conversa com o pai.

— Vou mandar uma foto para ele.

Escolheu uma imagem em que ela e Isabel apareciam sorrindo diante de uma das paisagens de Cancún. Enviou a foto acompanhada de uma mensagem dizendo que estava aproveitando muito a viagem e que as duas estavam se divertindo bastante. Pouco depois, guardou o celular.

— Pronto.

— Seu pai respondeu?

— Ainda não.

Eloíse se deitou novamente. Mas, antes de dormir, abriu mais uma vez as fotos de Dante.

+

Três dias depois, Eloíse e Isabel desembarcaram em Nova York , o frio leve da cidade foi a primeira diferença que perceberam assim que deixaram o aeroporto. Depois de alguns minutos, entraram no carro que as levaria até o apartamento da família. Eloíse olhou pela janela, Nova York estava exatamente como se lembrava, mas daquela vez era diferente, ela não estava ali apenas acompanhando os pais em uma viagem de negócios. Aquela seria a cidade onde começaria uma nova etapa de sua vida.

Quando chegaram, passaram boa parte do dia organizando as malas e colocando tudo em seu devido lugar. Depois de algum tempo, Eloíse tomou um banho, trocou de roupa e sentou-se na cama, pegou o celular. Por alguns segundos, ficou olhando para o nome de Dante, finalmente, criou coragem e enviou uma mensagem.

“Cheguei.”

A resposta veio poucos minutos depois.

“Eu estava esperando por essa mensagem.”

Eloíse sorriu.

“Está mesmo em Nova York?”

“Estou.”

“Então temos um encontro marcado. Amanhã. Posso buscar você?”

Ela sentiu o coração acelerar.

“Pode.”

“Às sete.”

“Combinado.”

No dia seguinte, Eloíse passou boa parte da tarde tentando decidir o que vestir. Quando finalmente ficou pronta, ouviu a campainha f oi até a porta e ao abri-la, encontrou Dante. Ele estava elegantemente vestido e segurava um buquê de flores. Eloíse ficou alguns segundos sem reação.

— Para mim?

— Para você.

Ela pegou as flores, sorrindo.

— São lindas!

— Não tanto quanto você!

— Você realmente não muda.

— Ainda bem.

Dante estendeu a mão.

— Vamos?

— Para onde?

— É surpresa.

Eloíse fechou a porta atrás de si.

— Espero que seja uma boa surpresa.

— Tenho certeza de que você vai gostar.

Durante o trajeto, Dante não revelou o destino. Quando o carro finalmente parou, Eloíse olhou pela janela.

— Não acredito...

Dante sorriu.

— Você conhece?

— Claro.

Era um dos restaurantes favoritos de Eloíse. Ela se virou para ele, surpresa.

— Como você descobriu?

— Eu fiz minha lição de casa.

— Dante...

— O quê?

Ela sorriu.

— Obrigada.

Ele segurou sua mão.

— Eu queria que seu primeiro encontro em Nova York fosse especial.

Eloíse aproximou-se e deu um beijo nele.

— Então já começou muito bem.

Dante sorriu.

— Espere até a noite terminar...

Os dois saíram do carro juntos. Eloíse não fazia ideia de que aquela noite seria apenas o começo de uma nova fase.

E que, em Nova York, longe dos olhos de sua família e acreditando finalmente estar vivendo a vida que escolhera para si, ela estava prestes a descobrir que Dante carregava muito mais segredos do que jamais poderia imaginar.

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