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Capítulo 2

Author: Romênia
last update publish date: 2025-07-31 10:11:31

Peterson já aguardava no quarto do hotel há mais de uma hora. Atrasos eram algo que geralmente o irritavam, mas a natureza incomum daquele encontro o mantinha em um estado de curiosidade tensa. Ele checava o relógio discretamente a cada poucos minutos, imaginando como seria a mulher por trás das mensagens, queria conhecê-la melhor.

Enquanto isso, na recepção luxuosa do hotel, Miranda se sentia deslocada. Sua hesitação em se identificar e o nervosismo faziam com que a comunicação com o recepcionista fosse hesitante e confusa. Finalmente, após alguns momentos de incerteza, conseguiu se fazer entender e recebeu o número do quarto.

A cada passo em direção ao elevador, a vontade de desistir crescia. Aquele ambiente sofisticado parecia gritar que ela não pertencia àquele lugar. Ao sair do elevador no andar que achava ser o indicado, um medo súbito a paralisou. A ideia de entrar sozinha em um quarto de hotel com um estranho, por mais que ele tivesse se mostrado respeitoso online, a assombrava. Ela começou a dar passos hesitantes para trás, quase voltando para o elevador, quando ele se abriu novamente.

Distraída, Miranda entrou no elevador mexendo no celular, tentando inutilmente encontrar algum sinal de rede. Completamente distraída olhando na tela, esqueceu de apertar o botão do andar desejado. O elevador, então, começou uma jornada errática, subindo alguns andares, descendo outros, parando em diferentes níveis enquanto pessoas entravam e saíam, alheias à sua crescente ansiedade. Finalmente, as portas se abriram novamente, e um homem lindo entrou no elevador.

O homem que adentrou o elevador era Peterson. Vestia calça jeans escura de marca cara, tudo impecável, uma camisa social de tecido leve e elegante, e sapatos de couro lustrosos. Exalava um perfume amadeirado com um toque sutilmente doce, que preencheu o pequeno espaço.

Peterson já havia visto uma foto de corpo de Miranda durante as conversas online. Embora a qualidade da imagem não fosse das melhores, ele se lembrava distintamente de uma pequena tatuagem de borboleta que adornava seu braço esquerdo. Ao vê-la ali, abanando-se levemente com a mão enquanto teclava no celular, a reconheceu de imediato, especialmente pelo decote.

Seu olhar percorreu Miranda dos pés à cabeça, analisando cada detalhe. A roupa surrada, o decote pronunciado e a maquiagem que parecia ter sofrido com o calor não passaram despercebidos. Em sua mente, formou-se um julgamento rápido: simplória, talvez até inapropriada para o ambiente, e uma vaga impressão de descuido, desleixo.

Miranda, ainda dispersa na busca por sinal em seu celular, sentiu o olhar sobre si. Por uma fração de segundos, seus olhos se encontraram com os de Peterson. Ela registrou a elegância do homem, sua presença marcante, mas a intensidade do seu olhar a deixou desconfortável. Quase que instantaneamente, desviou o rosto, voltando a atenção para a tela do aparelho, tentando disfarçar o nervosismo e a sensação de estar sendo avaliada. O silêncio no elevador tornou-se ainda mais carregado.

Finalmente, o celular de Miranda conseguiu captar um fio de sinal. Rapidamente, digitou uma mensagem no perfil fake de "LacCurioso": "Houve um imprevisto, não vou poder comparecer hoje. Devolverei o adiantamento assim que possível. Desculpe." Enviou a mensagem, e o celular de Peterson, no outro canto do elevador, apitou discretamente. Ele permaneceu de costas, a expressão séria e impassível.

Incrédula, Miranda digitou outra mensagem, quase como um teste: "Desculpe mesmo, de verdade." Mais uma vez, o celular de Peterson apitou. A ficha começou a cair. Seria possível que aquele homem elegante e misterioso fosse "LacCurioso"? Parecia irreal.

Em um último impulso, enviou uma terceira mensagem: "É você?". O apito do celular de Peterson ecoou no silêncio do elevador. Naquele exato momento, as portas se abriram. Peterson saiu do elevador, virando-se para trás e segurando a porta aberta. Seus olhos encontraram os de Miranda, e o olhar que ele lançou sobre ela era intenso, faminto, como o de um predador que teve sua caça momentaneamente interrompida. Aquele olhar carregava uma mistura de surpresa, talvez decepção, mas principalmente uma possessividade inesperada. O ar entre eles se carregou de uma tensão intensa.

O olhar de Peterson fez o rosto de Miranda corar de imediato. A vergonha a invadiu como uma onda quente.

— Eu... eu preciso ir embora. — Murmurou, a voz quase inaudível.

Antes que pudesse sequer esboçar um movimento para retornar ao elevador, Peterson agiu com uma rapidez surpreendente. Segurou seu braço com firmeza, um aperto que não era agressivo, mas que não permitia resistência.

— Eu não vou deixar você desistir agora! — Disse ele, a voz grave e com um tom de autoridade que Miranda não esperava.

Sem lhe dar chance de protestar, Peterson a conduziu para fora do elevador, guiando-a pelo corredor luxuoso. Miranda caminhava ao seu lado, o medo paralisando qualquer tentativa de se soltar ou questionar. O silêncio entre eles era pesado, carregado da tensão do momento.

Ele a levou até o final do corredor e abriu a porta de um quarto. Ao entrar, Miranda ficou deslumbrada. O ambiente era lindo demais, com amplas janelas que ofereciam uma vista panorâmica da piscina. Móveis de design sofisticado minimalista. A cama king-size, com lençóis brancos, pareciam um convite ao descanso. Aquele luxo extremo contrastava drasticamente com a sua realidade e com o quarto de hotel modesto que ela imaginava para o encontro. Por um instante, esqueceu o medo, absorvida pela beleza e pela grandiosidade daquele lugar na cobertura.

Peterson caminhou até a cama e se sentou na beirada, observando Miranda com uma expressão que ela não conseguia decifrar completamente. — Vá se lavar. — Ordenou, com a voz firme e sem rodeios.

— Você parece suada, e esse perfume barato... está me dando dor de cabeça.

As palavras de Peterson atingiram Miranda como um tapa. A humilhação a invadiu de imediato, fazendo-a se sentir ainda mais inferiorizada naquele ambiente de luxo. A firmeza em sua voz não deixava espaço para questionamentos. Sem dizer uma palavra, com o rosto em chamas de vergonha, Miranda se dirigiu ao banheiro.

Ela fechou a porta atrás de si, buscando um refúgio naquele espaço isolado. A água quente do chuveiro lavou não apenas o suor da viagem, mas também um pouco da sua insegurança, afinal, deduziu que ele gostou dela. Enquanto se secava com a toalha macia e felpuda, um susto a fez sobressaltar. A porta do banheiro se abriu, e Peterson estava ali, parado na entrada, observando-a.

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