Início / Romance / O segredo do CEO / 7. ISSO É SÉRIO?

Compartilhar

7. ISSO É SÉRIO?

last update Data de publicação: 2025-04-16 09:31:18

A manhã passou com uma tranquilidade incomum. Larissa mergulhou em tarefas rotineiras, revisando arquivos, ajustando prazos, e trocando e-mails com o grupo de design. Seus dedos deslizavam rápidos pelo teclado, mas sua mente estava em outro lugar — no misterioso convite de William. A reunião da empresa estava marcada para as 16h, e ela tentava manter o foco, mesmo com o relógio se arrastando, como se cada minuto carregasse uma tensão silenciosa.

Quando o ponteiro tocou o 11H, Larissa se levantou da mesa com precisão cirúrgica. Organizava seus materiais com a elegância natural que a acompanhava mesmo nos gestos mais simples. Penteou com os dedos uma mecha de cabelo solta, respirou fundo e seguiu pelos corredores da empresa, ignorando o burburinho sobre a chegada do novo chefe.

Caminhou até o café habitual, o “Lugar de Sempre”, como William gostava de chamar. Era um cantinho discreto e elegante, onde já haviam se encontrado tantas outras vezes. Como de costume, ela chegou antes, sentando-se em uma mesa ao fundo. Observou pela janela a correria das pessoas na calçada, enquanto seu coração acelerava num compasso que ela mesma não conseguia explicar.

Minutos depois, William entrou.

Seu terno escuro estava perfeitamente alinhado, e a expressão no rosto carregava uma seriedade rara. Ao vê-lo, Larissa sentiu um leve aperto no peito — havia algo diferente naquele olhar.

Ele se aproximou da mesa com passos calmos.

— Já almoçou? — perguntou, sem rodeios.

— Ainda não. — respondeu ela, erguendo os olhos e tentando decifrar aquele semblante fechado.

Sem dizer mais nada, William se levantou e estendeu a mão, num gesto gentil, porém firme.

— Então vamos sair daqui e comer algo decente.

Larissa hesitou por um segundo, confusa, mas acabou se levantando. Caminharam lado a lado pela calçada movimentada, entre buzinas e vozes apressadas, mas não trocaram uma única palavra. O silêncio entre eles não era desconfortável — era denso. Carregava algo que ainda não havia sido dito.

Entraram em um restaurante elegante, escondido entre lojas de grife. Um ambiente refinado, com iluminação suave, taças finas e um aroma delicioso de ervas e vinho. Sentaram-se à mesa e, por alguns minutos, falaram apenas sobre o cardápio e os pratos escolhidos.

Depois da refeição, quando o garçom recolheu os pratos e trouxe duas taças de suco, William finalmente soltou o que vinha guardando.

Seu olhar suavizou. O ar pesado se dissipou, como se uma tempestade prestes a cair houvesse recuado por um instante. Com calma, ele retirou uma pequena chave de metal prateado de dentro do bolso do paletó. Estava presa a um chaveiro antigo, simples, mas familiar.

Ele estendeu a mão e entregou a chave para Larissa.

— A casa é sua. Agora para sempre.

Larissa piscou algumas vezes, como se as palavras tivessem chegado em outro idioma. Seu olhar caiu sobre a chave, depois voltou para o rosto de William.

— Como assim... minha? — murmurou, com um nó se formando na garganta.

William sorriu, com a ternura de quem acaba de cumprir uma promessa muito antiga.

— A casa que um dia foi sua. Aquela que vocês perderam para pagar as dívidas do seu pai... eu a recuperei. Está quitada, Larissa. Sem hipotecas, sem dívidas, sem truques. É sua por direito. Eu prometi ao seu pai que cuidaria de você. Essa era uma das promessas mais importantes.

O mundo pareceu girar devagar.

Aquela casa. A casa da infância. O lar onde as risadas de seus pais ainda ecoavam em sua memória. Onde ela aprendeu a andar de bicicleta no quintal, onde assistia desenhos com o pai nas manhãs de sábado. Aquela casa havia sido a última coisa que seu pai pôde oferecer antes que a vida desmoronasse.

As lágrimas rolaram sem permissão. Quentes, silenciosas, aliviadas.

— Senhor William... — sussurrou ela, com a voz embargada. — Eu já disse isso antes... mas preciso repetir: o senhor é o meu anjo da guarda. Porque é isso que você é.

William segurou a emoção com elegância, apenas assentindo com um sorriso satisfeito.

— Quer ir até lá agora? Posso te levar.

Larissa respirou fundo. O coração, embora emocionado, ainda sabia que havia responsabilidades que não podiam ser deixadas de lado.

— Eu adoraria... mas hoje não posso. Tenho uma reunião às quatro, e ainda preciso terminar uma parte importante do projeto. Mas... assim que possível, eu irei. Preciso me preparar.

William assentiu, compreensivo.

— Claro. Quando estiver pronta.

Quando Larissa saiu do restaurante, a chave ainda em sua mão, fechada com força como se fosse feita de vidro e pudesse desaparecer, sentiu que o passado, de alguma forma, havia sussurrado para ela naquele almoço. Uma porta havia se reaberto.

E o que mais ela ainda não sabia sobre William? O que mais estava guardado, à espera do momento certo?

Com passos rápidos, ela voltou para o carro que ainda estava estacionado ao lado do Café. Mas seu coração já estava em outro lugar — na casa que agora era sua novamente.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • O segredo do CEO   73. UM NOVO AMANHECER

    Dois anos haviam se passado desde a queda de Willian e a reestruturação da empresa. Muita coisa havia mudado — não só nos negócios, mas principalmente nos corações.Naquela manhã de primavera, a propriedade dos Wolverie, agora restaurada, estava em festa. Lanternas brancas balançavam suavemente ao vento, enfeites florais decoravam os carvalhos antigos, e fileiras de cadeiras diante de um altar rústico formavam o cenário de um momento esperado há tanto tempo: o casamento de Larissa e Jacob.Larissa, vestida com um delicado vestido rendado, caminhava pelo jardim amparada por seu tio Mauro, com lágrimas discretas nos olhos. Ela olhou ao redor e viu rostos felizes — amigos, colegas de trabalho, funcionários da empresa que ela e Jacob agora dirigiam juntos. Mas foi ao ver Gustavo, sorrindo em pé ao lado do altar, que seu coração quase transbordou.Jacob, em um terno claro, a observava como se o tempo tivesse parado.Quando Larissa chegou ao seu lado, ele segurou sua mão e sussurrou:— Espe

  • O segredo do CEO   72. O IMPÉRIO DA MENTIRA CAIU

    O relógio marcava 16h em ponto quando três viaturas discretas da Polícia Federal estacionaram em frente à sede da empresa Imperium Beauty. O prédio imponente, espelhado, refletia a tarde nublada, sem sinal do furacão que estava prestes a começar. Nenhum funcionário suspeitava que aquele seria o último dia de Willian no comando da empresa que construiu à base de mentiras, manipulação — e sangue.Lá no topo, no 30º andar, Willian tomava um uísque caro enquanto analisava os relatórios trimestrais. A falsa sensação de controle era quase cômica, considerando o que viria a seguir.A porta se abriu com força. Dois agentes federais de terno entraram, seguidos por Roberto, o detetive, agora na companhia de um promotor de justiça.— Senhor Willian Lauder? — disse um dos agentes.Willian ergueu os olhos, arrogante, ainda sem levantar-se.— Pois não? Está havendo algum engano?— O senhor está preso. Pelos crimes de fraude societária, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e... homicídio. Temos

  • O segredo do CEO   71. JOGO DA VERDADE

    Larissa passou a noite em claro. Os documentos fornecidos por Alfredo estavam espalhados sobre a mesa de jantar, junto ao gravador e ao celular onde o áudio de seu pai estava salvo. Jacob permaneceu ao seu lado o tempo todo, ajudando a organizar tudo, classificando provas, anotando pontos importantes.— Você realmente quer ir até o fim com isso? — perguntou ele, quebrando o silêncio. — Porque, Larissa... se fizermos isso, não há volta. Estamos mexendo com um homem perigoso. Ele tem contatos, influência e dinheiro.Larissa o encarou com os olhos inflamados de uma certeza inabalável.— Ele matou meu pai, destruiu minha família e ainda tem a audácia de se fazer de amigo. Se eu me calar, ele continua impune. E eu me recuso a viver com isso.Na manhã seguinte, Jacob ligou para o detetive Roberto. Eles marcaram um encontro discreto num hotel afastado da cidade, onde poderiam conversar sem levantar suspeitas.O ambiente era escuro, com janelas fechadas e um cheiro forte de café recém-passado

  • O segredo do CEO   70. AS DESCOBERTAS DE LARISSA

    Nos dias seguintes, Larissa mal conseguia dormir. As palavras do tio Mauro se misturavam com as revelações de Jacob e criavam um nó sufocante em sua mente. A raiva e a dor estavam lá, latejando como uma ferida aberta. Mas acima de tudo, havia uma nova emoção: determinação.Ela não podia simplesmente aceitar que Willian tinha matado seu pai e roubado sua herança. Não sem provas. Não sem justiça.Naquela manhã de sábado, Larissa se trancou no antigo escritório do pai, nos fundos da casa onde crescera. As estantes de madeira ainda guardavam pastas antigas, álbuns empoeirados, contratos e livros de contabilidade. A luz da manhã entrava pelas frestas da persiana, criando listras de sol sobre a mesa de mogno. Ela se sentou e começou a vasculhar tudo com atenção.Horas se passaram.Algumas pastas continham contratos entre seu pai e Willian — eram documentos antigos, de quando os dois fundaram a primeira empresa juntos. Um nome aparecia com frequência: Alfredo Lemos, o mesmo ex-funcionário me

  • O segredo do CEO   69. AS PALAVRAS DE JACOB

    Larissa ainda estava na cozinha, sentada com os cotovelos apoiados na mesa e o olhar perdido. A conversa com seu tio Mauro ecoava em sua mente como um vendaval de verdades incômodas. Cada revelação era como um golpe — Willian não era apenas um mentiroso; era um manipulador, um ladrão... e um assassino. E o mais perturbador: era também o pai de Gustavo.Ela passou as mãos pelo rosto, tentando conter as lágrimas que ameaçavam cair. Como encarar o irmão agora, sabendo que ele era fruto de uma traição silenciosa, de uma sombra do passado que sempre esteve ali, escondida por trás de um sorriso inocente?Foi então que Matilde entrou na cozinha, trazendo o aroma reconfortante do jantar.— Larissa, querida — disse com doçura —, posso servir o jantar? Fiz aquele arroz de forno que você gosta...Larissa ergueu os olhos lentamente, saindo de seu transe.— Matilde... onde está o Gustavo?— Ele saiu — respondeu Matilde, com a voz tranquila. — Disse que iria até a casa do amigo, o Matias. Mas logo

  • O segredo do CEO   68. REVELAÇÃO IMPACTANTE

    Com as mãos trêmulas, ela procurou o número de seu tio Mauro na agenda. Sabia que era tarde, mas não podia mais adiar aquilo. Precisava ouvir dele, com clareza, o que todos pareciam esconder.O telefone chamou duas vezes antes de ser atendido.— Alô? — a voz grave de Mauro respondeu, sonolenta, mas atenta.— Tio... sou eu, Larissa.— Larissa? Está tudo bem, minha filha?Ela hesitou, segurando o celular com força, como se ele fosse desintegrar entre seus dedos.— Não... não está. Eu preciso conversar com o senhor. Agora. Sobre o meu pai. Sobre o Willian. E sobre tudo que nunca me contaram.Do outro lado da linha, Mauro ficou em silêncio por um momento. Quando respondeu, sua voz estava mais firme.— Já imaginava que esse dia ia chegar. Que você acabaria descobrindo... coisas. Venha, me diga o que você sabe.— Eu recebi uma ligação. Uma mulher, com uma voz distorcida, me disse que meu pai foi assassinado. E que Jacob sabia. Depois Matilde me contou sobre a conversa que ouviu na casa de v

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status