FAZER LOGINNão havia escapatória. Eu já sabia onde pressionar, conhecia as fissuras dele e se quisesse, poderia reduzi-lo a pó com um único movimento bem calculado. Era uma vantagem que me dava um gosto frio na boca: poder absoluto. Pensei na esposa, nas crianças, nas vidas que dependeriam das consequências da minha vingança. Preferi poupar isso por agora. Mas deixei claro: se Hugo bancasse o confronto, eu não hesitaria em transformar a vida dele num quarto espelhado, onde cada reflexo revelasse sua queda.
Poliana, desesperou. — Você não pode fazer isso! — Ela tenta ajudar o Hugo e agora chegou o momento dela. — Enquanto a você, já teve o que mereceu, você tem cinco minutos para sair da minha casa. — O quê? Você ficou louco? — Não, estou mais sã que o normal. Não queria uma oportunista ao meu lado. Você vai sair da minha vida do mesmo jeito que você entrou. Esqueça as regalias, carro, emprego, jóias. Você vai sair sem nada. Não por que eu me importo com coisas matérias, mais pelo seu carácter. Prefiro doar tudo a quem precisa, a deixar você levar algo.— vejo a raiva estampada em seu rosto. E desse jeito que eu gosto. —Você vai se arrepender! — gritou ela, quase como quem decreta uma maldição. — Talvez — respondi, lento, sem dar-lhe o conforto da reação. — Talvez eu morra sozinho. Mas prefiro o silêncio de um homem inteiro a uma vida inteira ao lado de alguém que calcula o preço de um beijo. E enquanto ela choramingava, Hugo encolhia-se, e o eco das palavras de Poliana ainda pairava, eu sabia que nada, a partir daquela noite, voltaria a ser como antes. O gosto do vinho tornou-se amargo. O nome, uma ferida. Mas a dor já estava feita. E eu percebi, ali, que o amor não era um investimento era uma aposta perdida. Fechei a porta do meu escritório atrás de mim e, sozinho. Permiti-me gritar. A voz saiu como algo preso havia anos, quebrando o silêncio do cômodo. Agarrei a garrafa ainda meio cheia e a atirei contra a parede. O vidro estilhaçou-se em chuva vermelha; o som foi seco, definitivo. O rótulo que criei com tanto orgulho se espalhou pelo chão, como notícias rasgadas. Como pude ser tão cego? Como deixei que, aos poucos, duas pessoas armassem a minha própria ruína bem nas minhas costas? O pensamento martelava, feroz e implacável. A traição não foi um golpe foi um planejamento frio, e eu sentia o gosto amargo de cada minuto perdido.... O homem que eu era morreu com a confiança que eu entregara. Eu precisava extravasar. A pressão do dia estava me deixando à beira da insanidade, e só havia uma forma de aliviar tudo aquilo. Peguei o celular, direto ao ponto: — Quero duas das suas melhores… para a minha casa. Agora. — Minha voz soou firme, sem espaço para hesitação. — Pode deixar, senhor Medina. Quando menos esperar, elas estarão aí. — respondeu a voz feminina do outro lado da linha. Desliguei e soltei um suspiro pesado, servindo mais uma dose. O líquido desceu queimando, e junto dele veio o mesmo pensamento de sempre: é difícil confiar em alguém que não se deslumbre com o que tenho. Mas hoje, eu não queria pensar. Não queria sentir nada além do toque, do prazer, do esquecimento. Enviei uma mensagem curta para Félix, confirmando que Poliana já tinha saído da minha casa e liberando a chegada das duas mulheres da senhora Mirtis. “Hoje eu só quero esquecer”, pensei, olhando meu reflexo no copo. Não demorou ele avisou que já estava tudo limpo. Menos um problema para enfrentar. Pouco depois, escuto passos no corredor. Alguém b**e. E autorizo de imediato. — Pode entrar. — digo, sem erguer os olhos. A porta se abre. O ar muda. Duas mulheres surgem diante de mim: uma morena de olhar firme, lábios carnudos; a outra, ruiva, com um sorriso que provoca e promete em silêncio. As duas param à minha frente, esperando um comando. — Senhor Medina… — a morena fala num tom baixo, quase um sussurro. — Onde prefere que comecemos? Levanto do sofá, devagar, deixando que a tensão fale por mim. Um meio sorriso se forma em meus lábios. — Surpreendam-me. — murmuro, tirando o paletó e o jogando sobre a mesa. E encaro as duas que se enstreolham com um sorriso no rosto e me permito aproveitar o momento que tanto me acalma....- Sim... - diz, ofegante.Sem lhe dar tempo para pensar, eu a viro, deixando-a de costas para mim. Suas mãos se apoiam na parede, enquanto eu me aproximo e começo a espalhar beijos por sua nuca, saboreando cada reação. Seguro sua cintura com firmeza, guiando seus movimentos, sentindo-a se arquear contra mim.Faço questão de deixá-la sentir o quanto me afeta, o quanto me desarma. E, ao menor toque, seus gemidos escapam abafados, quase como um segredo compartilhado apenas entre nós.Ela se move, provocando, deixando claro o quanto está envolvida. Então seguro delicadamente seu pescoço, trazendo seu rosto até o meu para roubar um beijo profundo, daqueles que tiram o fôlego e embaralham qualquer pensamento. E eu continuo, explorando cada limite, cada reação, cada suspiro.Até que, quando percebo que ela está completamente entregue ao momento, eu paro.O protesto vem imediato.- Se você parar agora, será um homem morto... - ela ameaça, ainda sem fôlego.Dou um
Antes que eu diga qualquer coisa, decido agir. - Está bom, agora vou levar minha baixinha para descansar. Puxo Amanda de volta para os meus braços, encaixando-a junto a mim como se aquele fosse o lugar mais natural do mundo. - É tão lindo ver essa cara de apaixonado! - Andreia provoca, arrancando risadas de todos. Amanda levanta o rosto para me olhar, e aquele sorriso... ah, aquele sorriso é capaz de desmontar qualquer defesa que eu ainda tenha. Então ela responde, sem hesitar: - Ele é lindo de qualquer jeito. E, naquele instante, cercado pela minha família e com Amanda nos meus braços, eu tenho a absoluta certeza de que nunca quis tanto que algo durasse para sempre. - Sabia que o seu momento chegaria, meu filho. E estou orgulhoso de você. Agora vamos descansar. Amanhã teremos um dia e tanto pela frente. - meu pai diz, com um sorriso satisfeito. Nos despedimos, e eu conduzo Amanda até o nosso q
Já quase pegando no sono, ele olha para mim e diz, com a sinceridade que só uma criança é capaz de ter:- Tio Bruno... hoje foi um dos melhores dias da minha vida.Meu coração aperta.Porque, de alguma forma, ele não faz ideia do quanto essas palavras significam para mim.Sorrio, acaricio seus cabelos e respondo com toda a verdade que existe em mim:- Pode ter certeza... que foi um dos melhores dias da minha também.Não demora muito, e Théo adormece. Fico alguns segundos observando seu rosto sereno antes de me levantar. Então, saio em silêncio, fecho a porta com cuidado e vou em busca de Amanda.Mas, antes mesmo de alcançá-la, escuto sua voz.Ela está contando à minha família como nos conhecemos.E, sinceramente, ouvir Amanda narrar a nossa história tem um efeito inesperado em mim. Então, sem perder a oportunidade, acabo revelando para todos que, no começo, ela achou que eu era gay.As risadas surgem imediatamente.E eu também rio, porque
Ter Amanda aqui, cercada pela minha família, só reforça o que eu já sabia desde o início: fiz a escolha certa. Ainda assim, preciso agir com cuidado. Quero preservar a imagem dela, proteger Amanda e Théo de qualquer comentário, de qualquer olhar maldoso. Assim, não teremos problemas. Logo meus pais começam a se despedir dos convidados, mas, quando percebo, Amanda e Théo já não estão mais por perto. Procuro por Andreia com o olhar e, no mesmo instante, deduzo onde eles devem estar. Minha irmã certamente os levou para algum lugar da casa, provavelmente para a sala de cinema. Era a cara dela. E, honestamente, isso me faz sorrir. Foi bom demais ver o Théo tão animado, tão à vontade. E ver minha família acolhendo Amanda e o garoto daquela forma... eu realmente não tenho palavras para descrever o quanto isso significa para mim. Quando minha mãe fez o convite para ficarmos o fim de semana, eu já sabia que isso aconteceria. E, para ser sincero, não ne
- Eu sei que sim... - respondo, ainda um pouco tensa. - Só fiquei séria por um instante, pensando que meu pequeno me chamaria... - Você precisa entender que o Bruno é assim - ela continua, com um leve sorriso orgulhoso. - Quando ele gosta de alguém, ele quer cuidar. E, só de ver o brilho nos olhos do meu filho, eu sei que vocês fazem bem a ele. - Seus olhos então se voltam para mim, curiosos. - Agora, confesso que estou curiosa, como vocês se conheceram? Ele nem mencionou que tinha alguém! Sinto meu coração acelerar, mas sorrio, lembrando. - Eu sei, ele é incrível. - Solto um pequeno suspiro. - Digamos que nosso primeiro encontro foi um pouco turbulento, mas, ao mesmo tempo, mais incrível do que eu poderia imaginar. - Fala logo, eu também estou curiosa! - Andreia insiste, cruzando os braços, com um sorriso travesso. - Até agora não saiu da minha cabeça que você é uma feiticeira! Eu rio, negando com a cab
- Mamãe, não pode ficar triste... tem que dividir. Igual eu faço com o tio Bruno. Aquilo me pega desprevenida. Forte. Doce. Doloroso. - Olha como ele é esperto! É isso aí, Théo! - Andreia vibra, entrando na onda. - Então... o que acha de a gente ligar o antigo videogame do Bruno? - Andreia, não dá ideia pro Théo! - repreendo, já sabendo que perdi essa batalha. - Vai, Amanda... vai se divertir! Vamos! O papai deixou tudo instalado na sala de cinema! - ela diz, já se levantando, decidida. E eu só consigo suspirar... Porque, no fundo, sei que não estou mais lutando contra aquilo. Estou... começando a fazer parte. Seguimos para a sala de cinema e, enquanto atravessamos os corredores, não consigo deixar de reparar no tamanho daquela casa. É muito maior do que a casa de campo do Bruno. São vários ambientes, todos bem decorados... e, em alguns deles, vejo porta-retratos espalhados. Fotos do Bruno em diferentes







