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🌕 Cap. 3: O Gosto Proibido da Vingança e do Desejo

last update Data de publicação: 2026-08-18 14:24:13

🌹 Lyra Voss

O choque elétrico que percorreu minha espinha quando Kael segurou minha cintura, foi tão violento que minhas pernas perderam a sustentação.

Eu estava completamente à mercê dele, colada contra o corpo rígido, musculoso e febril do guerreiro que assombrava meus pesadelos mais sombrios e minhas fantasias mais inconfessáveis.

Aquele não era apenas o líder militar mais temido do continente; era o homem que a Deusa da Lua havia gravado em meu destino, o mesmo homem cuja matilha me expulsou nas trevas da infância, rotulando-me como uma fêmea sem valor.

Por dez longos anos em Arcádia Noir, alimentei meu ódio dia após dia.

Treinei com lâminas envenenadas, aprendi a arte do disfarce, blindei meu coração para que nenhum sentimento pudesse me vulnerabilizar.

Eu jurava que quando reencontrasse Kael Draven, sentiria apenas desprezo e o desejo fulminante de vingança.

Mas a mentira que contei a mim mesma, desabou no exato instante em que a mão grande e áspera dele segurou meu queixo, forçando-me a encarar as profundezas douradas de seu olhar de fera.

O olhar dele não continha a arrogância fria de um carrasco. Estava repleto de um tormento devastador, um desespero primitivo que parecia queimar tudo ao redor.

— Lyra... — o som do meu nome pronunciado com tamanha reverência e dor, fez meu peito se contrair em agonia.

Ele não me soltou.

Pelo contrário: apertou-me ainda mais contra seu corpo, eliminando qualquer vestígio de distância entre nós, até que eu pudesse sentir a rigidez de seu membro ereto pressionando meu ventre através das camadas de tecido.

O calor que emanava daquela fricção proibida, fez um arrepio ardente explodir entre minhas coxas, umidade e desejo derretendo a última barreira de autocontrole que eu tentava sustentar.

— Você não sabe o que aconteceu naquela noite, pequena Luna... — ele rosnou contra a minha boca, seus lábios roçando os meus a cada palavra, tão próximos que eu podia saborear o gosto quente e amargo de sua respiração. — Eles me disseram que você estava morta. Disseram que o Clã Noctharys havia queimado sua carruagem na fronteira e que suas cinzas tinham sido espalhadas no rio de gelo. Eu executei quatro anciãos da matilha com minhas próprias garras na mesma noite em que perdi o seu rastro!

Minha respiração parou na garganta.

— Você mente... — sussurrei, lutando contra as lágrimas de raiva que teimavam em embaçar minha visão. — Eryon me mostrou os documentos selados com o brasão do Alfa! Você assinou meu banimento porque eu não manifestei uma loba aos dezesseis anos! Você me considerou fraca demais para ser a Luna dos Valkares!

— Eryon é uma víbora que pagará com a própria cabeça por cada mentira que envenenou sua mente! — o rugido de Kael ecoou pelo topo dos carvalhos centenários, fazendo os pássaros noturnos levantarem voo em bando.

Antes que eu pudesse pensar em qualquer contra-argumento, Kael perdeu a paciência que lhe restava.

Ele afundou os dedos fortes nos meus cabelos, puxando minha cabeça suavemente para trás, para expor a curva inteira do meu pescoço, e capturou meus lábios em um beijo selvagem, faminto e alucinante.

O mundo ao meu redor simplesmente desapareceu.

Foi um beijo de posse pura e libertação desesperada.

A língua dele invadiu minha boca com a voracidade de um predador reivindicando seu território sagrado, sugando meus lábios com uma urgência incontrolável que arrancou um gemido longo e desavergonhado do fundo do meu peito.

Eu tentei empurrá-lo, mas minhas mãos, traidoras e sedentas, cravaram-se nos ombros largos de Kael, sentindo a musculatura pulsar sob o couro enquanto eu me entregava totalmente àquela loucura.

O gosto dele, selvagem, carnal, misturado ao sabor metálico da gota de sangue de seu peito, era como uma droga proibida que embriagava meus sentidos.

Ele desceu os lábios quentes pela linha do meu queixo, mordiscando a pele sensível logo abaixo da minha orelha e descendo em beijos ardentes até a curva onde a artéria carótida pulsava descontrolada.

As mãos dele desceram para os meus quadris, erguendo-me ligeiramente do chão e prensando-me contra o tronco áspero do carvalho para acomodar o encaixe perfeito de nossos corpos.

Eu afundei minhas unhas na nuca dele, arqueando as costas e oferecendo meu pescoço enquanto um calor insuportável tomava conta de todo o meu ser.

— Diga que você é minha, Lyra... — ele ordenou com a voz rouca pelo desejo desenfreado, sua boca sugando a pele do meu pescoço com força suficiente para deixar uma marca roxa visível sob a luz da lua. — Diga antes que a matilha descubra que a verdadeira Luna de Vargem Negra retornou para tomar o trono que é dela por direito de sangue.

Quando eu estava prestes a ceder ao delírio daquele toque e confessar que meu corpo sempre pertenceu a ele, o uivo agudo e ensurdecedor da trombeta de caça de Eryon soou a menos de quinhentos metros de nós.

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