MasukCapítulo 7 – O despertar do AG
NARRADOR Alexandre, o AG da Rocinha, acordou meio tonto pela manhã em uma das casas do morro da Rocinha. Levantou rápido, a cabeça doeu, ele segurou nas têmporas tentando lembrar onde estava, e logo percebeu que não era na sua mansão no alto da Rocinha. Olhou para o lado, tinha duas mulheres dormindo nuas com os corpos marcados da noite intensa que tiveram. Uma era loira a outra era mulata. A mulata se chama Sofia ela é amiga da loira ninguém nunca soube seu nome só a chama de loira. AG deu um sorriso de canto lembrando o que tinha acontecido à noite. Levantou sem fazer barulho, pegou sua bermuda no chão, tirou dois maços de notas do bolso, botando em cima do peito de cada uma, e saiu da casa indo direto para sua moto, metendo marcha pra casa. Chegando em casa, AG foi direto para seu quarto, tirando suas roupas, jogando no cesto, entrando direto pro chuveiro. Tomou seu banho, botou uma bermuda jeans com uma regata, passou perfume e desceu para tomar seu café. Sua funcionária, dona Lídia, já tinha posto a mesa do café. Dona Lídia era mãe da Sofia, uma das mulheres que estava com ele naquela noite, e ela sabia de tudo porque incentivava a filha a tentar seu lugar ao lado de AG como sua fiel. Mas AG não queria compromisso com mulheres daquele tipo. Só que dona Lídia não sabia que sua filha era bissexual, ela pensava que a filha saía com ele só os dois, mas não era assim. E Sofia não conseguia fazer ele transar sem camisinha, por mais bêbado que ele tivesse, ele não dispensava a proteção. E isso dona Lídia achava que a filha era uma tapada. Débora ligou de chamada de vídeo para AG. Quando ele atendeu, Débora gritou: — Mago! Olha seu filho como está todo arranhado por essas mulherzinhas! Mago viu e começou a rir e dizer: — Esse é meu filho, cabra macho. Débora não acreditou no que ouviu e deu um tapa no ombro do Mago. AG perguntou: — Bom, vocês já me viram, posso ir trabalhar agora? Atrás deles apareceu Noemi e Ruivo na chamada de vídeo rindo do escândalo da amiga, eles mandaram um beijo pro filho e desligaram. AG levantou da mesa e foi para a boca. Pegou duas moto, desceu o morro bem devagarinho cumprimentando os moradores com respeito e educação. Chegando na boca, ligou para JN marcando o baile da Rocinha e convidando eles para vir pro baile. — E aí, JN, beleza? — Beleza, AG. O que manda? — To ligando pra convidar vocês pro baile da Rocinha. Vai ser grande, quero vocês aqui. — Nós vamos sim. Que horas? — Umas dez da noite. Vem cedo que a gente troca uma ideia antes. — Combinado. Vou falar com o MK. — Tragam as minas também, se quiserem. JN riu. — A gente vê isso. — Então é isso. Te espero. — Tamo junto. AG desligou e guardou o celular. Ele ficou na boca por um tempo, resolvendo algumas coisas, recebendo informações do movimento e dando ordens rápidas. A Rocinha era grande, maior que o Vidigal, e exigia atenção constante. Mas AG sabia administrar. Cresceu ali, aprendeu com o pai e com os mais velhos. Hoje era respeitado por todos. Não por medo, mas por competência. Enquanto isso, na mansão, dona Lídia arrumava a cozinha. Ela já tinha ouvido a filha chegar de manhã cedo, com as marcas no pescoço e o andar mancando. Sofia entrou na cozinha e pegou um copo d'água. — Boa noite, mãe. — Já é dia, minha filha. — Eu sei. — Você dormiu com ele? Sofia bebeu a água e não respondeu. — Foi bom? — Foi ótimo. Dona Lídia se aproximou. — E então? Conseguiu? Sofia colocou o copo na pia. — O quê? — Prender ele. Fazer ele assumir você. — Mãe, eu já falei que ele não quer isso. — Mas você tem que dar um jeito. Agarrar ele de jeito. Sofia suspirou. — Não funciona assim. — Então como funciona? Você passa a noite com ele e volta sozinha. — Eu não tô sozinha. Eu tô comigo. Dona Lídia balançou a cabeça. — Sua irmã mais nova já arrumou um homem que sustenta ela. E você? Sofia segurou a mão da mãe. — Eu não quero ser sustentada por ninguém. E outra: você sabe que eu não sou só eu com ele, né? Dona Lídia franziu a testa. — Como assim? Sofia hesitou. — Nada. Esquece. Ela saiu da cozinha e subiu para o quarto. Dona Lídia ficou parada, pensando. Não entendeu o que a filha quis dizer. Mas, no fundo, desconfiava de alguma coisa. AG voltou para casa no fim da tarde. Subiu para o quarto e deitou na cama. Pegou o celular e viu uma mensagem de Sofia. “Gostei de você ontem. Quando a gente repete?” Ele leu, sorriu e respondeu: “Quando eu quiser, você vai saber.” Guardou o celular e fechou os olhos. Não era apaixonado por Sofia. Nem por nenhuma outra. Gostava de todas, mas não queria nenhuma. A vida dele era a Rocinha. O poder. O respeito. As mulheres vinham e iam. E ele não via problema nisso. Mas Sofia era diferente das outras. Não porque ele gostasse dela de verdade. Mas porque ela era insistente. E isso, de certa forma, o divertia. Ele sabia que ela queria mais. Sabia também que nunca ia dar. Mas enquanto ela se contentasse com as migalhas, ele não ia recusar. Às oito da noite, AG se levantou. Tomou outro banho, se vestiu com uma calça preta e uma camisa social aberta. Passou perfume e desceu. A moto já estava pronta. Ele pegou o capacete e foi para a boca. Lá, alguns homens já estavam reunidos. — Patrão, a gente já organizou tudo pro baile. — Boa. E a segurança? — Tudo certinho. Ninguém entra armado. — Perfeito. AG subiu na moto e deu uma volta pela comunidade. Cumprimentou todo mundo. As crianças corriam atrás dele. Os velhos acenavam. Ele parava, conversava, perguntava se estava tudo bem. Era assim que se mantinha no topo. Com a base. Com o povo. Quando chegou de volta, JN já tinha mandado mensagem: “Tamo indo. Chegamos em meia hora.” AG respondeu: “Tô esperando.” Guardou o celular e acendeu um cigarro. Olhou para o céu. A noite na Rocinha ia ser boa. E ele sabia que os meninos do Vidigal iam gostar.Capítulo 64 – A guerra dos veteranosNARRADORDuas semanas no navio em lua de mel.Os patrões não estão atentos aos perigos que o Vidigal e a Rocinha estão correndo.Inimigos estão sabendo que os chefes estão fora.Mas esqueceram que os veteranos estão espertos.Ruivo chama Miúdo para uma conversa e diz:— Vamos ficar ligados, porque soube por fonte certa que nosso território está sendo ameaçado por inimigos e rivais.Quando Maestro entra na sala do QG, percebe o clima de tensão que ali se encontra e logo pergunta:— Está acontecendo alguma coisa?— Sim, está — respondeu Ruivo. — Estão tentando invadir nosso território enquanto os novos donos estão em lua de mel. Mas estão esquecendo de uma coisa: antes deles, nós é que sentávamos nessa cadeira. E não vamos deixar os alemão invadir e tomar nosso território.Maestro deu um sorriso de lado, esticou a mão, botou em cima da mesa espalmada e disse uma frase:— Como nos velhos tempos.— Ninguém vai tomar nosso território! — falou Miúdo, que
Capítulo 63 – A notícia a bordoNARRADOROs casais já estavam chegando em Balneário Camboriú, prontos para desembarcar e comparecer ao parque.Todos eles tinham ingresso exclusivo.Mas eles estavam preocupados com a Jaqueline.Logo chegou o telefonema de Jardel, dizendo que ela estava bem.Passou a noite em observação no hospital, mas está bem.Alice mandou uma mensagem para Jéssica, contando a novidade.E quando Jéssica falou para todos os amigos, houve muitos aplausos e gritos.Inara ficou muito feliz com a notícia.Abraçou MK e falou:— Daqui a pouco somos nós comemorando o nosso filho ainda na barriga.MK olhou para ela com os olhos meio assustados e disse:— Você também está grávida, meu amor?— Não, que é isso, só estou brincando, fazendo um comentário — respondeu Inara.Jéssica, abraçada com JN, falou:— Não vejo a hora de estar grávida também. Essa notícia está sendo contagiosa. Mas vamos esperar pela vontade de Deus. O nosso tempo vai chegar.Eu entrei no salão do navio e com
Capítulo 62Narrativa do AutorJaqueline, quando chegou ao hotel, se jogou na cama, dizendo que estava passando mal. Jardel ficou muito preocupado e mandou que ela se arrumasse, que ele iria levá-la a uma clínica para ver o que ela tinha — ela tinha vomitado o tempo todo no navio. Jardel pegou Jaqueline e levou para o banheiro, deu um banho nela, tentou dar algo para ela comer, mas ela não quis. Ele ligou para Alice, mãe de Jaqueline, e disse:— Sua filha não está bem, está passando mal o tempo todo. Não sei o que fazer, estou levando ela agora na clínica. Ela está perdendo líquido e não está repondo.Alice ficou preocupada.— É melhor que vocês voltem. Vocês saíram do navio? — perguntou Alice.— Sim, ficamos em São Paulo. Vou levar ela na clínica, depois falamos — respondeu Jardel.Quando Jaqueline saiu do banheiro, já arrumada com um vestido levinho, o cabelo penteado mais ou menos e um batom fraquinho nos lábios, ele disse:— Vamos logo, senão desisto.Quando ela chegou à porta, su
Capítulo 61 Narrativa do AutorChega a hora do casamento. Os noivos já estão no altar, alinhados lado a lado com os padrinhos. O salão de festas em Búzios está lotado, a decoração brilha sob as luzes quentes: quatro estilos diferentes se misturando em harmonia, porque as irmãs decoradoras tiveram que atender quatro noivas com gostos distintos e, no final, conseguiram. Flores brancas, verdes, toques de dourado e azul-marinho. Tudo impecável. Enquanto isso, na casa onde as noivas se arrumam, o nervosismo é outro. Jéssica é a mais calma, como sempre foi. Ajuda a amarrar um laço aqui, ajeita um véu ali, segura o buquê de uma enquanto a outra coloca o brinco. Mas por baixo daquela tranquilidade aparente, ela está uma pilha porque Jaqueline desde a manhã descobriu que está grávida. O teste positivo ainda estava escondido na bolsa quando Jaqueline pediu, em voz baixa, para um motorista de confiança ir correndo até a cidade. — Compra uma caixinha branca. Pequena. Com fita vermelha. E
Capítulo 60Narrativa do Autor A preparação Chega o dia 18 de novembro, o grande dia do casamento das gêmeas Jaqueline e Jéssica, de Hinara e de Beatriz. MK resolveu casar também no mesmo dia, e a decisão pegou todos de surpresa — mas ninguém reclamou. Pelo contrário: quanto mais gente feliz, melhor. O Vidigal inteiro comentava sobre o casamento coletivo, e a expectativa crescia a cada dia que passava.As patroas viajaram no dia 15 de novembro para Búzios, levando as caixas dos vestidos de noiva e algumas coisas que faltaram para enfeitar o enorme salão. A casa de praia virou um verdadeiro quartel-general: caixas empilhadas, tecidos espalhados, flores sendo escolhidas, convites sendo conferidos. Eu também fui para ver tudo de perto, monitorando cada detalhe. Elas vão saber que vai dar tudo certo — eu não ia deixar nada ao acaso.Os dias estavam se passando e as mulheres ficando muito nervosas. Beatriz custou a se enturmar com as meninas, porque só conhecia Jéssica e Hinara. Ela fica
Capítulo 59Narrativa do AutorJá passava das dez da noite quando os patrões chegaram ao Vidigal. As patroas estavam cansadas e ainda sentindo o efeito da bebida que beberam em Búzios, mas estavam felizes porque tinham fechado a festa do casamento das futuras patroas do Vidigal e do Rocinha. Agora faltava o principal: a compra do enxoval. Elas estavam todas empenhadas em fazer a compra, e cada uma foi para a sua casa. Claro que o Maestro botou as duas filhas na sua frente e botou dentro de casa, dizendo:— Hoje ninguém mais sai.Despediu-se do Jardel e de JN.Na segunda-feira, o dia amanheceu cinzento, parecendo que ia chover. Noemi amanheceu meio triste, abatida — nem ela entendeu o porquê. Já as meninas levantaram eufóricas, uma ligando para outra. Jéssica ligou para Hinara, marcando todas elas no shopping para começar a compra do enxoval. Jaqueline falou com seu pai, o Maestro, dizendo:— Papai, nós vamos para o shopping: eu, Jéssica, a mamãe e a Hinara.Alice sentiu um aperto no p







