MasukFernanda aprendeu cedo que a vida não dá segunda chance para todo mundo. Em meio à dor, às perdas e às dificuldades, ela luta todos os dias para sobreviver e reconstruir a própria vida na Rocinha. Entre trabalho, medo e incertezas, tudo o que Fernanda deseja é encontrar um pouco de paz. Mas paz é algo difícil de conseguir em um lugar onde todos conhecem duas letras: TH. Frio, calculista e temido, TH é o Dono da Rocinha. Ao lado de ND, seu homem de confiança, ele comanda o morro com pulso firme. Seu nome impõe respeito, suas ordens não são questionadas e ninguém se atreve a atravessar seu caminho. Até Fernanda entrar nele. Ela deveria ser apenas mais uma moradora. Ele deveria ser apenas o homem de quem ela precisava manter distância. Mas quando as circunstâncias colocam Fernanda sob a proteção de TH, os dois passam a viver perigosamente próximos. E, por trás do homem que todos temem, ela começa a conhecer um lado que poucos tiveram permissão para enxergar. O problema é que ser a nova protegida do Dono do Morro pode significar muito mais do que estar segura. Porque, naquele mundo, proteção desperta perguntas. Proximidade provoca inimigos. E sentimentos podem se tornar a fraqueza mais perigosa de todas. 🔥 Um romance marcado por poder, perigo, desejo e recomeços, onde se apaixonar pode custar muito mais do que Fernanda imagina
Lihat lebih banyakFernanda Narrando
Me chamo Fernanda, mas meus amigos me chamam de Nanda. Tenho 18 anos, pele clara, olhos castanhos e um jeito de tentar passar despercebida, como se a vida pudesse me ignorar de volta. Nasci e fui criada na Rocinha, com minha mãe, que sempre foi minha fortaleza. Meu pai… bem, eu não sei quem ele é. Minha mãe dizia que foi apenas uma noite, e nunca mais falou sobre ele. Quando eu tinha uns oito anos, minha mãe começou a se envolver com Rogério. No começo, ele parecia uma boa pessoa, alguém tranquilo, que tentava ajudar. Mas com o passar dos anos, ele mudou. Há uns quatro anos, começou a beber demais. Com o álcool, vieram as drogas, o desespero, os empregos perdidos. Fazia bicos, mas todo o dinheiro ia para a cachaça e para sustentar o vício. As brigas com minha mãe começaram a ficar constantes, altas, feias, assustadoras. Minha mãe, uma verdadeira guerreira, sempre trabalhou duro para colocar comida na mesa e garantir que eu nunca passasse necessidade. Mesmo cansada, mesmo com medo do Rogério, ela nunca me deixou sentir falta do básico. Ela era minha heroína, meu porto seguro. Quando terminei o ensino médio, no ano passado, arrumei um emprego no mercadinho aqui no morro. Fazia de tudo: estoque, caixa, limpeza, atendimento. Parecia que, finalmente, eu ia conseguir ajudar minha mãe e ter um pouco de independência. Mas a vida sempre tem seus golpes. Dois meses depois, veio o baque: minha mãe descobriu um câncer. Ela parou de trabalhar imediatamente, e eu tentei conciliar meu emprego com os cuidados a ela. Mas tudo aconteceu rápido demais. Ela começou a piorar, a doença avançava, e eu não tive outra escolha senão pedir demissão para cuidar dela em tempo integral. A gente tinha algumas economias, não muito, mas dava para ir se virando. Eu juntava o pouco que conseguia, minha mãe confiava, e a gente tentava se proteger do mundo lá fora. Enquanto isso, Rogério afundava cada vez mais nas drogas e na bebida. A presença dele em casa se tornou insuportável. A cada dia, a casa que antes era nosso lar se transformava num caos: garrafas, restos de comida, roupas espalhadas, cheiro de cachaça e fumaça de droga impregnando tudo. Um mês e meio depois, minha mãe morreu. O câncer tomou todo o corpo dela, e ela não resistiu. Meu mundo parou ali. Minha mãe, minha rainha, meu abrigo seguro, minha única certeza, tinha ido embora. Rogério nem apareceu no enterro. Eu voltei para casa sozinha, perdida em um luto que parecia eterno, tentando segurar o choro, tentando respirar num ambiente que me lembrava a cada segundo que eu estava desamparada. Dois dias depois, Rogério apareceu em casa, totalmente drogado. Foi aí que meu inferno realmente começou. Cinco meses se passaram desde então. Voltei a trabalhar no mercadinho, tentando manter alguma estabilidade, mas minha vida continuava um pesadelo. Trabalhar para colocar comida em casa enquanto meu padrasto roubava, vendia coisas da casa, se entregava ao vício e me agredia verbalmente parecia um jogo cruel que eu nunca pedi para jogar. Eu chegava em casa e encontrava a casa destruída, pessoas estranhas ou conhecidas usando drogas, gritando ou rindo alto no meio do caos. Eu corria para meu quarto e só saía quando não havia ninguém na sala, para arrumar algo para comer ou lavar a louça, me proteger do mundo que insistia em me esmagar. Rogério começou a me olhar diferente. Não sei se era a mistura de raiva, frustração ou algo pior, mas eu sentia medo dele, medo dos outros que ele trazia para casa. Por isso, meu quarto se tornou meu refúgio. Era o único lugar onde eu podia me sentir segura, nem que fosse por algumas horas. Minha amiga Aline sempre me via no mercadinho, ou quando eu tinha folga, eu ia para a casa dela. A mãe dela, Cida, sempre me acolheu como se eu fosse uma filha. Isso era raro para mim: carinho de verdade, atenção, alguém que se importava sem esperar nada em troca. Eu e Aline nos conhecemos no sexto ano, quando ela se mudou para o morro, e desde então nunca nos separamos. Ela era minha âncora, meu escape. No morro, sempre fui invisível. Não por falta de presença, mas por escolha. Passava pelos meninos, abaixava a cabeça, fingia não ouvir as piadas, os comentários maldosos, as provocações. Eu não queria atrair atenção, porque atenção podia ser perigosa, especialmente vindo de quem controla o morro. O tal TH, o dono, e o sub, ND, nunca vi pessoalmente. Não frequento os mesmos lugares que eles: pagodes, bailes, festas… Minha vida era simples e silenciosa, mas segura, dentro do possível. Minha vida girava entre casa, mercadinho e a casa da Aline. Antes, minha casa era meu abrigo; agora, era meu inferno. Minha rotina era sobreviver, organizar o caos que Rogério deixava, tentar encontrar forças para continuar. E todas as noites, antes de dormir, eu chorava. Chorava pela minha mãe, pelo futuro incerto, pelo medo constante. A saudade era uma dor que eu carregava como um peso físico, e parecia não ter fim. Eu me perguntava, quase todos os dias: “Quando isso vai acabar? Quando vou conseguir viver em paz?” Mas ninguém respondia, e eu só podia seguir. Um dia de cada vez, uma luta de cada vez. Eu me agarrava à esperança de que, mesmo no meio do caos, algo melhor pudesse existir lá fora. Algo que não fosse dor, medo ou solidão. E era nisso que eu me apoiava: na pequena chama de esperança que teimava em não se apagar. Nas visitas à casa da Aline, nas conversas que me faziam rir, nas lembranças de minha mãe, que me davam força para enfrentar cada dia. Mesmo quando tudo parecia perdido, eu continuava respirando, continuava tentando, porque desistir não era uma opção. O morro me moldou. O sofrimento me moldou. A vida dura me moldou. E, mesmo assim, eu acreditava que poderia existir algo além de Rogério, além do caos, além da dor. Algo que me permitisse ser apenas Fernanda, sem medo, sem lágrimas constantes, sem a sensação de que cada dia era uma batalha impossível de vencer. E eu prometi a mim mesma, em silêncio, que iria lutar. Que sairia daquele inferno, que viveria minha vida de verdade, que encontraria um lugar onde pudesse ser feliz. Porque a vida que minha mãe sonhou para mim não podia terminar ali, no caos da Rocinha, no meio da violência, da droga e do medo. Minha mãe merecia que eu continuasse, e eu também merecia. Eu ainda chorava quase todas as noites, mas meus passos se tornavam firmes. Cada lágrima me lembrava do motivo pelo qual eu precisava seguir em frente. Cada dificuldade, cada ameaça, cada momento de solidão era um teste, e eu me recusava a falhar. Eu era Fernanda. E, apesar de tudo, eu ainda estava de pé.Uma Nova HistóriaNarrado por TJNunca pensei que assumir o lugar do meu pai seria tão diferente de tudo que imaginei.Durante anos, ouvi que um dia aquela responsabilidade seria minha. Cresci observando TH, acompanhando suas decisões e tentando entender como ele conseguia manter tanta coisa nas mãos sem demonstrar o peso que carregava.Quando era mais novo, achava que bastava chegar aos dezoito anos para provar que estava pronto.Hoje sei que estava errado.Um título não transforma ninguém em alguém preparado. O que faz diferença são as escolhas, a capacidade de ouvir e, principalmente, a coragem de reconhecer quando estamos errados.E eu já tinha aprendido isso da maneira mais difícil.Estava sentado à mesa quando João Pedro entrou sem bater.— Bom dia, chefe.Levantei os olhos.— Começou?Ele abriu um sorriso.— Estou treinando. Preciso me acostumar.— Se continuar me chamando assim, vou mandar você embora.— Não pode. Sou seu melhor amigo e braço direito. Tem contrato vitalício.R
A Despedida do ComandoNarrado por FernandaEu sabia que aquele dia chegaria, mas isso não significava que estava preparada para vivê-lo.Durante muitos anos, minha vida esteve ligada às decisões de TH. Conheci o homem por trás das responsabilidades, acompanhei suas noites difíceis e aprendi a reconhecer sua preocupação mesmo quando ele tentava escondê-la.Agora, depois de tanto tempo, ele finalmente estava pronto para deixar aquela etapa para trás.E nosso filho estava prestes a começar uma nova fase.Naquela manhã, acordei antes de TH. Fiquei alguns minutos observando seu rosto enquanto ele dormia. Havia uma tranquilidade diferente nele, mas também percebi a tensão que tentava disfarçar.Quando abriu os olhos, sorriu.— Está me olhando por quê?— Tentando descobrir se você está nervoso.Ele soltou uma risada baixa.— Um pouco.Passei a mão pelo rosto dele.— Você passou anos esperando por esse momento.— Esperei. Só não imaginava que seria tão estranho quando chegasse.Beijei sua te
O Nome Que Vou ConstruirNarrado por TJDurante muito tempo, achei que precisava provar alguma coisa para todo mundo.Ser filho de TH significava carregar um sobrenome que chegava aos lugares antes de mim. Algumas pessoas me respeitavam sem me conhecer. Outras duvidavam da minha capacidade antes mesmo de me ouvirem.Eu queria ser reconhecido pelo que era, não apenas por quem era meu pai.Mas, depois de tudo que aconteceu, comecei a entender que estava tentando provar isso da maneira errada.Meu pai tinha razão em algumas coisas. Eu precisava aprender a ouvir, controlar meu temperamento e pensar nas consequências antes de agir.O erro que cometi ainda me incomodava. Não porque alguém tinha me chamado de despreparado, mas porque eu sabia que poderia ter evitado aquele problema.E não queria repetir aquilo.Encontrei João na varanda, como quase sempre acontecia quando precisávamos conversar sem que alguém interrompesse.— Está ocupado? — perguntei.Ele levantou os olhos do celular.— Dep
O Último ConselhoNarrado por NDConheci TH antes de muita coisa mudar em nossas vidas.Vi aquele homem enfrentar momentos que teriam feito muita gente desistir. Estive ao lado dele em dias bons e ruins, acompanhei suas decisões, seus erros e as consequências que vieram depois.Durante anos, fomos mais do que parceiros. Construímos uma amizade que resistiu ao tempo, às dificuldades e até às diferenças que surgiram pelo caminho.Mas agora tudo estava mudando.TH havia decidido se afastar definitivamente, e TJ começava a ocupar um espaço que, durante muito tempo, pertenceu ao pai.Às vezes, eu olhava para aquele garoto e ainda enxergava o menino que corria pela casa com Sofia. Agora, os dois estavam adultos o suficiente para tomar decisões próprias, mesmo que ainda tivessem muito a aprender.E eu também precisava aprender a deixá-los crescer.Encontrei João Pedro na varanda, mexendo no celular.— Posso conversar com você?Ele guardou o aparelho.— Claro, ND.Sentei-me ao lado dele.— Vo












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