A Nova Protegida do Dono do Morro

A Nova Protegida do Dono do Morro

last updateTerakhir Diperbarui : 2026-11-06
Oleh:  Amanda NunesBaru saja diperbarui
Bahasa: Portuguese
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Fernanda aprendeu cedo que a vida não dá segunda chance para todo mundo. Em meio à dor, às perdas e às dificuldades, ela luta todos os dias para sobreviver e reconstruir a própria vida na Rocinha. Entre trabalho, medo e incertezas, tudo o que Fernanda deseja é encontrar um pouco de paz. Mas paz é algo difícil de conseguir em um lugar onde todos conhecem duas letras: TH. Frio, calculista e temido, TH é o Dono da Rocinha. Ao lado de ND, seu homem de confiança, ele comanda o morro com pulso firme. Seu nome impõe respeito, suas ordens não são questionadas e ninguém se atreve a atravessar seu caminho. Até Fernanda entrar nele. Ela deveria ser apenas mais uma moradora. Ele deveria ser apenas o homem de quem ela precisava manter distância. Mas quando as circunstâncias colocam Fernanda sob a proteção de TH, os dois passam a viver perigosamente próximos. E, por trás do homem que todos temem, ela começa a conhecer um lado que poucos tiveram permissão para enxergar. O problema é que ser a nova protegida do Dono do Morro pode significar muito mais do que estar segura. Porque, naquele mundo, proteção desperta perguntas. Proximidade provoca inimigos. E sentimentos podem se tornar a fraqueza mais perigosa de todas. 🔥 Um romance marcado por poder, perigo, desejo e recomeços, onde se apaixonar pode custar muito mais do que Fernanda imagina

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Bab 1

Fernanda

Fernanda Narrando

Me chamo Fernanda, mas meus amigos me

chamam de Nanda. Tenho 18 anos, pele

clara, olhos castanhos e um jeito de tentar

passar despercebida, como se a vida

pudesse me ignorar de volta. Nasci e fui

criada na Rocinha, com minha mãe, que

sempre foi minha fortaleza. Meu pai… bem,

eu não sei quem ele é. Minha mãe dizia que

foi apenas uma noite, e nunca mais falou

sobre ele.

Quando eu tinha uns oito anos, minha mãe

começou a se envolver com Rogério. No

começo, ele parecia uma boa pessoa,

alguém tranquilo, que tentava ajudar. Mas

com o passar dos anos, ele mudou. Há uns

quatro anos, começou a beber demais. Com

o álcool, vieram as drogas, o desespero, os

empregos perdidos. Fazia bicos, mas todo o

dinheiro ia para a cachaça e para sustentar o

vício. As brigas com minha mãe começaram

a ficar constantes, altas, feias, assustadoras.

Minha mãe, uma verdadeira guerreira,

sempre trabalhou duro para colocar comida

na mesa e garantir que eu nunca passasse

necessidade. Mesmo cansada, mesmo com

medo do Rogério, ela nunca me deixou

sentir falta do básico. Ela era minha

heroína, meu porto seguro.

Quando terminei o ensino médio, no ano

passado, arrumei um emprego no

mercadinho aqui no morro. Fazia de tudo:

estoque, caixa, limpeza, atendimento.

Parecia que, finalmente, eu ia conseguir

ajudar minha mãe e ter um pouco de

independência. Mas a vida sempre tem seus

golpes. Dois meses depois, veio o baque:

minha mãe descobriu um câncer.

Ela parou de trabalhar imediatamente, e eu

tentei conciliar meu emprego com os

cuidados a ela. Mas tudo aconteceu rápido

demais. Ela começou a piorar, a doença

avançava, e eu não tive outra escolha senão

pedir demissão para cuidar dela em tempo

integral. A gente tinha algumas economias,

não muito, mas dava para ir se virando. Eu

juntava o pouco que conseguia, minha mãe

confiava, e a gente tentava se proteger do

mundo lá fora.

Enquanto isso, Rogério afundava cada vez

mais nas drogas e na bebida. A presença

dele em casa se tornou insuportável. A cada

dia, a casa que antes era nosso lar se

transformava num caos: garrafas, restos de

comida, roupas espalhadas, cheiro de

cachaça e fumaça de droga impregnando

tudo.

Um mês e meio depois, minha mãe morreu.

O câncer tomou todo o corpo dela, e ela não

resistiu. Meu mundo parou ali. Minha mãe,

minha rainha, meu abrigo seguro, minha

única certeza, tinha ido embora. Rogério

nem apareceu no enterro. Eu voltei para

casa sozinha, perdida em um luto que

parecia eterno, tentando segurar o choro,

tentando respirar num ambiente que me

lembrava a cada segundo que eu estava

desamparada.

Dois dias depois, Rogério apareceu em casa,

totalmente drogado. Foi aí que meu inferno

realmente começou.

Cinco meses se passaram desde então.

Voltei a trabalhar no mercadinho, tentando

manter alguma estabilidade, mas minha vida

continuava um pesadelo. Trabalhar para

colocar comida em casa enquanto meu

padrasto roubava, vendia coisas da casa, se

entregava ao vício e me agredia

verbalmente parecia um jogo cruel que eu

nunca pedi para jogar. Eu chegava em casa

e encontrava a casa destruída, pessoas

estranhas ou conhecidas usando drogas,

gritando ou rindo alto no meio do caos. Eu

corria para meu quarto e só saía quando não

havia ninguém na sala, para arrumar algo

para comer ou lavar a louça, me proteger do

mundo que insistia em me esmagar.

Rogério começou a me olhar diferente. Não

sei se era a mistura de raiva, frustração ou

algo pior, mas eu sentia medo dele, medo

dos outros que ele trazia para casa. Por isso,

meu quarto se tornou meu refúgio. Era o

único lugar onde eu podia me sentir segura,

nem que fosse por algumas horas.

Minha amiga Aline sempre me via no

mercadinho, ou quando eu tinha folga, eu ia

para a casa dela. A mãe dela, Cida, sempre

me acolheu como se eu fosse uma filha. Isso

era raro para mim: carinho de verdade,

atenção, alguém que se importava sem

esperar nada em troca. Eu e Aline nos

conhecemos no sexto ano, quando ela se

mudou para o morro, e desde então nunca

nos separamos. Ela era minha âncora, meu

escape.

No morro, sempre fui invisível. Não por

falta de presença, mas por escolha. Passava

pelos meninos, abaixava a cabeça, fingia

não ouvir as piadas, os comentários

maldosos, as provocações. Eu não queria

atrair atenção, porque atenção podia ser

perigosa, especialmente vindo de quem

controla o morro. O tal TH, o dono, e o sub,

ND, nunca vi pessoalmente. Não frequento

os mesmos lugares que eles: pagodes,

bailes, festas… Minha vida era simples e

silenciosa, mas segura, dentro do possível.

Minha vida girava entre casa, mercadinho e

a casa da Aline. Antes, minha casa era meu

abrigo; agora, era meu inferno. Minha rotina

era sobreviver, organizar o caos que

Rogério deixava, tentar encontrar forças

para continuar. E todas as noites, antes de

dormir, eu chorava. Chorava pela minha

mãe, pelo futuro incerto, pelo medo

constante. A saudade era uma dor que eu

carregava como um peso físico, e parecia

não ter fim.

Eu me perguntava, quase todos os dias:

“Quando isso vai acabar? Quando vou

conseguir viver em paz?” Mas ninguém

respondia, e eu só podia seguir. Um dia de

cada vez, uma luta de cada vez. Eu me

agarrava à esperança de que, mesmo no

meio do caos, algo melhor pudesse existir lá

fora. Algo que não fosse dor, medo ou

solidão.

E era nisso que eu me apoiava: na pequena

chama de esperança que teimava em não se

apagar. Nas visitas à casa da Aline, nas

conversas que me faziam rir, nas

lembranças de minha mãe, que me davam

força para enfrentar cada dia. Mesmo

quando tudo parecia perdido, eu continuava

respirando, continuava tentando, porque

desistir não era uma opção.

O morro me moldou. O sofrimento me

moldou. A vida dura me moldou. E, mesmo

assim, eu acreditava que poderia existir algo

além de Rogério, além do caos, além da dor.

Algo que me permitisse ser apenas

Fernanda, sem medo, sem lágrimas

constantes, sem a sensação de que cada dia

era uma batalha impossível de vencer.

E eu prometi a mim mesma, em silêncio,

que iria lutar. Que sairia daquele inferno,

que viveria minha vida de verdade, que

encontraria um lugar onde pudesse ser feliz.

Porque a vida que minha mãe sonhou para

mim não podia terminar ali, no caos da

Rocinha, no meio da violência, da droga e

do medo. Minha mãe merecia que eu

continuasse, e eu também merecia.

Eu ainda chorava quase todas as noites, mas

meus passos se tornavam firmes. Cada

lágrima me lembrava do motivo pelo qual

eu precisava seguir em frente. Cada

dificuldade, cada ameaça, cada momento de

solidão era um teste, e eu me recusava a

falhar.

Eu era Fernanda. E, apesar de tudo, eu ainda

estava de pé.

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