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Capítulo 4 Preciso descobrir como quebrar essa maldição

Penulis: L. A Ferreira
last update Tanggal publikasi: 2026-06-05 22:12:24

❤️ Selena:

Franzo a testa, tentando vasculhar os cantos mais profundos da minha memória. Ouvi esse nome antes, há muito tempo, em algum livro antigo ou em uma conversa entre os mais velhos da minha linhagem.

Era mencionado como algo raro, algo que não acontecia há séculos, mas os detalhes são vagos, como se tivessem sido apagados de propósito. Talvez fosse algo que ninguém quisesse lembrar ou ensinar.

Lembro apenas que era considerado uma maldição, uma ligação que desafiava as leis da natureza e das raças, mas não tenho certeza absoluta de como funcionava ou quais eram seus efeitos.

Não sei como essa maldição caiu sobre nós. Se era realmente isso, por que agora? Por que justamente com eles, nossos maiores inimigos?

— Preciso descobrir mais sobre isso — murmuro para mim mesma. Se não for um feitiço comum, se for algo mais antigo, preciso saber contra o que estou lidando.

E principalmente como acabar com isso, para voltar ao normal. A ideia de viver com essa confusão dentro de mim por muito tempo era insuportável.

Levanto-me e sacudo a sujeira da minha roupa de couro bordô, e sentindo o peso da minha espada de volta à cintura. O contato com o cabo conhecido me deu um pouco de segurança, algo familiar em meio a tudo o que estava acontecendo.

Preciso voltar ao castelo. A batalha continua, não posso perder tempo pensando nisso agora. Depois eu vou atrás de informações, mas agora eu tenho uma horda a comandar.

Preciso me recompor, tirar o cheiro deles da minha cabeça e relatar ao rei Klaus o que está acontecendo no campo de batalha.

Mas ao dar o primeiro passo, o puxão no peito fica um pouco mais forte, como se o laço, seja ele feitiço ou maldição antiga, se recusasse a ser ignorado. Era uma sensação leve, mas persistente, como se uma parte de mim quisesse voltar para onde eles estavam.

Fecho os olhos e me concentro, usando toda a disciplina que adquiri ao longo dos séculos. Afasto a sensação, empurro-a para um canto escuro da minha mente e bloqueio o caminho.

Não vou me deixar levar por isso. Não serei dominada por algo que desafia tudo o que conheço. Respirei fundo, enchendo os pulmões com o ar frio da floresta, tentando recuperar o controle total sobre mim mesma.

Começo a caminhar pela floresta, meus passos silenciosos sobre as folhas secas e a terra úmida. Eu poderia me teletransportar para lá, mas quero caminhar para ter tempo de me acalmar antes de estar diante do rei Klaus.

Precisava organizar meus pensamentos, decidir o que dizer e o que esconder, pois sabia que se ele desconfiasse da minha hesitação, as consequências seriam graves.

A cada passo que dou para longe da fronteira, o puxão no peito diminui um pouco, mas não desaparece completamente.

É como uma linha invisível que se estica, mas não se rompe, lembrando-me constantemente de que algo mudou para sempre. E, no fundo, mesmo tentando negar, eu sabia que aquela confusão não iria desaparecer tão facilmente.

A noite avança rapidamente por essas bandas, e a lua cheia começa a surgir no céu, grande e brilhante, lançando uma luz prateada que clareia as copas das árvores e ilumina o caminho à minha frente.

Ao vê-la, lembro-me novamente das palavras que ouvira antes, sobre a compulsão que essa lua provocava nos lobos, tornando seus instintos ainda mais fortes e difíceis de controlar.

Um riso seco e sem humor escapa dos meus lábios, ecoando suavemente entre as árvores. Que tolice. Conheço essas bestas ignorantes, que considero muito inferiores à minha raça, guiadas por impulsos que não sabem dominar como nós.

Sei como funcionam suas alcatéias e seus instintos, suas hierarquias e suas regras antigas que parecem não mudar nunca. Estudo sobre eles, sobre seus costumes e suas fraquezas para saber melhor como surpreendê-los e matá-los quando for necessário.

Essa compulsão só existe dentro dos limites da alcateia, quando a loba também está sob a influência da lua e aceita o vínculo de livre vontade.

Não faz sentido algum que eles venham me procurar, muito menos cruzem territórios inimigos e arrisquem uma guerra interna com a própria alcatéia por algo assim. Provavelmente era apenas uma forma de me assustar, mais uma tática para desestabilizar minha mente e me fazer hesitar em combate.

— Não passam de filhotes assustados, eles acabaram de completar 30 anos, devem ter temido a morte e usaram esse feitiço para me confundir — digo em voz alta, tentando convencer a mim mesma de que tudo não passa de uma artimanha comum.

— Eles não virão. Não sou uma loba, e por isso não serei companheira de ninguém, estou destinada a um vampiro, mesmo que em cinco séculos ainda não tenha conhecido ele.

Depois de caminhar por alguns minutos, reconheço as árvores mais altas e as pedras escuras que marcam o início do território do Rei Klaus, um limite que separa claramente dois mundos muito diferentes.

O ar fica mais seco, mais quente, impregnado com o cheiro de enxofre e calor que é característico das terras do fogo, um aroma que me é familiar e que deveria me trazer segurança.

À medida que me aproximo do castelo de pedra negra, erguido sobre uma montanha de rochas vulcânicas, no vasto território da forja, vejo as sentinelas se posicionarem, prontos para atacar ou matar qualquer invasor que ousasse se aproximar.

Ao reconhecerem-me, eles relaxam a postura e abrem caminho imediatamente, pois apenas os líderes de cada ordem que serve ao rei têm permissão de entrar sem anúncio prévio.

— Senhora Selena — cumprimentam, fazendo uma reverência curta e respeitosa, pois as reverências mais elaboradas e profundas são reservadas apenas para o próprio rei, símbolo de sua autoridade absoluta.

Apenas aceno com a cabeça e sigo em frente, entrando pelos grandes portões de ferro maciço que rangem levemente ao se fecharem atrás de mim. O salão principal é amplo e alto, iluminado por tochas fixadas nas paredes que lançam sombras dançantes pelas pedras escuras.

O ar aqui é pesado, carregado de poder e expectativa, pois todos sabiam da batalha que acontecia na fronteira e todos esperavam por notícias claras.

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