Compartir

Decisão

last update Fecha de publicación: 2025-11-25 04:00:05

Assim que mãe e filho adentraram no apartamento se depararam com a mãe de Antônio, ela estava sob o sofá com o pequeno Mateus no colo e a irmãzinha Joana se encontrava sentada no carpete junto à nova babá.

Depois que Janice ordenou para Anderson subir direto para o quarto, se aproximou ainda mais ao centro da sala de estar que tinha o dobro do espaço da casa de infância dela.

— Boa noite, senhora Silveira. Achei que tinha deixado claro sobre as suas vindas de surpresa nessa residência.

— Para ser sincera não conseguir entender por causa do seu sotaque nordestino, então paciência. — debochou Margareth.

A sogra replicou com desdém a nora, todavia, procurava expressar o quanto repugnava o fato em que o único filho tinha se casado com uma negra nordestina.

— Vivian, por favor levem as crianças para escovarem os dentes.

— Não, elas ainda estão em minha companhia. — replicou a sogra.

A babá ficou parada no meio entre as duas sem saber o que fazer.

— Crianças, por que não sobem com a tia Vivian, ela irá contar uma história para vocês? — Janice perguntou sorridente o que fez as crianças subirem os degraus da escadas o mais rápido possível, o que fez a senhora Silveira olhou enfurecida para a nora.

— Eles são os meus netos. — esbravejou Margareth batendo sob o peito.

— E são os meus filhos. Agora, se me der licença vou ajudar o meu filho. Espero que sinta-se em sua casa. — a nora mencionou indo encontrar o filho no quarto.

— Eu sempre me sinto em casa... Mas, não posso dizer o mesmo dos nordestinos intrometidos. — no final da frase a sogra aumentou o tom da voz para que a Janice pudesse ouvir.

Ao adentrar no quarto a mãe se entristeceu ao ver o filho aos prantos sentado no chão apoiado nos pés da cama. Por um lado ela se sentia culpada por permitir à amizade entre Samanta e o filho mesmo depois de presumir que ela não fosse uma boa companhia ao Anderson, um garoto ingênuo que sempre enxergava somente o lado bom das pessoas.

— Mãe, é pecado ter ódio por alguém? — ele perguntou após sentir o aroma doce e peculiar do cheiro da mãe.

— Sim, o ódio só atrai coisas ruins para a vida da gente. Meu bem, de quem tente tanto ódio?

— Samanta Lemos Palmer... Por que ela fingiu ser minha amiga?

— Não sei, meu bem. — mencionou a mãe acariciando os cabelos dele, Janice segurava o choro para não desabar em frente ao filho.

— Mas, olha para mim... — pediu a mãe. — Anderson, olha para mim. — ela voltou a pedir com firmeza o que fez o filho erguer apenas os olhos marejados.

— Você jamais colherá o bem se plantar uma semente ruim. — Janice acrescentou, porém o conselho da mãe não surtia efeito já que havia se convencido que todos os garotos do time pagaria pelo o trote, principalmente Samanta.

— Agora é tarde demais, cada um deles vai pagar...

— Filho... — a mãe falava aflita com o desejo de vingança do filho.

— Mãe, preciso tirar essas roupas.

— Espere aqui que eu vou preparar o seu banho, tá? — ela perguntou ao levantar.

— Não precisa. — respondeu Anderson segurando na mão de sua mãe.

Por mais que quisesse bancar a mãezona, ela preferiu respeitar o pedido do filho ao deixar o ambiente. Apoiada sob a porta do quarto dele, ela se perguntava para si mesma aonde havia errado até sentir uma mão nas costas.

— Amor, eu vi o mais rápido que pude. — os marido afirmou.

— Por que isso aconteceu logo com o nosso filho, hein?

— Eu não sei, meu bem. Mas te prometo que iremos resolver isso. — o marido amparou a cabeça da esposa sobre o peitoral. — Vai ficar tudo bem.

— Vai sim. — respondeu a esposa indo amparada pelo o marido até o quarto.

Na medida em que a esposa fazia uma massagem no marido, ela desabafava sobre o quanto estava preocupada com o comportamento do filho. Um sentimento que estava disposta a sacrificar a presença do filho, simplesmente para não vê-lo se perder.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • Os Monstros Também Amam    Ecos

    O silêncio no quarto já não era o mesmo. Enquanto, a atmosfera era denso, quase sufocante, carregada de medo, de incertezas que ninguém ousava nomear. Agora, era diferente. Ainda pesada, ainda cheio de coisas não ditas, mas atravessado por algo novo: incredulidade. Como se todos ali estivessem apenas esperando que alguém dissesse que aquilo não era real. Mas era. Anderson estava acordado. Ele ainda segurava a mão da mãe, os dedos firmes, como se houvesse aprendido tarde demais o valor daquele contato. A senhora Silveira não se movia. Tinha medo de qualquer gesto quebrar o momento. Ao lado da cama, Elise se apoiava na lateral do colchão, o desenho preso entre as mãos pequenas. Já havia mostrado três vezes. Já haviam elogiado três vezes. Ainda assim, ela sorria como se fosse a primeira. E, de certa forma, era. Anderson observou a cena em silêncio por alguns segundos. Então, com um esforço visível, deixou escapar um sorriso cansado. — A noiva já cortou o bolo? — o questionamento veio

  • Os Monstros Também Amam    Revelação

    O doutor Fernandes foi o primeiro a passar pela porta da sala de espera, o jaleco ainda marcado pela fragrância ácida do antisséptico. Ao lado dele, Palmer caminhava com aquela postura que Elise já reconhecia — firme demais para ser apenas confiança técnica, controlada demais para revelar qualquer coisa que não fosse esperança moderada. Mas era Joana que capturava a atenção da menina. A postura da mulher — braços levemente afastados do corpo, ombrizados num ângulo que sugeria prontidão para qualquer ameaça, era a mesma que Elise presenciara. A sala de espera parecia encolher. Ela estava sentada à pequena mesa projetada para a faixa etária dela, o giz azul reduzido a um fragmento curto entre os dedos — o mesmo giz com que desenhara o rosto do pai dezenas de vezes nas últimas horas, tentando fixar na memória cada linha antes que o sono a levasse. Joana permanecia junto à janela localizada atrás da garotinha, imóvel como uma sentinela, a luz cinzenta da tarde de inverno moldand

  • Os Monstros Também Amam    Esboço

    A irmã do soldado levou alguns segundos até encontrar voz. O olhar permanecia perdido em um ponto indefinido da sala de espera, como se cada cenário possível que se desenhava à sua frente fosse pesado demais para ser encarado de uma só vez. — Eu sei… — murmurou por fim, quase sem som. Hesitou, respirou fundo, e completou. — E é justamente isso que me assusta. Samanta manteve-se em silêncio. Sabia que, por mais cuidadosa que fosse, existiam dores que não se atravessavam com palavras. Havia limites humanos, emocionais que nem mesmo a melhor das intenções conseguia ultrapassar. — Anderson nunca falou sobre uma filha — continuou Joana, erguendo finalmente os olhos para a médica. Confusão e incredulidade se misturavam ao medo que agora se revelava sem disfarces. — Se meus pais descobrirem assim… desse jeito… eu não sei como vão reagir. Antes que Samanta pudesse responder, um gesto pequeno desviou a atenção das duas. Elise havia parado de desenhar. O lápis de giz azul permanec

  • Os Monstros Também Amam    Revés

    Ao alcançar o fim do corredor que conduzia à sala de espera, Samanta foi a primeira a reconhecer a postura rígida e o semblante fechado da chefe de cirurgia. Bastou aquele olhar profissional, contido e grave, para que ela soubesse: a espera por uma resposta havia, enfim, chegado ao fim. A médica aproximou-se em passos lentos, como se cada movimento precisasse respeitar o peso daquele instante. Ajustou o estetoscópio sobre os ombros e inspirou profundamente antes de falar — um gesto simples, porém suficiente para acelerar o coração de Samanta. Por dentro, ela torcia para que a atualização do quadro clínico fosse positiva; ainda assim, sua formação a mantinha consciente de que, diante de um estado crítico, qualquer desfecho era possível. — Sam… — chamou-a em um tom amigável, embora cuidadosamente controlado. — A cirurgia do soldado Anderson Silveira foi longa e extremamente delicada. A pequena Elise permanecia atenta, os olhos fixos na médica, absorvendo cada palavra na tentativ

  • Os Monstros Também Amam    Pausa

    A doutora Palmer sabia que cada palavra precisava ser cuidadosamente ponderada, visto que tanto a situação no hospital quanto seu histórico com a família Silveira já carregavam peso suficiente, e qualquer deslize poderia reacender feridas ainda abertas. A irmã do soldado, por sua vez, mantinha o olhar fixo em um ponto indefinido da parede em tons claros, uma tática infalível que aprendera a usar sempre que precisava conter a aflição e o desespero diante de situações caóticas. Por mais que o silêncio entre elas fosse intenso, repleto de episódios mal resolvidos e emoções reprimidas, ambas conseguiram manter uma conversa sociável, sem as famosas trocas de farpas. Visto que entre elas, havia uma espécie de trégua invisível, na qual ambas aguardavam o mesmo desfecho, compartilhavam a mesma angústia e o mesmo medo disfarçado de resistência. E, enquanto o tempo parecia se arrastar na cafeteria movimentada do hospital, Samanta compreendia que, independentemente do passado, aquele instante

  • Os Monstros Também Amam    Laços

    No exato instante em que as duas mulheres se afastaram em direção ao outro pavilhão, a doutora Palmer foi surpreendida por bracinhos franzinos que se enroscaram com força inesperada em suas pernas. O impacto foi imediato. Samanta ficou estagnada no lugar. O ar lhe faltou por um segundo, e o coração quase perdeu o compasso antes mesmo que ela tivesse a coragem de abaixar o olhar. Os olhinhos castanhos, amendoados e atentos, a fitavam com uma familiaridade desconcertante, intensa demais para ser acaso. Havia algo naquele olhar que atravessava o tempo, como um fragmento vivo de um passado que ela jamais conseguira enterrar por completo. Um lembrete cruel… e, ao mesmo tempo, dolorosamente doce de seu grande amor. Ao lado dela, a noiva e a enfermeira da ala pediátrica permaneceram imóveis, como se aquela cena não pertencesse àquele corredor, àquele hospital, àquele presente. — Olá, princesa… — Samanta murmurou, ajoelhando-se devagar, como se qualquer movimento brusco pudesse fazê-la des

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status