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Suspensão

last update Data de publicação: 2025-11-25 03:59:33

Horas depois...

Na medida em que a senhora Palmer tentava descobrir o que havia acontecido no colégio Alencar, a mãe de Anderson a todo custo defendia o filho das acusações do senhor Machado, o pai de Phillip e também o pai mais rico, ao qual a cada mês doa uma alta quantia para o colégio.

— Então, senhor Freitas quais medidas cabíveis irá tomar, porquê o que esse indeliquente fez...

A mãe interrompeu a pergunta do pai que estava sentado tranquilamente na poltrona em frente a mesa do diretor Freitas, ao contrário de Janice que balançava o pé sem cessar, receosa em que o filho fosse acusado injustamente.

— Senhora, por favor deixe o senhor Joaquim falar. — pediu o diretor educadamente. O senhor Freitas se encantou com a beleza da nordestina desde o momento em que ela surgiu na escola para ingressar o filho no colégio Alencar.

Após uma discussão para determinar uma solução mediante a situação, a presidente majoritária juntamente com alguns conselheiros que na oportunidade se encontravam na instituição adentraram a sala, de imediato a mulher que trajava um smoking azul turquesa brilhante e os cabelos presos em um coque exigiu que o diretor Freitas se retirasse, pois ela mesma resolveria a situação, os argumentos do diretor para contestar que não havia necessidades para intervenção não foram suficientes.

— Diretor Freitas acredito que tenha entendido perfeitamente quando mencionei que não haveria necessidade da sua presença neste assunto. — mencionou rigorosamente a presidente.

— Sim, senhora.

Antes de deixar a sala, o diretor pediu desculpa bem baixinho olhando dentro dos olhos avelãs da mãe de Anderson, a mulher que desde o início havia se tornado a dona dos seus pensamentos, porém a respeitava por ser casada.

— Honestamente, o seu filho demorou para causar os problemas que eu já sabia que ele causaria. — mencionou a presidente acomodada na poltrona do diretor, os cotovelos estavam apoiados sob a mesa e as mãos estavam entreleçadas em frente ao rosto.

— Aposto o quanto está aliviada mais uma vez esconder o seu racismo e xenofobia através da exclusão, porque desde a matrícula a senhora sempre se colocou contra a entrada do meu filho nesta instituição...

O senhor Machado até tentou interromper, mas foi silenciado pela voz firme e enfurecida da nordestina.

— Por isso, eu vou arcar por todo dano que o meu filho causou a esta instituição. — acrescentou Janice diante do olhar incrédulo da diretora.

Dito isso, se despediu educadamente conforme ajeitava a bolsa no ombro e seguiu para fora da sala juntamente ao filho, ambos se depararam com a Samara e a filha o que surpreendeu a senhora Palmer em vê-lo completamente sujo e as mãos manchadas de sangue.

— Meu querido, o que foi que aconteceu com você? — Samara perguntou ao se aproximar de Anderson comovida com o estado físico dele, no entanto ele manteve o rosto sob o corpo da mãe.

— Precisamos ir. — a senhora Silveira respondeu ríspida.

— Nós podemos fazer alguma coisa por vocês?

— Sim, só tem uma coisa que podem fazer. — Anderson mencionou fitando os olhos sobre a mãe de Samanta.

— Mantenha a sua filha o mais longe de mim... Vamos mãe. — exigiu Anderson ignorando as palavras da senhora Palmer. Janice cedeu ao pedido do filho, afinal de contas, ela desconfiava das boas intenções de Samantha desde o primeiro instante em que a garota havia se aproximado do filho.

— Anderson! — Samara gritou umas três vezes o nome dele, porém ele prosseguiu o caminho sem dar o mínimo de atenção a ela.

— Mãe, deixa ele...

Samara encarou a filha com uma das sobrancelhas arqueadas receosa em acreditar que a sua filha estivesse envolvida em algo grave contra o Anderson.

— Fala garota, o que fez para o Anderson?

— Foi os garotos do time que fizeram um trote com ele. — Samanta respondeu oscilando o olhar entre a mãe e o chão.

— E você fez alguma coisa para ajudá- lo, certo?

Samanta permaneceu em silêncio o que causou um certo desconforto na mãe.

— Vamos, garota. Estou esperando.

— Mãe, podemos conversar sobre isso mais tarde?

— Tudo bem, vamos.

Durante o trajeto a todo instante a adolescente era incentivada a contar o que havia acontecido no baile, porém como em todas as vezes ela se esquiviva das perguntas da mãe, a falta das respostas da filha a deixou bastante irritada.

Logo após que as duas seguiam em direção ao saguão do prédio, ambas se depararam com o senhor Palmer, em uma das mãos ele carregava uma pequena maleta preta, e na outra segurava o celular que pelo o linguajar formal, parecia se tratar dos negócios da família.

— Meu bem, você vai viajar de novo? — perguntou a esposa nitidamente confusa.

— É pai, o senhor não voltou de uma viagem? — perguntou a filha conforme envolvia os braços em torno do corpo do pai.

— Sim, uma das partes envolvidas está insatisfeita com o acordo. — respondeu oscilando o olhar entre o relógio de pulso e a esposa.

A senhora Palmer parecia desconfiada com a viagem repentina do esposo, porém preferiu guardar suas suspeitas para si para evitar um escândalo na frente da filha. E antes que Samanta pudesse abrir a boca na tentativa de convencer ao pai delegar a missão a outro advogado assossiado na renomada empresa de Advocacia Lemier.

— Mãe, por que o pai parece fazer de tudo para se manter longe da gente? — perguntou Samanta logo após Leonard Palmer depositou um beijo no topo da cabeça dela.

A seguir em direção da garagem. Ambas ouviam a mesma promessa, sempre que ele passava dias fora de casa.

— Mãe, posso dar uma volta no playground? — perguntou Samanta.

— Filha, sabe...

— Mãe, por favor. — insistiu a filha com o semblante abatido.

— Tudo bem, pode ir. — respondeu a mãe.

— Obrigada.

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