FAZER LOGINCapítulo 6
O escritório estava silencioso, mas o clima era pesado como chumbo. Os quatro permaneciam ali, encarando-se com tensão, cada gesto carregado de intenção. Dom tentava se manter firme, equilibrando a necessidade de proteger Melissa e a irritação causada pelas provocações de Sônia e Amélia.
— Se vocês se casarem — disse Sônia, com voz fria e calculista —, Dominic acabaria com vocês. Dom, você tem uma vida inteira pela frente, com mulheres mil vezes melhores do que Melissa. Amélia se aproximou, sorrindo provocativa, mas desta vez de forma sutil, encostando levemente a mão no braço de Dom, como se medisse sua reação. — Você é bom demais para ela, sabe? — sussurrou, com uma voz quase inaudível. — Melissa… bem, ela ainda precisa crescer. O toque provocou um arrepio em Dom, mas ele manteve o olhar firme em Melissa, bloqueando qualquer efeito real. Ela percebeu a tensão e seu peito se apertou, a raiva e o medo se misturando. — Vocês estão tentando manipular ele! — Melissa explodiu, a voz tremendo de emoção. — Não veem que ele está ao meu lado? Que o que tivemos importa? Nesse momento, Vinícius entrou abruptamente, irritado, e tentou afastar Melissa de Dom. Ela reagiu com força, empurrando-o e mantendo-se ao lado de Dom. O confronto aumentou a tensão, e todos podiam sentir o ar pesado no ambiente. Amélia recuou, mas deixou escapar um sorriso insinuante, percebendo o efeito da cena sobre Melissa. Dom respirou fundo, segurando firme a mão de Melissa: — Eu estou aqui por você, Melissa. Não se preocupe com eles. Melissa, ainda trêmula, deu um passo para trás e encarou Dom, a voz carregada de dor e confusão: — Por que tanta gentileza com Amélia? Você… parece se deixar levar por ela. — Seus olhos marejados imploravam por uma explicação. Dom sorriu levemente, segurando suas mãos: — Melissa… você está vendo coisas que não existem. Eu estou apenas sendo educado. Você está nervosa, confusa com tudo que está acontecendo… e é claro que minha atenção está com você, sempre esteve. Melissa sentiu o calor da explicação penetrar, mas ainda não conseguiu se livrar do aperto no coração. A raiva e a insegurança misturavam-se com alívio. Incapaz de lidar com a pressão, Melissa subiu correndo para o quarto, deixando Dom para trás. Cada passo ecoava, refletindo a turbulência em sua mente. No quarto, sentou-se na cama, tremendo, lágrimas escorrendo pelo rosto. Olhou para o espelho, comparando-se mentalmente com Amélia: Melissa tinha cabelos vermelhos, pele clara, olhos cor de mel, Enquanto Amélia tinha cabelos negros, corpo esbelto e roupas chamativas. A insegurança a consumia, mas também despertava determinação. Melissa pegou o celular que havia esquecido e, ao abrir a porta para sair, parou bruscamente. Do outro lado do corredor, Dom conversava com Amélia, gesticulando enquanto explicava algo, mas sem intimidade física. Ainda assim, a proximidade e o sorriso gentil de Dom para Amélia fizeram seu coração disparar. Amélia olhou de relance e notou Melissa se aproximando. Um sorriso malicioso se formou em seus lábios. Sem hesitar, ela se jogou nos braços de Dom, beijando-o. Dom, pego de surpresa, correspondeu ao beijo por um instante, confuso e dividido. Mas então, ouviu o som rápido de passos passando por eles. O coração disparou ao reconhecer a presença de Melissa. — Melissa! — chamou ele, afastando-se imediatamente de Amélia, o rosto cheio de preocupação. — Espera! Por favor, deixe-me explicar! Sem esperar mais, Melissa saiu correndo pela rua, buscando a casa de sua melhor amiga, Ana, seu refúgio seguro. Precisava de consolo e clareza antes de enfrentar tudo novamente. ---✨ Epílogo Os anos passaram leves para Melissa e Dominic, como se cada dia na nova casa fosse um presente que a vida insistia em entregar de novo e de novo.Lili e Luke cresceram rápido demais — treze, depois catorze, quinze… sempre unidos, sempre brigando, sempre se amando do jeito deles. Quando o pequeno Arthur chegou, os dois se transformaram: viraram irmãos mais velhos de verdade. Ajudavam Melissa nos banhos, nas mamadeiras, nos choros da madrugada. Dominic assistia aquilo com o peito cheio, sabendo que a família que um dia ele achou que perderia… agora transbordava.Ana e Bruno continuaram vivendo aquele amor sereno que sempre os guiou. Criaram a pequena Isa com carinho, paciência e muitos risos. A menina era sapeca, curiosa, dona de um brilho nos olhos que lembrava a mãe. Com o tempo, mudaram-se para uma casa maior, um lar cheio de calma e felicidade — daquelas felicidades silenciosas, construídas no cotidiano.Jade e Gustavo… ah, Jade e Gustavo eram um capítulo à parte. Um casa
A tarde ainda dourava o céu quando a família Salvatore entrou pela porta da nova casa. Melissa observava tudo com o coração acelerado: o jardim florido, a sala iluminada, os risos dos gêmeos ecoando pelas paredes ainda vazias. Dominic estava radiante, quase menino, enquanto guiava todos pelos quartos, orgulhoso, como se mostrasse ao mundo seu maior sonho realizado.— Vou pedir para trazerem nossas coisas ainda hoje — disse ele, abraçando Melissa pela cintura, respirando fundo como quem sente o futuro finalmente chegar.Mas Melissa sorriu daquele jeito que ele conhecia tão bem, o sorriso que sempre escondia algo a mais.— Não precisa. Eu quero buscar pessoalmente — respondeu. — Também preparei uma surpresa para vocês três… e quero entregar no apartamento.Lili e Luke trocaram olhares, já quase pulando de curiosidade.— Então vamos logo, pai! — disse Luke, empurrando Dominic pela porta.— Anda, anda! — completou Lili, rindo.Dominic ergueu as mãos, rendido.— Meu Deus… o que vocês estão
Capítulo 181Três Anos Depois...O jardim da mansão Salvatore estava todo decorado com tons de azul e dourado. Balões por todos os lados, mesas cheias de doces e um grande painel escrito:“Henrique – 1 aninho”.O pequeno Henrique, gordinho e sorridente, estava no colo de Jade, que equilibrava a barriga já arredondada da pequena Lua. O bebê de um ano ria de tudo — especialmente quando Gustavo fazia caretas exageradas.Jade acariciou a própria barriga e sorriu.— Essa aqui já começou a chutar, viu? A Lua é apressadinha igual ao pai.— Ei, eu sou calmo! — Gustavo reclamou rindo. — Quem é apressada é você.Melissa assistia à cena com ternura. Henrique era seu afilhado — dela e de Dominic — e ela o amava como se fosse um sobrinho de sangue. Dominic estava perto, segurando o garotinho enquanto Henrique puxava seus cabelos.— Esse menino tem força, viu! — Dominic riu.Bruno chegou com Ana, carregando a pequena Isa, de apenas seis meses, de olhos enormes e fascinada com tudo ao redor.Ana sor
Capítulo 180A igreja estava iluminada pelo pôr do sol. Raios dourados atravessavam os vitrais coloridos e se espalhavam pelo chão, criando um tapete de luz que parecia ter sido feito especialmente para aquele momento.A música suave começou.E então Jade entrou.Todos se levantaram, silenciosos, como se a respiração coletiva tivesse sido suspensa. O vestido dela cintilava com o brilho sutil das pedrarias, e o véu longo se arrastava atrás dela como um rastro de estrelas. Cada passo era leve, cheio de emoção, cheio de promessa.Ao fundo do altar, Gustavo a esperava.Ele não tentou esconder a lágrima que caiu quando a viu.Para ele, Jade não estava apenas linda — ela era o começo de uma nova vida.Melissa observava tudo ao lado de Dominic. Sentiu os olhos se encherem de emoção. Dominic segurou sua mão e apertou de leve.— Eles nasceram um para o outro — murmurou Melissa.— Como a gente — respondeu Dominic, beijando os dedos dela com carinho.Bruno, sentado mais à frente, também assistia
Capítulo 179A semana passou tão rápido que, quando Melissa percebeu, já era domingo. Ela acordou com uma leve euforia no peito — aquela sensação boa de estar viva, bem, inteira outra vez. Nenhuma dor. Nenhuma sombra. Só um novo começo.Ergueu-se devagar para não acordar Dominic, que ainda dormia profundamente, o rosto relaxado como há muito ela não via.Tomou um banho demorado, aproveitando a água quente descendo pelas costas. Vestiu um vestido azul-bebê que realçava sua pele, colocou alguns rolinhos nos cabelos para trazer de volta seus cachos e finalizou com uma maquiagem leve, apenas o suficiente para iluminar o rosto.Sentia-se ela mesma de novo.Na cozinha, preparava o café da manhã quando ouviu, como sempre, o barulho familiar dos gêmeos disputando o banheiro.— Ei, crianças, parem com isso! — disse ela, aproximando-se e beijando a cabeça de Lili.— Garoto irritante! — resmungou Lili assim que Luke saiu do banheiro.— Você que reclama demais! — rebateu Luke, antes de levar um t
Capítulo 178O elevador subiu lentamente até o andar do apartamento, e durante todo o trajeto Melissa apoiou a cabeça no ombro de Dominic. O cheiro familiar dele — uma mistura suave de café e madeira — trouxe uma sensação inesperada de segurança. Era como se, ao cruzar a porta do hospital, todo o caos dos últimos dias tivesse começado a se dissipar… mas não totalmente.Quando a porta do elevador se abriu, Dominic passou o braço pelas costas dela.— Devagar. Se cansar, você me fala — disse ele, com aquela voz firme que tentava esconder o medo que ainda carregava.Melissa sorriu de leve.Assim que entraram no apartamento, Melissa respirou fundo. Tudo estava arrumado demais — claramente obra das meninas. Havia flores frescas sobre a mesa e um bilhete com a letra delicada de Ana: “Se precisar, estamos a uma ligação.”Melissa sentiu um aperto no peito, um misto de gratidão e vulnerabilidade.Dominic tirou o casaco dela e deixou sobre a poltrona.— Senta. Vou preparar algo leve pra você com







