LOGINRespirei fundo. A dor não diminuiu. Seguir em frente não significava esquecer. Tampouco não significava perdoar tudo ou fingir que nenhuma tragédia aconteceu. Significava apenas aceitar que eu não podia continuar oferecendo minha vida aos mortos enquanto afastava todas as pessoas que ainda estavam vivas.
Pensei em Paige, embora jurasse para mim mesmo que nunca mais faria aquilo. Lembrei-me das risadas, das reclamações, dos objetos quebra
Eu provoquei a primeira tragédia. Meu pai concluiu o massacre.— Como conseguiu viver todos esses anos sabendo o que fez?— Porque fiz o que qualquer pai faria para proteger uma filha.— Não use meu nome para justificar isso.— Tudo o que fiz foi por você.— Não! — gritei. — Você fez por si mesmo. Pela sua carreira, pelo seu dinheiro e pela imagem perfeita que precisava mostrar ao mundo. Não matou aquelas pessoas para me proteger. Matou porque elas ameaçavam o seu poder.— Você era uma criança. Não entende o que estava em risco.— Eram pessoas inocentes!— Inocentes que não aceitavam parar.— Porque eu matei o filho deles!Cada palavra doía, cada gesto e cada respiração doíam dentro de mim, como se tudo aquilo me sufocasse.— Não
Não consegui mencionar que Alessandro também era capaz de sentir coisas boas, porque aquilo doía. Doía porque eu talvez nunca descobrisse se o amor que ele dizia sentir por mim era real. Não permaneci ao lado dele tempo suficiente para descobrir.— O que você fez? — repeti.— Fiz o necessário.As palavras saíram da boca dele sem qualquer vestígio de arrependimento.— O que significa “necessário”?— A família de Miguel queria justiça. Não aceitava que a morte dele fosse tratada como um acidente comum. Começaram a procurar testemunhas, fizeram perguntas e pressionaram a polícia. Se continuassem, chegariam até você.— Você nunca me contou isso...— Eu estava protegendo minha filha.— Não. Você estava protegendo sua carreira.&mdash
POV PaigeA sala de visitas da prisão era ainda pior do que imaginei. As paredes estavam deterioradas pelo tempo, as cadeiras eram desconfortáveis e o vidro estava tão sujo que mal permitia enxergar a pessoa do outro lado. Nunca pensei que uma prisão fosse um lugar agradável, mas também não imaginei que pudesse ser tão deprimente.Sentei-me diante da divisória de vidro e esperei. Minhas mãos estavam geladas, apesar do calor que fazia ali dentro. Mantive uma delas sobre o ventre, quase arrependida de submeter meu bebê e a mim mesma àquela situação.Eu sabia que Lisandro estava do lado de fora, esperando por mim. Claro que ele tentou me impedir de fazer aquilo. Mas eu precisava compreender o que Rafael Bellini tinha a ver com a família de Alessandro.Já não acreditava que toda aquela vingança começou apenas porque provoquei o a
— Deu negativo outra vez — ela contou.Fiquei em dúvida se deveria me aproximar ou respeitar a distância que ela mantinha entre nós.— O médico disse que ainda podemos tentar novamente — falei, sem muita certeza de que aquela tentativa de consolo serviria para alguma coisa.— Ele diz isso todas as vezes, Alessandro. — O olhar dela misturava tristeza e decepção. — Sempre existe uma nova tentativa, outro procedimento, mais hormônios e outra espera. Depois vem um novo exame e o mesmo resultado.Ela observou o envelope por alguns segundos antes de estendê-lo para mim. Não o peguei. Aquele papel não mudaria nada. Eu acreditava nela.Bianca respirou fundo:— Eu queria muito ter um filho com você. No começo, pensei que conseguiria separar as coisas. Seria um acordo entre nós, uma forma de dar continuidade à s
— Não para Paige — foi impossível ignorar aquela parte. — Foi em você que ela encontrou apoio e pertencimento.— Então o senhor prestou atenção. — O sorriso de Helena foi gentil e satisfeito.— Fui obrigado a ouvir isso tantas vezes que seria impossível ignorar.— Talvez Paige tenha feito um curso sobre quebra de maldições — Helena sugeriu, tentando conter o riso.— Provavelmente — respondi. — Ela fez cursos sobre todas as coisas inúteis conhecidas pela humanidade.Tentei não sorrir, mas foi impossível.— E o senhor se apaixonou justamente pela única mulher diplomada em inutilidades — Lorenzo concluiu, abaixando a cabeça para não rir também.Tentei permanecer sério, mas não consegui. Dessa vez, minha risada foi genuína e bem-hum
Lorenzo estreitou os olhos:— Pelo resto da vida?— Sim — confirmei.— Mesmo sem fazermos nada? — Matteo perguntou, surpreso.— Exatamente.Helena não sorriu. Seus olhos lacrimejaram quando perguntou, parecendo triste:— O senhor está nos demitindo?— Estou libertando vocês das obrigações com esta casa — tentei sorrir. — Agradeço imensamente por tudo o que fizeram por mim. E, mesmo pagando a vocês pelo resto da vida sem que precisem trabalhar, ainda será pouco. Estiveram ao meu lado quando mais precisei e foram fiéis... sempre.— Não pedi para ser libertada — Helena disse com firmeza.— Helena...Ela não me deixou completar. Continuou:— Minha vida está aqui. E o senhor é a minha família. — Ela olhou para Lorenzo e Matteo. &







