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Quero me entregar (II)

Author: Roseanaautora
last update publish date: 2026-10-13 16:01:16

— E, quando essa criança que você chama de panda nascer, aceitará que seja entregue ao pai? Você nunca verá seu bebê, Paige.

— Acha mesmo que alguém irá atrás do pai do meu filho? — Eu quase ri.

— Paige, essa é a maior loucura que já ouvi da sua boca até hoje.

— Fala isso porque não ouviu tudo o que falei nos últimos tempos. Também não

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    — Se a senhora deseja permanecer em regime fechado, sugiro, agora como pessoa e não como advogado, que encontre uma casa confortável e fique lá até o nascimento de seu bebê. É o máximo que pode fazer neste momento.A verdade já estava diante de mim, mas ouvi-la de uma pessoa que não conhecia nenhum dos envolvidos fez tudo parecer ainda mais cruel.— Monte Belo do Sul é quase uma prisão em regime fechado. Sei que é longe e que você tem medo da viagem, mas é um lugar tranquilo, Paige — Lisandro comentou.— Aqui também é um lugar tranquilo.— Mas não tem as paisagens de Monte Belo do Sul. Podemos comprar uma vinícola, produzir vinhos e seguir em frente.Saímos do escritório quase uma hora depois. Caminhei em silêncio até uma pequena praça do outro lado da rua e sente

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    Lisandro encontrou o escritório de um advogado no centro da cidade. Ficava sobre uma loja de ferramentas e tinha uma placa antiga, com algumas letras desbotadas indicando o nome e as áreas de atuação do profissional.— Cível, criminal e familiar — li. — Isso significa que ele cuida de divórcios, assassinatos e disputas pela guarda das galinhas.— É o homem perfeito para você.— Por causa do assassinato ou das galinhas?— Por causa da quantidade de problemas diferentes.Subimos uma escada estreita. O escritório era pequeno, mas organizado. Havia duas estantes cheias de livros, uma mesa de madeira escura e um ventilador no teto que girava tão devagar que parecia estar em vias de se aposentar.O advogado, que certamente se formou na década de vinte (vinte anos antes de Cristo), permaneceu em silêncio enquanto contei toda a hist&

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    — E, quando essa criança que você chama de panda nascer, aceitará que seja entregue ao pai? Você nunca verá seu bebê, Paige.— Acha mesmo que alguém irá atrás do pai do meu filho? — Eu quase ri.— Paige, essa é a maior loucura que já ouvi da sua boca até hoje.— Fala isso porque não ouviu tudo o que falei nos últimos tempos. Também não vou compartilhar com você as coisas que pensei, porque certamente mandaria me internar.— Acho que seu cérebro parou de funcionar nos últimos tempos.— Pois é aí que você se engana, Lisandro. Os pandas têm uma boa inteligência para sobreviver em seu habitat. Também possuem uma excelente memória espacial para lembrar onde ficam os bambuzais e saber o momento certo de buscar alimento.— Olhe q

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    POV PaigeLisandro parou diante de mim como se não tivesse compreendido o que eu disse. Durante um tempo, apenas me observou, procurando em meu rosto algum sinal de que aquilo era apenas mais uma loucura que passava pela minha cabeça, que não parava de pensar um único minuto. Meu cérebro funcionava o tempo todo, e eu não conseguia, em momento algum, desligar-me de qualquer coisa que fosse.— Isso é loucura, Paige.— Não é loucura. Eu matei uma pessoa e fugi sem prestar socorro. E, por causa do meu crime, meu pai cometeu outros três. Não posso mais conviver com isso, Lisandro — falei, passando as mãos pelo rosto, completamente atordoada.— Foi um acidente.— Um acidente provocado por mim. Eu estava participando de uma corrida ilegal. Dirigia em alta velocidade e perdi o controle do carro. Miguel morreu por causa de uma escolha que fiz.

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    Eu provoquei a primeira tragédia. Meu pai concluiu o massacre.— Como conseguiu viver todos esses anos sabendo o que fez?— Porque fiz o que qualquer pai faria para proteger uma filha.— Não use meu nome para justificar isso.— Tudo o que fiz foi por você.— Não! — gritei. — Você fez por si mesmo. Pela sua carreira, pelo seu dinheiro e pela imagem perfeita que precisava mostrar ao mundo. Não matou aquelas pessoas para me proteger. Matou porque elas ameaçavam o seu poder.— Você era uma criança. Não entende o que estava em risco.— Eram pessoas inocentes!— Inocentes que não aceitavam parar.— Porque eu matei o filho deles!Cada palavra doía, cada gesto e cada respiração doíam dentro de mim, como se tudo aquilo me sufocasse.— Não

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    Não consegui mencionar que Alessandro também era capaz de sentir coisas boas, porque aquilo doía. Doía porque eu talvez nunca descobrisse se o amor que ele dizia sentir por mim era real. Não permaneci ao lado dele tempo suficiente para descobrir.— O que você fez? — repeti.— Fiz o necessário.As palavras saíram da boca dele sem qualquer vestígio de arrependimento.— O que significa “necessário”?— A família de Miguel queria justiça. Não aceitava que a morte dele fosse tratada como um acidente comum. Começaram a procurar testemunhas, fizeram perguntas e pressionaram a polícia. Se continuassem, chegariam até você.— Você nunca me contou isso...— Eu estava protegendo minha filha.— Não. Você estava protegendo sua carreira.&mdash

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