Masuk— Ele está vivo? — perguntei, incapaz de esconder a preocupação em minha voz.
— Está, mas a pancada foi forte. Preciso examiná-lo melhor antes de dar qualquer diagnóstico.
O alívio que senti me incomodou. Lisandro não deveria importar. Era apenas uma peça do jogo, alguém que eu mantinha vivo porque ainda poderia ser útil aos meus planos. Mesmo assim, permaneci ali, observando cada movi
— Vamos, pequeno — pediu. — Respire.Percebi as lágrimas de Helena caindo sobre meu filho.— Respire, garoto! — Lumière falou, quase sem voz.— Chore! Por favor, chore! — Horloge pediu, aproximando-se apesar de ter jurado que não assistiria a nada.O silêncio se estendeu por um período que não consegui contar. Contudo, se continuasse por mais um segundo, eu morreria.Tentei me levantar, mas minhas pernas não me obedeceram.— Zip... — chamei, desesperada. — Mamãe fez cursos demais para você resolver faltar à primeira aula. Respire, meu amor... por favor.Madame Samovar posicionou cuidadosamente a cabeça dele, limpou apenas o que obstruía sua boca e seu nariz e voltou a estimulá-lo, seguindo as instruções da socorrista.Então nosso filho puxou o ar. O primeiro so
Aliás, ainda estávamos casados? Ou ele se divorciou de mim sem avisar?— Estou com medo — confessei.E aquele medo não era apenas por causa do bebê. Era por tudo o que estava acontecendo e por como ficaria nossa vida depois que o parto terminasse.Tentei não pensar naquilo, mas passou pela minha cabeça a possibilidade de Alessandro ficar com meu pandinha e me mandar embora.— Eu também estou com medo, Paige — ele confessou, apertando minha mão.Foi a primeira vez que ouvi Alessandro admitir aquilo sem tentar transformar o sentimento em raiva. Assim como eu, talvez ele também não tivesse a mínima ideia do que aconteceria depois.Uma nova contração começou. Arqueei o corpo e gritei.— Faça força apenas durante a contração — Madame Samovar orientou. — Quando passar, tente r
— Significa que a cabeça está aparecendo — corrigi, tentando recuperar o ar.Alessandro ficou completamente pálido:— A cabeça dele pode estar aparecendo?— Essa costuma ser a ordem natural. Primeiro a cabeça, depois os ombros e, por último, o restante do panda.— Um panda? — Horloge franziu a testa. — A senhora Paige vai parir um panda?— Ele não é um panda! — Alessandro explodiu.Madame Samovar ordenou que Alessandro me colocasse no sofá. Ele obedeceu, embora seus braços parecessem resistir a me soltar. Lumière continuava ao telefone, repetindo as orientações da emergência, enquanto Matteo espalhava as toalhas com a expressão de quem reconsiderava todas as decisões que tomou na vida.Alessandro se ajoelhou diante de mim e começou a erguer meu vestido. Olhou brevem
POV Paige— Você sabe fazer um parto, Madame Samovar? — perguntei.Ela ficou imóvel, com as duas mãos ainda sobre a boca. Seus olhos passaram por Alessandro, por mim e pela minha barriga antes de se arregalarem ainda mais.— Não — respondeu. — Sei cuidar de pessoas doentes, trocar curativos e administrar medicamentos. Nunca fiz um parto.— Eu disse que você não deveria ter dispensado o médico — Lumière falou enquanto pegava o celular e fazia uma ligação.Será que Lumière não entendia que eu estava parindo? O que ele queria fazer no celular àquela hora?Alessandro, ainda comigo em seus braços, disse:— Ótimo! Temos um pai em pânico, uma mulher que nunca fez um parto e uma grávida formada pela internet. Nosso pandinha está cercado por profissionais.Helen
Helena resolveu todos os problemas de minha vida durante anos. Cuidou do meu avô, de mim e até de Paige. Ela saberia o que fazer enquanto o atendimento médico não chegasse.Acomodei Paige no banco traseiro. Quando tentei me afastar, ela segurou minha jaqueta com força.— Não me deixe sozinha.Olhei para os dedos agarrados ao couro e respondi com a maior certeza que já tive na vida:— Nunca mais te deixarei, Paige Bellini Montrelli.Peguei o panda de pelúcia no chão e o coloquei ao lado dela:— Segure o representante oficial da família.— E você?— Vou dirigir.Fechei a porta com cuidado e corri até o banco do motorista. O proprietário do carro ainda permanecia diante da mercearia, observando tudo com uma expressão preocupada.— Como devolvo o veículo? — perguntei.
Outra contração atravessou o corpo de Paige. Ela soltou um gemido, dobrou-se ainda mais e cravou as unhas em meu braço.— As contrações estão vindo de três em três minutos — explicou, ofegante. — Acho que Zip está com pressa.— Zip? — perguntei, confuso.— É o nome provisório dele.— É um... menino? — Senti meus olhos marejarem e algo que jamais experimentei invadir meu coração.— Sim — confirmou, sorrindo em meio às lágrimas.Um menino. Eu teria um filho.— Meu filho passou oito meses sendo chamado de Zip?— Não tivemos tempo de realizar uma reunião familiar para escolher um nome definitivo.O senhor finalmente estendeu a chave, mas continuou falando:— Se as contrações estão t&at







