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CAPÍTULO TRINTA

Author: Bia Almeida
last update publish date: 2021-10-22 23:33:12

LUKE

Acordei com uma ressaca danada, ontem extrapolei na despedida de solteiro do Bryan, nem me lembro como fui parar no meu quarto, a última coisa que me vem a memória é uma bela morena rebolando no meu pau.

Fui  ao quarto da minha irmã e ela não estava, desci para tomar café, apenas meu pai está na mansão, ele me disse que as meninas dormiram na Lily, fico menos preocupado, desde que Sarah começou a receber aqueles e-mails estou em alerta constante, só não falo nada para não preocupar a ela e aos meus pais. Bryan colocou um segurança a vigiando sem que ela soubesse porque minha irmã não gosta de se sentir presa, já tem o motorista e um segurança que a acompanha em todos os lugares, por ela não aceitar mais um segurança ele a vigia de longe. Dei o maior apoio ao meu cunhado para essa contratação, não sabemos com quem estamos lhe dando.

Já em casa, minha mãe nos informou que Sarah foi fazer a prova do vestido com a Lily, não sei por que sinto uma necessidade de falar com minha irmã, desde pequenos temos essa conexão, quando ela não está bem, sinto e vice-versa, lembro de uma vez que ela sumiu, aquele foi o pior dia da minha vida.

Tinha acabado de chegar da faculdade, esperei Sarah vir ao meu encontro e pular no meu colo, ela fazia isso todos os dias, aguardei e ela não apareceu, a procurei por toda casa.

Como não a encontrei liguei para minha mãe que disse que estava no supermercado e que a tinha deixado em casa, meu coração estava aflito e do nada senti uma dor forte na perna direita. Mobilizei os seguranças da casa, um, a tinha visto saindo de bicicleta, fiquei desesperado, liguei para meu pai avisando e sai pelo condomínio a sua procura. Nosso condomínio tem seis mansões, sendo que a nossa é a maior, não tem muito movimento de pessoas circulando, possui muitas arvores. Infinitas coisas passaram por minha cabeça, nessa época, Sarah tinha catorze anos e eu vinte e quatro. Na saída do condomínio o porteiro estava reclamando que o outro porteiro não havia chegado para o substituir, teria que dobrar. Estava escurecendo e a minha preocupação aumentava, a dor na perna não passava. Quando meu pai chegou eu ainda conversava com o porteiro que confirmou que ela não passou pelo portão, senão ele teria visto porque Sarah sempre cumprimentava a todos.

Meu pai pediu para ver as câmeras, vimos Sarah indo em direção ao Bosque, entramos no carro do meu pai e Jordan seu motorista nos levou até lá. Gritava desesperado chamando por ela, meu pai também, depois de algum tempo, ouvi um gemido e depois meu nome, a encontramos caída no meio das árvores toda machucada, meu coração perdeu uma batida ao vê-la daquele jeito.

Peguei minha irmãzinha no colo com cuidado, minhas lágrimas desciam feito, cascata, meu pai e eu a levamos para o hospital e avisamos minha mãe. Depois que Sarah foi atendida meu pai pediu para enfermeira olhar minha perna, para ele eu a via me machucado quando a procurava, no raio x não acusou nada. Minha irmã teve algumas escoriações e quebrou a perna direita a mesma perna que eu sentia dor.

Sarah nos contou que um segurança que era novato, tentou beijá-la, como ela recusou, ele segurou em seu braço e tentou agarrá-la a força, ela deu uma joelhada no seu saco e fugiu com sua bicicleta, na fuga acabou caindo no lago, conseguiu sair de lá se arrastando até chegar nas árvores depois não lembra de mais nada, até o momento que a encontramos. Fiquei com tanto ódio e raiva de mim, me sentindo culpado por não a ter protegido. O filho da puta que tentou abusar da minha irmã foi parar na cadeia para aprender a não abusar de mais ninguém, minha vontade era de quebrar a cara dele, mas meu pai não deixou, não gosto nem de pensar se ela não soubesse se defender o que teria acontecido.

Ligo para Sarah e o telefone cai na caixa postal, estou ficando ansioso e preocupado, preciso falar com ela para saber se ela está bem. Ligo para Lily e nada, minha mãe me deu o telefone do ateliê eles disseram que elas saíram de lá há vinte minutos. Sinto que minha irmã não está bem, preciso falar com Bryan, saber se Sarah está com ele e se ela está bem.

— Bryan. — Porra Luke, cadê sua irmã? Não consigo falar com ela desde ontem, passei mensagem, liguei e nada, estou com uma sensação ruim pra caralho.

— Por isso que estou te ligando, também não consigo falar com ela e isso está me preocupando, já tentei falar com a Lily e ela também não atende. No ateliê disseram que elas já saíram de lá. Conseguiu falar com os seguranças?

— Nenhum dos dois fodidos atendem, isso não é bom.

— Estou indo para sua casa, vamos ver o que podemos fazer.

BRYAN

Ando de um lado para o outro desesperado sem notícias da minha, Sarah, nem vejo quando Luke entra com meu sogro. Meu telefone toca.

— Senhor Campbell — Fred, caralho, cara, onde você está, cadê minha mulher? Cuspo as palavras.

— Fui baleado, levaram a Sarah, Alfred está morto, vou te enviar minha localização.

Meu Deus! Não por favor, não deixe que nada aconteça a minha, Sarah, traz ela de volta para mim. Porque querem o seu mal? Meu coração está ficando fraco, meus pensamentos confusos, estou com medo muito medo.

—  Levaram ela, levaram minha, Sarah — da minha boca saia apenas essas palavras, meu sogro pegou o celular e colocou na viva voz, a única coisa na minha mente era ela, minha menina mulher sequestrada e longe de mim, não posso permitir que nada aconteça. Ouço os gritos de Luke, tenho vontade de gritar, mas minha voz não sai, não consigo parar de pensar, levaram minha, Sarah.

De repente tinha um batalhão na minha sala, Vendramini friamente conduziu tudo e pediu para que eu e Luke o ajudasse a encontrar, busquei forças no amor que sinto por ela e liguei para meu amigo da federal, o delegado Graham que enviou uma equipe ao local onde meu segurança foi alvejado, chegamos praticamente juntos.

Uma ambulância fazia o primeiro atendimento no Fred e os bombeiros levaram o corpo do Alfred. Fred nos contou que Sarah entrou no ateliê com Lily e Alfred a acompanhou, checou toda a loja e depois ficou do lado de fora esperando. Após quarenta minutos ele achou estranho a demora, o avisou que iria entrar para ver se estava tudo bem, foi quando ele não as encontrou na loja, segundo a gerente elas saíram pelos fundos, o que ele julgou estranho. Assim que ele me avisou fui o encontrar, chegando lá a senhorita Lily estava caída no chão, antes de desmaiar apontou para um carro preto, rapidamente Alfred chamou Jonathan que estava nas proximidades para levar a senhorita para o hospital e nós seguimos o carro na minha moto, chegando aqui, eles atiraram em nós, um tiro pegou no meu braço e outro na minha perna me fazendo tombar, Alfred levantou e não conseguiu se esconder, o mataram, ele não quis atirar com medo que acertasse na dona Sarah.

Ouvir todo o relato do Fred aumentou minha angústia, tiros, armas, sequestro, minha mulher no meio disso tudo, isso não pode ser real. Sinto por Alfred que perdeu sua vida tentando salvar minha menina. Luke está aos prantos como eu, ele ligou para Jonathan para saber, informações da Lily, deixamos o local e seguimos direto para o hospital. Chegando lá, meu cunhado ficou desesperado quando viu Lily naquele leito, os médicos disseram que ela acordou uma vez gritando chamando por Sarah e eles tiveram que a sedar para poder a examinar. Luke chorava acariciando seus cabelos, saímos do quarto para ele ficar à vontade com ela.

Dois dias se passaram e nenhuma notícia, esse sequestro não foi por causa de dinheiro, os motivos são outros e eu não faço a mínima ideia qual seja o verdadeiro motivo, a única coisa que tenho certeza, é que não posso viver sem minha mulher.

A assessora da família Vendramini teve o maior trabalho para não deixar vazar na imprensa o verdadeiro motivo do cancelamento do casamento, não podemos deixar vazar essas informações, tememos que possa prejudicar as possíveis negociações, que o sequestrador possa se assustar e lhe fazer algum mal.

Montamos um QG na minha casa, estou empenhado em descobrir o paradeiro da minha mulher e não vou descansar enquanto não a encontrar. Luke está devastado como eu, ele divide suas atenções a procura de Sarah e dá atenção a Lily que está desolada com tudo que aconteceu.

— Senhor Campbell, descobrimos de onde os e-mails saíram, veja o senhor mesmo. Peguei o papel e não acredito no que vejo, eles foram enviados da minha empresa.

— Precisamos ir até lá para verificar de qual computador foi enviado. — Vamos agora.

— Será que mais uma vez estou sendo traído por alguém da minha confiança?

Os peritos foram ao responsável do TI e descobriram qual computador pertencia aquele IP, fiquei atordoado quando vi que os e-mails foram enviados do computador da senhorita Johnson, minha cabeça deu um nó, o porquê de tudo isso.

— Senhora Adams a senhorita Johnson compareceu hoje?

— Não senhor Campbell, ela não compareceu ontem e nem hoje, disse que não se sentia bem e que viria amanhã.

— Puta que pariu. Desculpe-me Grace.

Graham nos instruiu não alarmar a senhorita Johnson. Sua intenção era ficar de tocaia e a seguir, o delegado tinha certeza que ela os levaria ao cativeiro. Concordar com ele não foi fácil, significava mais um dia longe do meu amor. A dias que não durmo, meu coração está apertado, ferido e com medo de perder o amor da minha vida. Um dia pensei ter amado a uma mulher e sofri muito por sua traição, hoje vejo que o que sentia por ela não chega nem aos pés do meu amor por Sarah, no fundo, o que me doeu mais naquela ocasião foi a traição em si, por alguém da família e por alguém que faria parte da minha família.

O que sinto pela Sarah vai muito mais além, um amor maduro, responsável e completamente irresponsável na cama, onde não existe regras, nos entregamos ao que queremos e ao que sentimos. Sinto a necessidade de tê-la ao meu lado, sinto falta do seu cheiro, do seu corpo, do seu sorriso, do seu sarcasmo, do seu gênio decidido, da sua inteligência, da sua amabilidade. Sinto falta de você Sarah, amor por favor vota para mim. Minhas vistas pesam – Sarah!

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