LOGINÉ normal se sentir um peixe fora d’água em dia de entrevista de emprego? Além do nervosismo descomunal que estou sentindo, eu ainda não estou me sentindo confortável nessa roupa. Como minha mãe sempre dizia que a primeira impressão é a que fica, ela me emprestou o seu terninho mais chique, com saia até o joelho, meia-calça e salto alto.
— Eu não vou vestir isso, mãe. Estou parecendo uma velha!
— Você está apresentável e, o melhor de tudo, com cara de responsável. Você viu onde será a entrevista? Não vai ser em uma agência de empregos comum, será na sede da empresa do Sr. Rosberg. Eu já te expliquei o quão importante ele é.
Eu revirei os olhos. Essa era a milionésima vez que ela repetia aquilo.
— Eu sei, mãe. Mas eu só tenho 18 anos e, nesta roupa, parece que tenho 30. Eu só não quero parecer boba. Só isso.
— Você não vai parecer boba. Quando eu o entrevistei, vi como os funcionários trabalham de perto. Filha, vai por mim: se você aparecer lá de calça jeans, blusa branca e salto, não entra nem na porta para tomar água.
— O que tem de errado com a minha blusa branca? Ela é de seda e manga longa, perfeita para a entrevista.
— Ela é perfeita para você ir trabalhar comigo, não para ele. Filha, a aparência nesses lugares é tudo. Eles de fato contratam pela imagem e não apenas pelo que você sabe. Preferem contratar uma ameba elegante a uma expert mal arrumada.
— Tudo bem. O que acha desta combinação? — Perguntei, vestindo a saia com a minha blusa branca e dispensando a meia-calça. — Pelo menos assim eu me sinto mais eu.
— Ok. Assim também fica elegante. Você leu a pesquisa que fiz sobre as empresas do Sr. Rosberg?
— Aquela de cinquenta páginas? Claro.
— Você leu todas as páginas?
Fiz uma cara feia para ela.
— Jura que você queria que eu lesse tudo? Se isso a deixa feliz, li alguma coisa, sim.
— Não me olhe feio. Eu sou assim, gosto de manter todo mundo muito bem informado. O que você leu?
Revirei os olhos mais uma vez. Minha mãe estava mais empolgada com essa entrevista do que eu.
— Li que ele começou a se interessar por carros desde criança e que sua carreira de piloto não durou muito por causa do acidente que teve quando ainda corria de Kart. E blá-blá-blá.
— Só isso que você leu? Isso não dá nem meia folha! — Minha mãe parecia bem irritada. Quando ela colocava as mãos na cintura, eu sabia que estava ferrada. — Ainda bem que você não quer ser jornalista. Saiba, mocinha, que em psicologia se escreve bastante também. Ou você vai reduzir os diagnósticos dos pacientes?
— Mãe, eram cinquenta páginas! Pelo amor de Deus. Quem na entrevista vai me perguntar se eu sei quantas namoradas ele teve? Ninguém, mãe. Só a senhora para pensar numa coisa dessas.
— Filha, informação nunca é demais.
Sentada na recepção de um elegante prédio de quase vinte andares, me fez repensar se eu estava no lugar certo. Eu já estava quase desistindo daquela entrevista e aceitando a oferta de trabalhar com minha mãe novamente, mas meu subconsciente gritava — ou melhor, berrava: "VOCÊ ESTÁ LOUCA? SUA MÃE É PIRADA NO TRABALHO!" Ok, subconsciente. Concordo com você.
— Desculpa, você falou comigo? — Disse uma voz vinda de trás de mim.
— Não, desculpa. Estava pensando alto. Só estou um pouco nervosa — respondi, acenando com a mão. — Olá, me chamo Rebeca. Você veio para a vaga de secretária também?
A garota olhou para mim como se eu fosse um alienígena. Depois, sorriu e se jogou no sofá ao lado da poltrona onde eu estava sentada de forma deselegante – eu não sabia sentar de forma natural por conta da saia que não me deixava confortável.
— Não. Eu me chamo Julia. E se serve de consolo, esse lugar também me deixa nervosa.
— Por quê? — Quando percebi que havia pronunciado aquilo em voz alta, tentei consertar: — Desculpa, não quis me intrometer.
— Sempre que apronto alguma coisa na escola, meu pai manda eu vir direto para cá.
Tive vontade de perguntar o porquê novamente, mas dessa vez consegui frear a minha língua. No entanto, algo gritou na minha cabeça: "EU ME LEMBRO DE TER VISTO ESSA GAROTA EM ALGUM LUGAR. ESSE NOME NÃO ME É ESTRANHO. DE ONDE EU CONHEÇO ESSA GAROTA?"
Espantei meus pensamentos. Devo ter feito uma cara muito estranha, porque ela me perguntou se eu estava bem.
— Sim, estou bem. Mas... onde você falou que seu pai trabalha? Em qual departamento?
— Meu pai trabalha...
— Julia. — A recepcionista a chamou. Era uma senhora muito bem vestida, carregada na maquiagem e com os cabelos presos em um coque perfeito.
— Olá, Sra. Johnson. Ele está muito bravo comigo?
— Só um pouquinho. Entre, dê um grande sorriso e um abraço maior ainda. Quem sabe isso não o amolece?
— Eu bem que avisei para não me matricularem naquela escola idiota. Eu não sou igual à Clarisse.
— Eu sei. Mas os seus pais só querem o seu melhor. Agora entre, senão ele vai ficar ainda mais nervoso.
— A senhora sabe quem contou? Se foi a Clarisse, eu juro que dessa vez aplico o novo golpe de jiu-jitsu que aprendi.
— Não, meu anjo, não foi ela. Você sabe que foi o reitor que ligou.
"UAU. O PAI DESSA GAROTA DEVE SER PODRE DE RICO. SÓ NAS ESCOLAS DE GENTE CHIQUE TEM REITOR."
— Então vou enfrentar a fera — disse Julia. Ela beijou o rosto da senhora e acenou para mim: — Boa sorte, Rebeca!
Fiquei toda sem graça, mas acenei de volta.
— Pobre garota — comentou a Sra. Johnson. — Querem que ela seja igual à irmã. O que eles não entendem é que uma quer Harvard e a outra quer ir para uma turnê de rock. Vou sentir falta disso tudo.
— A senhora vai sair de licença? — Perguntei.
Por que essa minha mania de perguntar as coisas vinha sempre em momentos que não me diziam respeito? Ela me olhou por cima dos óculos.
— Posso saber o que deseja?
Tentei controlar meu nervosismo, que já havia atingido o nível máximo.
— Tenho uma entrevista de emprego para a vaga de secretária.
Ela entrou por onde havia saído e, sem saber bem o porquê, eu a segui. A Sra. Johnson pegou o telefone, digitou alguns números e cerrou os dentes. Quando falou, usou uma voz extremamente calma que não condizia em nada com o seu rosto, pois ela estava me fuzilando com o olhar.
— Alguém do RH sabe que tem uma criança na minha frente que, segundo ela, se candidatou para a minha vaga? — Eu gelei com as palavras dela. Acho que ela esperava uma resposta do outro lado da linha. Dei um pulo de susto com a continuação: — Ah, Jack, faça-me o favor! Ele pediu? Ele tem noção de que a vida dele é uma loucura? Que ele me liga às três da madrugada para perguntar a que horas tem que tomar os remédios? — Ela me olhou novamente por cima dos óculos. Confesso que aquilo me assustou bastante. — Espero que a nova secretária não o mate. Ela está na minha frente agora, não sei fazendo o quê.
Aquilo foi uma excelente dica para eu voltar correndo para a sala de espera. Mas, mesmo de longe, ainda pude ouvir o final da conversa com o tal de Jack:
— Sim. Ok, Jack, não vou discutir isso...
Esse tal de Jack apareceu cinco minutos depois. E, uau, que homem lindo! Muito elegante em seu terno de marca, aparentava ter uns 30 anos, não mais que isso.
— Desculpe a Sra. Johnson. Ela está se aposentando e acha que ninguém mais vai conseguir fazer o que ela faz. — Ele me estendeu a mão. Juro que não sabia o que fazer, a boca dele era hipnótica. — Prazer, sou Jack Foster.
— Tudo bem. — Por fim, estendi a minha mão e, caramba, que mão macia! — Ah, que droga, deu choque! — Puxei a mão de volta num reflexo e tampei a boca quando percebi que tinha falado aquilo em voz alta. — Desculpa, desculpa de verdade! Quando fico nervosa, não consigo filtrar o que sai da minha boca... Como agora — completei, revirando os olhos.
Quando Jack Foster sorriu para mim, lindas covinhas se formaram no seu rosto. Eu quase desmaiei. A existência daquele homem deveria ser proibida.
— Tudo bem. O pior é que deu choque mesmo. Acho que preciso correr no Central Park para descarregar as energias. Podemos começar a entrevista?
Uau. O que foi isso? Dei de ombros.
— Claro.
A entrevista foi mais tranquila do que imaginei. Fiquei muito mais nervosa com a presença do Sr. Foster do que com as perguntas em si. Ele explicou quais seriam minhas funções e perguntou se eu tinha alguma observação. Quase respondi dizendo que esperava não encontrar com ele no dia a dia, pois ele me deixava trêmula, mas consegui me segurar. O Sr. Foster ficou de dar uma resposta em breve. Como ele foi muito vago em relação ao tempo, criei coragem e pedi uma data. Ele achou estranho, pois explicou que tinha cerca de vinte dias para fechar a vaga. Muito gentil e atencioso, ele falou que ligaria assim que fosse possível, talvez em duas semanas. Aceitei de bom grado, afinal, ele me deu um prazo específico. Ele também me passou o seu cartão pessoal, caso eu não aguentasse esperar as duas semanas.
"QUE PAPEL RIDÍCULO VOCÊ ACABOU DE FAZER!". Eu sabia, mas o que eu poderia fazer? Eu sou assim, preciso de prazos e datas. Ele teve sorte de eu não ter perguntado o horário. Quando ele abriu a porta da sua sala, vi que ele sorria da mesma forma charmosa de antes. Meus ombros afundaram.
— Aposto que falei algo que não devia.
— Se me perguntasse que horas eu ligaria, juro que não saberia responder.
Soltei a respiração, não porque a estivesse prendendo, mas porque sou idiota demais para guardar as coisas só para mim.
— Prometo que serei paciente.
Quando eu estava deixando o crachá de visitante com a recepcionista, uma mão tocou meu ombro. Existem certos gestos que me assustam pra valer, e ser tocada de surpresa é um deles. Passei por algumas coisas no passado que me levaram a ter essa reação. Por isso, o susto misturado com o medo nunca era uma combinação boa.
Por puro instinto, segurei a mão da pessoa e a girei num golpe rápido. Assim que meus olhos focaram em quem era, levei a mão à boca, em choque.
— Pelo amor de Deus, garota! Tá louca?
— Está tudo bem, Srta. Rosberg?
Algo dentro de mim desmoronou. Caramba. Ali cabia um sonoro "FODEU" ou "PUTA QUE PARIU". Como fiquei com medo de dar voz aos meus pensamentos, o "CARAMBA" interno serviu. Eu tinha acabado de golpear a filha do dono da empresa. Quais eram as minhas chances de conseguir o emprego agora? Zero.
Naquele momento, finalmente me lembrei de onde eu a conhecia. Na pesquisa da minha mãe existia uma foto da família Rosberg. Olhei para ela e a vi massageando o pulso, fazendo careta de dor. Outra garota se aproximou. Dessa vez, eu identifiquei na hora de quem se tratava.
— Você está bem, Julia?
— Estou, Clarisse.
— Perdão! — Disse desesperada. — Não costumo fazer isso. É que você me pegou de surpresa e eu não reajo bem a esse tipo de situação.
Para minha surpresa, Julia estava sorrindo.
— Tudo bem, acho que consegui sobreviver. E como foi a entrevista?
Jura que ela queria saber da entrevista depois de quase ter o pulso quebrado por mim? Dei de ombros.
— Depois disso — apontei de mim para ela —, acho que não sei mais, já que acabei de atacar a filha do dono.
Ela caiu na gargalhada. Julia passou o braço pelos meus ombros como se fôssemos grandes amigas de infância, e Clarisse nos acompanhou para fora do prédio.
— Aposto que você ganhou pontos com o chefe. Para eu te perdoar completamente, aceito que você me pague um café.
Fomos para um Café/Bar que eram a três passos do escritório.
A definição da Sra. Johnson sobre a diferença das duas irmãs era a mais pura verdade: Clarisse era contida e elegante, enquanto Julia era um verdadeiro furacão. Contei que havia feito uma entrevista com o Sr. Foster e ouvi os suspiros das duas. Não quis entrar em detalhes porque eu também tinha suspirado por ele. Quem não suspiraria?
Julia contou o que tinha aprontado na escola para o pai tê-la chamado ao escritório:
— Eu só queria beijar o garoto! Se ele quer passar a mão nos seios de alguma mulher, que passe no da mãe dele!
Rimos bastante e nem vimos o tempo passar, até que um segurança veio até a mesa que estávamos.
— Desculpe a intromissão. Seu pai gostaria que vocês voltassem para casa. E pediu para avisar que sair para tomar café não faz parte do castigo.
— Se eu soubesse que isso me deixaria de castigo, teria feito pior — resmungou Julia.
Elas se despediram de mim e eu continuei ali sentada, sem saber muito bem o que fazer. Olhei à minha volta e entendi o porquê do nome Café/Bar. A hora do café já tinha passado e estava abrindo a temporada do bar. Olhei para o relógio e vi que eu ainda tinha tempo, então fui até uns dos computadores que o local disponibilizava, pedi mais um café — porque amo demais esse líquido preto, acho que bebo uns três litros por dia. Entrei no meu e-mail e me surpreendi ao ver uma mensagem do Sr. Foster. O endereço era o pessoal dele, não o corporativo.
"Para: Rebeca Noronha
De: Jack Foster Assunto: (sem assunto)Só queria dizer que sua ficha de emprego é impressionante. Espero que você seja contratada.
Até, Jack."Caramba, por essa eu não esperava. Como assim impressionante? Eu só tinha as referencias de quando trabalhei na editora e como atendente no restaurante do Sr. Ross e zero cursos de capacitação. O que será que minha mãe colocou nesse formulário?
"Para: Jack Foster
De: Rebeca Noronha Assunto: Re: (sem assunto)Nem sei o que dizer, mas obrigada."
"Para: Rebeca Noronha
De: Jack Foster Assunto: Re: (sem assunto)Não precisa agradecer e não precisa dizer nada também."
Eu estava incrédula, ele me respondeu com uma diferença de trinta segundos. Eu fiquei mais nervosa. Será que ele soube o que aconteceu em mim e Julia?
Como ele disse que não era preciso falar nada é justamente isso que faço. Fico em silencio, mesmo querendo responder.
Continuei no café por um bom tempo, quando me dei conta o lugar já estava tomado por ternos e gravatas, saias e saltos, de fato e o happy hour já havia começado.
Quando estava saindo, uma parede de aço se choca contra meu rosto.
— Olá. – Diz ele todo sorridente. — O que faz aqui?
Ele me estende a mão. Eu o cumprimento sem saber ao certo o que dizer.
— Acho que só passando o tempo. — Legal. Percebo o Sr. Foster está tão deslocado neste lugar quanto eu. Não quero aprofundar a conversa então sou bem curta na resposta. — Ok. Preciso ir. Até. Ele segura o meu braço e como vocês sabem esse gesto dele me assusta e meu instinto é de puxar meu braço.— Calma! Não precisa se assustar. Só queria que você ficasse um pouco mais.
— É que já está tarde. Você pode soltar o meu braço.— Desculpe-me. — Assim que ele solta meu braço, eu o envolvo em minha cintura. — Da próxima vez eu peço a sua permissão."
Ele sorriu timidamente.— Por que você está fazendo isso? – Meu tom de voz aumentou um pouco por conta da música alta que tocava. — Confesso que não dei espaço para você me mandar e-mail e nem fazer essa cena.
Ele está constrangido. Isso é bom, porque assim ele não tenta nenhuma gracinha, já que aqui estão os seus colegas de trabalho.— Oh! calma. Desculpa. Só achei que seria educado da minha parte te tranquilizar sobre a entrevista. Você se mostrou um pouco ansiosa, achei que assim eu iria te deixar mais tranquila.
— Ok. Está desculpado. Posso ir agora? Eu já estava entrando em modo de defesa. — Ok. Até daqui duas semanas. – Ele sai da minha frente, mas não me dá espaço suficiente e eu sinto o seu perfume roubando meu espaço pessoal. Eu fiquei com vergonha e acredito que minhas bochechas ficaram vermelhas. — Algum problema? “CACHORRO”. Ele fez de propósito. Vou fingir que nem ouvi, assim ele não percebe meu nervosismo. Para passar eu precisei quase me esfregar nele e o simples contato de nossas peles fez com que o bendito choque mais uma vez se manifestasse.— Se tiver tempo, corre ainda hoje.
Ele sorriu.Vou para o meu carro, o ferrugem, praticamente correndo e começo a dar risada de mim mesma.
— O que foi isso, meu Deus? Você não pode se fechar para os rapazes. Você prometeu isso a sua mãe.CAPÍTULO 26 (2009)Eu desliguei e precisei respirar fundo para poder pensar. Resolvi voltar para casa e pedir o carro de Natasha emprestado quando ouço a voz dele.— Beka. Meu corpo todo se contrai. Eu começo a chorar e quando eu olho em sua direção meu mundo volta ao seu devido lugar.Jack estava correndo em minha direção e eu para encurtar o seu caminho faço o mesmo. Só que algo acontece e eu não consigo sentir seus braços em volta de mim, trazendo aquele aconchego que eu sempre sinto quando ele faz isso.CONTINUA NA PARTE 2 DE PARA TODO O SEMPRE.Alemanha. Aniversário de Jack.Eles armaram tudo um dia antes para que nada desse errado. O lado mais fraco da equipe teria que ser monitorado, pois ainda pesava muito o fator amizade. Foi difícil convencê-la, mas com o poder de persuasão que o mentor possuía foi como tirar doce de criança. Clarisse entrou no saguão do hotel onde Jack estava hospedado, acompanhada do mentor, mesmo ele acreditando que ela es
DE: RESTRITO@gmail.comPARA: REBECA NORONHAASSUNTO: LIGAÇÕES“POR ALGUMA RAZÃO, QUE DESCONHEÇO, EU NÃO CONSIGO LIGAR MAIS PARA VOCÊ. PENA, PORQUE ADORO OUVIR SUA VOZ. EU GOSTARIA DE DAR ESSA NOTICIA DE UMA FORMA NÃO TÃO INFORMAL, MAS COMO ISSO NÃO É POSSÍVEL ENTÃO LÁ VAI: VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA. SEGUE O EXAME PARA COMPROVAR. AGORA PARE DE CHORAR PORQUE ISSO FOI O QUE VOCÊ QUIS, MAS NÃO O QUE EU QUERO.”Sabe quando você entra em outra dimensão e não sabe como sair? É assim que estou nesse momento. Não sei como eu cheguei aqui e confesso qu
Acordei sentindo um calor infernal. Jack estava com a perna em cima de mim me abraçando, e com a boca na curva do meu pescoço. Tentei tirar sua perna, mas ela pesava uma tonelada. Fui me mexendo e escorregando para fora da cama e consegui. Fiz tudo isso para não o acordar, mas Jack acordou assim que coloquei a mão na maçaneta.— Aonde você vai?— Ao banheiro e já volto.— Vou com você. – Ele olha para o relógio que fica na cômoda. Três da madrugada. – Será que Nick já chegou?— Espero que não. Jack estava me abraçando e beijando minha nuca.— Por quê?— Porque quero que ela se divirta. Nick ainda não havia chego. Eu e Jack tomamos uma ducha e mais uma vez fizemos amor, só que dessa vez no banheiro. Acordei e dessa vez Jack não acordou junto. Fui para a cozinha preparar um café e vi Nick abrindo a porta bem devagar. Eu, claro, não ia deixar isso passar.— Isso são horas? Ela deu um pulo de susto e seus sapatos acabaram caindo no chão fazendo um barul
Sinto um calor que me sufoca. Tento abrir meus olhos e isso é difícil de fazer quando seu cérebro não está no comando. Sinto minhas forças sumindo e fechar os olhos é a melhor solução. Eu tento me aproximar de Jack, mas ele está tão longe que sinto que meu coração irá explodir se eu não o alcançar. Jack está sorrindo para mim agora e eu sorrio de volta. O seu sorriso se amplia quando eu digo sem som “Eu te amo para todo o sempre”. Consigo sentir o toque de Jack em meu rosto, mas esse toque está tão frio que eu me vejo perguntando.— Por que sua mão está tão fria?— Onde eu estou somente [...] aquece meu coração.— E onde você está?— Somente em seus pensamentos.— No meu coração também.— Que bom. Não quero que você sofra.— Jack?— Oi.— Eu te amo. Aquele calor me incomodou de tal maneira que eu forcei meu cérebro a abrir meus olhos e dessa vez deu certo. Eu tento olhar em minha volta, mas está tão escuro que eu não consigo enxergar nada. Eu tento
No domingo só me lembrei de ligar meu celular depois de uma bronca de minha mãe que ligou para Natasha. Tinha duas ligações do Kevin ainda no sábado e quinze ligações de Jack incluindo sábado e domingo.— Desculpa, mãe.— Que voz é essa? – Minha mãe de fato estava preocupada.— Só dor de cabeça.— Você vem hoje?— Acho que não. Jack ficou de passar aqui em casa para conversarmos. Quando minha mãe voltou a falar sua voz estava de empolgação. Eu tive que sorrir.— Fico feliz em ouvir. Qualquer coisa me liga. Desligamos depois que prometi que não seria cabeça dura e que meu orgulho ficaria na escada de incêndio. Tomei um banho e me pus a esperar. E esperei. Esperei. Obvio que liguei para Jack, mas seu celular estava dando caixa postal e o telefone fixo estava indo direto para a secretaria eletrônica que ainda estava com minha voz.“Se ligou para a Nick deixe seu recado, se ligou para Beka, liga de novo porque provavelmente não deu tempo de chegar, mas se ligou
Na quarta-feira, eu marquei de ir até a casa de minha mãe para conversar com ela sobre o meu projeto.— O que vocês acham?— Uma excelente ideia. Eu reviro os olhos.— Isso eu sei, Steven. O que eu quero saber de vocês é o que eu devo fazer. Kevin, que chegou de intrometido na casa da minha mãe, resolveu se manifestar.— Estou com o Jack.— Alguém pode não estar do lado do Jack? Os três responderam.— Não. Percebi que eu havia perdido a batalha. Por que não vender minha ideia?Fui para a varanda e fiquei pensando o que fazer. Kevin se juntou a mim e pelo jeito já me conhecia o suficiente para ficar quieto ao meu lado.Kevin se mostrou uma excelente companhia nesse último mês. Conversávamos sobre tudo. Desde as minhas lágrimas que eu ainda derramava por Jack até momentos como esse em família.— Sabe o que me deixa mais pensativa sobre essa situação? – Ele nega com a cabeça. — Como posso vender essa ideia se ela surgiu de uma ideia que já existe?— Eu







