เข้าสู่ระบบEu tinha plena consciência. A certeza que me habitava desde a primeira vez na biblioteca de meu pai não era um fardo, mas um mapa. Eu era uma ninfomaníaca. E essa palavra, que o mundo usava para rotular o descontrole, para mim era sinônimo de uma exigência constante de vida, de troca, de sentir. Arthur tinha sido o meu primeiro ato de soberania, e os encontros no apartamento de luxo eram um oásis de intensidade. Ele era a dose certa de risco e de cumplicidade que eu precisava para enfrentar a rotina.
Mas a verdade era nua e crua, como eu estava na maioria das vezes: só o Arthur não era suficiente. Meu desejo não era medido pela qualidade, mas pela frequência. Ele era uma onda constante, uma maré alta que subia e subia, independente de quem estivesse por perto. Por isso, a autodescoberta era uma rotina diária e indispensável. Eu me masturbava todos os dias. Às vezes mais de uma vez. Eu conhecia cada curva, cada ponto de pressão, cada sussurro que o meu corpo emitia em busca de prazer. Era minha forma de checagem, de aterrisagem. Se eu não podia sair por aí vivendo o desejo, eu o vivia dentro dos limites dos meus lençóis, mantendo a chama acesa. Naquela noite, o desejo estava especialmente voraz. Estava deitada na minha cama, um santuário de sedução em tons escuros e tecidos macios, assistindo a um filme erótico que eu havia encontrado online. Não era a história que me prendia, mas a textura, a iluminação, a dança dos corpos. Enquanto a tela piscava com fantasias alheias, eu me tocava, trazendo o foco para a minha própria e irrefutável realidade. O prazer subia em ondas lentas, depois se acelerava, transformando-se em um tremor delicioso que percorria minha espinha. Era um ato de absoluta intimidade e poder. Eu controlava o ritmo, a intensidade, a respiração. Eu estava no comando da minha própria tempestade. Quando o clímax veio, forte e rápido, senti o calor se espalhar, a mente ficando vazia por um segundo, e depois voltando com uma clareza cristalina. Fiquei deitada por um instante, o corpo ainda vibrando, a mão ainda entre as pernas. Naquele momento pós-prazer, veio a ideia. Era sempre assim: a lucidez vinha depois. Shopping. Eu precisava de roupas novas. Não apenas roupas, mas armaduras. Precisava de algo que me fizesse sentir mais à vontade para explorar a variedade que eu sabia que o futuro me reservava. Sorri para o teto, já planejando mentalmente o dia seguinte. Antes de me levantar, olhei para meus dedos. Brilhantes, melados com o meu próprio gozo. O sabor era familiar, doce e salgado, a assinatura inconfundível do meu prazer. Levei os dedos à boca, degustando a prova da minha própria satisfação. Aquele era um segredo que eu jamais partilharia com o mundo. Mas com Arthur… ele era diferente. Eu limpei as mãos, mas a ideia da provocação já estava plantada. Peguei meu celular, usei a luz fraca do abajur e tirei uma foto dos meus dedos ainda úmidos. Não era vulgar; era um troféu, uma declaração de posse sobre o meu próprio corpo. Enviei a foto para Arthur. A audácia era metade do prazer. Eu sabia que ele estava em uma reunião ou lidando com alguma coisa séria, e o ato de interromper a fachada dele com a minha verdade era intoxicante. Meu celular vibrou quase imediatamente. Ele respondeu. Arthur: Você estava se tocando? Seu tom de voz na mensagem era uma mistura de reprimenda e fascínio. Ele sabia a resposta, mas precisava da minha confirmação verbal para quebrar a formalidade do dia. Madison: Claro que sim. Você não está aqui para me distrair. A resposta foi direta. Sem floreios. Eu não pedia desculpas pela minha necessidade. Arthur: Você só pensa em sexo?A pergunta dele continha o julgamento que ele tentava disfarçar, mas que eu sabia que ele admirava.
Madison: A maior parte do tempo, sim. É a minha principal linguagem. E você, Arthur, o que está fazendo, além de mandar mensagens para uma ninfeta safada? Arthur: Acabei de encerrar uma reunião online. Estou esgotado. Vou tomar um banho e deitar. Preciso de silêncio. Silêncio. Exatamente o que eu odiava. Eu não queria silêncio. Eu queria barulho. Eu queria invadir o silêncio dele com a minha presença. Madison: Posso tomar banho com você?Chegamos ao fim da linha, queridos leitores. Ou, melhor dizendo, chegamos ao ponto onde a caneta encontra o presente, onde a história escrita se funde com a vida que eu vivo agora, neste exato instante, sentada na minha nova e imponente cobertura, observando as luzes da cidade que me condenou e me consagrou. Eu sei que este livro não foi uma leitura fácil. Não houve heroínas impecáveis, nem arcos de redenção clássicos. Vocês leram sobre a garota que foi quebrada pela exigência de perfeição do seu pai e que se reconstruiu com os pedaços de sua própria luxúria. Vocês me viram no esplendor da alta sociedade e na sujeira do feno. Vocês estiveram comigo na dor, na vergonha e, acima de tudo, no gozo. E é por isso que estou falando com vocês agora. Esta é a minha confissão, mas é mais do que isso: é a minha declaração de propriedade. Por anos, minha vida foi escrita por terceiros. Pelo meu pai, que me deu um roteiro de “Filha Perfeita” que e
Nós nos separamos abruptamente. Na entrada do restaurante, um paparazzo havia conseguido a foto perfeita: o beijo entre a herdeira deserdada e o melhor amigo de seu pai. — Puta que pariu! Isso não poderia acontecer — eu explodi, o pânico tomando conta de mim. A exposição nunca me incomodava nos meus filmes, mas a exposição que afetava a vida de Arthur era inaceitável. — Fica tranquila, Madison. Não tem problema, é só uma foto — Arthur tentou me acalmar, com uma serenidade que me irritou. — Arthur, como você pode ficar calmo? Não é só uma foto, é a sua reputação. Seu negócio, sua vida! — Do que você está falando? — Você tem uma reputação a zelar! Você é o melhor amigo do meu pai! Se ele ver uma foto dessa, a amizade de vocês vai acabar. E eu sei o quanto essa amizade é importante para você. Ele soltou uma risada amarga, mas com os olhos fixos nos meus, a fúria e o amor se misturando em um
O despertar no Hotel Imperial foi diferente. Não havia o peso da mentira ou o medo de ser descoberta, apenas o cheiro residual de Henrique e a certeza de que a minha vida antiga havia sido, finalmente, dinamitada. Eu estava sozinha, deserdada, e pela primeira vez, totalmente livre. Minha primeira ligação foi para Arthur. Ele era a minha bússola moral em meio à minha anarquia sexual. Disquei o número, e ele atendeu no primeiro toque, como se estivesse esperando. — Madison? Como você está? — A voz dele era urgente, carregada de preocupação. Eu contei tudo, sem suavizar os detalhes: o confronto com meu pai, o sermão e a expulsão com a roupa do corpo. Fui sincera e direta, como sempre fui com ele. — Ele não me deixou pegar nada, Arthur. Mas estou bem, juro. Houve um longo silêncio no telefone, um silêncio de dor, não de julgamento. Ele conhecia Hector Falcone profundamente, e sabia o quanto aquela rejeição
Lá fora, o carro estava parado. Henrique, meu fiel motorista e cúmplice secreto, estava próximo ao carro, a expressão dele era uma mistura de dor e lealdade inabalável. — Para onde a senhorita deseja ir? — ele perguntou, mantendo a formalidade. Eu sorri para ele, o meu primeiro sorriso de total liberdade. — Para um lugar onde eu não precise mais fingir. Para um hotel de luxo, Henrique. O mais discreto possível. — Sim, Madison. Entramos no carro. O silêncio era diferente do habitual; não era de tensão, mas de entendimento. Eu estava vestindo um vestido de dia caro, mas era, de fato, a única coisa material que eu possuía. Chegamos ao Hotel Imperial. Usei um cartão de crédito que Leon havia me forçado a abrir, uma conta secreta mantida com meus lucros, para provar que eu não dependia de meu pai. Pedi uma suíte luxuosa. Ao chegar no quarto, eu sabia que Henrique estava ali para algo
Cinco anos. Cinco anos tinham se passado desde aquele dia de aniversário, quando a mão protetora e experiente de Arthur, o melhor amigo do meu pai, me conduziu para a libertação. Eu tinha apenas dezoito anos, uma gaiola de ouro ambulante, e ele me mostrou a chave para o portão. Agora, aos vinte e três anos, a menina assustada havia desaparecido, substituída por uma mulher forjada no fogo do desejo e da fama. Eu explodi. Não havia outra palavra para descrever a minha ascensão. Graças à visão clínica e ao toque de gênio de Leon, eu me tornei a estrela mais quente do universo erótico. Meu nome artístico, Madison Flare, era sinônimo de excelência, luxúria e perversão. Eu não apenas participava de cenas; eu as dominava. Meu corpo, antes um templo intocado da pureza forçada, era agora uma obra de arte exibida para milhões. Eu fiz todos os tipos de cenas imagináveis, desafiando os limites do que era aceitável até mesmo no meu ramo: dupla penetração, gangbangs
Meses se passaram desde o turbilhão inicial de auto-descoberta. O gangbang, a violência do celeiro, o prazer roubado no consultório do Dr. Montez — tudo isso havia sido superado e catalogado como degraus na minha jornada incessante. Eu continuava minha vida dupla: a herdeira impecável sob o olhar frio do meu pai e a devoradora de prazeres insaciável na escuridão. Mas em meio a essa anarquia planejada, eu encontrei uma única constante, um refúgio que era ao mesmo tempo seguro e sexualmente intenso: Arthur. Eu estava no apartamento de Arthur, meu primeiro homem, aquele que, com um beijo proibido, havia libertado meu corpo do cativeiro social e dado início a essa minha saga pessoal. Seu apartamento era um santuário de luz suave e silêncio, sem o luxo opressor da mansão Falcone. Era um lugar onde eu podia ser apenas Madison, despida de títulos e mentiras. Adoro a intensidade de nossos encontros. A cada vez, é um reencontro, não apenas físico,







