INICIAR SESIÓNEu não deixei que ele terminasse. Dei um passo em sua direção, usando a fenda do vestido a meu favor.
— Não me venha com a sua moralidade de empresário, Arthur. Estou aqui porque não aguento mais a sua contenção. E a minha. — Minha voz era quase um rosnado, pura necessidade. Ele tentou me pegar pelos braços, talvez para me afastar, talvez para me acalmar. — Aqui não é lugar para isso. Não podemos… — Eu sei. É exatamente por isso que é o lugar. Eu me aproximei ainda mais, tão perto que ele podia sentir a minha respiração quente e rápida. — Eu não estou usando calcinha, Arthur. Eu precisei de você o dia todo, em cada conversa tediosa, em cada aperto de mão. Eu preciso de você agora. — Olhei em seus olhos, e a provocação final, a que eu sabia que quebraria seu controle, veio com uma malícia gelada. — Se não for você, eu vou encontrar outro para me foder. Agora mesmo. A ameaça era real. A urgência em meu olhar não deixava dúvidas. A ideia de eu me entregar a outro homem ali, naquele evento, sob o mesmo teto que ele e meu pai, foi o golpe final na sua fachada de homem respeitável. O olhar de Arthur escureceu, a reverência dando lugar a uma urgência brutal. A raiva, o desejo reprimido e o medo de ser substituído colidiram. — Sua ninfeta safada! — Ele murmurou, a injúria transformada em carícia. Ele me pegou com uma força inesperada, empurrando-me contra a parede fria do mármore. O impacto fez meu corpo estremecer. A seda vermelha do vestido subiu quase instantaneamente com o movimento brusco. Ele não perdeu tempo com delicadezas. Apressado, ele abriu o zíper de sua calça com um som que ecoou no silêncio luxuoso do banheiro. A foda foi bruta, rápida, um ato de emergência. Não havia mais a dança do toque respeitoso do apartamento de luxo. Ali era a urgência animal, a colisão de corpos em um ato proibido. Eu gemi, não de dor, mas do prazer do risco e da intensidade daquela possessão relâmpago. — Mais rápido, Arthur! Ahhh… Me fode, me fode… — Eu implorei, agarrando seu terno para manter o equilíbrio, o corpo arqueado contra a parede gelada. Ele investia com a fúria de quem está prestes a ser descoberto, a testa encostada na minha, os olhos fechados em um esforço de contenção. — Você ainda vai me matar por foder você assim! — ele ofegava, a voz distorcida entre o prazer e o perigo iminente. Eu ri, um som abafado, rouco, quase histérico. — Que nada, Arthur. Você aguenta. Você adora isso. Adora saber que, no meio de tudo isso, você é o meu único segredo. Nossos orgasmos vieram quase simultaneamente, um choque elétrico que durou apenas segundos, mas que esvaziou toda a tensão acumulada da noite. O alívio era físico e mental. Era a minha forma de meditar, de zerar o placar da hipocrisia. Arthur se afastou bruscamente, recuperando o fôlego e fechando o zíper com a mesma urgência que o abrira. Ele ajeitou o smoking com a familiaridade de quem se veste para o trabalho, enquanto eu descia a seda vermelha e alisei a fenda. Em menos de um minuto, não havia evidência, exceto pelo brilho úmido nos meus olhos e a pulsação ainda acelerada sob o vestido. Olhei-me no espelho. A imagem devolvida era de uma mulher perfeitamente composta. — Vamos? — perguntei, com a voz normal, como se tivéssemos acabado de discutir o preço das ações. Arthur apenas assentiu, o rosto pálido, a adrenalina ainda correndo em suas veias. Ele parecia ter envelhecido cinco anos em cinco minutos. Eu sorri para ele, pura satisfação. Eu não o tinha apenas desejado. Eu o tinha controlado. Saímos do banheiro com segundos de diferença, e eu voltei para a festa, passando por Arthur como se fôssemos apenas dois convidados distintos. Eu retomei minha conversa sobre caridade, mas, agora, sob a seda vermelha, eu era uma mulher diferente. O prazer era um segredo que eu carregava, e o risco, a minha maior excitação. A estrada, eu sabia, acabara de ficar muito mais perigosa.Chegamos ao fim da linha, queridos leitores. Ou, melhor dizendo, chegamos ao ponto onde a caneta encontra o presente, onde a história escrita se funde com a vida que eu vivo agora, neste exato instante, sentada na minha nova e imponente cobertura, observando as luzes da cidade que me condenou e me consagrou. Eu sei que este livro não foi uma leitura fácil. Não houve heroínas impecáveis, nem arcos de redenção clássicos. Vocês leram sobre a garota que foi quebrada pela exigência de perfeição do seu pai e que se reconstruiu com os pedaços de sua própria luxúria. Vocês me viram no esplendor da alta sociedade e na sujeira do feno. Vocês estiveram comigo na dor, na vergonha e, acima de tudo, no gozo. E é por isso que estou falando com vocês agora. Esta é a minha confissão, mas é mais do que isso: é a minha declaração de propriedade. Por anos, minha vida foi escrita por terceiros. Pelo meu pai, que me deu um roteiro de “Filha Perfeita” que e
Nós nos separamos abruptamente. Na entrada do restaurante, um paparazzo havia conseguido a foto perfeita: o beijo entre a herdeira deserdada e o melhor amigo de seu pai. — Puta que pariu! Isso não poderia acontecer — eu explodi, o pânico tomando conta de mim. A exposição nunca me incomodava nos meus filmes, mas a exposição que afetava a vida de Arthur era inaceitável. — Fica tranquila, Madison. Não tem problema, é só uma foto — Arthur tentou me acalmar, com uma serenidade que me irritou. — Arthur, como você pode ficar calmo? Não é só uma foto, é a sua reputação. Seu negócio, sua vida! — Do que você está falando? — Você tem uma reputação a zelar! Você é o melhor amigo do meu pai! Se ele ver uma foto dessa, a amizade de vocês vai acabar. E eu sei o quanto essa amizade é importante para você. Ele soltou uma risada amarga, mas com os olhos fixos nos meus, a fúria e o amor se misturando em um
O despertar no Hotel Imperial foi diferente. Não havia o peso da mentira ou o medo de ser descoberta, apenas o cheiro residual de Henrique e a certeza de que a minha vida antiga havia sido, finalmente, dinamitada. Eu estava sozinha, deserdada, e pela primeira vez, totalmente livre. Minha primeira ligação foi para Arthur. Ele era a minha bússola moral em meio à minha anarquia sexual. Disquei o número, e ele atendeu no primeiro toque, como se estivesse esperando. — Madison? Como você está? — A voz dele era urgente, carregada de preocupação. Eu contei tudo, sem suavizar os detalhes: o confronto com meu pai, o sermão e a expulsão com a roupa do corpo. Fui sincera e direta, como sempre fui com ele. — Ele não me deixou pegar nada, Arthur. Mas estou bem, juro. Houve um longo silêncio no telefone, um silêncio de dor, não de julgamento. Ele conhecia Hector Falcone profundamente, e sabia o quanto aquela rejeição
Lá fora, o carro estava parado. Henrique, meu fiel motorista e cúmplice secreto, estava próximo ao carro, a expressão dele era uma mistura de dor e lealdade inabalável. — Para onde a senhorita deseja ir? — ele perguntou, mantendo a formalidade. Eu sorri para ele, o meu primeiro sorriso de total liberdade. — Para um lugar onde eu não precise mais fingir. Para um hotel de luxo, Henrique. O mais discreto possível. — Sim, Madison. Entramos no carro. O silêncio era diferente do habitual; não era de tensão, mas de entendimento. Eu estava vestindo um vestido de dia caro, mas era, de fato, a única coisa material que eu possuía. Chegamos ao Hotel Imperial. Usei um cartão de crédito que Leon havia me forçado a abrir, uma conta secreta mantida com meus lucros, para provar que eu não dependia de meu pai. Pedi uma suíte luxuosa. Ao chegar no quarto, eu sabia que Henrique estava ali para algo
Cinco anos. Cinco anos tinham se passado desde aquele dia de aniversário, quando a mão protetora e experiente de Arthur, o melhor amigo do meu pai, me conduziu para a libertação. Eu tinha apenas dezoito anos, uma gaiola de ouro ambulante, e ele me mostrou a chave para o portão. Agora, aos vinte e três anos, a menina assustada havia desaparecido, substituída por uma mulher forjada no fogo do desejo e da fama. Eu explodi. Não havia outra palavra para descrever a minha ascensão. Graças à visão clínica e ao toque de gênio de Leon, eu me tornei a estrela mais quente do universo erótico. Meu nome artístico, Madison Flare, era sinônimo de excelência, luxúria e perversão. Eu não apenas participava de cenas; eu as dominava. Meu corpo, antes um templo intocado da pureza forçada, era agora uma obra de arte exibida para milhões. Eu fiz todos os tipos de cenas imagináveis, desafiando os limites do que era aceitável até mesmo no meu ramo: dupla penetração, gangbangs
Meses se passaram desde o turbilhão inicial de auto-descoberta. O gangbang, a violência do celeiro, o prazer roubado no consultório do Dr. Montez — tudo isso havia sido superado e catalogado como degraus na minha jornada incessante. Eu continuava minha vida dupla: a herdeira impecável sob o olhar frio do meu pai e a devoradora de prazeres insaciável na escuridão. Mas em meio a essa anarquia planejada, eu encontrei uma única constante, um refúgio que era ao mesmo tempo seguro e sexualmente intenso: Arthur. Eu estava no apartamento de Arthur, meu primeiro homem, aquele que, com um beijo proibido, havia libertado meu corpo do cativeiro social e dado início a essa minha saga pessoal. Seu apartamento era um santuário de luz suave e silêncio, sem o luxo opressor da mansão Falcone. Era um lugar onde eu podia ser apenas Madison, despida de títulos e mentiras. Adoro a intensidade de nossos encontros. A cada vez, é um reencontro, não apenas físico,







