FAZER LOGINO nosso relacionamento, se é que se podia chamar aquilo de relacionamento, estabeleceu-se rapidamente sobre três pilares: discrição, luxo e a tensão constante da transgressão. Depois da minha festa de dezoito anos, Arthur e eu não tivemos mais a coragem — ou a audácia — de nos encontrar em um ambiente tão exposto. Ele usava um apartamento de luxo que mantinha discretamente, um refúgio de solteiro que parecia ter sido projetado para a absoluta impessoalidade. Paredes em tons neutros, janelas que ofereciam vistas panorâmicas da cidade, e o silêncio que só o dinheiro comprava. Era lá que eu o encontrava, longe dos olhos de meu pai, longe do julgamento do mundo, em um espaço onde eu podia, finalmente, ser apenas Madison e ele, apenas Arthur.
Esses encontros eram intensos e focados. Arthur tinha se tornado um aluno dedicado do meu desejo. Ele havia entendido que a minha ninfomania não era descontrole, mas uma forma sofisticada de consciência. Eu não buscava qualquer prazer; eu buscava a experiência, a entrega e a profundidade da conexão que só o excesso me proporcionava. Ele me dava tudo isso, sempre equilibrando o respeito que me devia com a necessidade bruta que eu despertava nele. No entanto, a rotina dos lençóis de seda e da privacidade absoluta, por mais intensa que fosse, começou a me parecer... segura demais. E segurança, para mim, era o oposto da vida. Eu precisava de risco. Eu precisava da adrenalina do quase-flagrante para sentir a entrega em sua forma mais pura. Meu corpo clamava por um palco mais perigoso. A oportunidade veio algumas semanas depois, durante um jantar de gala no Salão Cristal do Hotel Imperial, um evento beneficente onde a presença dos Falcone era obrigatória, e a de Arthur, como amigo íntimo da família, esperada. Eu me preparei para a noite como uma general se prepara para a batalha. Eu usava um vestido longo, de seda vermelha, que parecia líquido contra a minha pele. O decote era profundo o suficiente para ser notado, mas o verdadeiro perigo estava na fenda lateral, que subia implacavelmente, revelando a perna a cada movimento. Era um vestido que me fazia sentir como fogo, e eu sabia que ele funcionaria como um farol para Arthur. Entrei no salão com meus pais, a personificação da elegância jovem. Meus olhos varreram a sala, identificando os alvos. Vi Arthur de longe. Ele estava em um grupo de homens importantes, todos de smoking, todos com sorrisos polidos e taças de whisky na mão. Ele parecia perfeitamente integrado àquele mundo de regras e contenções. Exatamente onde eu queria encontrá-lo. Nossos olhares se cruzaram. Durou talvez dois segundos. Vi o reconhecimento, o alerta silencioso que passava por trás de sua fachada de empresário. Ele acenou levemente, com a cordialidade que se esperava de um amigo do pai para a filha do anfitrião. Mas eu sabia o que ele estava vendo: o tecido vermelho, a fenda ousada, e a certeza no meu olhar de que eu estava ali para bagunçar as coisas. Eu sorri, um sorriso lento e calculado, que só ele podia decifrar. Então, discretamente, peguei meu celular na minha pequena clutch. A mão que digitava estava firme, o coração, acelerado pelo prazer da caça. Enviei a mensagem: Preciso de você. No banheiro principal, em cinco minutos. Aguardei, mantendo a conversa com uma esposa de político sobre caridade. Segundos depois, senti a vibração discreta do meu pulso. A resposta de Arthur era apenas um ponto de interrogação. Eu não respondi. A urgência era a minha arma. Vi Arthur pedir licença do grupo com a seriedade de quem lida com um telefonema de Tóquio. Ele se moveu com sua calma habitual, mas eu percebi o micro-ajuste em seus ombros. Ele estava tenso. Ele sabia que o convite não era para uma conversa sobre lucros. Eu esperei um minuto e, então, pedi licença à senhora que falava sobre o preço das joias. — Vou retocar a maquiagem, querida — disse, com a doçura que me era esperada. Eu segui para o banheiro feminino. O local era tão luxuoso quanto o resto do hotel: mármore polido, espelhos que duplicavam o teto alto e luz suave. Eu não entrei em uma das cabines. Parei ao lado das pias e esperei. Não demorou. Ouvi o clique da porta de entrada se fechar. Arthur estava ali. Seu rosto, geralmente sereno, estava marcado por uma mistura de exasperação e excitação. Ele estava bonito, absurdamente correto em seu smoking preto. O contraste era delicioso. — Madison, o que você está fazendo? — Ele sussurrou, a voz baixa, carregada de nervosismo. — Você está maluca? Meu grupo está a vinte metros daqui. Seu pai…Chegamos ao fim da linha, queridos leitores. Ou, melhor dizendo, chegamos ao ponto onde a caneta encontra o presente, onde a história escrita se funde com a vida que eu vivo agora, neste exato instante, sentada na minha nova e imponente cobertura, observando as luzes da cidade que me condenou e me consagrou. Eu sei que este livro não foi uma leitura fácil. Não houve heroínas impecáveis, nem arcos de redenção clássicos. Vocês leram sobre a garota que foi quebrada pela exigência de perfeição do seu pai e que se reconstruiu com os pedaços de sua própria luxúria. Vocês me viram no esplendor da alta sociedade e na sujeira do feno. Vocês estiveram comigo na dor, na vergonha e, acima de tudo, no gozo. E é por isso que estou falando com vocês agora. Esta é a minha confissão, mas é mais do que isso: é a minha declaração de propriedade. Por anos, minha vida foi escrita por terceiros. Pelo meu pai, que me deu um roteiro de “Filha Perfeita” que e
Nós nos separamos abruptamente. Na entrada do restaurante, um paparazzo havia conseguido a foto perfeita: o beijo entre a herdeira deserdada e o melhor amigo de seu pai. — Puta que pariu! Isso não poderia acontecer — eu explodi, o pânico tomando conta de mim. A exposição nunca me incomodava nos meus filmes, mas a exposição que afetava a vida de Arthur era inaceitável. — Fica tranquila, Madison. Não tem problema, é só uma foto — Arthur tentou me acalmar, com uma serenidade que me irritou. — Arthur, como você pode ficar calmo? Não é só uma foto, é a sua reputação. Seu negócio, sua vida! — Do que você está falando? — Você tem uma reputação a zelar! Você é o melhor amigo do meu pai! Se ele ver uma foto dessa, a amizade de vocês vai acabar. E eu sei o quanto essa amizade é importante para você. Ele soltou uma risada amarga, mas com os olhos fixos nos meus, a fúria e o amor se misturando em um
O despertar no Hotel Imperial foi diferente. Não havia o peso da mentira ou o medo de ser descoberta, apenas o cheiro residual de Henrique e a certeza de que a minha vida antiga havia sido, finalmente, dinamitada. Eu estava sozinha, deserdada, e pela primeira vez, totalmente livre. Minha primeira ligação foi para Arthur. Ele era a minha bússola moral em meio à minha anarquia sexual. Disquei o número, e ele atendeu no primeiro toque, como se estivesse esperando. — Madison? Como você está? — A voz dele era urgente, carregada de preocupação. Eu contei tudo, sem suavizar os detalhes: o confronto com meu pai, o sermão e a expulsão com a roupa do corpo. Fui sincera e direta, como sempre fui com ele. — Ele não me deixou pegar nada, Arthur. Mas estou bem, juro. Houve um longo silêncio no telefone, um silêncio de dor, não de julgamento. Ele conhecia Hector Falcone profundamente, e sabia o quanto aquela rejeição
Lá fora, o carro estava parado. Henrique, meu fiel motorista e cúmplice secreto, estava próximo ao carro, a expressão dele era uma mistura de dor e lealdade inabalável. — Para onde a senhorita deseja ir? — ele perguntou, mantendo a formalidade. Eu sorri para ele, o meu primeiro sorriso de total liberdade. — Para um lugar onde eu não precise mais fingir. Para um hotel de luxo, Henrique. O mais discreto possível. — Sim, Madison. Entramos no carro. O silêncio era diferente do habitual; não era de tensão, mas de entendimento. Eu estava vestindo um vestido de dia caro, mas era, de fato, a única coisa material que eu possuía. Chegamos ao Hotel Imperial. Usei um cartão de crédito que Leon havia me forçado a abrir, uma conta secreta mantida com meus lucros, para provar que eu não dependia de meu pai. Pedi uma suíte luxuosa. Ao chegar no quarto, eu sabia que Henrique estava ali para algo
Cinco anos. Cinco anos tinham se passado desde aquele dia de aniversário, quando a mão protetora e experiente de Arthur, o melhor amigo do meu pai, me conduziu para a libertação. Eu tinha apenas dezoito anos, uma gaiola de ouro ambulante, e ele me mostrou a chave para o portão. Agora, aos vinte e três anos, a menina assustada havia desaparecido, substituída por uma mulher forjada no fogo do desejo e da fama. Eu explodi. Não havia outra palavra para descrever a minha ascensão. Graças à visão clínica e ao toque de gênio de Leon, eu me tornei a estrela mais quente do universo erótico. Meu nome artístico, Madison Flare, era sinônimo de excelência, luxúria e perversão. Eu não apenas participava de cenas; eu as dominava. Meu corpo, antes um templo intocado da pureza forçada, era agora uma obra de arte exibida para milhões. Eu fiz todos os tipos de cenas imagináveis, desafiando os limites do que era aceitável até mesmo no meu ramo: dupla penetração, gangbangs
Meses se passaram desde o turbilhão inicial de auto-descoberta. O gangbang, a violência do celeiro, o prazer roubado no consultório do Dr. Montez — tudo isso havia sido superado e catalogado como degraus na minha jornada incessante. Eu continuava minha vida dupla: a herdeira impecável sob o olhar frio do meu pai e a devoradora de prazeres insaciável na escuridão. Mas em meio a essa anarquia planejada, eu encontrei uma única constante, um refúgio que era ao mesmo tempo seguro e sexualmente intenso: Arthur. Eu estava no apartamento de Arthur, meu primeiro homem, aquele que, com um beijo proibido, havia libertado meu corpo do cativeiro social e dado início a essa minha saga pessoal. Seu apartamento era um santuário de luz suave e silêncio, sem o luxo opressor da mansão Falcone. Era um lugar onde eu podia ser apenas Madison, despida de títulos e mentiras. Adoro a intensidade de nossos encontros. A cada vez, é um reencontro, não apenas físico,







