Compartir

12

last update Fecha de publicación: 2022-12-01 03:42:14

— Merda, isso está um caos! — xinguei irritado quando o telefone voltou a tocar no meio de mais uma leitura de relatórios. Respirei fundo. Preciso resolver a questão da minha secretária logo, ou enlouquecerei aqui. Parei tudo que tinha para fazer e peguei alguns currículos das entrevistas dentro da minha gaveta. Li atentamente um por um, mas foi o último currículo que me chamou a atenção. 

CURRÍCULO VITAI

NOME: Ana Júlia Falcão.

IDADE: 20 anos.

ESCOLARIDADE: Segundo período de medicina e curso completo de inglês.

EXPERIÊNCIA: Sem experiências.

OBSERVAÇÃO: Aberta a novas experiências. 

— Interessante! — disse baixinho. — Jovem, boa aparência, inexperiente, essa parte me preocupa. Tive que demitir algumas mulheres com bastante experiência no cargo. Será que ela conseguiria dar conta? Olho a foto no topo do currículo e me deixo levar. Ela é bonita! Uma morena e tanto! Olhos castanhos e meigos, cabelos negros, lábios cheios. Simplesmente linda! Bufei, esfregando as mãos no rosto. No que você está pensando, Luís Renato? Essa garota não serve pra você, cara. Ela não é igual às mulheres que você costuma levar para a cama nesses últimos anos! Fui interrompido por algumas batidas na porta do meu escritório, então ergui a cabeça e olhei na mesma direção.

— Pode entrar — ordenei.

— Boa tarde, senhor Luís! Vim avisar que amanhã não poderei lhe ajudar com a agenda — Cassandra informou, entrando na minha sala. — O senhor Marcos recebeu um telefonema e soube que houve alguns problemas na construção do hotel em Londres. Nós viajaremos essa noite. Ele quer resolver tudo quanto antes.

— Algo grave? — indaguei preocupado.

— Não sei lhe informar, senhor. Mas ele deve vir conversar com o senhor antes de terminar o expediente.

— Certo! Cassandra, um último favor, eu prometo — estendi-lhe o currículo de Ana Júlia Falcão. — Ligue para a senhorita Ana Júlia e informe que a quero aqui amanhã, às oito em ponto. Deixe bem claro que não tolero atrasos. — Minha voz tem um tom ríspido, porém calmo.

— Claro, senhor Luís, mais alguma coisa? — perguntou com um sorriso satisfeito.

— Sim. Veja alguém para treiná-la por uma semana. Quero que ela faça as coisas como eu gosto.

— Certo. — Cassandra olhou-me com hesitação.

— O que foi?

— E se o senhor a deixasse ter uma experiência de pelo menos um mês? — sugeriu. — Sabe? Para ver se dá certo! Quatro demissões em apenas quinze dias são demais até mesmo para o Senhor.

— Não sou exigente, Cassandra. Só acredito que ser pontual e atencioso com o trabalho não é pedir demais — retruquei.

— Certo, tem razão! Mas, que tal ser só um pouquinho tolerável? — Ela fez um gesto com os dedos indicador e polegar, para enfatizar o pouquinho.

— Um pouquinho tolerável? — perguntei. — Ok, eu vou tentar. — Ela sorriu. — Mas não prometo nada! — completei. — Assentiu com um sorriso satisfeito e saiu da minha sala, então eu voltei aos meus documentos.

Já são seis horas quando Marcos passou em minha sala e explicou os novos problemas na construção do novo hotel em Londres, depois saiu apressado, a fim de arrumar as suas malas para ir ao aeroporto quanto antes. Saí do meu escritório às nove da noite, quando já não tinha mais ninguém no prédio além dos seguranças. Entrei no elevador e fui direto para a garagem como de costume. Destravei o meu carro, um Porshe amarelo. Era hora de ir para casa... ou seja, para o meu inferno particular. Chegar em casa e olhar tudo aquilo deixava-me deprimido. Eu deveria ter ficado no escritório mesmo, ou ido a algum barzinho, ou talvez ido dormir em um flat. Suspirei, deixando os meus olhos percorrerem todo o ambiente. Olhar todas aquelas obras de arte espalhadas pela casa, os móveis de designs modernos, as cortinas de linho branco nas janelas, os tapetes. Tudo decorado por ela, cada pedacinho desse lugar. Algumas vezes, tive vontade de destruir tudo com as minhas próprias mãos, de deixar o ódio das lembranças dominar-me, sair quebrando tudo e só parar quando não restasse mais nada. Mas demolir a casa e construir outra no lugar não vai apagar o que está aqui dentro do meu peito. Sou um fodido mesmo, quebrado. Ela me destruiu, para eu rejeitar qualquer mulher que quisesse entrar em minha vida. Respirei fundo e subi as escadas. Fui para o meu quarto, entrei no banheiro e tomei um banho frio e demorado. A frieza da água ajudou a abrandar a minha dor. Fiquei ali durante horas e só saí quando notei as pontas dos dedos ficarem roxas e o corpo tremular incontrolavelmente. Sequei-me com uma toalha grande e felpuda, vesti uma roupa leve e deitei na minha cama. Tentei dormir, mas o sono não vinha. Ele nunca vem. Nada além das lembranças felizes de uma vida que um dia pensei ter, mas que não passava de pura ilusão. Levantei impaciente da cama, desci as escadas com passos largos e fui para o bar no canto da sala. Esse virou o meu o companheiro em momentos de dor e solidão como esse. Servi-me de uma dose generosa de uísque puro e sem gelo e bebi tudo em um só gole. A bebida desceu queimando, e só assim eu senti a minha mente relaxar. Servi mais uma dose generosa e me sentei no sofá em forma de L, que fica de frente para as escadas de onde eu costumava assisti-la descer em seus vestidos exuberantes e sensuais. Meu celular tocou em cima da mesinha de centro e só então percebi que adormeci aqui mesmo no sofá. Sentei no sofá acolchoado e macio e esfreguei os meus olhos antes de atendê-lo. São duas da madrugada e Karolina Viena está me ligando, porquê? Atendi à chamada um tanto irritado e escutei um barulho infernal de música alta e de muitas vozes falando ao mesmo tempo do outro lado da linha.

— Fala, Karol — disse sem vontade alguma de iniciar uma conversa com ela.

— Oi, Luís! — Ela gritou por conta da música alta.

— Karol, você sabe que horas são? — resmunguei. — São quase duas e meia da manhã! Mas que droga, Karol! Eu trabalho, sabia?!

— Deixa de ser chato, Luís! Sabe aonde eu estou? — perguntou em tom animado. Suspirei, puto da vida. Karol é uma grande amiga da família. Eu a tolero desde a nossa infância. Estudamos juntos durante toda a adolescência e só nos separamos no período da faculdade. Faz tempo que não nos vemos e nem nos falamos, embora trabalhemos no mesmo prédio. Ela foi uma amiga incrível depois que minha vida virou o destroço que é hoje.

— Não, eu não sei e não sei se quero saber também! — rosnei.

— Estou na boate Kiss, aqui no centro.

— Karol, eu sei onde fica a boate Kiss — falei ainda ríspido, interrompendo-a — E não, não estou interessado em saber onde você está, então fala logo o que quer!

— Argh! Você é um chato mesmo! Sabe quem está aqui? — resmungou chateada, mas logo mudou seu humor. 

Haja paciência!

— Não sei, não quero saber, e tenho raiva de quem sabe! Boa noite, Karol, a gente se fala! — Encerrei a chamada sem esperar a sua resposta e resolvi ir para o meu quarto. Deitei em minha cama espaçosa, adormecendo alguns minutos depois. Mas a noite inteira sonhei com ela, com o seu sorriso, com o seu toque. Nós dois fazendo amor em nosso quarto. Com os seus beijos quentes e molhados. Foram sonhos conturbados, uma mistura de nós dois em momentos íntimos, com ela me apunhalado pelas costas.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • Por Você   Epílogo - II

    Cristal— Mamãe, posso pegar um? — Alan pede de olho nos doces arrumados de forma estratégica sobre as bandejas e automaticamente Arthur, e Alisson se aproximam. Não tem como evitar, eles são como abelhinhas, completamente loucos por doces. Como uma mãe coruja que sou, assinto para eles com um sorriso e cada um pega o seu doce, e saem correndo na direção da porta. Na minha adolescência não me via casada com o Mick, menos ainda construindo uma família com ele, mas poxa, o destino junta as peças e arma cada uma! Quando os meus olhos o viram de uma forma completamente diferente, eu pensei comigo mesma... Me apaixonei, e agora? Rio dos meus pensamentos sem noção. Como sou do tipo que paga pra ver, corri atrás e olha no que deu! Ah, eu estou apaixonada por esse homem a cada dia que se passa e os Mick mirins completam esse sentimento avassalador. Nossa, acordar com seus beijos e a bagunça que eles fazem todas as manhãs na minha cama não tem preço. Por ser a única mulher da casa, sou conside

  • Por Você   Epílogo - I

    JonathanQuando se é apenas um adolescente a sua única preocupação é estudar, se formar e um dia ser o melhor, além de olhar, cobiçar e pegar as garotas mais lindas que você conseguir na sua frente. Mas quando o seu coração está flechado e a sua mente amadurece, a sua visão é completamente. Olho para a minha linda família junto aos nossos parentes e amigos. Eles sorriem animados, enquanto conversam e se divertem. As minhas filhas estão correndo pelo imenso e verde jardim, brincando com seus primos. E, cara, como é incrível que elas sejam tão idênticas, assim como os primos. Quais as chances de isso acontecer duas vezes em uma única família? Gravidez de gêmeos univitelinos. Isso é tão... engraçado e ao mesmo tempo impressionante. E acredite, às vezes é difícil dizer quem é quem. É preciso muita atenção para identificá-los. Maitê por exemplo, tem um sinal sutil debaixo do queixo, a Lorena é um pouquinho mais alta que suas irmãs, é algo quase imperceptível e a jade tem um sinal um pouco

  • Por Você   117

    Um mês depois... — Jonathan Alcântara, não se atreva! — ralho e corro para longe dele como uma desesperada pela areia branca e fina da praia. Meu marido vem logo atrás de mim, com uma rapidez impressionante e me agarra, se desequilibrando, e cai me levando junto consigo. Não consigo conter a sonora gargalhada. Contudo, ele prende os meus punhos e leva as minhas mãos acima da minha cabeça, montando-me no mesmo instante, inclinando-se só um pouco e o seu rosto fica perto demais do meu. Fecho os meus olhos, livrando-me da intensidade dos seus e me preparo para mais um beijo arrebatador. Contudo, ele não vem e curiosa, volto a abri-los. Sorrio quando encontro o seu sorriso. Ele está me olhando e a sua intensidade continua ali, me mantendo cativa.— Fala — Ele pede e eu finjo confusão.— Falar o que? — Divirto-me com a sua curiosidade.— Você sabe que eu não vou aguentar até de tarde, Bonitinha. Não seja uma garota má —resmunga e o meu sorriso se amplia.— Eu não sei do que está falando,

  • Por Você   116

    JasmineMOMENTOS DOS PREPARATIVOS DO CASAMENTO...Você já fez um acordo com alguém e não conseguiu levar a diante? Eu fiz... A dois anos atrás, quando chegamos ao Brasil eu e o Jonathan resolvemos não voltar mais para a casa dos seus pais. Alugamos um apartamento e de cara abrimos as nossas empresas. Algo pequeno, singelo, de acordo com os nossos esforços. Acredite, tio Luís quis e muito envolver o seu dinheiro e nos favorecer, mas tanto eu quanto o meu tínhamos um objetivo: seguir os nossos sonhos juntos e tínhamos muitas estradas para trilhar, acredite. De fato, nós conseguimos e com o lucro das empresas saímos do aluguel e compramos a nossa casa em um dos bairros mais nobres do estado. Ipanema. Mais um sonho realizado. Esse pensamento sempre me faz sorrir. Me lembro do dia que ele sem mais nem menos se sentou ao meu lado na cama e falou: vamos marcar a data do nosso casamento? Sim, fui pega de surpresa, porém, eu estava mais do que pronta para esse momento. Oficializar o que já tín

  • Por Você   115

    JonathanSe tem um lugar que eu amo de paixão e que adotei como meu cantinho, é o monumento do Cristo Redentor. Mas vocês já sabem disso. Aqui me sinto livre e ponho as minhas ideias no lugar. Me sinto calmo, forte e abençoado. Mas não é a qualquer momento ou em qualquer tempo e ainda a qualquer hora do dia. O efeito maior é quando vejo os primeiros raios de sol surgirem no horizonte. Aí vem os pássaros cantando na alvorada e as cores brincando no céu quase iluminado. Como ver, tem todo um ritual para isso acontecer. Respiro o ar frio da madrugada que me envolve nesse momento. Isso mesmo. É aqui que eu estou nesse exato momento, no Cristo Redentor. Contudo, dessa vez não estou sozinho, a minha família está aqui comigo. Não todos, na verdade. Apenas os mais íntimos, se é que isso é possível. Olho para o meu relógio. Estou ansioso, muito mesmo. Quando pedi Jasmine em casamento a dois anos atrás e ela me disse aquele sim emocionado, passei a sonhar com esse dia desde então. Quem disse qu

  • Por Você   114

    MickMeses depois...— Desculpe, senhores, mas não posso permitir que entrem todos de uma só vez na sala. — A enfermeira avisa, olhando para a multidão de parentes que insiste em participar do ultrassom que revelará o sexo do nosso bebê.— Que absurdo! — Senhor Alcântara resmunga contrariado. — Eu sou o avô e tenho direito de assistir o ultrassom.— Eu também sou o avô e tenho o mesmo direito! — Papai rebate um tanto chateado. Puxo a respiração e olho para a minha esposa, que parece se divertir com essa confusão.— Ok! — digo chamando a atenção de todos para mim. — Entraremos apenas a Cristal e eu. Eu prometo pedir um CD do exame para cada um de vocês, pode ser? — Jogo uma sugestão na esperança de acalmar os ânimos, porém, a confusão recomeça. Luís, Armando, Edgar, Ana, Rose e Lisa, todos falando ao mesmo tempo. A enfermeira se ver louca com o barulho de todos e impaciente rolo os olhos. — Já chega! — esbravejo e o silêncio toma conta do lugar. Respiro fundo e seguro a mão da minha es

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status