INICIAR SESIÓNAssim que a porta do apartamento 122 se fechou atrás deles, o mundo lá fora deixou de existir. Não houve tempo para acender as luzes ou para qualquer conversa de cortesia. O som do metal da tranca batendo foi o sinal verde que ambos precisavam. Arthur não esperou; ele a prensou contra a madeira da porta, as mãos grandes encontrando o rosto de Yas com urgência enquanto a beijava com uma fome que ela não sentia em alguém há muito tempo.
Yasmin retribuiu na mesma intensidade, suas mãos subindo pelo paletó dele até encontrar os ombros largos, puxando-o para mais perto, se é que aquilo era possível. O beijo era profundo, quente e carregado da promessa que haviam feito no bar. O perfume amadeirado de Arthur agora estava misturado ao calor da pele dela, criando uma atmosfera inebriante no hall de entrada escuro.
— O quarto... — ela arquejou entre um beijo e outro, sentindo as mãos dele descerem e apertarem sua cintura com força.
— Esquece o quarto por um segundo — ele rosnou contra o pescoço dela, distribuindo beijos úmidos que a faziam arrepiar inteira.
Arthur a pegou no colo de uma vez, as pernas de Yas se entrelaçando na cintura dele instintivamente. Ele a carregou pelo corredor, guiado apenas pela luz fraca que vinha das janelas da sala, refletindo as luzes da cidade. Yas indicou a porta à esquerda com um gesto rápido, e eles entraram no quarto. Ele a depositou na cama king-size, mas antes que ele pudesse se afastar para tirar a própria roupa, Yas o puxou pela gravata, trazendo-o de volta para cima dela.
— Eu disse que não gostava de quem entregava pouco, lembra? — ela provocou, a voz rouca, enquanto começava a abrir os botões da camisa dele com agilidade.
— Eu lembro de cada palavra que você disse, Yas — Arthur respondeu, ajudando-a a se livrar do paletó e da camisa.
Quando ele finalmente se livrou das roupas, Yas teve um vislumbre do corpo dele sob a luz do luar: ombros largos, abdômen definido e uma postura de quem sabia exatamente o que estava fazendo. Ela não ficou atrás. Arthur deslizou o zíper do vestido terracota dela, e o tecido de seda escorregou pela sua pele como um carinho, revelando a lingerie de renda preta que contrastava perfeitamente com seu tom de pele.
Arthur soltou um suspiro pesado, os olhos percorrendo cada curva dela com uma admiração óbvia. — Você é... inacreditável.
Ele se posicionou sobre ela, mas Yas, num movimento ágil, inverteu as posições. Ela sentou-se sobre o abdômen dele, dominando a situação. Arthur gemeu baixo, as mãos encontrando as coxas dela, subindo até o quadril.
— Hoje o ritmo é meu — ela sussurrou, inclinando-se para beijar o peitoral dele, descendo o rastro de beijos até o abdômen.
Ela o ouviu arfar quando sua boca o encontrou. Yasmin sabia exatamente o poder que tinha e como usar cada sentido para deixá-lo louco. Arthur enterrou as mãos nos cabelos dela, a cabeça jogada para trás contra o travesseiro, enquanto deixava escapar elogios e palavras desconexas sobre como ela o estava deixando completamente fora de si. O prazer era palpável no ar, uma tensão que subia a cada segundo.
Quando sentiu que ele estava no limite, Yas parou, olhando-o nos olhos com um sorriso vitorioso. Arthur estava com o olhar nublado, a respiração errática.
— Agora — ele pediu, a voz quase falhando.
Ele alcançou a carteira no bolso da calça que estava jogada no chão e pegou a camisinha. Yasmin a colocou nele com calma, provocando-o até o último segundo. Quando ela finalmente se sentou sobre ele novamente e se conectaram, o mundo pareceu parar.
A intensidade era diferente de tudo o que Yas já havia experimentado. Não era apenas físico; era uma sincronia bruta. Arthur segurou o rosto dela, puxando-a para um beijo profundo enquanto se movia com uma força que a fazia perder o fôlego. Yasmin jogou a cabeça para trás, as mãos cravadas nos ombros dele, sentindo cada estocada, cada toque, cada centímetro dele dentro dela.
— Você não tem noção... do que está fazendo comigo — Arthur sussurrou no ouvido dela, a voz carregada de desejo.
— Então não para... — ela respondeu, aumentando o ritmo, sentindo o prazer subir como uma onda incontrolável.
Eles não pararam. O quarto era preenchido apenas pelo som da respiração pesada, o impacto dos corpos e os gemidos que não tentavam mais esconder. Yasmin sentia que estava pegando fogo, o clímax chegando com uma força avassaladora que a fazia tremer. Ela se entregou completamente às sensações, sentindo Arthur acompanhá-la em cada movimento, cada vez mais fundo, cada vez mais rápido.
Quando o ápice finalmente os atingiu, foi como uma explosão. Eles gozaram juntos, os nomes um do outro perdidos entre os lençóis bagunçados. O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som de dois corações tentando voltar ao ritmo normal.
Arthur a puxou para o seu peito, abraçando-a com força enquanto o suor esfriava em suas peles. Ele beijou o topo da cabeça dela, ainda tentando recuperar o fôlego.
— Eu sabia que você era perigosa, Yas... mas isso foi outra coisa — ele confessou, a voz cansada mas satisfeita.
Yasmin sorriu, aninhando-se no abraço dele. Ela sentia um relaxamento profundo, uma satisfação que raramente encontrava. Não havia necessidade de palavras profundas ou promessas; o que havia acontecido ali falava por si só. Em poucos minutos, o cansaço da semana e a intensidade da noite os venceram, e eles adormeceram profundamente, entrelaçados em meio ao caos do quarto.
A luz do domingo entrou no apartamento pelas frestas da cortina com uma suavidade que contrastava com o caos da madrugada. Yasmin estava deitada na própria cama, com a lateral da cabeça latejando numa dor surda e o curativo na testa lembrando o susto da balada. A sensação de tontura ainda aparecia se ela tentasse levantar rápido demais, o que a forçava a aceitar uma posição que ela detestava: a de depender de alguém.Thiago passou a manhã toda ali, movendo-se pelo quarto com passos firmes e silenciosos. O cuidado dele era totalmente prático. Ele entrava de hora em hora para deixar um copo d’água fresco na mesa de cabeceira, checar o horário do analgésico e garantir que ela não estava encostando no celular. Não havia cobrança no rosto dele, nenhuma tentativa de usar o papel de cuidador como moeda de troc
O telefone de Thiago mal tinha completado o segundo toque quando ele atendeu. A voz do Arthur, direta e sem o tom irônico de sempre, foi um soco no estômago: “A Yasmin se machucou na balada. Bateu a cabeça. Estou levando ela para o pronto-socorro do Albert Einstein. Vem para cá.”Trinta minutos depois, Thiago arrancava com o carro na entrada da emergência. Ele entrou no hospital com passos largos, o peito subindo e descendo rápido, os olhos rodando a recepção até focar na ala de triagem. A raiva da discussão de sábado de tarde tinha sumido por completo, engolida por uma preocupação cega que fazia suas mãos ainda tremerem de leve.Ao avistar a cena, ele travou por um segundo. Yasmin estava sentada em uma cadeira de rodas, com um curativo limpo na lateral da testa, ainda meio pálida. Ao lado dela, o Arthur segurava a ficha médica e c
O som abafado da balada começou a voltar aos poucos, como se a Yasmin estivesse saindo debaixo d'água. A música ainda batia no teto, mas aquela gritaria desesperada estava mais longe. A lateral da cabeça dela latejava num ritmo violento, e o chão frio do estacionamento foi trocado por braços firmes que a ergueram com cuidado, sem perder tempo.— Yasmin? Ei, olha para mim. Fica comigo.A voz era firme, limpa e estranhamente conhecida. Quando ela conseguiu forçar os olhos a abrir, a luz do estacionamento bateu direto no rosto tenso do Arthur. Ele estava ali na balada sozinho e, ao notar aquela confusão perto do bar, reconheceu a silhueta dela caindo no meio do tumulto.O Arthur não pensou duas vezes. Saiu do camarote, se enfiou no meio da briga abrindo caminho no braço e puxou a Yasmin da
Ficar em casa trancada no apartamento remoendo as perguntas do Thiago e o cansaço da semana não era a cara da Yasmin. Às onze da noite, decidida a fugir do próprio mau humor e daquela sensação chata de cobrança que tinha estragado o seu sábado, ela mandou uma mensagem para a Marina, sua amiga dos tempos de faculdade. Duas horas depois, as duas já estavam entrando em uma balada badalada no Itaim Bibi.O lugar era exatamente o que a Yasmin precisava: barulhento, escuro e cheio de gente que ela não conhecia. O som grave da pista vibrava direto no peito, e os feixes de luz neon cortavam o ambiente. No balcão do bar, esperando os drinques, Yasmin se permitiu baixar a guarda bem mais do que o normal. Aquela rigidez do trabalho e a postura defensiva dos últimos dias sumiram por umas horas.— Amiga, você es
A transição do ritmo louco da agência para a calmaria do fim de semana não trouxe o alívio que Yasmin queria. O sábado amanheceu com um céu limpo, mas, por dentro, ela ainda sentia o cansaço acumulado daquela sexta-feira intensa trancada na sala com o Arthur.Por volta do meio-dia, a campainha do apartamento 122 tocou. Era o Thiago. Ao abrir a porta, Yasmin o recebeu com um selinho rápido e um sorriso leve, tentando deixar o cansaço de lado. Ele entrou trazendo uma sacola com o almoço que tinha comprado para os dois, vestindo jeans e uma camiseta escura, com aquele jeito rústico e firme de sempre.— Pensei em passarmos a tarde sossegados, já que sua semana foi um caos — ele disse, deixando a comida na bancada da cozinha e puxando Yasmin pela cintura para um abraço mais demorado.
De terça a quinta-feira, o décimo segundo andar da agência operou em um ritmo quase mecânico, mas previsível. A sala de reuniões reservada para o "Projeto Fênix" tornou-se um microssistema isolado do resto da empresa. Entre planilhas de viabilidade financeira e o desenho do escopo de identidade que levaria para Lisboa, Yasmin viu a rotina com Arthur se firmar em blocos de horas silenciosas, interrompidas apenas pelo som de digitação e discussões pontuais sobre o público-alvo europeu.Foi na quarta-feira que os pequenos tijolos de mudança na postura dele começaram a aparecer, de forma sutil. Yasmin chegou às oito e quinze e encontrou Arthur já instalado, com as mangas da camisa social dobradas até os antebraços e o cenho franzido diante de uma tabela de projeção de custos. Ninguém havia exigi







