MasukO avião já havia alcançado a altitude de cruzeiro quando Laura finalmente conseguiu relaxar um pouco na poltrona. Pela pequena janela, as nuvens se estendiam como um imenso tapete branco, iluminadas pelo sol. Era uma paisagem bonita, quase tranquila demais para alguém que, poucos dias antes, acreditava que morreria em uma ilha deserta. Ela deveria estar feliz. Estava voltando para casa, para sua rotina, para a pequena vida que havia construído com tanto esforço. Ainda assim, quando sentiu o avião inclinar levemente, seu corpo reagiu antes que pudesse evitar. Os dedos apertaram os braços da poltrona. O coração acelerou. Por um instante, o som dos motores pareceu se transformar no ruído do vento batendo contra as árvores da ilha. Laura se lembrou da queda, do impacto, da sensação de não saber onde estava e, principalmente, daqueles dias em que cada barulho desconhecido parecia anunciar um novo perigo. Respirou fundo, tentando afastar as lembranças. — Calma, Laura — murmu
Pouco depois, alguém bateu à porta. Um homem de terno escuro entrou no quarto, carregando uma pasta e segurando o celular. Tinha o rosto cansado e a expressão de quem passara as últimas horas tentando resolver uma situação urgente. Assim que viu Miguel na cama, parou. — Meu Deus... A pasta escorregou um pouco em sua mão. — Miguel! Ele atravessou o quarto rapidamente e se aproximou da cama. — Você está aqui mesmo! Miguel sorriu. — Estou. Surpreso? O homem soltou uma risada nervosa, mas seus olhos estavam marejados. — Surpreso? Eu quase enlouqueci tentando descobrir onde você estava! Ele se inclinou e abraçou Miguel com cuidado. Por alguns instantes, nenhum dos dois disse nada. O assistente se afastou apenas o suficiente para olhar para ele. — Eu não acredito que estou vendo você. — Eu também não acredito que finalmente saí daquela ilha. O homem passou a mão pelo rosto, tentando recuperar a compostura. — O importante é que você está vivo. Miguel ass
O quarto do hospital ainda estava silencioso quando dois policiais chegaram acompanhados de uma funcionária da administração. Laura, que estava sentada ao lado da cama de Miguel, levantou-se imediatamente. — Bom dia. Vocês são Laura e Miguel? — perguntou um dos policiais. — Sim — respondeu ela, um pouco apreensiva. — Somos da polícia local. Precisamos confirmar a identidade de vocês e registrar oficialmente o que aconteceu. Como vocês foram encontrados após um período desaparecidos, precisamos concluir alguns procedimentos. Miguel, ainda deitado, assentiu. — Tudo bem. Um dos policiais puxou uma cadeira, enquanto o outro abriu uma pasta com formulários. As perguntas começaram. Queriam saber quando haviam desaparecido, onde estavam antes do acidente, como haviam chegado à ilha e quantos dias passaram isolados. Perguntaram sobre as circunstâncias da queda, os ferimentos, a falta de comunicação e a maneira como conseguiram chamar a atenção do navio. Laura respondeu p
O hospital parecia pertencer a outro mundo. Depois de tantos dias na ilha, Laura quase se sentia perdida em meio às paredes brancas, às luzes fortes e ao movimento constante de médicos e enfermeiros. Assim que chegaram, Miguel foi encaminhado para a emergência. — Vamos levá-lo para fazer alguns exames — explicou uma enfermeira. Laura tentou acompanhá-lo. — Posso ir com ele? — Por enquanto, você precisa aguardar aqui. Assim que terminarmos, alguém virá falar com você. Laura assentiu, embora não gostasse da ideia de ficar longe dele. A maca desapareceu pelo corredor. E, pela primeira vez desde o resgate, Laura ficou sozinha. Sentou-se em uma das cadeiras da sala de espera e olhou para as próprias mãos. Ainda havia sujeira sob suas unhas. O cabelo estava embaraçado. As roupas estavam sujas e amassadas depois de tantos dias na ilha. Ela ainda não conseguia acreditar que tudo aquilo havia realmente acontecido. Pouco depois, uma mulher se aproximou. — Laura
Laura ainda estava ajoelhada ao lado de Miguel quando ouviu um som distante vindo do mar. Ela ergueu a cabeça. Por alguns segundos, ficou em silêncio, tentando entender o que estava ouvindo. Então o som ficou mais claro. Um motor. Laura se levantou depressa e saiu do abrigo. Correu até a praia e olhou para o horizonte. Lá estava. um barco Era pequeno e distante, mas não havia dúvida. Estava se aproximando lentamente da ilha. — Meu Deus... Laura começou a acenar com os dois braços. — AQUI! AQUI! O barco continuou avançando. — Eles viram a gente... Laura sentiu os olhos se encherem de lágrimas. O pequeno barco começou a se aproximar da ilha, enquanto ela continuava acenando. Quando finalmente chegou perto da margem, dois homens desembarcaram. — Você esta sozinha aqui? — um deles perguntou. — Não! Somos nós! — Laura respondeu, quase sem conseguir conter a emoção. — Nós vimos o sinalizador e depois a fumaça. Estávamos tentando descobrir se havia
Laura permaneceu ao lado de Miguel. Por alguns segundos, os dois ficaram em silêncio, olhando para o céu. A luz vermelha subia lentamente, deixando um rastro luminoso antes de começar a desaparecer entre as nuvens. — Agora eles vão nos encontrar — Laura disse, mais para convencer a si mesma do que a Miguel. Ela continuou olhando para o alto até que o sinalizador se tornasse apenas um pequeno ponto de luz. Então se levantou de repente. — A fogueira! Laura saiu correndo até o local onde haviam deixado a madeira empilhada. Sem perder tempo, começou a colocar todos os galhos secos que ainda tinham dentro das brasas. — Vamos... queima! — murmurou Laura, abanando o fogo com uma camiseta para alimentar as chamas. Aos poucos, as brasas ganharam força, e o fogo voltou a se espalhar, iluminando o pequeno abrigo. Pegou mais lenha e colocou sobre o fogo. Depois outra. E outra. As chamas começaram a crescer, alimentadas pela madeira seca, e uma coluna de fumaça subiu pelo ar. —







