LOGIN~~ Jade~~Minhã balançou a cabeça de um lado para o outro, as mãos tremendo de forma incontrolável enquanto tentava puxar o ar entre os soluços:— Foi de repente, minha filha… De madrugada… Ele começou a queimar em febre e teve uma crise de tremores muito forte, que não passava por nada… As enfermeiras do home care tentaram conter, mas ele travou a respiração, engasgou e começou a ficar roxo…Minhas pernas vacilaram de novo, e o braço de Giovanne envolveu minha cintura com firmeza, me mantendo de pé enquanto o chão parecia sumir sob os meus saltos.— Quando a ambulância chegou aqui no hospital — minha mãe continuou em um fio de voz entrecortado, limpando as lágrimas com o dorso da mão —, os médicos disseram que ele broncoaspirou… Ele teve uma parada cardíaca ainda na emergência, filha… Foram quase vinte minutos tentando reanimar o meu menino… Eles conseguiram fazer o coraçãozinho dele bater de novo, mas…Ela cobriu o rosto com as duas mãos, rompendo em um choro tão doloroso e rasgado
~~ Jade ~~Saímos do Plaza às pressas, sem olhar para trás e sem nos despedirmos de absolutamente ninguém. Enquanto nosso carro rasgava a noite em direção ao hotel onde estávamos hospedados, Giovanne grudou o telefone no ouvido. Ele acionou a operadora do hangar executivo da Vance, ordenando que a tripulação preparasse o jato da empresa para decolagem imediata com plano de voo prioritário para o Brasil.No banco da frente, Edward e Valentina nos ajudavam a alinhar tudo:— Vamos direto daqui, meu amor — Giovanne determinou, guardando o aparelho e segurando meu rosto entre as mãos frias. — Nós temos roupas no nosso apartamento em São Paulo. Se pegarmos um voo para Boston para fazer malas, vamos perder horas preciosas.Apenas concordei com um aceno trêmulo de cabeça, as lágrimas silenciosas ainda queimando a minha pele.— Vocês dois podem ir em paz — Valentina garantiu com a voz firme e solidária. — O Edward e eu pegamos o trem de volta para Boston amanhã cedo, fazemos as malas de vocês
~~ Giovanne ~~O sangue subiu direto para as minhas têmporas, fervendo como lava pura. Bastou a frase de Valentina ecoar nos meus ouvidos para que qualquer resquício de boas maneiras corporativas fosse estraçalhado. Segurei os braços de Jade com firmeza, conferindo com os próprios olhos se não havia um arranhão sequer em seu rosto ou em sua pele.— Ela não encostou em mim, amor, a Valentina interveio antes… — Jade tentou me acalmar, a voz suave pousando como um bálsamo inútil contra a tempestade que me cegava.— Pouco me importa se encostou ou não! Essa mulher passou de todos os limites admissíveis! — rosnei baixo, ajeitando o paletó do smoking com violência. — Eu vou colocar essa louca no lugar dela agora mesmo, diante do pai e de quem mais estiver por perto!— Giovanne, espera! — Edward deu um passo à frente, tentando me conter pelo ombro com prudência. — O salão está lotado de investidores e da imprensa internacional, não cria um escândalo!— Que se foda a imprensa! Ninguém levanta
~~ Jade ~~O mestre de cerimônias anunciou a Vance, e os aplausos ecoaram pelo auditório monumental do Plaza. Subi ao palco de mãos dadas com Giovanne sob a claridade implacável dos holofotes. Ele fez a abertura com a imponência de um líder nato, mas, ao me passar o microfone, seus olhos transmitiam orgulho puro. Apresentei as diretrizes de otimização dos peptídeos associados a coagonistas metabólicos com clareza cirúrgica. Quando concluí a explicação técnica sobre a proteção vascular ampliada, a plateia de cientistas e investidores internacionais se levantou em uma ovação estrondosa. Descemos sob cumprimentos efusivos e fomos guiados ao foyer de mármore para o início do coquetel. O tilintar de taças de champanhe e os flashes da imprensa cobriam o salão, mas o cansaço do salto fino começou a cobrar seu preço e senti minha cabeça girar.— Vou ao toalete retocar a maquiagem antes do brinde oficial, amor — sussurrei para Giovanne, tocando a lapela de seu smoking.— Não demora, baby — e
~~ Jade ~~Os dias foram passando e Eleanor não voltou a aparecer na empresa, nem a procurar Giovanne. Apesar de manter sua pose habitual de durão, eu sabia que essa situação doía e que ele estava triste.Mas existia uma pessoa que sempre era capaz de arrancar sorrisos dele: a minha mãe.Era sexta-feira, nós havíamos acabado de pousar em Nova York junto a Edward e Valentina, e nos acomodamos na suíte do hotel em Midtown Manhattan. Sempre que a minha mãe ligava, fazia questão de falar com Giovanne também, e os dois já estavam de papo no viva-voz há pelo menos meia hora.— Sua mãe é uma figura — ele falou rindo, ao desligar o aparelho.— Ué, ela desligou sem nem se despedir de mim? — resmunguei de brincadeira, cruzando os braços.Giovanne soltou uma risada gostosa, puxando-me para o seu colo e cobrindo meu rosto de beijos estalados:— Sem ciúmes, tá?— Imagina, está tudo bem. Daqui a pouco ela começa a ligar só para você.Ele riu ainda me adulando, enquanto no fundo meu peito se aquecia
~~ Jade ~~Enquanto caminhávamos pelos corredores, notei que a notícia havia se espalhado com uma rapidez assustadora. Os funcionários cochichavam discretamente pelos cantos, e outros me cumprimentavam com reverência, como se eu carregasse a mesma autoridade gélida do próprio Giovanne.Assim que pisei no laboratório, senti o ambiente congelar. Alguns pesquisadores ficaram rígidos em suas bancadas, enquanto outros acenaram com respeito imediato. Ao contrário do que imaginei, ninguém ousou sequer soltar uma risadinha maliciosa. Já que eu estava ali, reuni a equipe e passei orientações pontuais sobre o que considerava relevante na pesquisa dos novos peptídeos, conduzindo um alinhamento breve e técnico.Já havia se passado um bom tempo desde que Giovanne havia ficado a sós com a família. O aperto no meu peito falou mais alto, e decidi procurá-lo para ver como ele estava. Valentina ficou cuidando das pendências no laboratório, e caminhei a passos calmos, sentindo os olhares curiosos ainda







