Inicio / Romance / Prisioneira do CEO de Gelo / Capítulo 4: 24 Horas de Liberdade

Compartir

Capítulo 4: 24 Horas de Liberdade

Autor: Jhenny M.
last update Fecha de publicación: 2026-07-21 12:44:17

~~ Jade ~~

Cheguei em casa após assinar o acordo com Giovanne Vance, ensaiando o meu melhor sorriso, para dar a notícia para minha mãe da forma que ela ia gostar de ouvir.

— E então, filha. Como foi?

— Melhor do que eu imaginava, mãe… — falei fingindo empolgação. — Conversei com o senhor Vance sobre a situação do meu irmão e ele vai realizar a reforma da casa para que meu irmão possa vir o quanto antes, então ele vai descontando aos poucos do meu salário.

Minha mãe levou as mãos aos lábios, os olhos marejados.

— Verdade, filha? Oh, meu Deus! Que benção! Esse homem é realmente um anjo!

— É… Um anjo… — falei enquanto pensava exatamente o contrário.

Naquele mesmo dia comecei a organizar as minhas coisas e fazer as minhas malas. Eu passaria um ano fora, tinha um ano para concluir a minha fórmula, me livrar da prisão e, quem sabe, ajudar o meu irmão. Após quase 2 anos trabalhando nisso, eu sabia que era um prazo curto demais, mas faltava pouco e eu precisava tentar.

No dia seguinte, a realidade técnica do home care bateu à nossa porta de forma avassaladora. Fomos ao hospital logo cedo para entender os trâmites da alta de alta complexidade do João.  A assistente social e o médico da UTI nos entregaram um checklist de exigências com quase três páginas: o quarto precisava de aterramento elétrico exclusivo, espaço para circulação de duas pessoas simultâneas nas laterais da cama, piso de fácil higienização, e uma estrutura de suporte que parecia mais a de um hospital do que a de uma casa comum.

Para piorar, à tarde, a enfermeira supervisora da empresa de assistência domiciliar fez a visita de avaliação na nossa casa e o veredito dela foi um balde de água fria.

— Senhorita Vasconcelos, o quarto do seu irmão é pequeno demais — explicou ela, apontando para as paredes com uma trena digital. — Não há espaço para o ventilador mecânico, os cilindros de backup e a cama hospitalar de forma segura. A equipe de enfermagem de plantão vinte e quatro horas não conseguiria sequer se mover para higienizá-lo. Infelizmente, nessas condições, a alta é inviável.

Minha mãe olhou para mim, o desespero voltando a tomar conta de seus olhos, mas eu sabia o que precisava ser feito, então olhei para a parede que dividia o cômodo.

— Nós vamos derrubar essa parede — determinei, firme. — O quarto do João Pedro faz divisa com o meu. Se unirmos os dois cômodos, teremos espaço de sobra para a semi-UTI.

— Mas, minha filha... — minha mãe interveio, a voz embargada e as mãos trêmulas enquanto me segurava pelo braço. — Onde você vai dormir quando voltar? É o seu quarto, as suas coisas... Você já está sacrificando a sua vida indo para outro país por causa do seu irmão, e agora nem um quarto você vai ter na sua própria casa?

— Mãe, olhe para mim — segurei o rosto dela, forçando-a a focar nos meus olhos. — Eu vou passar um ano fora. Um ano inteiro. Quando eu voltar, nós damos um jeito. Podemos subir um andar na casa, ou eu posso alugar um apartamento aqui perto. O que importa agora é tirar o João Pedro daquele hospital e trazê-lo para perto de você, o resto é apenas tijolo.

Ela chorou, assentindo a contragosto, penalizada pelo meu sacrifício.

Naquela mesma noite, compilei todo o relatório da vistoria, o checklist do hospital e a planta desenhada à mão da fusão dos quartos. Enviei tudo diretamente para o e-mail privado de Giovanne Vance, com o assunto: Exigências Médicas para Início do Contrato. Eu esperava que ele fosse questionar os custos ou a urgência, afinal, o homem de gelo parecia se importar apenas com prazos e lucros.

A resposta dele veio trinta minutos depois, seca e direta: “A equipe chega amanhã às oito da manhã. Esteja pronta.”

E ele não estava brincando. Às oito em ponto da manhã seguinte, o som de caminhões e ferramentas quebrou a calmaria da nossa rua. Uma equipe inteira de engenharia civil e arquitetura, enviada diretamente pela Vance Corporação, desembarcou na nossa porta. Havia um engenheiro chefe de capacete branco coordenando tudo com um tablet, além de eletricistas prontos para refazer toda a fiação da casa para suportar a carga dos aparelhos.

A vizinhança inteira saiu às janelas para fofocar sobre a quantidade de operários e o luxo da equipe que havia invadido a nossa humilde casa. Em questão de horas, o som de marretas ecoava pelas paredes. Ver o meu quarto ser destruído e transformado me deu um aperto enorme no peito, mas cada tijolo que caía era um passo a menos para garantir que a vida do meu irmão estaria segura.

A eficiência do dinheiro de Giovanne era algo assustador. O que uma pessoa comum levaria meses para conseguir entre burocracias e pedreiros, a equipe da Vance Corporação resolveu em tempo recorde. Em exatos quatro dias, a parede que dividia os quartos foi abaixo, a fiação elétrica foi totalmente refeita com um sistema de gerador próprio para o caso de quedas de energia, e o novo piso hospitalar foi instalado. O cômodo agora era uma semi-UTI impecável, limpa e pronta para receber meu irmão.

O problema, era que o prazo que o CEO me deu já havia extrapolado, e enquanto eu observava os operários recolhendo as ferramentas, o meu celular vibrou. Era uma mensagem curta e grossa do número privado dele:

“A obra foi finalizada. O jato decola amanhã às 9h da manhã. Esteja pronta na porta de casa às 8h e passarei para te buscar.”

Meu coração saltou no peito.  A transferência do João Pedro estava agendada justamente para a manhã do dia seguinte. Se eu embarcasse às oito, eu não estaria aqui para vê-lo chegar. Não saberia se ele foi instalado corretamente, se os aparelhos funcionaram... e não teria a chance de me despedir dele.

Engoli o orgulho e digitei o número dele, minhas mãos suavam frio enquanto o telefone chamava. Ele atendeu no terceiro toque.

— Espero que seja importante, Dra. Vasconcelos — a voz gélida de Giovanne ecoou, sem qualquer preliminar.

— Sr. Vance... — respirei fundo, tentando manter a voz firme. — A obra acabou, sim. Mas a transferência do João Pedro está marcada para amanhã de manhã. Eu preciso... eu imploro por apenas mais um dia. Só vinte e quatro horas. Quero ver meu irmão ser instalado nos novos aposentos, garantir que ele está seguro e me despedir da minha família.

Houve um silêncio pesado do outro lado da linha. Eu quase podia ouvir as engrenagens da mente calculista dele girando, e me preparei para o "não" arrogante que certamente viria. Para a minha total surpresa, a voz dele retornou, ainda fria, mas com uma concessão que eu não esperava.

— Vinte e quatro horas, Jade. Nem um minuto a mais — ele ditou, o tom cortante. — O jato vai esperar até depois de amanhã. Mas preste bem atenção: se você não estiver na porta às oito da manhã em ponto da nova data, o contrato será cancelado imediatamente, o financiamento do home care será cortado e eu farei questão de que você arque com todas as consequências legais do processo por espionagem industrial. Fui claro?

— Sim, Sr. Vance. Serei pontual. Obrigada — respondi, mas ele desligou na minha cara antes que eu terminasse a palavra.

Soltei o ar, aliviada, sentindo as pernas trêmulas. Ele era um monstro de gelo, e fazia jus ao apelido que os funcionários deram, mas tinha me dado o meu último dia de liberdade. Depois disso, meu tempo pertenceria inteiramente a ele. Olhei para o quarto novo do meu irmão, prometendo a mim mesma que faria cada segundo daquele sacrifício valer a pena.

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • Prisioneira do CEO de Gelo   Capítulo 77: Por trás dos sorrisos

    ~~ Jade ~~Após a reunião, encontrei-me com Valentina no estacionamento para aguardar Giovanne sem levantar muita suspeita.— Se você visse a cara delas, amiga… ficaram pianinhas! — minha amiga dizia, animada, enquanto eu soltava um sorriso sem muito vigor.— Se descobrirem que nós somos namorados, nunca mais vão me respeitar aqui dentro, Val. Aí sim vão dizer que tudo o que eu conquistei ganhei de bandeja.Conversávamos mais um pouco quando um chamado nos interrompeu:— Jade… — Jacob aproximou-se a passos rápidos. — Já está indo? A senhorita me deve um jantar. O que acha de me acompanhar hoje?Ofereci um sorriso casual, enquanto Valentina disfarçava fazendo cara de paisagem:— Ah, tenho um compromisso agora mesmo com a Dra. Valentina. Vou continuar te devendo por hoje, senhor Duarte.Ele sorriu, olhando ao redor de forma desconfiada:— Está esperando alguém?— Um Uber… Digo, estávamos chamando um.— Precisa de uma carona?— Imagina! Não queremos incomodar, senhor Duarte.Saí praticam

  • Prisioneira do CEO de Gelo   Capítulo 76: Futura senhora Vance

    Às 17h, todos os pesquisadores se dirigiram para a Sala de Reuniões. Para a minha surpresa, além da equipe técnica, estavam presentes Edward, Jacob, seu pai Washington e Eleanor Vance, convocados pelo próprio presidente.Enquanto eu ajeitava os papéis na ponta da mesa, Giovanne aproximou-se por trás e fingiu me entregar uma caneta, inclinando-se para sussurrar no meu ouvido:— Não se esqueça de quem você é…— E quem eu sou? — murmurei de volta, a voz quase sumindo de tanto nervosismo.— A minha mulher… a futura Senhora Vance — ele sussurrou com um sorriso imperceptível antes de se afastar.Encarei-o em choque, sentindo o peso e a doçura daquela declaração. Todos se sentaram ao redor da imensa mesa e eu fiquei de pé, ligando o projetor, exibindo os gráficos de desempenho.— Boa tarde a todos — comecei, a minha voz ecoando firme pela sala. — Convoquei esta reunião para tratarmos da discrepância inaceitável nos prazos de triagem e síntese da fórmula Phoenix. Estive afastada por motivos d

  • Prisioneira do CEO de Gelo   Capítulo 75: Primeira dama

    ~~ Jade ~~Dez dias após o incidente, os pontos do meu ferimento, e os de Giovanne, finalmente foram removidos. Aqueles dias de repouso absoluto foram os mais doces que já vivi. Na manhã seguinte, despertei sentindo o calor do corpo dele colado ao meu sob os lençóis. Seu braço pesado envolvia a minha cintura, enquanto seus lábios buscavam suavemente a minha nuca.— Fiquei mal acostumado… — ele murmurou com a voz rouca pelo sono, roçando os lábios na minha pele. — Acordar tarde e passar a manhã coladinho com você devia ser uma cláusula obrigatória no nosso contrato.Sorri, girando o corpo devagar em seus braços para encará-lo:— Se fizer isso, a Vance Neuro-Genetics vai à falência em um mês, senhor CEO.Ele soltou uma risada fraca e se levantou, seu corpo nú se tornando minha visão favorita. Tomamos um banho juntos, entre beijos e carícias quentes que quase nos fizeram perder a hora. Enquanto eu me arrumava no closet, escolhendo uma roupa elegante para o meu retorno na empresa, Giovan

  • Prisioneira do CEO de Gelo   Capítulo 74: Pedido oficial

    ~~ Jade ~~Senti o chão sumir sob os meus pés. A frieza com que ele proferiu aquelas palavras fez o meu peito se contrair em uma dor física instantânea. As lágrimas queimaram o fundo dos meus olhos enquanto eu o encarava, sem conseguir acreditar que o homem que me amou com tanta ternura na banheira horas atrás estava ali, me impondo outro ultimato.— Um novo contrato? — a minha voz saiu trêmula, ríspida, carregada de mágoa. — Você não muda nunca, não é, Giovanne? Depois de tudo o que aconteceu… você vem me ameaçar com papéis e com a volta para o Brasil… De novo?Giovanne não piscou. Manteve a expressão séria de executivo, cruzando os braços e encostando a cintura na bancada da cozinha.— Eu não estou te ameaçando, Jade. Estou te apresentando as minhas condições — ele respondeu com a voz pausada. — Leia a primeira cláusula.Limpei uma lágrima teimosa do rosto com as costas da mão, tomada pela raiva. Passei a primeira folha com ignorância e fixei os olhos no topo da folha seguinte.No t

  • Prisioneira do CEO de Gelo   Capítulo 73: Novo contrato

    ~~ Jade ~~O restante do dia passou em um clima delicioso de lua de mel. Giovanne preparou o seu famoso strogonoff em versão americana, almoçamos juntos e passamos a tarde de bobeira no sofá, abraçados e assistindo a séries.Quando Valentina e Edward chegaram, já no fim da tarde, Giovanne levantou-se brevemente apenas para abrir a porta e logo retornou para o meu lado, acolhendo-me em um abraço protetor.Os dois se entreolharam, e Edward soltou uma risadinha debochada. Minha amiga aproximou-se da gente com os braços cruzados:— Pelo visto você já caiu na lábia desse aí de novo, né? — ela provocou.Giovanne revirou os olhos azuis, apertando o abraço ao meu redor de forma assumidamente possessiva, enquanto eu tentava conter o riso:— O que você veio fazer aqui? Buscar o resto das suas coisas? — ele murmurou para Valentina.— Não! Vim cuidar da minha amiga linda. O Edward só veio me deixar.— Ela está muito bem cuidada, não precisa de você — ele rebateu num tom infantil.Valentina soltou

  • Prisioneira do CEO de Gelo   Capítulo 72: Reviravolta

    ~~ Jade ~~Encarei Alexandra de cabeça erguida, sem dar um único passo para trás.— Eu já estou aqui dentro — respondi, cruzando os braços e mantendo a voz firme. — E quem entrou sem autorização foi você. Logo, não te devo satisfação alguma.Furiosa com a minha audácia, Alexandra deu um passo à frente, ajustando a bolsa no ombro com uma arrogância refinada:— Eu entrei porque eu tenho as chaves deste apartamento! Eu tenho um relacionamento com o Giovanne e exijo saber o que uma mulher como você está fazendo na casa dele!Soltei uma risada sarcástica, balançando a cabeça:— Se você realmente acha que tem um relacionamento com ele… só posso dizer que você é uma coitada, uma verdadeira corna.O rosto de Alexandra empalideceu de ódio. A loira se descontrolou completamente e avançou na minha direção:— E você, quem pensa que é?! A amante ou a empregada fofoqueira?! Porque você claramente não é o tipo de mulher com quem ele se envolve!— E qual é o tipo com quem ele se envolve? — rebati no

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status