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35 - Nikolai Konstantin.

last update publish date: 2026-09-18 00:56:18

Os dias seguintes são... estranhos.

Não em um sentido ruim. Apenas... não se parecem em nada com o que eu imaginava para uma lua de mel.

Acordamos cedo com o sol tropical. Ela toma café da manhã comigo em silêncio, mas come muito pouco. Observo, entre o fascínio e a preocupação, como ela examina cuidadosamente

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  • Prometida ao Bilionário Russo.   60 - Nikolai Konstantin.

    Nossos dedos se roçam durante a troca, despertando novamente aquela estranha percepção que venho tentando ignorar. Ela leva a taça aos lábios sem desviar os olhos da movimentação no salão.— Nunca estive em uma inauguração como esta — comenta, com uma sinceridade que me faz imaginar quantas experiências lhe foram negadas ao longo da vida.— O Kairos gosta de fazer tudo em grande escala — respondo. — Mas ele também tem bom gosto. Tenho certeza de que esta casa será um sucesso.Permanecemos ali por algum tempo, conversando com uma naturalidade que me surpreende. Descubro que gosto de ouvi-la falar, do entusiasmo que surge quando menciona arquitetura, design ou qualquer assunto que desperte sua curiosidade. Sem perceber, a tensão que costumo carregar nos ombros começa a desaparecer.Quando a música muda para um ritmo mais lento, deposito a taça sobre uma bandeja que passa ao nosso lado e estendo a mão para ela.— Aceita dançar?Yari ergue os olhos para mim. A surpresa dura apenas um inst

  • Prometida ao Bilionário Russo.   59 - Nikolai Konstantin.

    Pouco tempo depois….Estou parado no início da escadaria há aproximadamente dez minutos, ajeitando os punhos da minha camisa social pela terceira vez consecutiva. Os dedos alisam o tecido escuro de forma automática, enquanto a minha atenção permanece fixa no patamar superior. A mansão encontra-se em completo silêncio a esta hora, com apenas o ruído ritmado do relógio de parede ressoando pelo saguão.Inspiro profundamente, tentando compreender por que a minha frequência cardíaca parece mais acelerada do que o habitual. Trata-se apenas da inauguração do novo empreendimento de Kairos. Mais uma reunião social entre amigos. Nada além disso.Contudo...Ela surge no topo dos degraus.No instante em que Yari entra no meu campo de visão, o tempo parece desacelerar. O ar prende-se nos meus pulmões e, por um breve momento, esqueço completamente o que estava pensando.Ela veste um traje que parece ter sido desenhado sob medida para ela. O tecido acompanha suas curvas com uma elegância discreta, e

  • Prometida ao Bilionário Russo.   58 - Yari Konstantin.

    Sei que não se compara com o meu pai, mas ter Nikolai me contando essas coisas… desabafando, faz-me olhar e ver que cada pessoa pode, sim, moldar seu futuro através de escolhas. — Não faço — diz, voltando a olhar a chuva cair pelas janelas. — Por quê?Ele respira fundo, os olhos desviando por um instante da chuva na janela e depois para mim, como se buscasse ali as palavras certas, ou talvez só coragem para dizê-las em voz alta.— Porque meu pai me fez prometer. — A voz dele treme de leve, pela primeira vez desde que começou a falar. — Foi um mês antes do acidente. Estávamos no escritório dele, tarde da noite, só nós dois… uma daquelas conversas que a gente não sabe, na hora, que vai ser das últimas de verdade. Ele parecia cansado demais, mais do que o normal, como se algum peso antigo tivesse decidido se manifestar naquela noite específica. Serviu dois copos de vodca, coisa que nunca havia feito comigo, e me fez sentar. — Ele faz uma pausa. — Quando experimentei, cuspi o líquido de

  • Prometida ao Bilionário Russo.   57 - Yari Konstantin.

    O céu sobre Manhattan está carregado, nublado num cinza espesso que engole os últimos andares dos prédios mais altos que consigo observar daqui. A chuva começou fina, quase hesitante, mas agora escorre grossa pelas vidraças da sala ampla, riscos de água que se dividem e se juntam de novo, como se a própria janela tivesse veias.Nikolai está de pé, de costas para mim, as mãos enfiadas nos bolsos da calça, olhando para a cidade lá embaixo através daquele véu cinzento. Não fala há alguns minutos. Só observa, o corpo rígido de um jeito que não é raiva, é outra coisa — algo mais antigo, mais pesado.— Você está bem? — pergunto, aproximando-me devagar.Ele não se vira de imediato.Ele assente devagar, ainda de costas, e por um momento fico ali, esperando, sem pressioná-lo. Aprendi, com ele mesmo, que algumas coisas só saem no próprio tempo.— Meus pais morreram em um dia como esse — começa, finalmente, a voz sem qualquer emoção aparente, como se estivesse relatando um fato qualquer, distant

  • Prometida ao Bilionário Russo.   56 - Ekaterina Konstantin.

    Há uma pausa longa.— Tudo o que sei é que a Yari que saiu daqui de casa não foi a mesma que voltou. Às vezes eu percebia pequenos hematomas. Ela dizia que havia tropeçado, que havia batido em algum móvel, e eu acreditava... — sua voz falha. — Ou talvez quisesse acreditar. Porque admitir qualquer outra possibilidade significaria aceitar que eu estava perdendo minha filha sem perceber. — As lágrimas escorrem silenciosamente pelo meu rosto. — Ela estava cada vez mais quieta, fechada, e assustava-se com facilidade. Eu perguntava se havia acontecido alguma coisa no colégio, mas ela sempre dizia que estava tudo bem.Mais uma mentira, uma tentativa de proteger a própria mãe.— Eu falhei com a minha filha, Ekaterina. — A frase sai carregada de culpa. — Sou a mãe dela... e passei anos acreditando que estava fazendo a coisa certa. Hoje não consigo deixar de pensar que talvez tenha entregado justamente aquilo que eu mais queria proteger.— Você não falhou.— Como não? — pergunta, com a voz emba

  • Prometida ao Bilionário Russo.   55 - Ekaterina Konstantin.

    Observo pelas janelas o carro de Richard Ashford desaparecer pelos portões da mansão, e um aperto imediato se instala no peito. Algo está terrivelmente errado. Vivi tempo suficiente para reconhecer o medo quando ele se apresenta diante de mim, e o que vi hoje nos olhos da Yari não era simples desconforto. Era pavor. Um medo profundo, primitivo, o tipo de medo que nenhuma filha deveria sentir ao olhar para o próprio pai.Volto-me para o sofá com os pensamentos girando num turbilhão. A dor de cabeça que ela alegou sentir era apenas um pretexto. Pego a bolsa e saio, indo até o carro que me espera para ir para casa.Ela precisava fugir, respirar, se esconder do próprio pai.Durante todo o trajeto, revivo mentalmente cada momento desses dias em que me aproximei dela. A forma como Yari empalideceu quando mencionei que sabia do relacionamento que ela vivera durante a faculdade. O terror absoluto estampado no rosto dela, como se esperasse uma punição, como se acreditasse que qualquer lembranç

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