Os polegares, ásperos e cobertos de terra, limpam com cuidado a lama das minhas bochechas. — Com a minha vida. Não existe um segundo de dúvida dentro de mim. Nunca existiu. — Então vamos. Juntos. Como sempre foi. — Damos o primeiro passo para dentro da água sem soltar a mão um do outro, e o impacto do frio é brutal. Não é apenas uma sensação gelada. É como se milhares de agulhas atravessassem a minha pele ao mesmo tempo, travando meus músculos e arrancando o ar dos meus pulmões. Um grito escapa da minha boca, mas Heitor continua me puxando, e eu obrigo minhas pernas a seguirem em frente. A correnteza bate com força na altura da minha cintura, empurrando meu corpo e tentando me derrubar a cada passo. As pedras sob os meus pés estão cobertas por limo, escorregadias demais para manter o equilíbrio. O rio fica fundo muito rápido, escondendo buracos que não consigo enxergar. — Não solte a minha mão! — ele grita, tentando vencer o barulho da água. — Nunca! — respondo, apertando os dedos
Última actualización : 2026-08-27 Leer más