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15 ANOS ATRÁS
— Tem certeza que quer fazer isso? — questionei meu irmão, mesmo que ele já estivesse na maca sendo tatuado. — Ainda dá tempo de desistir e rabiscar qualquer outra coisa sobre essa tatuagem.
— Desistir e depois o que? Você diz ao nosso pai que não vai ser o Don porque não suporta a tortura e todas as coisas podres que a famiglia faz? — Vincenzo rebateu, lançando a verdade contra mim. — Isso mataria nosso pai, o velho definitivamente enfartaria se ouvisse algo assim. Sem contar em toda a desgraça que traria ao nosso nome! — Cazzo , eu sei! Eu sei disso, porra! Acha que já não cogitei mil vezes desistir dessa fuga e cumprir meus deveres, só para evitar o desgosto e a vergonha que se abateria sobre nossa casa? — gritei andando de um lado para o outro. Para a nossa sorte, Carlo, o tatuador, era de nossa inteira confiança ou tudo aquilo sairia dali rapidamente e estaríamos mortos antes do amanhecer. — Isso também não seria justo, não só com você, mas com todos da famiglia que esperam um líder de pulso firme e que não hesite em fazer o que for preciso desde que garanta a continuação do nosso império! Revirei os olhos andando pelo estúdio e ouvindo a ladainha dele, até mesmo aqui esse stronzo fala como um verdadeiro devoto a máfia. Mas eu tinha que agradecer a ele por ser tão doente pela organização, do contrário não estaria pronto para assumir meu lugar no comando da Cosa Nostra em alguns meses. — Então termine de fazer as porras das tatuagens e eu vou para o aeroporto... — Começar sua vida como Cris — ele desdenhou. — É uma puta ironia que nossa mãe tenha nos dado nomes tão parecidos quando somos o completo oposto. — Ao menos na personalidade, porque se depender da aparência vocês são iguaizinhos, até a droga das marcas de nascença e cicatrizes são idênticas. — Carlo riu fazendo mais uma linha na pele intocada do meu irmão. Nisso éramos diferentes, enquanto eu gostava de ter minha pele marcada pela tinta e agulha, Vincenzo nunca quis isso, ele preferia as marcas de lutas, de facas e machucados, que o deixavam bem mais intimidador. — Isso é porque Vince detestava quando eu ganhava um novo machucado, ele tinha que fazer um igual, sempre me copiando. — Vince seu rabo, sabe que detesto que me chame assim! — Eu apenas ri da revolta dele diante do seu apelido de infância. — Agora vai ter que ter mais respeito quando falar comigo, eu vou ser o chefe... — Não vai ser porra nenhuma! — a voz imperiosa do nosso pai soou nos colocando em alerta, fazendo Marco pular sob seus pés, largando a máquina e a tatuagem de lado no mesmo instante. — O que pensaram que estavam fazendo com essa ideia idiota? Imbecille, due idioti che pensano di poter ingannare tutta la famiglia! Tínhamos conseguido irritar o velho definitivamente, mas já era de se esperar que ele reagisse assim, bastaria apenas que ele sonhasse que estávamos armando pelas suas costas para que o próprio inferno se abrisse na terra. Papai sempre foi assim e isso não se aplicava apenas aos filhos, mas a qualquer um a sua volta, a diferença é que quase sempre acabava com sangue sendo derramado. — O que você acha que sabe, pai? — Vincenzo foi corajoso o suficiente para perguntar, testando ainda mais sua paciência, ou talvez ele só tenha sido estúpido demais. — Garoto, não me teste! — Nosso pai voou para cima dele até que seus narizes estivessem se tocando. — Não tente bancar o esperto comigo, você existe graças a mim, a vida dos dois me pertence! O olhar assassino do meu pai não o intimidou, Vince não desviou o olhar ou pestanejou nem por um segundo. E eu sabia o que ele estava dizendo ao falar sobre nossas vidas, nossa mãe morreu porque ele escolheu nós dois, quando éramos crianças nosso pai precisou escolher entre salvar a mulher que ele amava ou os filhos e Don Guido nunca nos perdoou por deixar sua amada morrer. — Pai, nós podemos explicar... — tentei intervir, conseguindo apenas desviar sua atenção assassina de Vincenzo para mim. — Explicar que você comprou uma identidade nova? — ele me interrompeu me calando. — Um passaporte com cidadania americana que vai te levar para fora daqui, e seu irmão está aqui se tatuando para assumir seu lugar, enquanto vocês dois riem pelas costas de toda a famiglia? Engoli em seco, sabendo que ele tinha sido muito bem informado sobre o que estávamos fazendo. Eu não conseguia imaginar quem tinha aberto a boca, mas não deveria estar surpreso, já que metade da ilha era fiel a ele. — Perdona papà . Vamos desistir e voltar para casa, eu vou assumir meu lugar ao seu lado até sua aposentaria e tomar a cadeira quando for a hora — falei baixando a cabeça e deixando que meus ombros caírem com arrependimento, não por ter tentado, mas sim, por não termos sido espertos o suficiente para não sermos pegos. — Não vai mais assumir nada! Acabou de mostrar que não é digno de ser chefe nem mesmo em uma cozinha! — meu pai bradou erguendo o dedo em riste direto para o meu rosto. — Eu tenho vergonha de dizer que é meu filho, meu primogênito. Um fraco é isso o que você é! Um homem que prefere fugir da sua obrigação não deveria sequer ser chamado de homem. Imagine se eu deixaria você ser meu sucessor como Don? — Pai eu... — Stai zitto, cazzo ! — ele socou a parede atrás ao lado da minha cabeça, não se importando em parecer maluco, queria apenas me intimidar, mesmo que eu já estivesse acostumado com seus estouros de raiva. — Não terminei de falar e nem sei se quando acabar vou querer ouvir sua voz novamente. Você queria uma nova vida então vai ter que morrer! — Pai! — Vincenzo deu um passo, tentando ficar entre nós, mas Guido puxou a arma apontando direto para a testa dele. — Somos sangue do seu sangue e não pode matar seu próprio sangue — falei com tranquilidade, nem precisei me mover do lugar para proteger meu irmão, pois aquela era uma regra importante para ele, ninguém podia quebrá-la e isso o incluía. Ele abriu um sorriso sombrio enquanto olhava de mim para Vincenzo, provavelmente maquinando algo maligno naquela mente dele. Porém, nada do que ele fizesse seria pior do que o destino havia me reservado. Matar e estripar, sentir prazer em infligir dor, era algo que eu abominava, mas era o que eles esperavam de mim, era o que já estava escrito no meu futuro. — Não sei quando criei duas bestas como vocês, não sabem nem ao menos obedecer a uma ordem, ao menos são leais um ao outro! — ele fez uma cara de desgosto, mesmo que tivesse sido um meio elogio e sem baixar a arma deu a nossa sentença. — Vittorio, você queria ir embora da Itália e ser outra pessoa, hoje meu filho primogênito vai morrer para mim e para toda a famiglia. Você está banido daqui, se pisar os pés na Itália estará morto e não será pelas minhas mãos! Vá e viva como quem quiser, mas esqueça que um dia foi Vittorio Rossi! Choque me varreu, eu nunca imaginei que ele me daria isso, a liberdade. Claro que era um preço alto a se pagar, abrir mão da minha família e do país onde nasci, mas nós três sempre estaríamos ligados por aquele segredo, estaríamos juntos além do sangue que corria em nossas veias. — Tem certeza disso, papà ? — questionei, querendo ter certeza de que ele não estava brincando com nós dois. — Não faça eu me arrepender! Quando sair não olhe para trás. — Ele me olhou por um longo tempo, como se gravasse minhas feições, antes de se virar para Vincenzo. — Você quer ser o Don? Pois então vai ser, a partir de amanhã começarei a te treinar e não quero ouvir reclamações ou argumentações, vai fazer tudo o que eu mandar sem hesitar! — Vince fez menção de abrir a boca, mas a arma ainda em seu rosto o calou. — Se eu te mandar matar o presidente, você pergunta qual, se mandar você casar com uma m*****a russa você pergunta quando. Não me desafie ou teste minha paciência, terá que mostrar aos seus homens que sabe ser subordinado. Ele apenas acenou com a cabeça, concordando em silêncio, antes que nosso pai nos agarrasse pela nuca e nos puxasse para perto, em um abraço esquisito, como não fazíamos há anos e que eu sabia significar adeus.UM ANO DEPOIS— Vocês podem andar logo com isso? A última coisa que eu quero aqui é receber a surpresa de que nada está pronto na hora que certa.— Elizabeth, tem certeza que tudo isso é mesmo necessário? — Emily chegou por trás de mim, tentando me policiar, mas isso não ia acontecer hoje, ninguém iria me convencer do contrário.— Não, mas é como eu quero então vai continuar assim! Jane já chegou? — o sorriso dela me deu a resposta que eu precisava. — Eu juro que se ela não passar por aquela porta nos próximos vinte minutos eu vou matar o Adam.— Sem assassinatos hoje, lembra? É a comemoração, o senhor Miller detestaria que qualquer coisa estragasse um momento tão feliz.Eu suspirei fechando os olhos e indo até à janela encarando o quintal da casa refúgio. Levou um ano para reconstruí-la depois da bomba que Michael explodiu e eu tinha certeza de que Cris iria gostar de como melhoramos o que ele já amava no lugar.Ouvi passos na entrada da frente e a empolgação de Angel mostrou que nos
Eu segurei Lizzie pela cintura, torcendo para que se eu saísse vivo dessa noite ela me perdoasse por isso, e sem querer ela esperasse eu a joguei no lago. Isaac segurou seu corpo antes que afundasse completamente na água.— Não posso deixá-lo vivo novamente, mia bella. Já cometi esse erro uma vez, não vou cometê-lo de novo, vocês duas merecem viver em paz sem ter que passar o resto dos dias olhando sobre o ombro. — me virei mesmo com Lizzie me chamando e não consegui evitar o sentimento de que aquilo era uma despedida, mesmo que eu não desejasse isso.Corri com a arma em punho, mantendo os olhos atentos a qualquer coisa se movendo nas sombras e os ouvidos atentos a qualquer barulho além dos tiros incessantes. Estava há dois metros da casa e avistei um grupo de três homens andando e atirando para qualquer lado, vendo se acertariam algo além das árvores.Aproveitei a minha posição e fiz a mira certeira, atingindo um a um, até que todos estivessem no chão.— Estamos aqui, chefe! — a voz
Aquilo não podia estar acontecendo de verdade. Nunca teríamos paz nessa vida? Depois de finalmente conseguir me abrir com Lizzie e saber que ela me amava apesar de tudo, eu acreditei que continuaríamos naquela calmaria.Não demorou para eles chegarem depois que Lizzie pegou no sono. Todos tagarelando, animados com o filme que foram ver e eu achei mesmo que tudo estava voltando a ser como era antes. Ajudei Angel a escovar os dentes e ela se deitou comigo e com a mãe, dormindo rapidamente de tão cansada que estava depois do dia de hoje.Mas eu fui acordado duas horas depois com um dos alarmes da propriedade disparando. Eu corri para a sala de controle, onde estavam as câmeras, todo o sistema de defesa, assim como o que precisaríamos para enfrentar invasores.— Já chamei reforços. Isso está mesmo acontecendo? — Isaac entrou correndo na sala com o celular na mão.— Aqui! — apontei para o lugar por onde tinham entrado, tinham encontrado uma forma de cortar a cerca elétrica e passaram para
Eu ainda estava tentando recuperar meu fôlego com a cabeça deitada no peito de Cris deslizando os dedos no peito dele que subia e descia rapidamente como o meu. Cris sempre foi insaciável na cama, mas hoje ele tinha levado a outro patamar, me mostrando um lado selvagem que eu não conhecia.— Porque pegou aquela arma? — ele questionou quebrando o silêncio da noite.Emily tinha arrastado todos para fora de casa, me dizendo que nos dariam duas horas, mas com certeza já havia passado mais do que isso desde o meu desastre na cozinha.Arrastei meus dedos no meio do peito dele, seguindo o desenho da cicatriz enquanto tentava montar uma resposta que fizesse sentido, quando nem eu mesma sabia o que havia me dado para fazer aquilo.Enquanto Cris me tomava, minha mente começou a montar uma imagem dele se afastando, indo embora no meio da noite. Talvez fosse medo por conta do que aconteceu na cabana, temia que ele continuasse a dizer que não era bom o bastante e fugisse de nós mais uma vez. E se
Subi os degraus com calma, o nosso quarto era o único aberto e iluminado, então firmei a arma abrindo a porta com o pé. Lizzie estava deitada na cama, usando apenas um conjunto de lingerie vermelha me encarando como se quisesse me levar a loucura.— Que porra você estava pensando sumindo desse jeito? — rosnei sentindo o medo deixando meu corpo, enquanto frustração e excitação tomavam seu lugar.— Oh querido eu te assustei? — ela caminhou em minha direção com um olhar falsamente inocente. — Seu coração parece que vai sair pela boca, tudo isso porque pensou que havia me perdido. Achei que você entenderia rápido qual seria sua sobremesa essa noiteSuas mãos deslizaram por meu peito e continuaram descendo por minha pele enquanto eu sacudia a cabeça em negação ainda não conseguindo acreditar no que ela tinha feito.— Você quer me matar do coração, foi a única coisa que eu entendi. — mas ainda sem se importar com minhas palavras ela ficou na ponta do pé e mordiscou meu lábio inferior, traze
Estanquei no meio do quarto quando ouvi a música vinda do andar de baixo me alcançou, a melodia sensual não era o que eu esperava que todos estivessem escutando reunidos antes do jantar. Alguém estava aprontando.Tinha acabado de sair do banho, mas tratei de jogar a toalha que secava os cabelos na cama e arranquei a outra da minha cintura. Enquanto pulava dentro de uma calça eu torci para que fosse Lizzie fazendo alguma surpresa lá em baixo, e não Adam tentando conquistar Jane, ou eu ia quebrá-lo ao meio para que aprendesse a ficar longe daquela garota inocente.O som ficou ainda mais alto quando alcancei o último degrau, mas eu não imaginava que iria encontrar aquilo quando entrei na cozinha. Lizzie estava de costas para mim, concentrada no fogão, usando um vestido preto apertado em suas curvas, atraindo uma atenção especial para os contornos da bunda perfeitamente redonda.Eu estava adorando o que tinha se tornado nossos últimos dias, era o paraíso comparado ao meu último ano e eu d







