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Capítulo 3

Autor: Nati Haddad
last update Data de publicação: 2026-06-18 21:00:57

“Aviso! Você possui duas formas evolutivas para escolher!” Gabriel disse dentro da minha mente “capiruna adolescente ou capipuella. Qual você vai escolher?”

Evolução

Capiruna Adolescente nvl 1 Capipuella nvl 1

Pode me dizer qual a diferença, Gabby?

“Capiruna adolescente você vai evoluir para uma capiruna normal, apenas aumentando de tamanho, e capipuella você vai adquirir uma forma bípede, antropomórfica, como vocês chamam no seu mundo antigo.”

Minha escolha foi bem óbvia.

“Parabéns por sua evolução.”

Essa evolução sem dúvida foi a mais dolorosa de toda a minha vida como montro-capivara, tanto que, durante o momento que durou a transformação, eu me arrependi de ter feito essa escolha, mas voltei atrás no arrependimento assim que a mudança terminou e eu vesti as roupas que Marlin tinha preparado para mim, que se adequaram ao meu corpo por magia.

Eu me transformei em uma garota-capivara adolescente fofa.

Meu pêlo de capiruna era vermelho, quase cobre, e assim se seguiu na forma capipuella, tendo tanto os cabelos quanto os pelos das orelhas ruivos nesse tom vermelho acobreado. Pode parecer decepcionante que, tirando as orelhas, eu passaria completamente, em qualquer lugar, por uma garota humana normal, mas eu não tinha orelhas humanas. Eram ainda as mesmas orelhas pequenas demais para minha cabeça e peludinhas, mesmo tendo uma capacidade de audição até superior à de humanos comuns.

Sempre que um monstro passa por essa transformação, que simboliza que o mesmo chegou ao correspondente a quinze anos humanos, é tradição em Solis fazer um grande baile apresentando-o para a sociedade. Como eu era a filha adotiva do duque Seti Solis, foi feito um grande festival de uma semana, convidando líderes regionais de subdivisões de Solis e, inclusive, nobres de outros lugares de Teresia. Foi naqueles dias que conheci o grande rei de Teresia e seu primeiro filho, Pito Teresia, e tomei a decisão que, futuramente, me deixaria novamente sozinha em uma campina.

Eu e Marlin nos vestimos com as melhores roupas que tínhamos, roupas que a nossa mãe, a duquesa Dama Solis, preparou pessoalmente para nós duas. Mamãe Solis tinha um senso estético extremamente apurado, pois eu nunca imaginei que nós poderíamos ficar mais fofas ainda apenas com as roupas certas para um festival. Cada dia usávamos roupas adequadas para os eventos que aconteceriam no dia, e naquela vez era o baile de gala, que me apresentaria para a alta nobreza de Teresia.

Ao contrário de Marlin, que saiu cumprimentando e conversando com todos no salão, já que todos a conheciam pela sua apresentação já ter sido feita dois anos antes, eu não era tão boa em interagir com desconhecidos e, por isso, logo depois de ser apresentada, fui para a mesa de comida e fiquei beliscando algumas coisas, além de tomar todas as bebidas não alcoólicas –– bebida alcoólica é só para adultos –– que chegavam perto de mim.

Interiormente, eu queria que alguém viesse falar comigo –– eu não sou antissocial, apenas tímida demais para começar uma interação com estranhos –– para que eu pudesse socializar, mas quem veio acabou por se tornar a pior pessoa que poderia ter feito isso naquela hora.

Ele não era esteticamente feio. Esteticamente era até bonito. Chamava bastante atenção feminina por onde quer que passasse. Entretanto, havia algo nele que me desagradou logo de início, apesar de a princípio eu não conseguir racionalizar exatamente o que era, apenas que cada passo dele em minha direção se tornava mais desconfortável ainda para mim.

“Resposta: Seu sentido de sobrevivência está captando intenções predatórias.”

Eu tenho isso?

“Sentido de sobrevivência é algo que todos os monstros possuem, que se situa além do sistema de habilidades e magia.”

M-mas pera aeh. Ele está querendo fazer churrasquinho de capipuella? Isso não seria quase canibalismo? Eca. Eca.

“Negativo. Intenções predatórias não são necessariamente relacionadas à alimentação.”

Ah tá. Agora eu entendi.

E isso não tornou as coisas melhores.

Na verdade tornou as coisas bem piores.

Gabby. Eu consigo analisar a ficha desse cara?

“Você possui dez pontos restantes de xp após a evolução, deseja usar os dez pontos para adquirir Análise nvl 1?”

Adquirir Análise nvl 1

Sim Não

Sim.

“Análise nvl 1 adquirida. Deseja usar análise nvl 1 para analisar o indivíduo?”

Desejo.

Pito Teresia

Humano adolescente nvl 1

Idade: 17 anos

Só isso, Gabby?

“Com seu nível de habilidade, isso é o máximo que é possível analisar.”

Aff. Vou ter que evoluir bastante antes, pelos visto.

–– Me chamo Pito Teresia, senhorita –– começou com uma cortesia que fez as garotas em volta darem suspiros –– Solis. É um prazer para mim conhecê-la. Eu devo dizer que nunca imaginei que uma capipuella pudesse ser tão bonita como a senhorita.

–– Claro que não, príncipe galanteador –– uma garota humana quase da altura de Marlin interferiu, para o meu alívio –– Capipuella era uma forma hipotética de como seria uma Capiruna transformada em forma humana. A condessa Solis foi a primeira a existir na história conhecida do nosso mundo.

–– Viu isso? A senhorita é a primeira e única –– seu tom exageradamente galanteador e performático aumentavam ainda mais o meu desconforto –– Tanto da espécie quanto no meu coração.

–– Vai atrás de alguém do seu tamanho, príncipe safado –– a garota puxou sua orelha, ralhando com ele como uma irmã mais velha –– A propósito, condessa, me chamo Aurélis Teresia, sou prima desse safado aqui. Eu sei o que você deve estar pensando. Sou muito linda para ser parente desse branquelo aqui, mas meu pai é meio-irmão do pai desse aqui, filho da segunda esposa do antigo rei, uma das mulheres mais belas de Area.

Dizendo isso, ela se afastou levando o príncipe Pito com ela.

Não havia notado anteriormente, mas assim que ela falou eu reparei na aparência dos dois. Os traços, se analisados com atenção, tinham muitas similaridades, o que mostrava o parentesco que possuíam entre si, entretanto, como Aurélis havia pontuado, o primo era branco, num tom de pele bege bem clarinho, puxado pro rosado, daqueles que se ficar muito no sol fica vermelho igual a um camarão. Já ela era o completo oposto. Os dois chamavam a atenção por onde passavam, mas ele me causava repulsa, ela me causava curiosidade.

–– Parece que você já conheceu esses dois –– Marlin se aproximou já falando, pegando alguns salgados e colocando no prato em sua mão –– A Aurélis é até legal, mas eu me manteria longe do Pito. Ele tem uma noiva desde os doze anos, mas vive tentando pedir garotas monstro em casamento. Ele gosta particularmente de garotas assim como você, pequenas com curvas bem definidas.

Eu esqueci de dizer. A minha altura é bem pequena, sendo só um pouco maior do que as felinare do tipo gato. Assim que eu me transformei, eu fui medida em tamanho e se deu a altura de 1,45m, indicando que provavelmente eu cresceria até 1,47 quando eu alcançasse a idade adulta –– uma coisa interessante é que após chegar a forma bípede, nosso envelhecimento se desvencilhar dos níveis e passa a se equiparar ao dos humanos –– Entretanto, meu corpo era de uma garota humana de quinze anos, não tinha nada em mim, tirando a altura, que fariam me confundirem com uma criança.

–– Não é como se ele não fosse baixinho também –– Marlin continuou, diminuindo a voz enquanto tentava não rir –– Se eu fosse um homem que tivesse um metro e sessenta, também tentaria namorar garotas de menos de um metro e cinquenta.

Eu também não tinha notado anteriormente, mas agora que Marlin havia comentado eu consegui reparar que ele realmente era bem baixinho para um humano. Quando percebeu que eu olhava para ele, ele dirigiu o olhar para mim, sorrindo e acenando. O meu incômodo, meu sentido de defesa, voltou a agir, e fiquei novamente desconfortável.

Eu sabia que ele estava planejando alguma coisa e que não seria nada bom para mim.

Ele não parou mais de olhar para mim, mas a presença de Marlin ao meu lado acalmou um pouco o desconforto que eu sentia. A canitech me apresentou aos outros nobres que estavam no baile, alguns com quem tive conversas mais longas ou mais curtas, sempre frívolas e superficiais. Um deles, porém, eu já tinha visto pouco tempo antes, no jogo de xadrez que fez meu status na família Solis mudar de animal de estimação para filha do duque.

Ali estava o enviado do rei de Teresia, Nicholaus Nicolai.

–– Aqui estão as senhoritas –– ele que se aproximou, cumprimentando a mim e a Marlin com cortesia protocolar, mas sincera –– Nós já sabemos nossos nomes, mas ainda não fomos apresentados formalmente. Prazer em conhecê-la, condessa Solis, e sinto que devo pedir desculpas pela forma como a tratei em nosso encontro anterior, tratando-a como um animal de estimação.

–– O senhor não precisa se preocupar –– respondi com a mesma cortesia que fora oferecida –– Era protocolo do palácio não deixarmos pessoas de fora saberem sobre essas circunstâncias.

“Alerta! Perigo de momento constrangedor.”

Ue. Como assim, mas nada naquela conver… ah sim.

A mensagem de Gabriel chamou minha atenção para o príncipe doidivanas, que subiu em cima de uma mesa e começou a cantar uma música de amor clássica na história da música desse mundo, mas me constrangeu a ponto de eu querer ter reencarnado como um monstro girafa e não um monstro capivara.

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