LOGINCordilheira do Rei da Morte, túmulo daquele que trouxera a magia profana para o mundo, mas não um jazigo literal, e sim o local onde, de acordo com a lenda, ele foi aprisionado. Não há de fato uma prisão física, mas a chave para tirar o Profanador do plano onde era o seu cativeiro.
Entretanto, não era apenas por ser o túmulo do primeiro Mago do Caos que aquela formação montanhosa, que divide o continente entre a parte habitável, ao Sul, e o temível Deserto do Esquecimento, ao norte. A CorVocês — eu falando como se alguém estivesse lendo isso — devem estar se perguntando como a história chegou a esse ponto. Para explicar isso, eu tenho que voltar para a última sexta feira, quando encontramos o grupo na Praça de Pyr, logo depois que as aulas terminaram. — Lucas! — Marah correu até Hypo sorridente — Você vai me levar na garupa, não é? — Não — ele respondeu secamente, dando de ombros — Não vou. — Mas não temos cavalos o suficiente — Marah fez bico, usando uma voz melosa — Por favor. Vamos. — Se é assim, você pode vir na minha garupa — comentei, sorrindo com o canto dos lábios — Tudo bem? Ela abriu a boca, pensando em argumentar, mas fechou-a resignada. Eu tinha resolvido o seu problema de mobilidade, mas taquei um balde de água fria em seu plano para tentar ficar colada no corpo do meu namorado. Não me levem a mal. Não é que eu achasse que correria algum risco com isso, até porque, se eu tivesse alguma dúvida
— Xadrez — comecei, olhando para as pessoas à minha volta — Alguém sabe me dizer o que é o Xadrez?Todos ali me olharam confusos, mostrando que não sabiam o que dizer e, principalmente, que tinham medo de falar alguma besteira e passarem algum tipo de vergonha. Mesmo eu deixando claro que nunca julgaria nenhum deles por respostas que fossem me dar, ainda sim eles tinham vergonha por seus pares.— Não precisam se perguntar — Lucas comentou, abrindo um sorriso — É normal que não tenham uma resposta exata ou mesmo correta, mas aqui nós estamos em território seguro.A verdade é que havia mais pessoas do que esperávamos a princípio quando começamos a organizar as aulas. O projeto inicial era que os alunos se restringissem aos funcionários do castelo, especificamente os da limpeza e da cozinha, apesar de também calcularmos que a guarda e cavalariços também pudessem querer participar. Entretanto, aqui estavam, além destes, grande parte dos neófitos da Ordem de Magos e alguns b
— Deixa de drama, Kamille — eu gargalhei, andando na frente para fora do quarto — Você logo vai arranjar uma namorada também. — Como você..?Sorri com o canto esquerdo da boca, puxando Lucas pelo braço. Logo nós três nos unimos a Duda, Antois e Maya, que estavam na sala de estar nos esperando. A barda tinha um olhar distante e pensativo, o que me deixou um pouco preocupada, tentando entender o que se passava com ela.— Uma moeda pelos seus pensamentos.— Eu não sei como eu vou cantar sem ele. Eu me desacostumei a cantar sozinha.— Não se preocupe. Eu tenho certeza que será por pouco tempo. Eu tenho fé que logo o Fadi vai voltar para nós.— Eu também acredito — Lucas fez festa em meus cabelos — Vai dar tudo certo. Não se preocupe.— Eu espero. Sinceramente eu espero.Saímos do casarão e montamos em nossos cavalos, cavalgando em direção a Tarami. Em duas horas, chegávamos no castelo. Deixamos as montarias no estábulo e cada um foi para o seu lado. Após
— A-Alê? E-eu não ousaria.— Me chame de Aléssia, então. — S-sim, Me.. Aléssia. Você é incrível.Maurine ficou tomando a sopa e fazendo cambalhota em cima do pequeno pires, parecendo uma criança que ganhou o presente de aniversário antecipado. Ela estava extremamente feliz, provavelmente pelo tratamento completamente diferente do que ela teve em toda a sua existência.— Eu faço das palavras da Alê as minhas — Lucas comentou, sorrindo de leve — Você é uma de nós agora, Maurine. Vai sempre comer na nossa mesa. Nós somos seus amigos.— Com certeza — Kamille abriu um sorriso enorme — Você é uma de nós. E não só ela. Vocês também, Cassandra e Klaus. Não sei se vocês querem voltar para a Cordilheira ou não, mas se quiserem ficar aqui, vocês são totalmente bem-vindos ao time. Esse casarão é enorme e tem quarto para todo mundo.— Nós vamos ficar — Klaus respondeu, olhando seriamente — Nós acreditamos na missão de vocês, no plano de vocês. E aquele amigo de vocês.. e
— Ela está em um processo doloroso de desbloqueio de memórias forçado por um trauma. O que exatamente aconteceu com ela? — Não foi necessariamente com ela, — respondi, dando um grande suspiro — Foi com o Fadi. Ele foi afetado pela maldição do amor falso e agora está obcecado por Marah. — Espera. Essa maldição não seria para o Lucas? — Sim, mas por algum acaso ela ficou hipnotizada pela aparência do Fadi e entregou o frasco para ele, e ele bebeu. — Entendi. — Entendeu o que? — Fadi tomou a poção para que proteger vocês dois. — Como assim? — Lucas interferiu, com olhos arregalados — Explica isso direito. — Ele sabia que, se ele não tomasse, ela entregaria para você. — Ele poderia simplesmente ter jogado fora. — Talvez. Talvez, não. Talvez jogar o conteúdo fora causasse uma reaçã
Havíamos combinado de nos encontrar na Praça de Pyr ao meio-dia para o almoço, já que, naquele dia, concordamos que passaríamos o dia na cidade comprando algumas coisas necessárias para o Casarão, como roupas de cama, produtos de banho, de limpeza e até algumas descorações. Fadi e Maya foram direto para a praça se apresentarem. Duda e Antois estariam comprando armas e livros. Lucas e eu comprávamos ítens mágicos e suprimentos. Os ifrit e Kamille se responsabilizaram por ir até uma loja de artigos profanos situada no que era chamado de Beco dos Esquecidos. Na hora marcada, Lucas e eu caminhávamos até o ponto de encontro, passando pelas pessoas que comentavam entre si elogios à apresentação de nossos amigos. Imaginávamos encontrá-los sentados em frente a estátua do deus do fogo descansando, mas a cena que encontramos parecia saída de uma realidade alternativa. Maya, junto com uma pessoa com roupas que pareciam ter saído de um desfile de







