LOGINO corredor do lado de fora do quarto de Dreston parecia ainda mais silencioso e frio do que antes.Cassienne permanecia ali, tremendo levemente, com os braços apertados ao redor do próprio corpo, como se tentasse manter unidos os pedaços quebrados de si mesma.Suas lágrimas ainda não haviam parado completamente.Aurora e Daisy estavam dos dois lados dela, observando-a com atenção.Aurora finalmente estendeu as mãos e segurou suavemente seus ombros.— Você precisa se manter forte agora, Cass — disse baixinho. — Não pode continuar assim.Cassienne enxugou as bochechas molhadas.Mas novas lágrimas continuavam se formando.Daisy se aproximou e colocou uma mão delicadamente sobre o ventre de Cassienne.— Pelo menos pelo pequeno que está crescendo aí dentro.Aquelas palavras fizeram Cassienne congelar.Seus olhos desceram até a mão de Daisy.Por um instante, o silêncio envolveu as três.Cassienne respirou devagar.Então endireitou a postura.Fungou e enxugou as últimas lágrimas do rosto com
Dentro do quarto, a iluminação era suave, reduzida a um brilho âmbar e tranquilo.A cama de Dreston havia sido ajustada para que ele ficasse sentado confortavelmente contra os travesseiros.Vários monitores ainda o cercavam, as telas exibindo linhas e números estáveis.O médico e duas enfermeiras permaneciam por perto, analisando o prontuário.Cassienne parou perto da porta.No instante em que entrou, os olhos cinzentos de Dreston se prenderam nela.Ele não desviou.Nem por um segundo.A intensidade daquele olhar fez o coração de Cassienne bater tão forte que ela sentiu como se pudesse machucar suas costelas.Mesmo assim, obrigou-se a manter a calma, embora suas mãos tremessem ao lado do corpo.Primeiro, ela olhou para o médico.Ele lhe deu um gesto tranquilizador com a cabeça.— Pode se aproximar — disse gentilmente.Cassienne avançou devagar.— Parece que estamos fazendo progresso — acrescentou o médico.O coração dela se agitou.Progresso?O médico se virou para Dreston.— O Sr. Tr
A ala privativa de recuperação havia caído em um silêncio inquietante depois de horas de exames, tomografias e consultas discretas.Finalmente, o médico havia recuado, satisfeito de que Cassienne estava clinicamente estável o suficiente para receber alta.Seu desmaio havia assustado a todos, principalmente depois que a gravidez foi confirmada, mas as enfermeiras insistiram em mantê-la em observação até que todos os sinais vitais estivessem estáveis.Cassienne, porém, recusava-se a permanecer ali um minuto a mais do que o necessário.Ela queria ir embora.O hospital havia se transformado em um campo de batalha de memórias e dor.Cada som de monitor.Cada cheiro estéril.Cada vislumbre de jalecos brancos.Tudo a fazia lembrar da noite em que Dreston havia sido levado às pressas para lá depois do acidente.Da verdade cruel que descobrira na sala de espera.Da maneira como seu mundo havia se partido novamente.Ela não conseguia mais respirar ali.Aurora e Daisy já a esperavam no corredor
O quarto privativo onde Dreston estava permanecia escuro.As luzes suaves do hospital brilhavam fracamente contra as paredes claras, e o som ritmado do monitor cardíaco era a única coisa quebrando o silêncio.Dreston Tremont estava imóvel na cama do hospital.Sua respiração era estável, o peito subindo e descendo lentamente sob o cobertor fino.Mas sua mente não estava em silêncio.Nem um pouco.Em algum lugar na escuridão por trás de seus olhos fechados, lembranças começaram a surgir.Vieram como pedaços espalhados de um sonho.Uma brisa quente.Fileiras de videiras se estendendo sob um pôr do sol dourado.O cheiro de uvas e terra fresca.E risadas acompanhadas de um rosto conhecido e radiante.Era a risada de Cassienne.O som ecoou com clareza em sua mente.As sobrancelhas de Dreston se contraíram levemente enquanto a lembrança mudava.Ele a viu correndo entre as fileiras do vinhedo, os longos cabelos pretos brilhando sob a luz do sol enquanto ela se virava para ele com um sorriso b
No instante em que a porta se fechou suavemente atrás de Cassienne, ela ficou parada por alguns segundos.Imóvel.Encarando a parede branca à sua frente como se sua mente ainda não conseguisse processar o que acabara de acontecer.Então seu mundo desabou.Suas pernas cederam.A força deixou seu corpo tão de repente que ela quase caiu no chão, mas dois braços a seguraram antes que pudesse atingir o piso.— Cassienne! — gritou Abigail.Ela a puxou para um abraço firme, sustentando seu peso enquanto o corpo de Cassienne tremia violentamente.Cassienne agarrou a frente da blusa de Abigail como uma pessoa se afogando e tentando encontrar ar.Então os soluços vieram.Não era o choro silencioso que ela vinha tentando conter o dia inteiro.Eram soluços profundos.Quebrados.Fortes o suficiente para sacudir todo o seu corpo.Seus joelhos finalmente cederam por completo, e Abigail se abaixou com ela até o chão do corredor.— Cassienne, minha querida... respire... respire...Mas Cassienne não co
Cassienne caminhou pelo corredor do hospital em direção ao quarto de Dreston.Ela ficou parada diante da porta por um longo momento, os dedos pairando sobre a maçaneta.As luzes do corredor se refletiam suavemente no piso polido sob seus pés.Em algum lugar mais adiante, os sapatos de uma enfermeira faziam um som discreto enquanto ela passava.Mas nada disso alcançava a mente de Cassienne.Seus pensamentos estavam concentrados no quarto diante dela.Dreston estava lá dentro.Acordado.Aquilo era tudo o que importava para ela.Seu coração batia mais forte quanto mais perto ficava da porta.Durante horas, ela havia imaginado aquele momento.Uma pequena parte dela ainda esperava por algo impossível.Talvez, quando ele a visse novamente...Alguma coisa mudasse.Talvez sua memória voltasse ao normal.Seus dedos tremeram levemente.Cassienne ergueu a mão e bateu suavemente na porta.O som foi baixo.— Entre.A voz de Dreston respondeu.E ela congelou.Mesmo agora, aquela voz ainda conseguia







